Loading
2 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Reflexões (sucintas) sobre ‘califados’…

Califa

 

Por

E – Pá

O que julgávamos ser um facto histórico do passado morto e enterrado com a derrocada do império otomano está de novo a acontecer.

Algures no Iraque os jihadistas declararam o ‘Estado Islâmico no Iraque e no Levante’ e designaram como califa o xeque Al-Baghdadi

É curioso verificar que o último califado, o otomano, desgastado e decadente desde o séc. XVIII (com a expulsão dos turcos da Hungria) acabou por morrer no rescaldo a I Guerra Mundial (que começou há precisamente 100 anos) sendo o seu ‘executor’ um militar do agonizante sultanato otomano – o general Kemal Ataturk.

A ideia de ‘ressuscitar o califado’, durante o século XX, não é estranha a vários grupos (facções) fundamentalistas islâmicos como um instrumento da ‘unificação da luta’ (contra o Ocidente e pelo proselitismo). Informa – ou informou – as correntes doutrinárias (político-religiosas) ‘pan-islâmicas’, ou na sua vertente laica, os movimentos ‘pan-arabistas’.
O ‘Partido da Libertação’ (Hizb ut Tahrir), criado em 1953, nasceu com esse propósito programático como, por outro lado, o movimento Baath, unificado em 1947 (na saída da II Guerra Mundial), apresenta um programa laico, regionalista e do ‘socialismo árabe’ que fracassou, afundando-se em cruéis e sanguinárias ditaduras. Estes são exemplos de ‘movimentações islâmicas’ alimentadas por ‘sonhos unificadores’ (pan-islâmicos e/ou pan-árabes).

A grande questão é: quais as consequências deste novo ‘califado’?
Bem, a primeira e a mais importante será a criação de maior instabilidade na região (Médio Oriente). Quer o Irão (xiita), quer a Arábia Saudita (sunita), não estarão disponíveis para abdicarem, em favor do novo califado, dos papéis de liderança na região. O ‘efeito boomerang’ no interior do reino saudita, cujos dirigentes tem apoiado os jihadistas (nomeadamente na Síria), pode dar origem a adesões internas ao califado, contestando a casa real saudita que administra ou controla, concomitantemente, uma parte significativa do petróleo da região e os locais sagrados do Islão, o que não é uma perturbação de pouca monta.
Por outro lado, os governos em exercício na região, seja por questões políticas, por divergências faccionistas de índole religiosa ou por meras motivações de poder, não estão disponíveis para reconhecer um califado, qualquer que ele seja.
Esta iniciativa jihadista funciona globalmente como uma ameaça: para os países da região e para o Mundo Ocidental, que no decurso dos últimos acontecimentos no ‘Levante’ (a)parece disposto a emendar a mão sem, contudo, alterar a estratégia de dominação (no sector energético).

Aliás, o ‘espectro do califado’ persegue e condiciona, desde os trágicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, a política internacional do Ocidente, liderada pelos EUA. Na realidade, também, Bin Laden alimentou o sonho de um califado que ainda perdura como instrumento histórico de unificação muçulmana.

G. W. Bush esforçou-se por tirar partido desta situação e a ‘questão do califado’ ensombrou a estratégia global desenhada por Washington na luta contra o terrorismo. Teve (e ainda tem) cúmplices por esta Europa fora – entre eles Blair, Aznar e Barroso – que ‘justificaram’ todo o tipo de tropelias pelo Mundo (islâmico e não só).

Na verdade, o avanço do ultraconservadorismo (neoliberalismo), oriundo dos EUA, tem utilizado o argumento maniqueísta do Bem e do Mal (com algum conteúdo místico) e socorrendo-se de instrumentos financeiros (monetaristas) especulativos e dominadores, visa assegurar ao Ocidente a liderança mundial, dita global.

É, por assim dizer, o ‘califado do Ocidente’, ou se quisermos o ‘califado de Chicago’. Um mal (o ‘novo califado’) nunca vem só. Tem, sempre, antecedentes e consequências.

