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Categoria: Religiões

20 de Julho, 2014 Carlos Esperança

O Islão entrou em delírio

O Iraque está a ser esvaziado de cristãos.

O medo domina-os. Os dementes da fé, prosélitos do mais implacável dos monoteísmos, não consentem outra visão do mundo para além das fantasias pérfidas do Corão.

Os cruzados que provocaram esta catástrofe, Bush, Blair, Aznar e Barroso, dormem bem com a mentira que inventaram e a tragédia a que deram origem.

19 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A discussão do batismo na TVI

O objetivo da entrevista a um padre católico e a um ateu, destinava-se a esclarecer, por um lado, a diminuição drástica do número de batizados e, por outro, a legitimidade do batismo de recém-nascidos ou de crianças de tenra idade.

Os temas foram arredados do debate ou insuficientemente comentados por qualquer dos intervenientes. Nem sequer foi explicado o que é o batismo, um ritual de iniciação em várias religiões. Com o batismo – dizem os católicos –, liberta-se a criança do pecado original, naturalmente transmitido pela impureza feminina, e afasta do neófito o demo.

Assim, a cerimónia litúrgica atua como detergente para os pecados e como demonífugo para o maligno cuja existência ainda é reconhecida pelo papa atual, como se comprovou com o reconhecimento que fez recentemente da Associação Internacional de Exorcistas.

O batismo do adulto, além de perdoar o pecado original, confere as virtudes teologais e isenta de penas os pecados anteriormente cometidos. No fundo, a cerimónia do batismo, católico, luterano, anglicano, metodista ou da Igreja Reformada tem igual significação e procura, desde tenra idade, a integração no seio da Igreja respetiva.

Como ateu entendo que o batismo do lactente, da criança ou do adolescente não se deve praticar por dificultar a autodeterminação religiosa do adulto, mas defendo que cabe aos pais o direito de cujo exercício discordo. Judeus e muçulmanos têm um ritual iniciático mais tardio e cruento, a circuncisão, e todos pensam que a entrada na Religião é vitalícia e irrevogável, levando os islamitas o proselitismo ao ponto de a tornarem efetiva com a separação da cabeça do tronco, no caso de apostasia, um direito inalienável de todos os cidadãos.

Quanto à diminuição drástica do número de batismos em Portugal, considero três razões que enumero por ordem decrescente de importância quantitativa. Em primeiro lugar, a rápida redução da natalidade cujas razões são complexas e irrelevantes para este tema.

Em segundo, a progressiva secularização da sociedade com redução marcada da prática religiosa e dos constrangimentos sociais favorecidos pela concentração da população em meios urbanos.

E, finalmente, o empobrecimento acelerado das pessoas. A falta de recursos financeiros, praticamente desnecessários para o batismo, são essenciais para o batizado. O padre não recusa o batismo à criança de um pobre, mas este deixa de o festejar com a festa que lhe está associada, sem vitualhas necessárias, para que à liturgia pia se associe a festa pagã que, em conjunto, constituem o batizado.

Foi esta reflexão que faltou fazer e cuja opinião do padre católico teria sido interessante.

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16 de Julho, 2014 Carlos Esperança

UMA PIEDOSA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Por

António Horta Pinto

Foi ontem publicada no Diário da República a Resolução n.º66/2014, que reza – nunca este termo teve tanto cabimento – apenas o seguinte:

“A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166 da Constituição, instituir o dia 13 de outubro como o Dia Nacional do Peregrino.”

Piedosa Resolução!De facto,não se compreendia que, havendo já o Dia do Beijo, o Dia do Cão, o Dia do Gato, etc., aqueles cidadãos que vemos a perturbar o trânsito dirigindo-se, a pé, para Fátima ou Santiago de Compostela, não tivessem também o seu Dia Nacional!

Não fora o voto contra de quatro deputados “desmancha-prazeres” do PS, a peregrina resolução teria sido aprovada praticamente por unanimidade, expressa ou tácita.

Com efeito os proponentes da resolução – PPD e CDS – votaram todos a favor. Os deputados do PS repartiram-se entre o voto contra dos referidos quatro, a abstenção e o voto a favor. Os do PCP, do PEV e do BE remeteram~se a uma prudente abstenção.

Dizia Marx que “a religião é o ópio do povo”. Pelos vistos, os seus alegados seguidores portugueses já não se importam que o povo se encharque naquela droga!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Mais prosaicamente, a realidade é esta: aqueles “heróicos revolucionários” acobardam-se perante o poder da Santa Madre Igreja!

