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Categoria: Religiões

26 de Junho, 2008 Ricardo Alves

Liberdade de sentido único

O nosso amigo Ratzinger tem reflexões muito inspiradas sobre a liberdade. Agora, saiu-se com esta:

  • «O máximo da liberdade é o ‘sim’, a conformidade com a vontade de Deus. Só no ‘sim’ o homem chega a ser realmente ele mesmo; só na grande abertura do ‘sim’, na unificação de sua vontade com a divina, o homem chega a estar imensamente aberto, chega a ser ‘divino’.» (Zenit)

Ora bem: portanto, para o nosso amigo Ratz, a liberdade só é «máxima» se se conformar com a vontade de outrém. Se cada indivíduo puder dizer «sim» ou «não», por si e para si, a liberdade, sempre segundo Ratz, já não é liberdade.

Confusos? Não vale a pena. George Orwell explica, no clássico 1984: «Liberdade é escravidão».

(Ricardo Alves)

25 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Portugal lembra fundador do Opus Dei

Amanhã, dia 26 de Junho, a Igreja celebra a festa litúrgica de S. Josemaria Escrivá de Balaguer. Em todo o mundo* serão celebradas missas em honra deste santo da Igreja.

Seguem-se os locais e horários das missas portuguesas:

– Braga – 26 de Junho às 19h00 – Catedral

– Coimbra – 26 de Junho às 19h – Igreja de Nossa Senhora de Lourdes

– Fátima – 26 de Junho às 11h00 – Basílica do Santuário

– Faro – 28 de Junho às 09h30 – Igreja de S. Pedro

– Lamego – 26 de Junho às 18h30 – Sé

– Lisboa – 26 de Junho às 19h00 – Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Missa presidida por D. Anacleto Oliveira, Bispo Auxiliar de Lisboa

– Porto – 26 de Junho às 19h00 – Igreja da Trindade

– Setúbal – 28 de Junho às 18h00 – Igreja de Nossa Senhora da Atalaia

– Viseu – 26 de Junho às 18h30 – Sé. Missa presidida por D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu

 Comentário: Nove missas são insuficientes para o admirador do ditador Franco.

* Por precaução foram excluídos os países árabes.

CE

24 de Junho, 2008 Carlos Esperança

O Vaticano, a paz e o proselitismo

Para implementar os seus planos, o Vaticano usou a combinação do chauvinismo religioso e nacional na Croácia. Isso ficou particularmente claro durante a existência do Estado Independente da Croácia em 1941-1945. A Igreja Católica Romana praticamente colaborou com os sicários croatas.

(…)

A Croácia ofereceu três possibilidades aos sérvios: converterem-se ao catolicismo, tornarem-se escravos em campos de trabalho ou simplesmente morrer. As consequências de todos esses eventos históricos podem ser vistas nas atuais relações entre as nações sérvia e croata.

CA

24 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Diário Ateísta feito pelos leitores

Ideia requintada:

1. A Bíblia é um livro reservado. As suas mensagens têm de ser interpretadas e isso é trabalho de teólogos/exegetas.

2. Prolixo. Tem de tudo; aquilo que se chama erotismo e/ou pornografia; histórias complicadas de vidas anfractuosas, crimes e guerras (algumas sagradas ou em nome do divino), sacrifícios ou oferendas radicais (de vidas humanas), tudo para satisfação do senhor deus.

3. Algumas páginas são míticas: mitos antigos, mitos copiados ou adaptados, concepções raramente “personalizadas”. Falas de videntes e profetas na tradição das religiões. Os evangelhos corrigidos e sucessivamente adaptados estão estilizados. A última emenda que se gerou da polémica dos irmãos de Jesus que passaram a primos nas redacções actuais… Não se prescinde do execrando satã que faz parelha com o deus do amor, do coração, da redenção e doutros parâmetros para consumo do metabolismo insaciável da ignorância (que devora tudo o que são pequenos “faits divers”, histórias de encantar) e encontram eco, sobretudo, nalguma imaginação vicariante do que é concreto e positivo. A guerra do senhor com satã é épica e ganha o que, aqui e acolá, convém às sagas e aos exorcismos…