1 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Vaticano

Sem renegar o ateísmo, apreciei a coragem de Francisco, o primeiro papa a ir ao coração da máfia calabresa e a ousar enfrentá-la: “Aqueles que durante a vida escolheram a via do mal, como os mafiosos, estão excomungados”.

É o fim de um velho contubérnio.

1 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Citações

«Não há salvação em nenhum outro [para além de Jesus], porque, sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos». (Actos4:12).

«O Evangelho segundo São Marcos tem cerca de 40 versículos explicitamente anti-semitas. Incluem a cena teatral fictícia de Pôncio Pilatos, que foi o verdadeiro assassino de Jesus, perguntando-se inocentemente o que fez Jesus para merecer a ira dos sacerdotes e da multidão de judeus, enquanto os Judeus gritam mais de uma vez a Pilatos «crucifica-o»». (S. Marcos 15:6-15).

«O Evangelho segundo S. Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente anti-semitas. Apresenta João Baptista a chamar aos judeus que acreditavam que ser judeus era o caminho para Deus «raça de víboras» que iriam sofrer «com a ira que os ameaçava»». (S. Lucas 3:7-9).

«O Evangelho segundo S. Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente anti-semitas. Neles, São Mateus conta como João Baptista chamava aos Judeus, os chamados fariseus e saduceus, «raça de víboras», epíteto que pôs também na boca do próprio Jesus quando se dirige aos judeus que são fariseus como «raça de víboras», como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus?». (São Mateus 3:7 e 12:34).

«Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente anti-semitas. Apenas 8 dos seus 28 capítulos estão isentos de anti-semitismo».

«O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos anti-semitas. (…). O Jesus de S. João acusa os Judeus de o tentarem matar. (…) O Jesus de S. João conclui que aqueles que o rejeitam, os Judeus, «pertencem ao (seu) pai, o Demónio»». (S. João 7:28 e 8:37-47).

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente anti-semitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Fonte: A Igreja Católica e o Holocausto – Uma dívida moral, de Daniel Jonah Goldhagen.

Nota: Que fazer com um livro que prega o ódio e cujos crentes estão convencidos de conter a palavra do seu Deus?

Com estas citações espero responder aos crentes de boa fé me chamaram mentiroso pois não há na Bíblia (Novo Testamento) qualquer manifestação de anti-semitismo.

«Bem-aventurados os ignorantes porque deles é o reino do Céu».

30 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Dois Rivera distintos

Por

Leopoldo Pereira

Miguel Primo de Rivera foi um ditador fascista espanhol, que começou por aos 14 anos ingressar no exército, prática comum dos filhos de nobres, tendo chegado ao posto de general na idade de 42 anos, por mérito em combate nalgumas colónias espanholas. Não gostava dos anarquistas catalães, nem dos seus congéneres, e desencadeou um golpe de estado de que saiu vitorioso, com a ajuda do rei (Afonso XIII), da maioria do patronato, de grande parte do clero, das forças armadas e dos conservadores.

Não aprecio ditadores, qualquer que seja a sua cor; dizem que este até foi brando, o que pouco abona em seu favor (um ditador deve ser tipo Hitler, Estaline, Pol Phot, Mussolini, Mao Tse Tung, Kim Jong, etc.), mas não deixou de perseguir anarquistas, catalães e todos quantos lhe fizessem sombra. Acabou por cair em desgraça no seio das forças armadas e perante o próprio rei. Então apresentou a demissão (estão a ver, um ditador não faz isso) e foi morrer a Paris, volvidos dois meses.

Os portugueses, sempre atentos ao que se passa lá fora e ciosos de um enorme sentimento patriótico, logo bolaram o famoso golpe do 28 de Maio de 1926, a que se seguiu a criação da não menos famosa União Nacional, tudo inspirado no General fascista espanhol.

