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Categoria: Religiões

2 de Março, 2014 Carlos Esperança

Aconteceu em 2 de março de 2001

 

Há 13 anos, um país assolado pela miséria, minado pela fanatismo, lacerado pela fome, onde as mulheres foram proibidas de acesso à educação e à saúde, teve de observar os rigorosos preceitos islâmicos e renunciar aos mais elementares direitos, com frequência à própria vida.

Poderia ter acontecido em diversos locais do planeta, mas aconteceu num país com uma cultura antiquíssima cujo poder foi assaltado pelos tristemente célebres estudantes de teologia, vulgo talibãs, quando dois budas gigantes esculpidos em pedra nos séc. II e V foram destruídos com mísseis e espingardas automáticas para não serem adorados falsos ídolos que “insultam o islamismo”. Aconteceu no Afeganistão.

Em todos os tempos e em várias religiões houve bárbaros que entenderam que os livros ou diziam o mesmo que o livro sagrado, e eram inúteis, ou diziam coisas diferentes, e eram prejudiciais.

A inteligência, a sensatez e a sensibilidade não são apanágio de uma só cultura, mas são contrárias à mais funesta de todas as misturas: a fé, a ignorância e o proselitismo. É esta mistura perversa que faz a infelicidade dos povos, a miséria das nações e a tragédia das sociedades que se desfazem em asfixiante submissão.

Destroem progressivamente o património cultural, da mesma forma selvagem com que suprimem as liberdades cívicas. E, enquanto a fome, a doença e a miséria devastaram a população, bloqueada pelo terror, o mundo urbanizado assistiu, impotente na sua raiva, a ver postergados os mais elementares valores que são o traço comum da civilização.

Os povos não são donos absolutos do património que detêm e são obrigados a responder pela sua guarda. Os déspotas, que exercem o poder de forma antidemocrática, terão de responder pelos dislates e crimes que cometem. E serão homens a julgá-los, sobretudo àqueles que se julgam com mandato divino.

Provavelmente o direito de ingerência encontraria então plena justificação. Perante as hordas de selvagens que um pouco por todo o lado conquistam o poder com armas que as grandes potências nunca deixaram de fornecer, exige-se uma nova ordem que liberte do caos e do crime organizado multidões que tiveram a desdita de nascer no sítio errado sob o jugo de tenebrosos trogloditas.

Este crime foi perpetrado em 2 de março de 2001. Há 13 anos. Hoje, o Afeganistão está, de novo, a ser abandonado à demência talibã.

Bamiyan_Buddha 1931

27 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Falta de pudor

O Ministro do Interior de Espanha, Jorge Fernández Díaz, concedeu a mais alta condecoração policial à Virgem María, concretamente a Nuestra Señora María Santísima del Amor, possivelmente pelo seu silêncio em relação aos escândalos do Governo.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/120967-policia-espanola-medalla-virgen

El Ministerio del Interior de España concede una medalla a la Virgen
actualidad.rt.com
El ministro del Interior de España, Jorge Fernández Díaz, concedió la más alta condecoración policial a la Virgen María, concretamente a Nuestra Señora María Santísima del Amor.
25 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

A Ucrânia, a anarquia e o futuro

Não me sinto capaz de tomar partido na rebelião popular, atiçada do exterior, num país em ruínas. A pobreza extrema, uma agricultura destruída no que foi o celeiro da Europa, a divisão étnica e a tradição autoritária e antidemocrática estão na origem de confrontos, que ameaçam continuar, para vingar o sangue já derramado.

Não vale a pena, agora, recordar as matanças e as migrações forçadas por Estaline que alteraram a matriz étnica e cultural do segundo maior país da Europa.

O que não entendo é a explosão do nazismo em apoio aos partidos que anseiam a união à Europa, como se a Rússia fosse um país africano e os nazis indefetíveis partidários da União Europeia. Também não entendo o apoio de alguma esquerda às forças pró-russas como se Moscovo fosse um soviete dirigido pelo comunista Ieltsin.

A disputa entre potências capitalistas, com a Rússia a ser alvo do apetite da Nato, pode provocar uma hecatombe e debilitar o poder russo. De certeza, altera-se a correlação de forças, com a NATO contida nos limites atuais, uma derrota para a Europa que serve de ponta de lança aos EUA, ou expandida até à fronteira russa, com a derrota de Moscovo.

É curioso ver comunistas a defenderem o poder sufragado em eleições e os reacionários a apoiarem histericamente a insurreição e atos de justiça popular, posições corajosas de quem está longe do conflito.

