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22 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

Deus, religião e crentes

Há quem não aceite que Deus é uma criação humana, a muleta para as nossas fraquezas, a explicação por defeito para as respostas que não sabemos, no fundo, uma necessidade para quem se habituou a uma dependência que, quase sempre, lhe foi incutida desde que nasceu e preservada por constrangimentos sociais.

A perversão das crenças reside na origem, na perversão dos homens que as inventaram e que lhes transmitiram a marca genética dos seus preconceitos e superstições.

O humanismo foi construído quase sempre contra as religiões, contra os deuses sedentos de sacrifícios, sofrimento e conservadorismo, defeitos que têm profissionais zelosos ao serviço da sua divulgação.

Ninguém se permitiria condenar à morte quem deixa de acreditar numa lei da física ou num axioma, mas não clérigos a exigir a eliminação física dos apóstatas ou dos hereges, estes meros crentes divergentes na interpretação das alegadas mensagens de um deus imaginário.

A História ensinou-nos a relativizar as ideias na sua permanente evolução, quase sempre influenciadas pelo avanço das ciências e a apoteose de novas descobertas, mas as ideias religiosas resistem até ao absurdo, com polícias dedicados, sempre prontos a castigas os réprobos e a aplicar a jurisprudência da Idade do Bronze.

A paz não pode ser conseguida com verdades absolutas e imutáveis. É por isso que os Estados modernos, devem tratar as religiões como quaisquer outras associações em que a plena liberdade de formação não as exime ao Código Penal e os seus atos ao escrutínio da lei.

Não percebo por que motivo uma religião possa ter normas jurídicas próprias no Estado de direito, ter conventos de cuja inspeção o Estado se demita, para avaliar se as pessoas estão ali de livre vontade ou se se trata de cárcere privado e, sobretudo, conseguir furtar-se aos impostos sobre os bens e ao escrutínio sobre a forma da sua aquisição.

21 de Outubro, 2020 João Monteiro

1º Manifesto Mundial contra Pseudoterapias

Foi esta semana apresentado o resultado da recolha de assinaturas para o Manifesto contra as Pseudoterapias. Assinaram 2750 cientistas e profissionais de saúde de 44 países, numa iniciativa que começou com um cunho europeu, mas que rapidamente ganhou um cariz mundial, como noticia o jornal Público.

A iniciativa partiu da APETP – Asociación para Proteger al Enfermo de Terapias Pseudocientíficas, que juntou outras instituições espanholas a portuguesas, francesas, inglesas, dinamarquesas e suecas para promoverem o manifesto e a recolha de assinaturas. Em Portugal, a organização ficou a cargo da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa.

A mensagem principal do Manifesto é que as pseudoterapias são perigosas, seja porque fazem diretamente mal à saúde (interação com medicamentos, interação planta-medicamento, intoxicações, ou dano direto em órgãos) ou indiretamente (ao atrasarem o contacto com profissionais de saúde). As pseudoterapias não são medicina.

Se as pseudoterapias já eram uma fonte de preocupação pelos motivos apresentados e pelo crescente movimento antivacinação, nos tempos que correm estão ainda mais presentes, sendo os seus promotores igualmente disseminadores de desinformação relacionada com a saúde e com teorias da conspiração em tempos de pandemia. A preocupação global é de tal ordem que se instituiu o dia 20 de Outubro (assinalado ontem) como o Dia Mundial dos Cuidados de Saúde Baseados na Evidência, porque os doentes têm o direito de saber que os tratamentos a que recorrem são eficazes. Resta-nos a nós, cidadãos, fazer pressão política para alterar a regulamentação deste tipo de práticas.

19 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

Não gosto que me decapitem

A decapitação do professor de História que exibiu na aula as caricaturas de um beduíno amoral, que criou uma religião de fanáticos através do plágio grosseiro do judaísmo e cristianismo, conduziu à sua decapitação por um fascista islâmico.

Quando um manual terrorista conduz à violência assassina, tal como o Mein Kampf, na política, é a civilização que fica em perigo e a liberdade de expressão coartada.

