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Categoria: Religiões

30 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Há sempre um primeiro milagre no circo da fé

O primeiro milagre do heliocentrismo (Folha de São Paulo)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml

Vou abrir minha igreja e já volto!!! 

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/posts/2011/07/10/o-primeiro-milagre-do-heliocentrismo-391381.asp

Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja.

Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos) . É tudo muito simples.

Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.

Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros “Is” de bens colocados em nome da igreja.

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.

LISTA DE IGREJAS ABERTAS NO BRASIL EM 2010 (até setembro)

– Igreja da Água Abençoada

– Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina

– Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder

– Congregação Anti-Blasfêmias

– Igreja Chave do Éden

– Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta

– Igreja Batista Incêndio de Bênçãos

– Igreja Batista Ô Glória!

– Congregação Pass o para o Futuro

– Igreja Explosão da Fé

– Igreja Pedra Viva

– Comunidade do Coração Reciclado

– Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal

– Cruzada de Emoções

– Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)

– Congregação Plena Paz Amando a Todos

– Igreja A Fé de Gideão

– Igreja Aceita a Jesus

– Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém

– Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo

– Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)

– Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (quem perder vai ficar!!!)

– Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação

– Comunidade Arqueiros de Cristo

– Igreja Automotiva do Fogo Sagrado

– Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo

– Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo

– Igreja Palma da Mão de Cristo

– Igreja Menina dos Olhos de Deus

– Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos

– Associação Evangélica Fiel Até Debaixo DÁgua

– Igreja Batista Ponte para o Céu

– Igreja Pentecostal do Fogo Azul

– Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!

– Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas

– Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade

– Igreja Filho do Varão

– Igreja da Oração Eficiente

– Igreja da Pomba Branca

– Igreja Socorrista Evangélica

– Igreja A de Amor

– Cruzada do Poder Pleno e Misterioso

– Igreja do Amor Maior que Outra Força

– Igreja Dekanthalabassi

– Igreja dos Bons Artifícios

– Igreja Cristo é Show

– Igreja dos Habitantes de Dabir

– Igreja Eu Sou a Porta

– Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo

– Igreja da Bênção Mundial

– Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse

– Igreja Barco da Salvação

– Igreja Pentecostal do Pastor Sassá

– Igreja Sinais e Prodígios

– Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul

– Igreja do Manto Branco

– Igreja Caverna de Adulão

– Igreja Este Brasil é Adventista

– Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)

– Igreja Evangélica Florzinha de Jesus

– Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando

– Ministério Eis-me Aqui

– Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia

– Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará

– Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos

– Igreja Evangélica Facho de Luz

– Igreja Batista Renovada Lugar Forte

– Igreja Atual dos Últimos Dias

– Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te

– Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas

– Igreja Evangélica Bola de Neve

– Igreja Evangélica Adão é o Homem

– Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado

– Ministério Maravilhas de Deus

– Igreja Evangélica Fonte de Milagres

– Comunidade Porta das O velhas

– Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica

– Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo

– Igreja Evangélica Luz no Escuro

– Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim

– Igreja Pentecostal Planeta Cristo

– Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos

– Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

– Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés

– Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão

– Igreja Evangélica Muçulmana Javé é Pai

– Igreja Abre-te-Sésamo

– Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus

– Igreja Bailarinas da Valsa Divina

– Igreja Batista Floresta Encantada

– Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder

– Igreja do Louvre

– Igreja Evangélica Batalha dos Deuses

– Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados

– Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior

– Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida

– Igreja Pentecostal Marilyn Monroe

– Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo

– Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia -DF)

– Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis -GO)

– Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis -GO)

– Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte -MG)

– Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna -MG)

– Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei(Poços de Caldas-MG)

– Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia -MG)

– Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem -MG)

– Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas -MS)

– Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)

– Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro -RJ)

– Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro -RJ)

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OBS – Essa multiplicação de igrejas que benefícios trouxe ? Alguém sabe me dizer? Essa é a pergunta deste domingo. MH

30 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Algumas notas religiosas para a silly season

Naquele tempo tinha sido Deus encarregado, pelas tribos nómadas dos árabes, para falar de forma definitiva e dar o alvará de profeta pela última vez.

Ajudou-o na tarefa um velho amanuense que seis séculos antes era alcoviteiro, o arcanjo Gabriel. Apesar da vasta criação de profetas e anjos, em que eram peritos os hebreus foi, Gabriel o escolhido para escriturário da fé, naquela região onde se substituíam os deuses criados para cada especialidade por um único.

