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13 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

O proselitismo é mesmo assim

Jihadistas são acusados de forçar conversão de cristão com arma

Os habitantes que fugiram da localidade cristã síria de Maaloula acusaram os jihadistas que a tomaram de terem obrigado um deles a se converter ao islamismo sob a mira de uma pistola.

“Eles chegaram à nossa cidade na manhã da última quarta-feira e gritaram: ‘Nós somos a frente Al-Nosra'”, contou uma mulher na terça-feira, em Damasco, depois de participar do funeral de três milicianos cristãos favoráveis ao regime, que foram mortos durante os combates entre os rebeldes e o Exército.

12 de Setembro, 2013 José Moreira

“Era um biquini, pequenino…”

Decididamente, as opções religiosas são para respeitar.E para impor, acrescento. Assim, por exemplo, se um cristão decide residir num qualquer país islâmico, tem todo o direito a exigir costeletas de porco, no talho. E caso o talho não tenha costeletas de porco, o cristão tem todo o direito a dirimir, em tribunal, o seu suíno direito. Perdão: o direito ao suíno. E estou convicto de que o tribunal, por mais islâmico-fascista que seja, não deixará de fazer a vontade ao simpático cristão, já que as suas opções religiosas não o proíbem de saborear o suíno artiodáctilo do qual a única parte inaproveitável é o grunhido.

Por isso, e por uma questão de reciprocidade, os islâmicos que residam em países ditos de cultura cristianizada, têm todo o direito a fazer as suas exigências. Foi o caso desta jovem,  que, não suficientemente contente por o tribunal a autorizar a ir às aulas de natação em “burquini”, provavelmente vai exigir que todas/os as/os colegas passem a envergar a atraente indumentária, já que o Alcorão proíbe as mulheres não só de exibirem qualquer pedaço de pele que vá além da cara, das mãos e dos pés, como também as proíbe de ver. Ora, a pudibunda jovem recata-se, como manda Maomé, mas a verdade é que vive em pecado, ao visualizar os seus colegas masculinos que, naquela idade, transpiram hormonas por tudo quanto é poro. E a apudorada rapariga, que até passou os oito anos de idade sem ter sido obrigada a casar-se, não pode ser constrangida a ver as insinuadas pendurezas masculinas. Não que, provavelmente, lhe falte vontade; mas o Maomé…

Parece que o tribunal não deu razão à jovem. Lá que se vista de “burquini” para ir nadar, ainda vá que não vá; mas se não quer ver os outros em roupas reduzidas… que feche os olhos.  Por seu lado, a jovem já terá uma justificação para, sem deixar de cumprir o islão, conviver alegremente com os púberes companheiros masculinos.

Ele sempre há coisas que nos ajudam a limpar a consciência. E vale a pena contar um caso que se passou comigo, há uns anos. Num congresso internacional, chegou a hora da refeição. Como o dinheiro não abundava, o cardápio consistia em corriqueira costeleta de porco frita com batata e arroz. À minha frente, na mesa corrida, um paquistanês, quando viu o prato aterrar na sua frente, perguntou-me o que era “aquilo”. Porco, respondi. No seu inglês macarrónico, fez-me saber que a sua religião o proibia de comer aquele petisco. Fiz sinal ao empregado que, perante a minha tradução, solicitamente se prontificou a trocar o prato. Regressou, passados poucos minutos, com o que parecia ser outro prato. O paquistanês repetiu a pergunta anteriormente feita, ao que eu respondi: “Vitela”.

Eis, pois, como um simpático islamista comeu uma saborosa e proibida costeleta de porco, sem sombra de pecado.

Moral da história: todo o burro come palha, é preciso é sabê-la dar. Não se poderia aplicar o ditado à rapariguinha?

 

12 de Setembro, 2013 David Ferreira

11 de Setembro de 2001 – In memoriam

As memórias são como os vinhos. Evoluem com o passar do tempo. As boas apuram-se, tornando-se inesquecíveis, e as más avinagram-se, tornando-se igualmente inesquecíveis. Ambas são fruto de condições particulares. E só prevalecem as que se extremam porque fogem à norma.

11 de Setembro de 2001. O calor de Díli envelhece prematuramente o corpo e a vontade. Os corpos, moldados às diferentes estações europeias, soporizam. Tolda-se o juízo que o ai-manas* se encarrega de espevitar, acicatando a língua e espevitando a libido. O excesso de humidade sufoca e a pele é um filtro em permanente sudação.