A sociedade espanhola apresentava contrastes extremos, dos anarquistas aos fascistas, passando pelos comunistas, católicos, monárquicos, etc., e o resultado foi a Guerra Civil, que provocou muitos milhares de mortos. Como costuma suceder nestes casos, apareceu um Salvador da Pátria que, com a ajuda de aviões, barcos e homens, dos amigos Hitler e Mussolini, também com a ajuda de Deus, levou de vencida os “arruaceiros”. O ditador Franco procedeu a inúmeras prisões, fuzilamentos sumários e enviou muita gente para campos de concentração. Assim é fácil governar e, tal como Salazar, morreu no seu posto.

Durante o “reinado” de Franco, o Monarca espanhol exilou-se em Portugal, tendo o seu sucessor sido reabilitado pelo ditador (ainda em vida), passando de novo a monarquia a reinar em Espanha. Franco não fez só coisas más, evidentemente; entre as boas destaco a Falange Espanhola, fundada por José António Primo de Rivera, um dos filhos do General fascista acima referido. Foi fuzilado pelas Forças Republicanas (estes gajos também não eram bons). Franco mandou construir um imponente monumento, perto de Madrid, em memória dos mortos da Guerra Civil, o Vale dos Caídos; aí estão sepultadas cerca de 40 000 combatentes, mais os fascistas José Primo de Rivera e o ditador Franco, que quis ficar ao lado da tumba daquele.

No encalço de um Rivera diferente, viajámos até ao México, onde alguns patriotas acreditam que as suas terras já eram habitadas há cerca de 20 000 anos. Consultando a Bíblia Sagrada, facilmente verificamos que os tipos mentem. De qualquer modo têm muito de que se gabar: Olmecas, Maias, Astecas, petróleo, Los Panchos, los sombreros, narcotráfico, Zapata Salazar, Octavio Paz (Nobel da literatura), boleros, ditadores como Santa Anna e Porfírio Díaz, não esquecendo o Zorro (lenda criada quando a Califórnia deixou de ser mexicana), a Senhora de Guadalupe, tão ou mais venerada que a Senhora de Fátima e a subjugação aos espanhóis, por volta de 1500, que fizeram uma limpeza profunda naquelas civilizações antigas (não católicas).

Em 1886 nasceu no México o menino Diego Rivera, que começou a pintar aos 3 anos de idade e aos 5 deu mostras de “maturidade” ao dizer alto e bom som que a Virgem Maria não passava de uma estátua de madeira (surda às orações), quando assistia à missa dominical com os pais. Obviamente deixou a família embaraçada, nem o caso era para menos; o menino tinha cometido blasfémia, a estátua podia ser de barro (por exemplo). Viveu e desenhou em Paris, foi simpatizante do comunismo, usufruiu de uma situação económica razoável, dedicava-se sobretudo a pinturas em paredes, cobrindo os seus trabalhos grandes superfícies, dedicados quase em exclusivo às injustiças de carater social. Acreditava que a arte pode ser uma arma.

Voltou para o México. Abandonou o Partido Comunista, passando a ser duramente criticado pelos ex-camaradas e pelos conservadores (por causa dos ataques ao clero). Levava porrada de todos os lados, mas nunca desistiu. Finalmente o Partido Comunista Mexicano reintegrou-o, talvez para daí tirar proveito, mas o País reconheceu o seu valor de artista (considerado por muitos o mais célebre artista revolucionário do mundo), sepultando-o na Rotunda dos Filhos Ilustres do México.

L. Pereira, 28/06/2014

30 de Junho, 2014 Ludwig Krippahl

Treta da semana (passada): ciência criacionista.

A “Enciclopédia de Ciência da Criação” define que: «Um cientista criacionista contemporâneo é uma pessoa que está formalmente treinada em uma disciplina científica, mas que aborda um campo de estudo e/ou de pesquisa a partir da crença de que o universo foi criado por Deus.»(1). Ironicamente, a tentativa de dar ao criacionismo a aparência de ser científico acaba apenas por expor a treta. Mais importante ainda, porque o criacionismo por cá é ainda uma anomalia minoritária, isto ilustra também a inconsistência fundamental entre qualquer religião e a ciência.