Os hebreus tinham criado Deus para uso das suas doze tribos e o isolamento da época fê-los acreditar que eram o povo eleito. Apesar do êxito e de ser pouco recomendável a criatura, lembrou-se Paulo de Tarso de tentar uma nova cisão para que o Deus de Israel pudesse ser exportado para todos os cantos do mundo, conhecidos ou a descobrir.

Perderam os hebreus, especializados na criação de profetas, milagreiros, anjos e ofícios correlativos, que viram confiscado o Deus de Abraão, da sua lavra, e oferecido a todos os que quisessem adorá-lo. Aliás, o proselitismo ajudou à disseminação e foi o Império Romano que acabou por ser o seu sectário defensor e propagandista musculado.

Mais tarde, no início do séc. VII da era vulgar, ganhou o alvará de profeta, o legítimo e genuíno, um condutor de camelos, habituado a retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. No ano de 610, acredite quem quiser, o pastor de quarenta anos fazia um desses retiros espirituais, no interior de uma das cavernas do Monte Hira, quando o anjo Gabriel o achou e lhe ordenou que recitasse os versículos enviados por Deus e que ele próprio, pacientemente, o obrigara a decorar nas suas viagens entre Medina e Meca.

Sem concurso aberto, nem provas públicas, a fé quer-se oculta, o pastor foi empossado como profeta e passou a debitar uma cópia grosseira do cristianismo, misturada com as fontes do judaísmo, conhecimentos que não eram alheios aos árabes. E não lhe faltaram combatentes cruéis para serem militantes do que diziam que disse e que lutavam contra quem dizia que era diferente o que disse.

Quanto mais primária for uma crença mais sedutora se torna. Claro que não faltaram os verdadeiros intérpretes da palavra exata nem as lutas pela autenticidade. Mas do que se diz que o Misericordioso disse, apesar da violência que as tribos nómadas cultivavam, a fé mantém-se viçosa no húmus da superstição que a tradição eleva à culminância divina.

Os cinco pilares andam aí, contra as mulheres, contra a liberdade, contra um módico de modernidade, impostos à bomba por uma legião de dementes, ansiosos de virgens e de rios de mel. Até quando?

29 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Homem Reto, segundo o Alcorão

Por

Leopoldo Pereira

Dos inúmeros contactos por mim realizados junto de amigos e simples conhecidos, no sentido de perscrutar qual a sua inclinação quanto à alternativa entre serem retos ou tortos (torcidos), obtive 100% de respostas (validadas), todas apontando inequivocamente na primeira hipótese. Mentirosos!
(Não contatei mulheres, já que o citado Livro lhes confere pouco crédito).

“Homem reto é quem crê em Deus, no Último Dia, nos Anjos, no Livro e nos Profetas”.

Por consideração para com os que infelizmente se marimbam para estes transcendentes assuntos, relembro que no ano 500 (ou lá perto), Deus trocou as voltas ao Povo Judeu, até então o seu predileto, e foi sondar Maomé, jovem árabe analfabeto, para ver se queria mudar de Clube (alinhava nos Politeístas). A princípio assustou-se, não se julgava à altura de tamanha honra, mas as condições pareceram-lhe tentadoras e o contrato ficou selado volvidos poucos dias, na presença do enviado celestial de serviço, o arcanjo Gabriel. Anjo graduado, experiente e de eficiência confirmada, já trazia as cláusulas escritas, só faltava Maomé assinar. O diabo é que não sabia ler e teve de relembrar isso ao interlocutor. Gabriel sorriu e, com ares de gozo, ripostou: “ Não te preocupes, tenta ler e verás que consegues”. Dito e feito. O primeiro “milagre” deste novo “Profeta”.

Antigos companheiros, representantes do Poder Local e Clérigos, preocupados com a atitude da “ovelha tresmalhada”, tudo fizeram para a trazer de volta, oferecendo-lhe inclusive honrarias a nível religioso e político. Nada o demoveu. Mas o campo inimigo contava com a esmagadora maioria da população e, ainda que nem sempre a razão esteja do lado da maioria, a breve trecho teve de “cavar” para Medina, caso contrário teria sido espancado ou mesmo morto em Meca, onde vivia e onde tinha espatifado 360 ídolos! (os mecanos adoravam quase um ídolo por dia. Convenhamos que não era prático…).

