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1 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

O Islão e a pedofilia

Uma menina de quatro anos foi hospitalizada, em estado crítico, depois de ter sido violada por um professor de uma escola religiosa islâmica (madrassa) na localidade de Vehari, no leste do Paquistão, disse fonte policial.

O principal suspeito da agressão foi detido, depois da denúncia apresentada após a violação da menina, identificada como Sumaya, na terça-feira, no primeiro dia em que a criança frequentou a “madrassa”.

1 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

Fátima – a superstição estimulada

Agora que o Papa Francisco serve de pretexto para todos os que esperavam o mínimo gesto de humanidade para entrar no redil da Igreja, é bom lembrar que o Inferno foi de novo reativado, com o seu gerente – o Diabo –, várias vezes referido pelo Papa.

Assim, os exorcistas insistem a sarar as possessões demoníacas como os quiromantes a preverem o futuro, as bruxas a curarem os males de amor e as ciganas o mau olhado. Os exorcistas são a versão canónica dos bruxos, vestidos de sotaina e armados de crucifixo.

Estamos perante a perpetuidade da superstição popular com a autorização da exposição pública do 3.º segredo de Fátima, elucubração da Irmã Lúcia, certamente ajudada pelo diretor espiritual da clausura, segredo que João Paulo II, no seu amplíssimo narcisismo, julgou ser-lhe destinado.

Fátima tem hoje a maior área coberta da fé e é o mais rentável dos santuários que fogem ao fisco, à sombra da cruz. O santuário é uma espécie de «router» para Deus, uma zona de «Wi Fi», um «hotspot» onde os créus ligam o «tablet» da fé diretamente ao Paraíso.

A superstição é um instrumento pio que não precisa de fibra ótica para chegar a Deus.

1 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

A burla é rentável. Mantenha-se!

O Papa Francisco permitiu expor pela primeira vez ao público o manuscrito da “Terceira Parte do Segredo de Fátima” no santuário da Cova de Iria.

O empréstimo do manuscrito foi autorizado pelo Papa Francisco em junho e será a peça “de maior valor simbólico” que integra a mostra “Segredo e Revelação”, que é inaugurada a 30 de novembro, explicou o comissário da exposição, Marco Daniel Duarte, que é também diretor do Museu do Santuário de Fátima.

31 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

O Islão é recuperável?

Um bebé foi registado no Líbano sem que no registo civil conste a sua religião, facto inédito no país, anunciou o pai de Ghadi Darwich, que considerou o filho “o primeiro bebé nascido livre no Líbano”.

Ghadi Darwich nasceu em 30 de setembro da união civil entre Nidal Darwich, xiita, e Yulud Sukarie, sunita, que em abril foi notícia nos media libaneses por ter sido o primeiro matrimónio civil realizado no Líbano, para além de transpor a tradicional barreira de hostilidade entre as comunidades xiitas e sunitas.

31 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

Texto de 17 de janeiro de 2000

No n.º 399 de 16 de Janeiro de notícias magazine, a preceder uma interessante entrevista de Raul Cruz, pág. 8, lê-se no 2.º período em letras grandes, sobre fundo vermelho, o seguinte: O Professor Moisés Espírito Santo, catedrático de Sociologia das Religiões, considera este Papa o “mais sinistro” dos últimos 150 anos,…”

Na página 9, igualmente sobre fundo vermelho, repete-se a mesma afirmação, o que pode levar os leitores distraídos a pensar que se trata do actual Papa.

No entanto, na página 10, em resposta à pergunta do jornalista  – se considera que o actual Papa terá feito “letra morta” do espírito do Vaticano II – responde o entrevistado que “com João Paulo II voltou-se ao espírito de Pio IX…” a quem se refere como “o Papa mais sinistro dos últimos 150 anos”.

Fosse ainda Papa  João XXIII e nenhum leitor se deixaria induzir em erro, nem o meu reparo teria utilidade.