15 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A Matança da noite de S. Bartolomeu

Por

Leopoldo Pereira

Do livro “Maria Stuart”, de Stefan Zweig, vou copiar, quase na íntegra, uma ínfima parte, que me prendeu a atenção: “…A excomunhão de Isabel (rainha de Inglaterra) em 1570 e a do Príncipe de Orange (Países Baixos) em 1580, pôs fora de lei os dois principais adversários do catolicismo e, desde que o Papa (Gregório XIII) celebrou como altamente louvável a matança de S. Bartolomeu, todos os católicos sabem que, suprimindo um dos inimigos mortais da fé, realizam um ato que não desagrada a Deus.”

S. Bartolomeu não tem nada a ver com a matança! Este apóstolo terá existido nos primórdios do Cristianismo e diz-se que teve morte trágica, em 24 de Agosto do ano 51 D.C., daí a Igreja celebrar o seu Dia em 24 de Agosto.

A Matança dos protestantes (huguenotes), ocorrida em várias cidades francesas, teve início na noite de 23 para 24 de Agosto de 1572 e foram assassinadas barbaramente inúmeras pessoas, número que pode ter chegado às 70 ou mesmo 100 mil. A responsabilidade do massacre é sobretudo da Casa Real Francesa (católica).

Como parênteses (lastimando a pouca sorte dos franceses assassinados em nome de Deus e homenageando-os) quero relembrar a célebre Cruzada Albigense (1209 – 1244), durante a qual foram eliminados muitos milhares de pessoas, não poupando velhos, mulheres e crianças. Ficou célebre a frase (não sei se do Papa Inocêncio III): “Matai-os todos, Deus reconhecerá os seus.” As operações militares e a Inquisição puseram termo aos focos de resistência.

Propunha-me desenvolver o tema da “Matança” (vastíssimo), já que entronca nas Reformas Protestante e Católica, quando na Internet deparo com um texto bastante completo sobre o assunto e, partindo do princípio que o autor não leva a mal, passo a transcrevê-lo:

“A noite de São Bartolomeu. O massacre abençoado.

Mais uma parte da história que os católicos não referem, mas que não conseguem apagar.

Data: 24 de agosto de 1572.

Fato: Mais de 3 mil protestantes foram brutalmente assassinados pelos católicos numa só noite. Estes assassinatos continuaram por meses, resultando na morte de 70 a 100 mil pessoas no total.

No século 16, quem comandava de fato a França não era o Rei, mas sim a Igreja Católica; ela estava totalmente infiltrada na nobreza. Não existia Estado Laico à época.

A reforma protestante era olhada com desconfiança pela monarquia francesa, que temia uma diminuição do poder, nas mãos dos nobres.

Ocorre que a reforma era uma contestação ao exagerado poder da Igreja Romana, que roubava tudo que podia do populacho. O aparecimento de um movimento que fizesse qualquer contestação era visto como inaceitável para os católicos franceses, que deveriam ser uns 90% da população.

Como as religiões nunca foram exemplos de tolerância nem de convivência, católicos e protestantes estavam constantemente em pé de guerra. O sonho de qualquer religião é acabar com a concorrência, já que sempre julga que a sua é a única verdadeira. Esta chance surgiu para os católicos e não foi desperdiçada.

A França era governada por um rei de 22 anos, Carlos IX, reconhecidamente incompetente, que não conseguiu resolver os conflitos religiosos e era dominado pela mãe, Catarina de Médicis, quem de fato governava.

Para amenizar os conflitos religiosos, a Casa Real Francesa, comandada pela rainha-mãe Catarina, fez um pacto de não-agressão com os protestantes da linha Calvinista, designados por huguenotes. Neste pacote de boas intenções colocou um conselheiro calvinista, o almirante Coligny, junto do filho (Rei Carlos IX), e ofereceu a filha Margot (irmã de Carlos IX), em casamento ao protestante Henrique de Navarra. Os nobres católicos franceses observavam com muita desconfiança o casamento, que se realizou ao lado da Catedral de Notre Dame, pois o noivo, não sendo católico, não podia entrar!

Poucos dias após o casamento, a rainha e alguns nobres urdiram um atentado contra Coligny, mas não teve o sucesso esperado, já que o visado apenas ficou ligeiramente ferido.