Depois e porque um homem, para além de alimentar o espírito também tem de alimentar o corpo, casou com uma viúva rica. Estabilizada a situação económica, com a camarada Cadja (mãe dos crentes), passou a olhar mais afincadamente para as mulheres que o rodeavam (bastantes) e a atender com maior frequência o tal Gabriel.
Tolerante e nada fanático, foi com tremenda calma e paciência que, ao longo de 23 anos, assistiu à tradução da Bíblia e às alterações que se impunham, concretamente em tudo o que dissesse respeito aos judeus.

O Corão passou a ser o Livro Verdadeiro, aquele que Deus quer.

Nós dizemos Alcorão, face às muitas palavras árabes que mantemos e começam por “al”.

“O Alcorão prega a tolerância e proclama, frequentemente, o princípio de não coerção em matéria de religião”.

Isto, aliado ao desejo de mudança e à inteligência, leva alguns estudantes universitários (por exemplo) a renegarem a cultura “ocidental”, de cariz cristã e a alistarem-se nas diversas fações islâmicas que, pela força das armas, desejam impor ao Mundo a sua religião.
É por demais evidente “a tolerância e o princípio de não coerção”… da Chechénia ao Afeganistão, do Iraque à Síria, da Somália à Nigéria.

A perseguição aos infiéis (todos quantos não praticam o islamismo) está prevista e são muitas as ameaças que Deus lhes dirige, tais como: “Terão o merecido castigo”; “Terão um castigo doloroso”; “Castigá-los-á, abandonando-os e deixando-os extraviados”; “Persegue os incrédulos”; “Se quisesse, retirar-lhes-ia o ouvido e a vista”; “ Temei o fogo, que tem por alimento os ídolos, e que foi preparado para os incrédulos”; “É inimigo dos incrédulos”; “Sereis vencidos e reunidos no Inferno. Que má morada essa!”, “Reunirá os hipócritas e os infiéis no Inferno”; “É rápido no ajuste de contas”; etc., etc.

“Deus atesta que não há outro Deus senão Ele” e se Ele atesta… está atestado.
Portanto seria Ele a castigar os infiéis e não os seus fanáticos fãs. Correto?

Porém existem no Alcorão frases como estas: “Combatei pela causa de Deus e sabei que Ele tudo ouve, é omnisciente”; “Exterminámos até ao último os que recusavam os Nossos versículos, pois não eram crentes”; “As piores bestas diante de Deus são os descrentes, pois eles não creem”; “ Terminados que sejam os meses sagrados, matai os idólatras onde os encontrardes. Apanhai-os! Preparai-lhes todas as espécies de emboscadas!”; “Combatei quer estejais mal ou bem armados! Combatei com as vossas riquezas e as vossas pessoas na senda de Deus: Isso é melhor para vós, se sabeis”; etc., etc.

Tais frases podem ser interpretadas à letra, subestimando esta outra:
“Há ignorantes que não conhecem do Livro senão a ficção e não fazem mais do que especular.”

Será que os Jihadistas (Jihad – esforço no caminho de Deus e não Guerra Santa, como é vulgo traduzir-se) são ignorantes? Ou será que pretendem mesmo eliminar todos os descrentes (as piores bestas, muito piores que os facínoras, incendiários, pederastas, pedófilos, ladrões, violadores, fanáticos, canibais, caluniadores, etc.)?

“Os que não creem e tomam por mentira os nossos versículos, esses serão entregues às chamas.”

Em sintonia com as fogueiras da “Santa Inquisição”!
Pelo que temos constatado, ainda que a uma distância considerável da Idade Média, as fogueiras (ou quejandos) andam por aí… e bem vivas.

Sugestão: Sê um Homem reto, ou finge (mais vale cobarde vivo que herói morto).

A propósito dos castigos divinos, que devem ser tomados em linha de conta, lembrei uma anedota, que partilho convosco:
Numa aldeia do interior, o padre jogava bilhar com um campónio. Este, sempre que errava, dizia: “Ora porra, falhei”. O padre, chateado de tanto o ouvir proferir aquela asneira, avisou: “Você devia evitar falar como fala e olhe que Deus castiga, por exemplo com o raio”. Havia trovoada e a dado momento ouviu-se enorme estampido; um raio penetrara no salão e o padre caiu morto. Então, das Alturas suou uma voz: “Ora porra, falhei.”