A morte do professor Samuel Paty, em França, é a metáfora do Islão dito radical, como se houvesse outro, como se os versículos não fossem os do Antigo Testamento, os que os patriarcas tribais da Idade do Bronze, atribuíram ao suspeito que inventaram – Deus.

Os europeus esqueceram as sangrentas guerras religiosas, o caminho percorrido com a Reforma, Renascimento, Iluminismo e Revolução Francesa, a Guerra dos Trinta Anos e a paz de Vestefália, e os mortos que a precederam, e os que ainda houve depois.

Foi a repressão política sobre o clero que permitiu a laicidade, um valor que se sobrepõe às legítimas crenças, que não conduzam à violência, caso em que a defesa da civilização deve combatê-las. A cruzada contra os Albigenses, a teocracia calvinista de Basileia, ou, mais recentes, a Cruzada de Franco contra a República e o terrorismo do IRA, deviam estar na memória como vacina da patologia beata contra a paz e a liberdade.

Na Europa, há recorrentes manifestações de vingança de uma civilização decadente que pretende impor pela força a religião identitária que a preservou na Idade Média.

As religiões têm de aceitar o direito às crenças, descrenças e anti crenças alheias, todos somo ateus em relação à religião dos outros. Exigir o respeito pela laicidade e liberdade de expressão é proteger os princípios cívicos e democráticos da nossa civilização, que fez da Europa a vanguarda da defesa dos Direitos Humanos.

Há 150 anos, ainda Pio IX excomungava o panteísmo, o naturalismo, o racionalismo, o indiferentismo, o socialismo, o comunismo, a maçonaria, o judaísmo, as outras igrejas cristãs, enfim, o livre-pensamento e todos os livres-pensadores. Era um talibã romano, a cabeça tortuosa que produziu a encíclica Quanta Cura, com o famoso Syllabus errorum.

A Europa foi capaz de amansar a violência papal, e não será capaz de impor o código de conduta democrática a todas as ideologias, políticas, religiosas ou outras?

Os muçulmanos podem dilatar as rezas, jejuns e genuflexões, virados para Meca, e odiar o toucinho, não podem estimular o terrorismo ou a lapidação, a pedofilia, a poligamia, a excisão do clitóris, a decapitação dos infiéis e as malfeitorias de que são capazes em nome do Deus que outros inventaram e eles tornaram mais sádico.

Não gosto que me decapitem.

Solidário com Samuel Paty, mártir da liberdade, publico caricaturas de um jornal que os beatos não toleram.

17 de Outubro, 2020 João Monteiro

Pela liberdade de expressão e de crítica

Foi ontem noticiado que um professor francês foi encontrado decapitado numa vila próxima de Paris, e que o presumível assassino teria sido o pai de um aluno. A motivação, supostamente, terá sido a exibição de caricaturas do profeta Maomé numa aula.

Confirmando-se a notícia, o ato merece o nosso maior repúdio. Defendemos e continuaremos sempre a defender a liberdade de expressão e de crítica.

Apesar de defendermos o direito à crença religiosa, a mesma não pode justificar atentados à vida de outras pessoas. É necessário debater e aceitar a crítica a ideias e crenças diferentes, incluindo mesmo a sátira dessas convicções, tal como foi feita no passado, várias vezes, pela publicação Charlie Hebdo. Nunca, em situação alguma, um qualquer deus ou profeta pode ter mais valor que uma vida humana.

Relembramos que o ato foi cometido, tanto quanto se sabe, por um indivíduo, pelo que a ação só o responsabiliza a ele, não podendo a comunidade a que ele pertence ser acusada por associação. Segundo as notícias, o suspeito foi morto pela polícia, já não podendo ser apresentado à justiça.

Se se confirmarem as motivações do crime, este é mais um exemplo de como uma crença religiosa pode resvalar para a loucura e barbárie, dando a razão aos ateus de que a religião faz mais mal do que bem.

A construção da vida em sociedade é um trabalho constante. Saibamos, em conjunto, preservar os valores da tolerância, da liberdade e do humanismo.