O atentado abalou a frágil trégua alcançada e os católicos habilmente espalharam boatos que implicavam os huguenotes num atentado contra o rei, que estariam preparando para se vingarem. O rei, que antes estava do lado do seu conselheiro, ordenou a cruel execução de Coligny, por pressão da mãe.

Depois dessa execução, resolveu fazer um trabalho completo. Ao amanhecer do dia 24 de agosto, mandou Henrique de Navarra parar com a lua-de-mel e concedeu o que os religiosos chamam de livre arbítrio, escolher entre a abjuração do protestantismo ou ser atravessado por uma espada. Navarra abjurou, mas foi preso, tendo fugido da prisão passados quatro anos; os amigos que o acompanhavam foram desarmados e passados à espada.

A seguir convocou um fanático religioso chamado Claude Marcel, para organizar os chefes de bairro, de forma a não se deixar nenhum “desses ímpios” escapar.

A partir daí, Paris é palco de uma carnificina que durou até finais de Outubro de 1572 e se estendeu a outras cidades francesas.

No dia 26, dois dias depois da largada para os assassinatos em massa, o rei Carlos IX dirigiu-se ao Parlamento e foi aclamado pelos parisienses.

Decorridos dois anos, este rei morre, não de remorso, mas de tuberculose!

Henrique de Navarra, como sabemos, não teve uma lua-de-mel abençoada e viu-se obrigado (cobardemente?) a “optar” pelo catolicismo; esteve quatro anos preso no Louvre e conseguiu fugir para a Espanha. Mais tarde tornou-se rei da França e concedeu a igualdade de direitos políticos aos huguenotes.

O Papa da época, Gregório XIII, de tão feliz que ficou, agradeceu a Deus com uma missa Te Deum e mandou cunhar uma moeda comemorativa, onde mostra anjos de espada na mão, eliminando os opositores. Depois encarregou o pintor Giorgio Vasari de pintar um mural, celebrando o massacre.

E ainda há quem não queira que o Estado seja LAICO (22/08/2012)”

NOTA 1: O nome do autor constava do cabeçalho, mas não ficou na cópia. Tentei procurar de novo e já não encontrei. Peço desculpa pela omissão.

NOTA 2: A Igreja apresenta a versão do “atentado ao Rei” como desculpa para o Papa ter apoiado a perseguição movida pela Casa Real Francesa aos protestantes; o Papa só terá sido informado dos “maus” que queriam matar o Rei…

L. Pereira, 14/07/2014 – DIA DA FRANÇA

12 de Julho, 2014 Carlos Esperança

O Islão vai de mal a pior

O islão entrou em declínio após a última grande potência islâmica – o Império Otomano – se desmoronar, e atingiu o seu ponto mais baixo no primeiro quartel do séc. XX com a colonização, pelo Ocidente, de grande parte do mundo árabe.

O Iraque vive a deceção da pobreza e subdesenvolvimento, apesar dos amplos recursos energéticos, provocada pela invasão dos novos Cruzados e, agora, pela violência sunita de um alegado califa, que agravou o medo, a miséria e a fé.

A tortura usada por forças da coligação que invadiram o Iraque em 20 de março de 2003 era a nódoa que faltava à alegada superioridade moral da civilização de que se reclamavam.

Na Turquia, o laicismo imposto por Ataturk, sobre os escombros do Império Otomano, está em vias de ruir sob a égide do futuro presidente Erdogan, ingenuamente apelidado de muçulmano moderado.

Os clérigos, em vez de modernizarem o Islão, islamizam a modernidade num perpétuo retorno ao obscurantismo. Onde o islão comanda a vida morre-se sob ditadura militar ou sob a violência de Alá.

O imperecível problema da Palestina é mais uma acha na fogueira do ódio que consome o Médio Oriente. Os sionistas procuram agravar a situação. Fazem mal tudo aquilo de que são capazes e da pior forma. Por sua vez, o Hamas, independentemente da razão que lhe asiste, exonera a inteligência da fé que o move, procura o martírio e só não mata mais porque não pode.

O mundo muçulmano é um barril de pólvora que explode continuamente, em demente proselitismo e suicídio assassino. O caso mais paradigmático é talvez o iraquiano. Ali,
derrubou-se uma ditadura laica, apoiada por sunitas, que oprimia os xiitas, donde surgiu um estado teocrático onde os xiitas oprimiam os sunitas. Agora, vêm a caminho sunitas que não prescindem de oprimir todos, em particular, xiitas, e degolam todos os que se lhes opõem a caminho de um novo califado ou do velho Paraíso.