L. Pereira, 18/07/2014

27 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A religião, a misoginia e a brutalidade divina

Num tempo em que a opinião pública é formada nas madraças da contrainformação, os ódios e os amores nascem nos jornais e televisões, e o livre-pensamento está sujeito aos constrangimentos sociais, como outrora a fé, ao pároco, às catequistas e aos devotos, há obrigação de enfrentar os preconceitos e a fúria dos amigos e adversários, para quem as más notícias prejudicam os seus credos.

Há violências mudas no interior das guerras de rockets e tanques de guerra ou à margem delas. Há tragédias de mulheres condenadas à escravidão ou à não existência, mutiladas, insultadas e feridas pelo mais feroz dos fascismos, que persiste em contexto islâmico.

No Iraque, onde exaltados cruzados lançaram o caos e intensificaram a violência, surge agora um bando sinistro, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) a impor, em nome de Alá, severas restrições às mulheres de Mossul, cidade que conquistaram em junho.

Na demência de uma bulimia misógina, a caterva de trogloditas de Deus exigiu a todas as mulheres o uso do véu integral, de roupas largas que não revelem as formas do corpo e que tenham sempre as mãos e os pés cobertos, para evitarem «castigos severos».

Os comunicado dos piedosos selvagens avisava, segundo o jornal El País: «Isto não é uma restrição de liberdade, apenas impede que as mulheres caiam na humilhação e vulgaridade de ser um espetáculo».

Na quinta-feira, essa canalha medieval ordenou que todas as mulheres da cidade, entre os 11 e os 47 anos, se submetessem à mutilação genital, segundo denunciou à BBC a coordenadora das Nações Unidas no Iraque, Jacqqueline Badcock.

A fatwa do EI submete as mulheres de Mossul à violência brutal, medonha e criminosa que as expõe a hemorragias, riscos urinários, infeções e infertilidade, para além de as privar do prazer sexual e dos mais elementares direitos humanos, para satisfação de um profeta analfabeto e violento que entrou em defunção há 1382 anos.

Oiço falar de multiculturalismo e fico com brotoeja. Há um manual terrorista chamado Corão e devotos criminosos. Chamem-me xenófobo e esquizofrénico, pretextem as más interpretações dos hadiths, digam-me que é excessiva a generalização e que, na revolta que sinto me assemelho a essa canalha maldita.

As mulheres, que os pulhas de Deus destroem, são minhas companheiras, irmãs, filhas e netas. Maldita religião, malditos cúmplices.

27 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A verdade e a sua difícil descoberta

É difícil descobrir a verdade entre catadupas de desinformação e contrainformação que têm o apoio sectário dos dois lados da barricada.

Acreditem, leitores, que me esforço por navegar entre destroços da propaganda, à espera de identificar factos e fotos reais, quando se deturpam os primeiros e se manipulam as segundas, quando se atribuem a uma guerra em curso imagens de um acidente passado.

Espero que, nos erros que cometo, vejam a boa fé que me anima, o contributo do zelo de quem lança temas à reflexão de quem visita este blogue. Espero que apreciem o esforço com que uso a única arma de que disponho – a palavra –, e que me ajudem a corrigir os enganos, apontando-os.

A Ucrânia, onde a UE, no meu ponto de vista, foi responsável pela provocação à Rússia, e Israel, onde uma provocação do Hamas foi pretexto para a cruel retaliação, não são os únicos pontos do planeta onde a violência atinge o paroxismo da crueldade. O Iraque, a Nigéria, a Síria vivem dramas, e outros obscuros países têm populações onde se morre à fome, onde as epidemias atacam e os déspotas governam.

Não há autoridade mundial que impeça manifestações de racismo, xenofobia, vingança e misoginia. Parece que a vitória dos preconceitos de cada um é mais importante do que o combate à discriminação de género, ao tribalismo, à fome e às epidemias.

Uns rezam, outros acirram ódios, e todos somos responsáveis pela espiral de violência que grassa no Planeta.

Que raio de Mundo onde as religiões envenenam tudo!

26 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A guerra que mata e a guerrilha que envenena

O exacerbamento dos ódios que corroem Israel e a Palestina passam por osmose para a comunicação social e explodem irracionalmente nas redes sociais.