4. Tão vasto que certamente muitos seminaristas o não leram todo e, muito menos, as encafuadas em poeira, freiras de carnes flácidas e entregues aos prazeres sáficos ou de masturbações delirantes… em deus! Essa vastidão interdita o seu conhecimento global e daí, como Os Lusíadas, menos complicado, também era lido por trechos seleccionados… Nunca o canto das sereias e ninfas encantadas para não desencadear conflitos com a melhor moral…
5. De tudo o que fica escrito sua reverência o que queria era prolongar a catequese impingindo aquilo que agora se quer que se repita na ‘máxima’ de que a repetição gera verdades mesmo que sejam dessa comida gordurosa e indigesta para a ignorância mais atrasada… Essa matreirice não pegará. Aliás o testemunho de Carreira das Neves desmistifica o valor sagrado da Bíblia. Valha-nos alguma honestidade de uns poucos que ainda privilegiam o que há de sagrado na verdade e não na ‘verdade’ do hipotético sagrado.

a)      GT

22 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Fujam, vem aí a bíblia…

D. Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, considera que a Bíblia deveria ser estudada na escola “não por razões religiosas, mas por motivos culturais”. Reconhecendo que para o homem de hoje a Bíblia tem uma mensagem “distante”, manifesta que os “grandes símbolos do passado não estão ultrapassados culturalmente”.

Comentário: Depois da experiência do Corão, o Vaticano ameaça com a bíblia.

CE

21 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Para canonizar o «Papa de Hitler»…

Pio XII salvou no mundo mais judeus do que qualquer outro na história”: foi o que afirmou aos microfones da Rádio Vaticano Gary Krupp, expoente da comunidade judaica norte-americana e presidente da Fundação Pave the Way, que este no Vaticano na última quarta-feira para encontrar o Santo Padre na conclusão da audiência geral junto com outros judeus sobreviventes ao Holocausto.

Pergunta: Quanto custou a mentira?

CE

21 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Os conventos e a liberdade

Há direitos irrenunciáveis. O patrão que coaja os trabalhadores a abdicarem dos direitos sindicais, viola as leis do Estado e torna nulo o contrato. Não se podem recusar direitos consagrados na Constituição nem renunciar às liberdades inerentes à condição humana.

A entrada para um convento é a renúncia à liberdade e à autodeterminação individuais. Pode ser gratificante a assoalhada no Paraíso, divertidos os jejuns ou deliciosos no gozo masoquista os cilícios, mas não podem ser deixados nas mãos de uma seita, à mercê da madre superiora ou do prior de um convento.

Imagine-se uma jovem, destroçada nos afectos ou perturbada por êxtases místicos, que decide entrar num convento e renunciar à liberdade. Como pode uma decisão emocional converter-se em prisão perpétua sem que o Estado democrático indague periodicamente da sanidade mental e da ausência de constrangimentos sobre a vítima?

Claro que deus gosta de ociosos que passem a vida na contemplação. Os papas apelam a que se renuncie aos prazeres da vida para se dedicarem à castidade e à oração. Não sei quem terá ouvido deus a lamentar-se do método que os humanos descobriram para se reproduzirem ou envergonhado com o prazer que dá. Desconheço quem foram as testemunhas da obsessão divina pelas roupas femininas e quando começaram essas prisões que muitas vezes serviram para manter indivisa a propriedade transmitida ao primogénito.

O que está em causa é a possibilidade, remota que fosse, de haver no ambiente lúgubre de um convento alguém que os constrangimentos internos ou as ameaças hierárquicas impedissem de se libertar da severa pena da prisão perpétua pelo único crime de crer num deus cruel, violento e vingativo.

Não há Estado democrático sem defesa dos direitos, liberdades e garantias a que está obrigado. Os conventos devem ser periodicamente visitados por assistentes sociais, médicos e psicólogos. Os cidadãos precisam de quem os defenda, inclusive de si próprios, amortalhados em vida sob a máscara sombria do hábito conventual.

Carlos Esperança

20 de Junho, 2008 Carlos Esperança

A fé é a paciência

Um crente é o cinéfilo capaz de ver o mesmo filme, todos os Domingos, durante a vida. Há casos de devoção diária, independentemente do actor, dos figurantes e da parte do corpo que o artista exiba para a plateia.