Deus não é propriamente um entusiasta da democracia e os clérigos são sempre contra.

11 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A Palestina, o Islão e o sionismo

É doloroso estigmatizar o Islão quando os ataques sionistas arrastam a dor, o sangue e a devastação para o martirizado povo da Palestina, quando Israel ignora sistematicamente as resoluções da ONU, quando um povo miserável é espoliado do seu território e da sua sobrevivência, quando decorre um intenso ato punitivo, por um exército bem treinado e equipado, contra uma população faminta, sitiada e desesperada.

Mas é nesta altura que urge ter a coragem de dizer que a provocação, apesar das origens bem mais remotas, começou com mísseis disparados sobre as cidades israelitas, que os autores estimulam a retaliação para exaltarem o martírio e que, finalmente, não restaria um único judeu vivo se os provocadores tivessem o poder bélico de que Israel dispõe.

É preciso ter a coragem de desmascarar os líderes da Palestina de cuja miséria recolhem o ascendente e encontram o húmus onde floresce a fé e a sharia. O erro, como muitos na História, foi a criação de um Estado sionista, ali, naquela região onde a tragédia dos três monoteísmos começou, mas, sendo as coisas o que são, não têm os palestinos o direito à eliminação de Israel nem este à liquidação da Palestina.

Hoje foi desmantelada em França uma rede terrorista islâmica que fornecia documentos falsos a islamitas regressados do Afeganistão e travada outra que aspirava fazer explodir a Torre Eiffel, o Museu do Louvre e uma central nuclear. Não se trata de criminosos que praticam a religião islâmica mas de islamitas que desejam cumprir a vontade de Maomé.

O terrorismo é uma prática que deriva da crença, uma demência cultivada nas madraças e mesquitas, uma deriva criminosa que não se preocupa com a morte dos seus desde que mate os outros, os infiéis ao «misericordioso».

O islão não deve ser visto como religião e, tal como o nazismo e o fascismo, não pode ser tolerado no terrorismo por que enveredou, nem possuir espaço para se organizar sob o pretexto das orações e do estudo do Corão.

Sei que muitos amigos me censuram o desassombro e me vão considerar racista mas eu troco a tranquilidade do silêncio pela imagem que arrisco e pela reflexão que ouso.

10 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A ICAR uivou de cólera

Fez ontem 50 anos que teve lugar o primeiro desfile da minissaia, uma elegante criação de Mary Quant, a quem as mulheres devem uma parte da sua emancipação e o realce da beleza.

 

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9 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Apontamentos Bíblia/Corão

Segundo a jurisprudência de Nuremberga «a pertença voluntária a uma organização criminosa é, em si mesma, um crime», culpa jurídica que ninguém se atreve a formular contra uma religião.

A política imperialista do Vaticano é, ainda hoje, prosseguida pelo último ditador europeu que dispõe de um Estado – o papa –, e a aplica com recurso à intriga, suborno e chantagem sob o manto da diplomacia.

A recusa da modernidade levou a ICAR a apoiar os regimes autoritários contra a democracia. Sempre.

Os Evangelhos foram escritos algumas décadas depois da morte de Jesus e refletem o racismo e preconceitos que alimentavam a rivalidade com o judaísmo, no fim do séc. I, quando a separação estava consumada.

Querem os cristãos renunciar ao livro que julgam revelado por Deus ou ser-lhe fiel, continuando a eliminar os judeus? Esse é o dilema de milhões de católicos para quem o antissemitismo bíblico, que não é acessório mas fundamental, e não pode ser expurgado, sob pena de deixarem Deus mal colocado.

A bíblia não perdoa que os judeus tivessem matado o filho de Deus mas aceita que os seus seguidores tivessem eliminado milhões de inimigos cujo grau de parentesco seria provavelmente menor.

Na Polónia, na Hungria e Eslováquia, predominantemente católicas, o antissemitismo que havia sido proibido pelos regimes comunistas, reapareceu no domínio público.
É possível combater o racismo e o ódio que bolça um livro fascista, é impossível usar os mesmos critérios para um livro que centenas de milhões de crentes atribuem a Deus. Em alguns casos é crime, em outros é revelação divina.

O direito que a ICAR se atribui, aliás obrigação, de evangelizar todos os homens e a convicção de que fora dela não há salvação tem levado os seus sequazes a não hesitar na prossecução dos objetivos propostos.