O restaurante City Café é um dos locais mais “in” da capital de Timor Leste, local onde diariamente se reúnem as tribos de burocratas das Nações Unidas, civis e militares, para destilar a fadiga da rotina extenuante em que se tornara a construção de um novo país. O dono, um português que não resistira às maravilhas do oriente, um simpático anfitrião sempre disponível a receber quaisquer convivas provenientes de países tão distantes como distintos, partilha um sorriso amistoso e jovial, mesa a mesa. Como denominador comum da satisfação geral, uma cozinha aportuguesada, que tem tanto de saudade na apresentação como de deslumbre no tempero.

Celebrávamos a partida antecipada para o “puto” de uns camaradas nomeados para a frequência inadiável de um curso profissional. Na sala privada exibe-se uma enorme tela, fixada, ao fundo. Um quadro branco, inexpressivo, a diluir-se no branco da parede que parece fundir-se com ela ao fim de uns quantos copos de uma boa cepa lusitana. E eis que, por entre brindes de despedida e a mastigação de inesquecíveis crustáceos pincelados a fogo terrestre oriental, entra repentinamente no animado cubículo reservado o dono do restaurante, visivelmente perturbado.

– Liguem a televisão!

– Que se passa?

– Está a acontecer um ataque aos Estados Unidos da América!

– O quê?

– Isso mesmo. É o que parece.

A empregada timorense liga a televisão e a tela exibe uma das torres do World Trade Center a fumegar profusamente, como um gigantesco fósforo aceso que o vento soprara. E com o fumo se foi o jantar, perante o olhar boquiaberto dos comensais.

Haveria de passar o que restava da noite a digerir o faustoso jantar em frente a um ecrã convencional, a descrer do que via, qual crente. Há realidades que nem o sonho mais maquiavélico pode antecipar.

Recordo o meu pensamento após a queda da primeira torre: “Isto é uma implosão!” Recordo o que senti após a queda da segunda torre e, sobretudo, após a queda matematicamente simétrica do edifício anexo que não tinha sido atingido por nenhuma aeronave: “ Não me lixem! Isto são implosões!”

Sem o antecipar, a humanidade tomava um novo rumo. Assim de rompante, entre um trago de Grão Vasco e um ardor a sol na língua. Entre o agridoce sabor do fruto da terra e a amargura de um fruto desidratado que o fanatismo semeou nos céus para colher no paraíso.

Regressado à reconfortante pacatez da Pátria Mãe, haveria de saber mais tarde que a verdade nunca nos é servida de bandeja. Que aquilo que julgamos saber é, muitas vezes, apenas aquilo que outros pretendem que saibamos. Mas também que as verdades paralelas que teorizamos como aparentemente óbvias podem não ser mais que uma bandeja cheia de enganos com que alimentamos a insatisfação de não conseguirmos saber tudo o que esses outros não pretendem que saibamos na totalidade.

A vida é como um jogo de xadrez que todos intentam ganhar. E sempre que um jogador oferece a rainha em sacrifício, tanto desconfia o adversário das reais intenções do estranho ardil com que se depara, como desconfiam as peças do jogo que, surpresas mas condicionadas pela bidimensionalidade do tabuleiro onde peleiam, apenas conseguem vislumbrar a sombra do inimigo a movimentar-se em direção a elas e nunca o gesto da mão que, por cima, noutra dimensão, o movimenta , engendrando planos para o futuro de ambos.

A verdade do jogo, essa, será sempre a do vencedor. Mesmo que seja mentira.

 

* Picante timorense

11 de Setembro, 2013 Luís Grave Rodrigues

Imagine…

11 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

No 12.º aniversário do ataque às Torres Gémeas de Nova York

A galáxia terrorista que dá pelo nome de Al-Qaeda não é a mera associação criminosa com gosto mórbido pela morte, é uma nebulosa de fanáticos que creem no Paraíso e nas virgens que julgam aguardá-los no estado miserável em que chegam.

Não têm uma ideologia, uma lógica ou um objetivo claro, pretendem apenas agradar a um Deus de virtude duvidosa e ao profeta em defunção, desde o ano 632 da era vulgar.

A demência ganhou ímpeto em 11 de Setembro de 2001, nos ataques às Torres Gémeas de Nova Iorque e ao Pentágono, em 11 de Março de 2004, na estação ferroviária de Atocha, em Madrid, nas explosões em estâncias de veraneio, nas embaixadas dos EUA e no Metro de Londres, em 7 de Julho de 2005.