O objectivo da ciência é moldar as nossas crenças à realidade. Não é um processo infalível nem acabado mas tende a melhorar gradualmente o encaixe entre aquilo que julgamos ser e aquilo que realmente é. Para esse fim, não se pode, por exemplo, abordar a geologia a partir da crença de que a Terra é plana ou a astronomia a partir da crença de que a Lua é feita de queijo. Seja qual for a crença ou problema, não é científico comprometer-se à partida com uma crença, de forma firme e persistente, porque o que se quer com a ciência é explorar as possibilidades e procurar as crenças que melhor correspondam aos dados que se vão acumulando. Para isso exige-se uma atitude céptica no sentido de adoptar ou rejeitar crenças sempre conforme o peso das evidências e nunca por vontade pessoal. O que é exactamente o contrário da crença religiosa, carente de fé e apregoada como resultando do exercício da vontade livre do crente.

Esta diferença é evidente em vários trechos da enciclopédia criacionista. O artigo sobre “Cosmologia criacionista” explica que «A idade do universo estimada atualmente está muito além do que um cientista criacionista típico aceitaria. Em resposta, muitas cosmologias criacionistas de universo jovem têm sido propostas para discutir a questão da idade»(2). É consensual na cosmologia que o universo tem quase catorze mil milhões de anos. Este valor já foi revisto várias vezes, porque valores anteriores revelaram-se incompatíveis com a informação que se ia obtendo, mas a ciência progride precisamente por encontrar alternativas que se ajustam melhor aos dados. O “cientista” criacionista faz o contrário. Primeiro decide em que hipóteses acredita «a partir da crença de que o universo foi criado por Deus» e depois limita-se a escolher as evidências que forem mais favoráveis a essas crenças.

Noutro exemplo, «Criação biológica é basicamente o estudo dos sistemas biológicos, enquanto acontecem sob a suposição de que Deus criou vida na Terra. A disciplina é estabelecida sob a idéia de que Deus criou um número finito de discretos espécies criadas»(3). Quando se usa a ciência para estudar algo não se pode estabelecer disciplinas “sob ideias” pré-concebidas nem fixar qualquer suposição. Afinal, o objectivo é perceber o que se passa e não cultivar preconceitos. Por isso, o tal “criacionismo científico” não é ciência mas apenas uma de muitas aldrabices que abusam da ciência para fazer parecer que a sua doutrina tem fundamento.

Se bem que muitos crentes concordem com este juízo acerca do criacionismo, porque rejeitam a interpretação literal dos escritos religiosos, normalmente recusam-se a reconhecer que este conflito entre religião e ciência não depende dessa interpretação literal nem é evitável enquanto a religião professar a fé em alegações acerca da realidade. Quer leiam a Bíblia à letra quer a leiam como metáfora, a fé firme na «crença de que o universo foi criado por Deus» torna-os todos criacionistas e põe-nos todos em contradição com a ciência. Nem é só pelos indícios, cada vez mais fortes, de que o universo não foi criado com inteligência nem há ninguém encarregue disto tudo que se rale minimamente com o que nos acontece ou com o que fazemos. É, principalmente, porque a ciência exige que se trate todas as crenças como equivalentes à partida e se faça distinção entre elas apenas pelo que objectivamente revelam corresponder à realidade. Isto é incompatível com qualquer fé, dogmatismo ou crença pré-concebida da qual não se queira abdicar.

1- Enciclopédia de Ciência da Criação, Cientista criacionista
2- Enciclopédia de Ciência da Criação, Cosmologia criacionista
3- Enciclopédia de Ciência da Criação, Criação

Em simultâneo no Que Treta!

29 de Junho, 2014 Carlos Esperança

O Vaticano é uma empresa

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/84467-vaticano-sido-empresa-negocios-religion-secundario

Ver aqui:

 

29 de Junho, 2014 Carlos Esperança

A santidade da vida

Texto da autoria de George Carlin, enviado por Paulo Franco

O que mais se ouve, no debate sobre o aborto, é uma afirmação chamada “santidade da vida”. Acreditam nisso? Pessoalmente acho que é um monte de tretas.

