13 de Junho, 2014 José Moreira
Arte e religião
Lá porque sou ateu, não significa que não aprecie arte. Mesmo que seja arte religiosa.
Lá porque sou ateu, não significa que não aprecie arte. Mesmo que seja arte religiosa.
Havia, no meu tempo de infância, uma catequese terrorista, muito próxima da que hoje é ensinada nas madraças e mesquitas islâmicas.
A fanatização das crianças é a arma que esconde interesses que perpetuam a ignorância e a superstição. Talvez por isso, sobrevivam hoje, transmitidos por famílias devotas ou padres que ainda sonham com o Concílio de Trento, velhos medos do Inferno e novos venenos da fé.
É raro ver-se um crente a discutir a religião com um módico de racionalidade, seja por dificuldade de interpretação do que leem ou por mistelas que envenenam as hóstias que consomem, sem código de barras, prazo de validade ou inspeções da ASAE.
Não é por acaso que há muito deixei de frequentar as caixas deste Diário, certo de que a inteligência não substitui o insulto, a razão a azia e os argumentos a falta de carácter.
Queixam-se alguns amigos dos insultos de que sou alvo, preocupados com a reputação que devia defender. Os inimputáveis não ofendem, apenas bolçam injúrias; não devem ser levados a sério, são talibãs que julgam ganhar o Paraíso com as ofensas aos ‘infiéis’; Não incomodam, porque não merecem a perda de tempo da leitura das suas inanidades.
Bem-aventurados os tolos.
Era uns dias mais novo do que eu o marinheiro tetraplégico que queria morrer e não o deixavam. Há anos que aquela bela cabeça sem corpo pedia que o deixassem morrer. Vi-o várias vezes na televisão, lúcido e sereno, exigindo o direito à morte. «Sou uma cabeça sem corpo, tenho direito a morrer», repetia Ramón Sampedro, corajoso galego.
Sete anos depois da morte, decorrido o tempo para a prescrição do «crime», a amiga que o ajudou, Ramona Monteiro, revelou como o fez. A morte foi gravada por vontade de Ramon, que demorou anos a cumprir um desejo, dolorosos anos de sofrimento que a hipocrisia judaico-cristã queria prolongar enquanto «Deus quisesse».
Tetraplégico desde os 25 anos, lutou na justiça pelo direito de morrer dignamente. Dada a sua incapacidade física para suicidar-se, Ramon desejava que seus amigos e familiares o pudessem ajudar a morrer sem que cometessem algum delito.
Suicidou-se em 12 de janeiro de 1998. Soube-se depois que a morte foi mais amarga do que previra o lúcido suicida e do que julgara a abnegada mulher que o acompanhou nos três últimos anos de vida.
O cianeto não terá proporcionado uma morte tão rápida e doce quanto a eutanásia exige mas foi o produto que Ramon conseguiu. Enquanto morria os olhares de amor ficaram como última carícia de quem partiu e de quem ficou, com o aviso de quem se despediu: «depois de beber não me beijes os lábios».
E a eutanásia continua por discutir.
Condenar fobias coletivas, que levam o sofrimento e a violência a minorias, é um dever de cidadania e um ato de humanismo. A misoginia é uma fobia de contornos religiosos que atrasou a emancipação da mulher e a submeteu, ao longo dos séculos, ao sofrimento violento e à tristeza profunda.
A xenofobia é responsável por guerras e dramas que uma sociedade civilizada não pode consentir. Os dramas vividos ao longo da história, pela pulsão homofóbica, tantas vezes oriunda de quem se sente atraído pelos comportamentos que execra, são uma mancha na história da humanidade e um comportamento que está longe de ser erradicado.
As fobias individuais são um caso psiquiátrico, as coletivas um problema social.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem devia ser assimilada em qualquer lugar e por todos. O analfabetismo, a fome, o atraso social, o tribalismo e os preconceitos são responsáveis pelos atropelos a direitos que muitos povos nem sequer conhecem.
Dito isto, urge denunciar o sufixo «fóbico» como álibi para absolver crimes. Tal como a escravatura e o canibalismo foram combatidos, porque o horror a tais comportamentos a isso conduziu, outras iniquidades devem ser combatidas sem constrangimentos.
O apodo de cristianofobia não pode impedir que se averiguem os crimes praticados em épocas recentes pelo catolicismo irlandês, sobre mulheres e crianças, ou a cumplicidade do clero espanhol no genocídio franquista. É preciso neutralizar as forças que afastaram o juiz Baltasar Garzon, as ameaças do cardeal Rocco Varela e os resquícios franquistas das hostes do PP.