Não se julgue que a repetição embota o espírito crítico ou reduz a acuidade dos sentidos. O créu distingue a água benta da outra e vê, na hóstia consagrada, o corpo e o sangue de Jesus. No paladar e na visão a fé leva vantagem ao ateísmo.

Um indivíduo com fé é capaz de pagar em orações uma bagatela divina, louvar o ente que julga superior por o ter poupado à morte no desastre que lhe levou o filho, por lhe ter curado a doença com que escusava de o ter massacrado, por lhe ter dado o privilégio de pertencer á única religião verdadeira.

Os crentes são assim, fáceis de compor, benevolentes para com o deus que lhes coube e para os padres que vivem dele. Não toleram a apostasia, a blasfémia e a heresia porque se julgam na obrigação de defender os interesses de quem julgam omnipotente.

Um crente verdadeiro já não precisa de sacrificar um filho, como fez o palerma Abraão, basta-lhe levá-lo ao banho ritual do baptismo e, aos sete anos, entregá-lo ao padre e às catequistas. Pode nunca ser um cidadão, mas sai da igreja a recitar orações e a odiar os crentes das outras religiões e, sobretudo, os que não acreditam nas propriedades terapêuticas da confissão, penitência e eucaristia.

Em zonas tribais, em sítios onde não chega a civilização nem a polícia, deus exige aos crentes uma série de obrigações que, num país moderno, os levaria à enxovia. Mas que interessa a prática de manifestações tribais, a amputação de membros, a humilhação das mulheres e a decapitação de infiéis se deus se rebola de gozo enquanto recolhe o mel e fabrica virgens para compensar os que conseguirem transporte para o Paraíso? 

Carlos Esperança

18 de Junho, 2008 Mariana de Oliveira

ICAR prepara central de compras

Os bispos portugueses estão a estudar a criação de uma central de compras comum a todas as dioceses que garanta poupanças e economias de escala, revelou hoje o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Falando no final das Jornadas Episcopais que foram dedicadas à «gestão e liderança», D. Jorge Ortiga explicou que agora os bispos deverão reunir com «os seus conselheiros mais próximos para definir o que se pode fazer para motivar os padres para esta nova maneira de gestão» partilhada dos recursos.

A gestão dos cartórios paroquiais, instituições de solidariedade, centros paroquiais ou equipamentos eclesiais devem ser assim partilhados com os leigos, levando os padres a concentrarem-se mais no trabalho pastoral.

«Uma paróquia ou uma diocese não são comparáveis com uma empresa», mas pode haver «alguma aprendizagem» com os modernos meios de gestão, defendeu o presidente da CEP.

Por isso, os bispos vão apostar na «concentração de efectivos» e na criação de uma «central de compras», optimizando também o trabalho dos funcionários.

«É preciso formar as pessoas para novas responsabilidades», salientou D. Jorge Ortiga.

Por seu turno, o secretário-geral da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Líbano Monteiro, que ajudou à realização das jornadas, mostrou-se muito satisfeito com a adesão dos bispos às propostas de modernização administrativa das estruturas da Igreja Católica.

Durante os três dias das jornadas em Fátima, os bispos fizeram trabalhos de grupo e ouviram os «mais modernos ensinamentos de gestão», procurando ter «uma visão da gestão e do mundo empresarial».

O objectivo final é sempre «melhorar a gestão das dioceses para melhorar o serviço da evangelização», salientou o responsável da ACEGE.

«As dioceses são independentes entre si», mas a meta é «conciliar o trabalho em comunhão para ganhar economias de escala», pelo que está em estudo a criação de uma central de compras comum para serviços vários, entre os quais os seguros, referiu Líbano Monteiro.

Esta solução irá permitir «descontos imediatos nos produtos comprados», que serão também «fiscalizados por especialistas», conselheiros das dioceses nas decisões a tomar.

Líbano Monteiro defendeu, também, que as delegações de competências dos padres para os leigos devem estar inseridas numa nova orgânica interna da Igreja que garanta mecanismos de controlo.

«Ninguém pode delegar sem controlar», pelo que é necessário «uma cultura diferente de organização» interna, salientou o secretário-geral da ACEGE, recordando a importância da formação dos quadros da Igreja e dos leigos.