Fonte: Jornal de Notícias, 16-10-2020

16 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

Religiões e democracia

Todas as religiões se consideram as únicas verdadeiras, tal como o seu deus. Cada uma considera falsas todas as outras e o deus de cada uma delas e, provavelmente, todas têm razão. Os ateus só consideram falsa mais uma religião e um deus mais. Em certa medida todos somos ateus.E somo-lo, não apenas na aceção grega, em que um ateu era o que acreditava nos deuses de uma cidade diferente, mas também na aceção atual, na descrença num ente superior imaginário, e, ainda, em relação a Zeus, a Shiva, ao Boi Ápis e à multidão que aguarda, nas páginas da mitologia, os deuses atuais. No soneto «Divina Comédia», de Antero de Quental, os homens perguntam, com voz triste, «deuses, porque é que nos criastes»? E os deuses respondem, com voz ainda mais triste, «homens, porque é que nos criastes»?

A crença, em si, não é apenas legítima, é um direito que cabe ao Estado laico assegurar. O que assusta é o proselitismo dos que não lhes basta a sua crença e a procuram impor a outros, a violência que usam para agradar ao deus que lhes ensinaram desde a infância ou àquele que os seduziu numa qualquer fase da vida.

Infiéis são os fiéis da concorrência e os descrentes de qualquer fé, e que devem gozar de igual proteção, quer pertençam a uma seita ou religião poderosa. A seita é a religião de minorias e a religião é a seita globalizante. Todas têm direitos e deveres e não se aceita que sejam exoneradas do respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O pluralismo é uma exigência democrática a que nenhum deus devia poder esquivar-se. Há para com os crimes praticados em nome das religiões uma condescendência que não existe para outras associações ou ideologias profanas. Porquê?O nazismo é reprimido mas o totalitarismo religioso é tolerado. A democracia não deve consentir quem a combata, não pode conformar-se com os vírus que a ameaçam. Não se compreende que uma religião que não aceita as outras nos países onde é dominante e escraviza os que aí vivem, possa gozar de igualdade de direitos nos países que ameaça.

Com que legitimidade se permitem mesquitas aos crentes de uma religião que não aceita igrejas, pagodes, sinagogas ou templos às outras religiões? A Europa, onde se recrutam soldados de um deus cruel e vingativo, continuará a aceitar a divulgação de manuais que apelam à guerra santa e a deixar circular os pregadores que destilam ódio nos sermões e aliciam terroristas para a guerra santa?

O pluralismo, conquistado com a sangrenta Guerra dos Trinta Anos, em Vestefália, não pode ser posto em causa por ideologias que pretendem a exclusividade do mercado da fé e a eliminação da concorrência. Basta de cobardia para com as crenças. Urge resguardar os crentes dos fenómenos racistas detonados pelo medo à sua fé. E o medo existe.

A democracia é incompatível com o totalitarismo pio e belicista que assola o mundo.

15 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

Associação Internacional de Livre Pensamento (AILP)

Asociación Internacional de Libre Pensamiento

¡Liberacion inmediata de Yacine Mebarki en Argelia!

La prensa informó de estos hechos: “En Argelia, Yacine Mebarki, miembro del movimiento de protesta Hirak, fue condenado el jueves 8 de octubre a 10 años de prisión por” incitar al ateísmo “e” insultar al Islam “.

Lanzado en febrero de 2019, el movimiento pacífico de protesta popular Hirak pide un “cambio de sistema” en Argelia. Muy involucrado en este movimiento y militante bereber, Yacine Mebarki, de 52 años, fue detenido el 30 de septiembre tras un allanamiento en su domicilio.

 Según un amigo del condenado, contactado por la AFP por teléfono y que estaba presente en el tribunal, la policía habría encontrado en su casa una copia amarillenta del Corán, “una hoja de la cual estaba rasgada” debido al estado ruinoso del libro. Romper una página del libro sagrado del Islam se considera un ataque a la religión musulmana.

Esta sentencia forma parte de una ola de represión contra activistas del movimiento Hirak, pero también contra periodistas, blogueros y defensores de derechos humanos. Por ejemplo, el periodista Khaled Drareni fue condenado a dos años de prisión el 15 de septiembre.