Por toda a Europa, seja a pretexto das caricaturas de Maomé ou de um livro considerado blasfemo, surge a violência enquanto a rua islâmica ulula e ameaça.

Não vale a pena iludirmo-nos com a bondade do Islão quando os clérigos pregam o ódio e apelam ao martírio. Os países democráticos não se libertam do complexo da culpa das cruzadas e da evangelização e tratam o terrorismo religioso com excessiva brandura.

Um templo onde se prega o ódio é um campo de treino terrorista. Um clérigo que apela à violência é um criminoso que deve ser julgado.

Os japoneses que viam Deus no Imperador, imolavam-se em seu nome mas, perdidas as fontes de financiamento e desarticuladas as redes de propaganda, abdicaram do suicídio e da imolação com aviões e torpedos que dirigiam contra alvos inimigos.

É tempo de conter a ameaça que paira sobre a civilização e a democracia, sem sacrificar o Estado de direito, sem abdicar das liberdades e garantias que definem a nossa cultura.

Mas não podemos hesitar na luta contra o financiamento e proselitismo ideológico que grassa entre fanáticos de várias religiões. Não são famintos em desespero, são médicos, pilotos e académicos que buscam o Paraíso através de crimes contra os infiéis.

É preciso contê-los.

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11 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Augusto Pinochet e o crime cometido há 40 anos

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Faz hoje 40 anos que um sombrio general, Augusto Pinochet, derrubou o Presidente do Chile, Salvador Allende, eleito democraticamente, e iniciou a longa e sinistra ditadura que permanece como paradigma da crueldade, do arbítrio e da barbárie.

Em homenagem a muitos milhares de desaparecidos, torturados, presos e assassinados, não podemos esquecer a data e o algoz que perdeu na última semana de 2005 o recurso no Supremo Tribunal e enfrentou várias acusações na sequência do desaparecimento de 119 membros de um grupo da oposição durante o seu regime.

De 1973 a 1990, entre o golpe que derrubou o Governo legal e o seu afastamento do poder, Pinochet foi responsável pela morte e desaparecimento de mais de 3.000 pessoas.

Depois da descoberta de contas secretas nos EUA, com vultuosas quantias obtidas de forma fraudulenta, num valor superior a 24 milhões de euros, o velho déspota conheceu o opróbrio e a prisão. Nem o apoio empenhado de João Paulo II e Margaret Thatcher lhe valeu.

Longe iam os tempos em que afirmava que no Chile nem uma folha se mexia sem o seu conhecimento.

Quando João Paulo II, amigo do peito e da hóstia, visitou o Chile, considerou o pio general e a Esposa como um casal católico modelo. Apenas lhe notou a devoção, não lhe perscrutou a crueldade.

A polícia secreta do general Augusto Pinochet liderou uma rede de espionagem, dentro e fora do Chile, que cruzava informação com o Vaticano, o FBI, e com outras ditaduras da América Latina. Foi essa polícia e as Forças Armadas que permitiram ao ditador, sob uma repressão feroz, impor ao Chile as receitas económicas de Milton Friedemann.

11 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

Capelães e capelanias

A Constituição da República Portuguesa não determina que o Estado seja obrigado a prestar assistência religiosa aos portugueses nem diz que a mesma é tendencialmente gratuita, com ou sem taxa moderadora.

A sustentação do culto é um dever dos crentes, através do dízimo, da côngrua ou de qualquer outra forma de pagamento, por prestação de serviços, e nunca comparticipada a 100% por serviços do Estado, seja nas Forças Armadas, nos hospitais ou nas prisões.

Ao Estado incumbe o dever de assegurar a liberdade de culto a todos os crentes, em igualdade de circunstâncias e, ao mesmo tempo, defender o direito dos cidadãos a terem a religião que quiserem, enquanto entenderem, sem risco de mudança, de apostasia ou, mesmo, de serem hostis.

A promíscua ligação da ditadura salazarista à Igreja católica, através da Concordata, dava ao Governo o direito de recusar os bispos que a Igreja propusesse para as dioceses, mas legou ao país uma série de capelães pagos pelo erário. A democracia prescindiu do veto à nomeação de bispos mas a Igreja não prescindiu das capelanias e alargou-as às forças policiais.

O contra-almirante Pe. Manuel da Costa Amorim, indicado pela Conferência Episcopal Portuguesa, é o comandante-chefe dos católicos fardados e o único general que é subordinado do Estado do Vaticano e não do Estado português, uma perda de soberania absolutamente inaceitável.

O número de capelães aproxima-se de 200. Num estado laico estão todos a mais.