A vida é sagrada? Quem disse? Deus? Se você olhar para a História, vai ver que Deus é uma das principais causas de morte. Tem sido assim durante milhares de anos. Hindus, Muçulmanos, Judeus, Cristãos matando-se uns aos outros porque Deus lhes disse que era uma boa ideia. “A espada de Deus”, “O sangue do cordeiro”, “A vingança é minha”. Milhões de filhos da p…… mortos. Milhões de filhos da p…… mortos, e tudo porque deram a resposta errada sobre Deus. -“Acredita em Deus? – Não. Pum, morra. Acredita em Deus? – Sim. Acredita no meu Deus? Não. Pum, morra. O meu Deus é melhor do que o teu Deus.

Durante milhares de anos, as maiores e mais ferozes guerras, as mais brutais e sangrentas, foram baseadas na intolerância religiosa, o que é ótimo para mim pois quando os crentes se matam uns aos outros, eu rolo no chão de tanta alegria. Então não me venha para mim com esse papo furado da “Santidade da vida”. Sabem como surgiu essa história da “Santidade da vida”? Nós a inventamos, e sabe porquê? Porque estamos vivos. Interesse próprio, é claro. O Homem cego pelo seu egocentrismo. Os vivos têm muito interesse em promover a ideia de que a vida é sagrada. Não vemos o Mussolini, ou o JFK, nem o Elvis Presley por aí a espalhar essa baboseira de que a vida é sagrada.

Nem uma palavrinha. Isto porque Mussolini, JFK, e o Elvis estão mortos. Isto só interessa aos vivos.

Tudo isto parte de uma perspetiva unilateral. É o que mais nos convém. É uma daquelas coisas que dizemos para nos sentirmos nobres.

“A vida é sagrada” faz-nos sentir nobres. Além disso, tem outro lado curioso. “A Santidade da vida” não se aplica às células cancerígenas, certo? Você nunca vê num para-brisas um adesivo dizendo “Salvem os tumores” ou “Lutemos pelo progresso do melanoma”.

Não, vírus, bolor, mofo, ervas daninhas, fungos, coliformes fecais, chatos e bactérias infeciosas não têm nada de sagrado. Todas estas manifestações de vida não parecem merecer do mesmo padrão de nobreza que os Humanos, no entanto são igualmente formas de vida. “A santidade da vida” apenas se aplica a um universo restrito, e seleto, por sinal.

Podemos decidir quais são as formas de vida que consideramos sagradas e eliminar o resto. Um negócio bem interessante, hein? Está vendo agora? NÓS É QUE INVENTAMOS ISSO TUDO!!!

“Quanto mais estudo as religiões, mais estou convencido que o Homem nunca adorou nada além dele mesmo”. Richard Francis Burton.

“Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes que pensadores.” Bruce Calvert.

28 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Resposta a um inquérito académico 5/5

P – Mais algum comentário que gostaria de deixar para informar a minha tese sobre o tema da liberdade religiosa em Portugal?

Resposta – Há aspetos chocantes no que diz respeito ao oportunismo político, na ânsia de ganhar votos. É vulgar as Câmaras Municipais pagarem excursões a Fátima a idosos internados em lares. As Forças Armadas e militarizadas participam em procissões, e o próprio presidente da República prestou-se a presidir à Comissão de Honra da canonização de Nuno Álvares Pereira, canonização que se cobriu de ridículo com a atribuição de um milagre à «cura do olho esquerdo de uma cozinheira de Ourém, Guilhermina de Jesus, queimado com óleo fervente de fritar peixe». A atribuição do milagre ao guerreiro medieval transformou um herói em colírio, para gáudio da população.

A existência das capelanias já referidas, a remuneração dos professores de Educação Moral e Religião Católica, disciplina de oferta obrigatória, com docentes nomeados e exonerados discricionariamente pelos bispos, e com o tempo de serviço contado para efeitos legais, ultrapassando os colegas que ficaram sem colocação em disciplinas para as quais não encontraram vaga, é uma ofensa à laicidade.

O pensamento da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) está plasmado nos documentos publicados no sítio próprio, onde se encontram igualmente os seus estatutos, objetivos e nomes que integram os corpos diretivos.