Ninguém se atreve hoje a chamar a alguém fascismofóbico ou nazismofóbico porque as ideologias eram e são perversas e porque produziram e produzem crimes. Não é o ato de pensar, por mais perverso que seja, que pode ser punido, mas os crimes a que conduz e quem os pratica.
A acusação de islamofobia afigura-se hoje como a cumplicidade com o mais implacável dos monoteísmos, a mais primária das religiões do livro e os mais perversos métodos de proselitismo, perpetrados por indivíduos fanatizados, desde crianças, nas madraças e nas mesquitas, por pregadores do ódio que prometem virgens e rios de mel.
O medo dos talibãs é uma arma que a extrema-direita europeia usa para se substituir na redução de liberdades e no ódio sectário. A Al-qaeda, ao contrário do que certa esquerda diz, é a expressão das crenças e desejos de um profeta analfabeto vertidos num manual terrorista chamado Alcorão.
Do Paquistão aos EUA, da Europa à região africana de Sahel, do Kosovo às Repúblicas ex-soviéticas, todos os dias se formam novas células de fanáticos que querem submeter o mundo a Maomé e as liberdades aos ditames da sharia. Tal como sucedeu na Europa, com a repressão política ao clero, para que pudéssemos ter ou não ter religião, é urgente reprimir a vontade de um deus malévolo para que os homens possam ser livres e felizes.
Um caso grave é a Turquia, com um vigoroso exército. Erdogan, muçulmano moderado, como europeus e americanos o designam, declamando tautologicamente um oximoro, decapitou as Forças Armadas e o aparelho judicial, que defendiam a laicidade, com a legalidade do voto, enquanto reislamizou o País, ao sabor da fé e a caminho da sharia.

Lúcifer a invenção de um nome!
Até o século IV da era Cristã, o nome Lúcifer era um nome como outro qualquer e não tinha nada de diabólico.
A prova mais eloquente disto é que houve, no século IV, um bispo católico chamado Lúcifer de Cagliari. Este Bispo brigou com o Papa, pois o Papa, para agradar ao imperador Constantino, estava voltando a aceitar a doutrina do Bispo Arius, segundo a qual Jesus seria uma criatura de Deus e não da mesma substância que Deus (negando a doutrina cristã da Trindade). A doutrina do Bispo de Arius já havia sido banida pelo Concílio de Nicéia.
O Bispo Lúcifer de Cagliari foi muito agressivo em sua condenação ao Papa. De fato o conflito foi longo.
S. Jerônimo não gostava da intransigência nem das opiniões do Bispo Lúcifer de Cagliari e seus seguidores. S. Jerônimo inclusive escreveu um livro criticando detalhadamente tais opiniões.
Pouco depois, quando S. Jerônimo traduziu a Bíblia do Grego para o Latim, ao traduzir Isaías 14, S. Jerônimo traduziu “Estrela da Manhã” por Lúcifer (Lúcifer em Latim realmente quer dizer “Estrela da Manhã”).
Note que a expressão “Estrela da Manhã” é usada na Bíblia várias vezes para indicar Grandeza, Grandiosidade.
Em Apocalipse, a expressão “Estrela da Manhã” é usada duas vezes para designar Jesus. Em Isaias 14, a expressão “Estrela da Manhã” é usada como adjetivo para o rei da Babilônia (um homem, não um espirito).
Mas S. Jerônimo escolheu usar a palavra Lúcifer, como tradução de “Estrela da Manhã” neste único ponto: em Isaias 14,12.
Em todos os outros pontos S. Jerônimo usou a expressão composta “Estrela da manhã”, em Latim.
Por isso, todas as traduções da Bíblia baseadas na tradução de S. Jerônimo têm uma única ocorrência da palavra Lúcifer e é precisamente em Isaías 14.
As Bíblias que não são baseadas na tradução de S. Jerônimo simplesmente não tem a palavra Lúcifer.
Será que essa tradução forçosa foi para lembrar o Bispo Lúcifer de Cagliari? O certo é que pouco a pouco, o nome Lúcifer passou a ser o nome do anjo chefe de tal rebelião, principalmente no século V, início da Idade Média,
FONTE: ocultura.org.br
IMAGEM: Lúcifer Liege Luc Viatour.
Estátua de Lúcifer em mármore branco, por Guillaume Geefs (Catedral de St. Paul, Liège, Bélgica).
Para espantar os demônios, Justin Bieber é batizado em Nova York
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