Debilitar a Rússia é acender o rastilho das antigas repúblicas soviéticas onde o fascismo islâmico pretende a desforra e a sharia, enquanto a Turquia se orienta, a recitar o Corão, em direção a Meca e as primaveras árabes mergulham na anarquia e nas cinco orações.

Com os erros da meteorologia euro/americana a anunciar primaveras árabes, temo que a Rússia fique à mercê de irrefreáveis hordas islâmicas que, no ocaso da civilização árabe, exacerbam a devoção e a demência.

E não haverá inocentes.

24 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_24-02-2014

João César das Neves (JCN) intitula a homilia de hoje, no DN, “Liberdade, igualdade e amor” numa síntese constrangida entre a Revolução Francesa e a sacristia. Depois de debitar umas trivialidades sobre as revoluções “ britânica de 1688, americana de 1776, francesa de 1789 e seguintes”, sem dizer, talvez por pudor pio, quais foram as seguintes, demorou a chegar à sua obsessão, antes de afirmar que “a luta cultural deslocou-se para questões de sexo e limites da vida”.

Este homem é um escravo do sexo obcecado com a castidade e um defensor da vida que começa nos óvulos ou nos espermatozoides, julgando que a ejaculação, durante o sono, é um genocídio involuntário. Acordado, é um pecado.

A êxtase religioso atinge-o quando afirma que “Vêem-se os conceitos, as lógicas e os métodos que os antigos aplicavam à nobreza, escravatura, pena de morte, proletariado ou racismo, utilizados em assuntos eróticos e hospitalares».

Só quem esteja acostumado ao devoto percebe a linguagem exotérica e a piedade que o devora antes de continuar a leitura: “ O direito ao aborto e à eutanásia tomam o lugar do direito ao voto; a emancipação de mulheres ou jovens vem na vez dos escravos; o doente terminal ou o homossexual surge na posição do operário ou negro. Casamento é contrato; adopção, sociedade”.

JCN lamenta que ao direito ao voto seja acrescentado o direito ao aborto e à eutanásia; que após a abolição da escravatura se emancipem as mulheres; que o casamento seja um contrato e não um sacramento; enfim, é um fóssil do Concílio de Trento.

Há pérolas de que não quero privar os leitores. Ei-las: “Dentro da fraternidade familiar, liberdade e igualdade tomam sentidos estranhos. Por isso, divórcio, aborto ou eutanásia só retoricamente libertam; de facto, matam. Fora da metáfora não existe igualdade entre jovem e velho, homem e mulher, casamento e união de facto, pais e filhos, amor conjugal e promiscuidade, sexo e perversão».

A obsessão do sexo é, em JCN, síndrome de privação. E termina com uma frase banal: “A família é o que sempre foi e será. Ela constitui o verdadeiro mundo sempre novo.”

«Bem aventurados os pobres de espírito…», como diz a Igreja de JCN.

21 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

As Igrejas são insasiáveis

Andaluzia quer tirar à Igreja católica a titularidade da Mesquita de Córdova.

20 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

O negócio das almas

O Paraíso não é uma casa de diversão nem um lugar bem frequentado. A avaliar pelos santos que os últimos Papas resgataram das profundezas do Inferno ou do estágio no Purgatório, há hoje numerosos patifes a jogar as cartas com o divino mestre e a servir bebidas ao Padre Eterno.

Não sei se é Torquemada quem toma conta do armazém das almas de crianças por nascer ou de adultos por batizar, pois sabe-se de ciência certa, com aquela honestidade que se reconhece ao clero, que os não batizados têm como destino o Limbo, um sítio insípido, sem divertimentos nem crueldades como os que o Deus de Abraão criou para o destino dos bem-aventurados ou das almas penadas, respetivamente o Paraíso e o Inferno.

No armazém das almas o negócio anda próspero com a explosão demográfica a que se assiste mas os clérigos são negociantes insaciados que querem despachar a mercadoria.

É por isso que a ICAR é contra o planeamento familiar, a contraceção, o preservativo, a IVG, o DIU e a pílula. No Céu há uma alma para cada espermatozoide e é por isso que tanto o pecado solitário como a ejaculação noturna são uma catástrofe para o negócio.

Os clérigos, incumbidos de tratar das almas e olhar pelo negócio, andam estarrecidos com o fim da perseguição criminal às mulheres que interrompem a gravidez.

Aliás, para as religiões do livro, a mulher é um ser inferior que deve obediência ao marido e serve apenas para reprodução e louvores ao Deus da zona de residência.