Estes conselhos vão ao encontro da posição da própria CEP, que se tem apercebido que «há uma mudança cultural e eclesial» nas dioceses.

D. Jorge Ortiga recorda que estas alterações que estão a ser estudadas já procuram responder ao apelo à mudança feito pelo próprio Papa Bento XVI ao episcopado português.

«A transformação deve ser um dinamismo permanente perante objectivos concretos e específicos», promovendo uma «reorganização profunda das dioceses» do ponto de vista da gestão dos recursos humanos e financeiros, sustentou o arcebispo de Braga.

Mas D. Jorge Ortiga salientou que esta «não será uma mudança do ponto de vista pastoral», até porque as «dioceses são diferentes e têm capacidades diferentes».

No entanto, «há hoje uma panóplia de responsabilidades que é preciso assumir» ao nível da gestão de cada diocese que «podem ser partilhadas», com uma maior participação dos leigos.

«Importa cada vez mais descobrir essas pessoas, confiar e delegar com alguma coragem responsabilidades de gestão», afirmou, considerando que o exemplo deve partir de cada paróquia.

Aí, «o padre não deve fazer tudo, deve delegar as competências», considerou o prelado.

Fonte: Sol, 18 de Junho de 2008.

18 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Resposta ao leitor Alexandre Pinto

O respeito pelos crentes, quer acredite ou não, é sincero, tal como o desprezo pela crença. Há fortes evidências de que deus foi criado pelo homem e nenhuma em sentido contrário.

Ainda ontem, num frente a frente com Frei Bento Domingues, no Rádio Clube Português, respondendo a uma afirmação minha, dizia o tolerante frade, mais ou menos isto: «Bem, isso do Antigo Testamento… é para esquecer»,

Citar Bento Domingues ou Anselmo Borges, como fez Alexandre Pinto, é andar à procura de excepções numa instituição que se esforça por tornar obrigatório (repito, obrigatório) o ensino da Religião Católica nas escolas públicas, que reivindica capelanias militares e hospitalares, que doutrina criança de seis ou sete anos e baptiza lactentes, que chantageou o Governo quando o ministro Salgado Zenha permitiu o divórcio aos casais que tinham um casamento católico.

Em questões de tolerância a ICAR não é modelo.

E, quanto à bíblia (refiro-me aos 4 evangelhos, aqueles que resultaram da encomenda do imperador Constantino a Eusébio de Cesareia, para criar um corpo homogéneo entre as 27 versões) basta reparar no anti-semitismo violento que os inspira e na crueldade dos castigos propostos, para se ter a certeza de que a religião é uma criação humana que reflecte os costumes bárbaros da época em que foi criada.

É daí que nascem as objecções morais dos ateus às religiões que tendem a perpetuar a crueldade que a nossa consciência reprova. Quanto às objecções intelectuais, resultam da ausência de qualquer evidência de que sejam verdadeiras. Não é por acaso que todas as religiões consideram as outras falsas. Nós, ateus, apenas consideramos falsa mais uma do que todos os crentes.      

Quanto ao retrocesso do Professor Ratzinger, vai desde a liturgia (voltou a fazer ajoelhar os frequentadores da eucaristia), à beatificação dos mártires espanhóis numa tentativa de branquear os assassínios de Franco com a cumplicidade ou o silêncio do Opus Dei. A reintegração, à sorrelfa, dos seguidores de monsenhor Lefèbvre, que estavam excomungados, diz bem da deriva reaccionária do actual pontificado. As indicações dadas aos bispos espanhóis na luta contra a legislação sobre a família, do Governo democrático. As posições dos seus órgãos de comunicação têm sido um apelo ao golpe de estado que só a União Europeia e os tempos tornam difícil.

Não sei como explicará o Vaticano que um herege, excomungado, actualmente a residir no Inferno, o bispo Lefèbvre, arranja um salvo-conduto para o Céu ou onde arranja uma agência de transportes que conduza a alma entre as duas localidades.

Finalmente, o Diário Ateísta não procura ofender crentes mas não desiste de desacreditar os que se reclamam de uma fé para a qual não apresentam provas. É uma questão pedagógica.  

Carlos Esperança