A tragédia não se compadece com a neutralidade, mas os preconceitos ideológicos são a marca das opções políticas de cada um, exoneradas de um módico de serenidade. Só há quem veja a mais hedionda manifestação de terrorismo de um dos lados e um imaculado comportamento no lado contrário, numa deriva que envenena as discussões e as reduz a um diálogo de surdos. A guerrilha verbal das redes sociais é um exemplo de intolerância e do ódio mimetizados do conflito.

A guerra é sempre violenta, e esta luta associa às injustiças históricas o ódio que embala os berços de cada lado. Duvido que a paz tornasse à região se fosse banido o Estado de Israel e, no entanto, um dos lados só pensa na exclusão de um país que teima em existir, e o outro, na conquista do território que julga seu por herança divina arquivada no livro da Idade do Bronze e cujo registo jaz numa Conservatória do Registo Predial Celeste.

À espera do Armagedão, a batalha final no Monte Megido, os cristãos cínicos e hebreus sionistas alimentam uma guerra em que os palestinianos escolheram terroristas para os liderar, sem que os direitos humanos ou a democracia integrem as suas preocupações.

Recuso quem não aceita a existência de Israel ou a devolução, por este, dos territórios usurpados à Palestina, conforme deliberação da ONU.

Continuarei a considerar terroristas os que de um lado e doutro se colocam à margem da legalidade internacional, os que provocam com rockets o martírio e os que respondem com a superioridade militar sem cumprirem as decisões da ONU.

25 de Julho, 2014 Carlos Esperança

O auto de fé de Giordano Bruno

Por

Paulo Franco

Em todos os lugares e em todos os tempos nascem mentes brilhantes e inconformadas. Mas aqueles que detêm o poder, por vezes, arrogam-se no direito de aniquilar o instinto natural de pensar livremente. Esta poderia ser a frase síntese representativa da tragédia que se abateu sobre o génio indisciplinado de Giordano Bruno.

Bruno nasceu em 1548, na localidade de Nola, perto do Vesúvio, em Itália. Iniciou os seus estudos no mosteiro de São Domenico, o mesmo mosteiro de São Tomás de Aquino, mas rapidamente se revoltou contra as ideias que lhe foram impostas, o que o impediu de prosseguir os seus estudos no mosteiro, tendo ainda sido obrigado a abandonar a sua terra natal e a vaguear pelo mundo.

Ao contrário dos seus colegas, Giordano Bruno era possuidor de uma energia intelectual vibrante, era expansivo, contestador, extrovertido e absolutamente brilhante na defesa das suas convicções. Este seu talento permitiu-lhe lecionar nas melhores escolas e universidades de várias cidades europeias entre 1583 e 1593. A sua inteligência multidisciplinar abrangeu temas tão diversos como a Astronomia e a epistemologia, assim como as demais áreas do conhecimento humano da época. Escreveu cerca de 20 obras onde expôs as ideias que lhe deram notoriedade.

No século XVI a filosofia liberta-se da religião. A ciência moderna não mais será a busca da verdade através da propriedade lógica dos conceitos, mas sim através das lentes de microscópios e telescópios, e Giordano Bruno é a figura principal desta transição. Os seus métodos foram os germes dos métodos empíricos que marcaram o inicio da ciência experimental.

Bruno considerava o cristianismo inteiramente irracional, sem base cientifica ou histórica, contrária à filosofia e em desacordo com o simples bom senso.
Ridicularizou os milagres de Jesus e outros dogmas como a virgindade de Maria.

Por causa das suas ideias contrárias aos dogmas da igreja (tanto da católica como da protestante), em 1593 foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, torturado, impiedosamente mal tratado, forçado por diversas vezes a renegar os seus escritos e suas ideias, coisa que sempre se recusou a fazer.

Em 17 de Fevereiro de 1600, Giordano Bruno foi cruelmente assassinado pela “Santa” Inquisição na fogueira. Quando estava a ser colocado na vara, foi-lhe trazido um crucifixo para Bruno se “purificar”, mas este arremessou-o para longe com um desprezo feroz. Depois disto, foi-lhe pregado uma tábua com pregos na língua para parar de “blasfemar”. Perante esta descrição, não são necessários adjetivos para descrever o horror daquele auto de fé.