Además, el Comité Nacional para la Liberación de Detenidos (CNLD) ha identificado a 61 personas encarceladas por sus opiniones, algunas por largos meses, como el estudiante Walid Nekiche en prisión preventiva desde noviembre de 2019. El 8 de septiembre, la Liga Argelina para la Defensa de los Derechos Humanos LADDH “recuerda las garantías contenidas en la legislación nacional, en particular la Constitución y los convenios internacionales ratificados por Argelia, en materia de respeto a las libertades de conciencia y opinión . “

¡La Asociación Internacional de Libre Pensamiento exige la liberación inmediata de Yacine Mebarki

y de todos los presos de conciencia en Argelia!

15 de octubre de 2020

15 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

IURD e MPLA

Por

ONOFRE VARELA

Notícia de 20 de Setembro último dá conta de que a Justiça angolana mandou encerrar todos os templos da IURD em Angola. No próprio dia foram encerrados quatro, sendo que, só em Luanda, há 211 locais de culto da Igreja Universal do Reino de Deus, o que demonstra a verdade de que quanto mais miserável é um povo, tanto mais ele é explorado por crenças religiosas, sejam elas milenares ou seitas de aviário, que se governam explorando a crença e a fé do povo menos avisado, como verdadeiros quadrilheiros assaltando à mão armada de crucifixo.

Para além do encerramento dos locais de culto da seita brasileira (que também comanda a mente de Bolsonaro), foi decretada a “apreensão de todos os templos” da IURD, sendo o processo de encerramento “feito de forma gradual”, segundo informações prestadas à agência noticiosa Lusa.

A seita disse ter sido surpreendida com a chegada dos polícias aos templos, decretando o encerramento sem apresentarem qualquer mandato para o efeito. Mas esta acção não era novidade. Já em Agosto a Procuradoria Geral da República (PGR) tinha apreendido sete templos da IURD em Luanda (Alvalade, Maculusso, Morro Bento, Patriota, Benfica, Cazenga e Viana), no âmbito de um processo crime por alegadas práticas dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal e exportação ilícita de capitais. Mesmo com estas acusações por parte da PGR, a IURD afirma não saber “o real motivo” por que alguns bispos foram levados para uma esquadra policial para serem interrogados. A IURD tem estado envolvida em várias polémicas em Angola depois de um grupo de dissidentes brasileiros se afastarem da seita em Novembro do ano passado, tendo sido substituídos por uma “Comissão de Reforma de Pastores Angolanos” liderados pelo bispo Valente Bezerra que quis romper com a direcção brasileira encabeçada por Honorilton Gonçalves, fiel ao fundador da seita, Edir Macedo. Como é habitual nestes processos de associações divorciadas do sentido de honestidade, trocam-se acusações mútuas entre os expulsados e os que os expulsaram! As razões da “Comissão de Reforma” prendem-se com as tensões que se agudizaram em Junho com a tomada de templos pela ala reformista, entretanto constituída na tal Comissão de Reforma, a qual acusa os bispos brasileiros de terem atitudes contrárias à religião, como a exigência da prática da vasectomia, castração química, práticas de racismo, discriminação social e abuso de autoridade, além da evasão de divisas para o exterior do país. Neste momento correm os seus trâmites nos tribunais angolanos vários processos judiciais relacionados com a IURD. Entretanto o presidente brasileiro Bolsonaro já veio em defesa dos seus pupilos, pedindo ao seu homólogo João Lourenço garantias de protecção dos pastores brasileiros e do património da Igreja, tendo o chefe de Estado angolano prometido um “tratamento adequado” do assunto na Justiça.

Console-se a Isabel dos Santos… não é só sobre ela que o presidente João Lourenço tem os olhos postos, no âmbito da corrupção que mina a sociedade angolana!