8 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Em nome da liberdade (4)

Um breve olhar pelas religiões do livro – os três monoteísmos.

O Antigo Testamento, conjunto de escritos de matriz comprovadamente hebraica, em boa parte escrito em aramaico, é uma notável obra literária cujas fraudes não anularam o enorme valor histórico. Reflete o pensamento das tribos patriarcais que criaram um ser supremo, antropomórfico, à imagem e semelhança dos homens de então, enaltecendo-lhe, na dilatação das virtudes imaginadas, os defeitos de que eles próprios enfermavam.

O espírito violento, vingativo, misógino, xenófobo e homofóbico, é a réplica apoteótica da mente tribal dos patriarcas do «povo eleito». É desse livro bárbaro que nasceram os Livros da Lei (Tora), os livros dos profetas e os escritos, judaicos, e os livros que, sem renúncia ao A. T., igualmente se inspiram o cristianismo e o islamismo.

Urbano II foi um piedoso papa da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) do fim do século XI e não um biltre de excecional perversidade. Era um pregador que lera a Bíblia com intensa devoção, que, além de cristianizar a Sicília e a Campânia, quis pôr termo ao Grande Cisma do Oriente, e que, no Concílio de Clermont-Ferrand (1095), convocou os cristãos para a guerra contra os “infiéis” muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém.

As Cruzadas foram o corolário lógico do Novo Testamento, os quatro evangelhos que o génio de Paulo de Tarso inspirou para transformar o Deus do povo eleito num Deus para todos os povos conhecidos ou a descobrir. Grave era o louvor dessa barbárie, celebrada ainda no início do terceiro quartel do século XX, com as crianças a fazerem a comunhão solene, vestidas de cruzados, com prosélita intoxicação. Jesus, um judeu que se dedicou aos milagres e à pregação, jamais imaginou que o fariam a estrela da nova fé.

O cristianismo é uma das várias cisões do judaísmo que Paulo de Tarso instigou e que o Imperador Constantino, persistindo mitraísta, adotou para cimentar o Império Romano, onde a seita se popularizara, e a converteu em religião de Estado, imposta cada vez mais violentamente pelos imperadores Teodósio (finais do séc. IV) e Justiniano (séc. VI).

O proselitismo e o antissemitismo foram as características que mais distinguiram a nova religião do judaísmo, entendendo-se a segunda pelo ódio que os trânsfugas imprimem contra a ideologia de que dissentem. Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Atos dos Apóstolos têm cerca de 450 versículos explicitamente antissemitas, «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia», segundo Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto).

O Islamismo é uma cópia grosseira do cristianismo a que falta a influência da cultura helénica e do direito romano, essencialmente civilista, agravado pelo espírito belicista. Evocar as Cruzadas, a evangelização, a Contra-Reforma, a Inquisição, as (re)conquistas cristãs e o antissemitismo da ICAR, é recordar que a demência islâmica não é inédita, é apenas uma recidiva obsoleta de uma religião que se sente aturdida pela globalização e é a boia de uma civilização falhada – a árabe –, que quase só produz petróleo, devoção e terrorismo. Porém, no seu primarismo, tem enorme sedução, que a fez alastrar a povos não árabes, como o Irão, Turquia, Bósnia-Herzegovina, Kosovo, países africanos não árabes, e intoxica progressivamente a Europa e os EUA, com a complacência beata de Estados que ignoram as madraças e mesquitas onde se difunde o ódio e se apela à jihad.

O cristianismo ortodoxo tem como matriz um direito político que impede verdadeiros Estados de direito, onde a religião e o Estado vivem sempre em união de facto.

No Islão, a referência jurídica é o direito teocrático que molda o carácter totalitário do poder onde desde as orações ao vestuário, da alimentação às relações de género, tudo está sob escrutínio do mais implacável dos monoteísmos e da maior ameaça religiosa à civilização, cultura e modernidade que inspiram os Estados modernos. Sob o pretexto do multiculturalismo, a lepra fascista de um islão demente avança, enquanto o mundo civilizado vacila e treme sem encontrar a resposta eficaz para a sua contenção.

Diga-se em boa verdade que o catolicismo só admitiu a liberdade religiosa na segunda metade do século XX, no Concílio Vaticano II, e que foi graças à repressão política do clero que a laicidade se impôs e a democracia vingou, mas torna-se assustador saber que 18% do exército que promove a jihad é de origem europeia e que esses jovens, com um pensamento medieval e treino militar com armas do século XXI, vão regressar.