Imaginem a força e consistência de convicções que um ser humano tem de ter para poder enfrentar de forma tão determinada e corajosa uma instituição tão aterradora e cruel como era a “Santa” Inquisição naquela época.

24 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Os tumultos antissemitas em França

É irrelevante que eu considere terroristas os dirigentes de Israel e da Faixa de Gaza, que me sinta dilacerado com a implacável lei de Talião aplicada nos territórios cuja origem das injustiças é diariamente evocada e objeto de tomadas de posição por todo o mundo.

Não vale a pena recordar, a cada momento, o desacerto clamoroso da criação de Israel pela Inglaterra, URSS, EUA e pelos vencedores da Segunda Grande Guerra, em geral, que logo reconheceram o novo País, com a exceção , aliás pouco honrosa, do Vaticano.

Não esqueço a campanha de ódio orquestrada em Israel, após o selvático assassinato de três jovens estudantes raptados e sequestrados próximo de um colonato de Hebron, e as retaliações mútuas onde a superioridade militar e económica de Israel é colossal. Sendo as coisas o que são, defendo, contra os sentimentos de muita gente, o direito de Israel à existência e tranquilidade, bem como a obrigação de desmantelar os colonatos com que se expandiu pelo território da Palestina que vai inviabilizando.

Dito isto, passo a referir as manifestações da periferia de Paris, e outros locais, de apoio à Palestina, manifestações legítimas na motivação e repulsivas na forma. Os promotores exacerbam os piores sentimentos xenófobos que a extrema direita capitaliza numa orgia de antissemitismo em que se fundem dois fascismos, o autóctone, de cariz nacionalista e católico, e o árabe de primarismo muçulmano.

A destruição de estabelecimentos pertencentes a judeus, a profanação de cemitérios ou a ameaça contra sinagogas, são a hedionda manifestação do fascismo islâmico no berço do Iluminismo.

O sofrimento do povo palestiniano não deve servir de álibi para manifestações de fúria e de violência num país laico, nem se pode transformar em direito a pregação do ódio nas madraças e mesquitas do país que autoriza à religião prosélita e belicista um direito que ela nega às outras e a quem prescinde de qualquer uma.

O Islão é o maior inimigo dos muçulmanos e estes não podem continuar a vociferar em países democráticos contra caricaturas de um profeta violento ou condicionar a vivência democrática de países civilizados.

A solidariedade com a Palestina é legítima e perde racionalidade quando é cúmplice do silêncio para com a sharia, o antissemitismo e o terrorismo da demência islâmica.

Para mim, existe superioridade moral da democracia laica sobre uma religião totalitária.

21 de Julho, 2014 Carlos Esperança

A infindável guerra israelo-árabe

Estar ao lado da Palestina e contra o Hamas não é incoerência, é uma obrigação moral. Condenar o sionismo e defender que Israel não deve estar debaixo da ameaça constante de uma organização que lhe recusa o direito à existência e mantém os seus habitantes sob a contínua ameaça de serem atingidos por um míssil lançado de Gaza, é um dever.

Não vale a pena repetir até à náusea que foi um erro entregar um território habitado aos crentes do mais antigo monoteísmo, um erro clamoroso da Inglaterra, URSS, EUA e de outros países vencedores da guerra de 1939/45.

E agora?

Deve permitir-se que Israel seja destruído, e expulsos os sobreviventes, à semelhança do que tem feito com a Palestina cuja iniciativa provocatória é o álibi de que precisa?

Nesta carnificina teocrática há critérios ideológicos e geoestratégicos que se afastam da lógica e se aproximam do petróleo, que acirram o racismo e recusam a paz, enquanto os terrorismos contrários se exacerbam numa lógica simultaneamente assassina e suicida.

Malditas religiões que desconhecem que alguns árabes são judeus islamizados e vários judeus são árabes judaizados, com uma crença tão grande na etnia como na divindade, incapazes de pensarem que uma etnia se arrisca a ser um grupo unido pelas falsidades partilhadas sobre os antepassados e ódios comuns em relação aos vizinhos, incapaz de resistir a um teste de ADN.

Pacatamente, no sofá das sujeições partidárias há quem cultive o maniqueísmo e o ódio, sem atribuir sequer 1% de razão aos que julga algozes ou 1% de maldade a quem tomou por vítimas, capaz de desejar a morte a quem deseja uma oportunidade para a paz.