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)

OV

14 de Outubro, 2020 João Monteiro

Militares da GNR receberam sacramentos cristãos

Uma notícia da Agência Ecclesia deu a conhecer que 27 militares do 42º Curso de Guardas da GNR receberam sacramentos cristãos (26 crismas e 1 batismo), num evento presidido pelo Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança de Portugal, cuja missa teve lugar no Centro de Formação de Portalegre da GNR. Estes militares foram orientados pelo capelão da unidade.

Recordamos que Portugal é um Estado Laico, pelo que a Igreja não deveria envolver-se em assuntos do Estado, como são as forças de segurança, assim como não se devia privilegiar uma religião face às demais.

Sobre as palavras do clero durante a cerimónia, concordo com a crítica que fazem ao isolamento e ao individualismo, pois trata-se de algo que tem tanto de generalista como de sensato.

No entanto, terei de manifestar o meu desagrado perante a afirmação de que os militares se encontram aptos a “desempenhar a (…) missão de Guardas na força do sentido de Deus”, porque a função das forças de segurança é alheia a qualquer manifestação religiosa.

Não se pode deixar de notar que a Igreja se está a tentar imiscuir numa esfera do Estado e, sub-repticiamente, a infiltrar e a recrutar nas suas estruturas. É algo inaceitável e que merece o nosso repúdio.

Fonte: Agência Ecclesia

13 de Outubro, 2020 João Monteiro

E o sol (não) dançou

As conhecidas aparições de Fátima, segundo os crentes, tiveram lugar nessa cidade no ano de 1917, começando a 13 de Maio e culminando a 13 de Outubro, data que hoje se assinala.

Uma história longa, e que merece ser analisada em momento oportuno, só pode ser compreendida à luz do contexto da época: um período de escassez de recursos, fome, miséria, analfabetismo, guerra e de tumulto político que opunha a Igreja Católica ao Regime Republicano. Este é o cenário em que o suposto milagre alegadamente teve lugar.

Mas não é do passado que hoje quero falar, mas do presente. Num dia em que os peregrinos se encontram em Fátima (este ano de modo mais contido do que em anos anteriores devido à situação pandémica que vivemos), o que os move é o fenómeno que acreditam ter acontecido naquele local, em particular o movimento do sol, que alguns contemporâneos descreveram como uma dança ou um bailado. A crença neste fenómeno é algo que sempre me fez muita confusão. Primeiro, pelo argumento utilizado de que todas as pessoas que estiveram no local presenciaram o fenómeno, algo que é desmentido consultando a imprensa e documentos da época. Em segundo lugar porque revela ou iliteracia científica ou que nunca pensaram a sério no acontecimento. O sol não gira em torno da Terra (é apenas um movimento aparente), mas é o nosso planeta que se movimenta em torno do sol, logo este não se poderia ter movimentado, dançado ou bailado. Se isso fosse verdade, como nos recorda Richard Dawkins no seu livro “A desilusão de Deus”, então o fenómeno seria observado noutros locais do país ou mesmo noutros países. Se tal fenómeno não foi registado em mais nenhum local, o mesmo não terá acontecido, por motivos óbvios.

Normalmente atribui-se como explicação uma alucinação coletiva, eu prefiro sugerir que se trata do fenómeno que sucede quando ficamos ofuscados. Lúcia pedira às pessoas para olharem para o céu após a chuva e enquanto as nuvens se dissipavam e o sol despontava no céu. É crível que após um momento de pouca luz e ao olhar diretamente para o sol se fique encadeado e, quando se muda o olhar noutra direção, o sol parece perseguir o nosso campo de visão e daí o “bailar” do sol.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
13 de Outubro, 2020 Carlos Esperança

Há 103 anos.

O Sol bailou ao meio-dia na Cova da Iria, no concelho de Ourém, e, à mesma hora, repetiu as piruetas no Vaticano, numa sessão privada para o Papa de turno.

Os conhecimentos astronómicos por que Galileu padeceu, dizem que o dom da ubiquidade não foi do Sol, foi a Cova da Iria que esteve simultaneamente coberta de peregrinos, em Fátima, e com flores e um Papa, num bairro de 44 hectares, em Roma, enquanto o astro-rei rodopiou para os ungidos.

Ámen!