Assim, trata-se dum erro, agravado pela reincidência, em relação à afirmação do autor. E tanto mais grave pelo facto dos não eruditos, como é o meu caso, pensarem que semelhante epíteto devia ser disputado entre Pio XII e João Paulo II.

Tendo o actual pontificado abolido o Inferno e, a avaliar pela intenção de canonizar Pio IX, com efeitos retroactivos, é injusto deixar cair no esquecimento o Papa que considerou a Igreja “inconciliável com o progresso e a civilização”.

CE (texto publicado na íntegra)

30 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

A Turquia, a República e a laicidade ameaçada

Ontem, dia 29 de outubro, a República comemorou 90 anos. Esse dia é, naturalmente, o feriado identitário do País que deve a Mustafa Kemal Atatürk, não apenas a República, mas o ensino primário gratuito e obrigatório e um país laico a caminho da modernidade.

Sabe-se como foi difícil combater os preconceitos e como o Islão é avesso à liberdade. Não foi fácil nem meiga a luta de Atatürk contra o carácter totalitário da religião. Não obstante a violência que usou, hoje inaceitável, continua a ser visto como pai da Turquia moderna que o atual presidente, o Irmão Muçulmano disfarçado de moderado, quer ver virada para Meca.

Ontem, Dia da República, feriado que nem o devoto Erdogan ousou suprimir, foi aberto o túnel ferroviário que liga as duas margens do canal que divide Istambul e separa dois continentes, a Europa e a Ásia.

O túnel é um símbolo da modernidade sonhada por Ataturk que via no Islão o principal adversário de uma República moderna, secular e democrática, a ponto de ter proibido o uso público do véu islâmico e de quaisquer outros símbolos religiosos.

Ontem, o túnel ferroviário serviu ao devoto Erdogan para a sua promoção política e aos defensores da laicidade para comemorarem os 90 anos da República secular, herdada do grande militar, estadista, primeiro presidente e fundador da moderna Turquia.

A gigantesca manifestação de protesto contra a reislamização turca ombreou com a devoção de Erdogan.

29 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

As Forças Armadas e o seu bispo

Um Estado estrangeiro nomeia um oficial-general para as FA portuguesas que apenas têm obrigação de o sustentar. Eu sei que a Concordata, um documento saído da cobardia do Governo, com fundadas suspeitas de atraiçoar a laicidade que a Constituição impõe, é a responsável.

Francisco Sá Carneiro, que viveu e morreu em concubinato com uma grande mulher, Snu Abecasis, perguntou para que era precisa uma Concordata. Ele sentiu na pele, pelo escândalo que a sua situação representava, à época, a proibição do divórcio, prepotência que a Igreja católica impunha com a força da aliança clerical-fascista do salazarismo.

Foi Salgado Zenha, católico, uma referência ética da democracia e da luta contra a ditadura que ameaçou o Vaticano e legalizou o divórcio sem interferências pias.

A Concordata, tratado de um Estado com a Igreja católica, é um instrumento que existe há séculos mas que Pio XII instigou com todos os Estados fascistas onde o catolicismo era a religião dominante. Não faltou a Concordata assinada com Mussolini, que impôs a obrigatoriedade do ensino católico nas escolas do Estado e lhe valeu, do papa de turno, o apodo de «enviado da Providência». Hitler, Franco e Salazar foram outros dos que assinaram concordatas sob os auspícios do denominado Papa de Hitler, Pio XII, cujo passado o Vaticano se esforça por branquear.

A atual Concordata, assinada pelo governo de Durão Barroso, alargou as capelanias militares às forças policiais, juntando-se às capelanias hospitalares e prisionais. O Governo descura a assistência do Serviço Nacional de Saúde mas não deixa que falte a assistência religiosa. A comparticipação nos medicamentos baixa mas as mesinhas para a alma são comparticipadas a 100%.

Portugal não é apenas um país que perdeu a soberania, com a dívida externa, é um país que está de joelhos perante o Vaticano, um protetorado sob vigilância das sotainas.