Loading

Categoria: Religiões

6 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Aga Khan visita Portugal

O príncipe Karim Aga Khan, líder institucional e espiritual de milhões de muçulmanos ismailis a viver em cerca de 25 países vai estar em Portugal de 10 a 14 de Julho.

O Aga Khan é o 49º Imam hereditário dos Muçulmanos Shia Imami Ismailis e dirige uma comunidade de 15 milhões de muçulmanos, oito mil dos quais a residir em Portugal.

Para os seus seguidores, Karim Aga Khan, que acedeu ao trono do Imamat Ismaili a 11 de Julho de 1957, é um descendente directo do Profeta Maomé através do seu primo e genro Ali, o primeiro Imam, e da sua mulher Fátima, a filha do Profeta.

De acordo com a tradição Shia do Islão, o mandato do Imam abarca tanto as questões espirituais como as materiais. Durante o ano de Jubileu que começou em Julho de 2007, Aga Khan efectuou várias visitas oficiais, em resposta a convites por parte de Chefes de Estado.

A visita a Portugal, que se realiza de 10 a 14 de Julho e que concide com a celebração do dia (11 de Julho) em que o príncipe acedeu ao trono há 50 anos, está a ser preparada com a ajuda de mais de 700 voluntários sendo esperadas mais de 15 mil ismaelitas quer do território português quer de outros países.

As celebrações do Jubileu do Imam, segundo a comunidade, oferecem oportunidades para o lançamento de novos projectos de desenvolvimento, de âmbito social, cultural e económico.

De acordo com a ética da fé, estes projectos pretendem melhorar a qualidade de vida dos mais vulneráveis da sociedade com a criação de escolas, hospitais e projectos de habitação.

No seu Jubileu de Prata, há 25 anos, o actual Aga Khan lançou novas instituições e projectos de desenvolvimento social e económico que têm contribuído para a melhoria da vida de milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento.

Estas iniciativas fazem agora parte da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (Aga Khan Development Network – AKDN), um grupo de instituições cujos mandatos vão da saúde e da educação à arquitectura, da micro-finança à promoção da iniciativa do sector privado e à revitalização de cidades históricas – todas elas agindo como catalizadores de desenvolvimento.

A Fundação Aga Khan é uma dessas instituições que compõem a rede e para comemorar o jubileu de ouro está em marcha um projecto de criação de uma escola de excelência para crianças e jovens que revelem capacidades elevadas mas que têm dificuldades financeiras.

O projecto, segundo o representante em Portugal da rede Aga Khan para o Desenvolvimento, comendador Nazim Ahmad, ainda está a ser negociado sabendo-se apenas que deverá ficar na zona da grande Lisboa e que terá regime de internato para receber alunos de todo o país.

A AKDN gasta mais de 320 milhões de dólares anualmente em actividades de desenvolvimento social e económico e opera com mais de 200 instituições de cuidados de saúde, incluindo nove hospitais, e mais de 300 escolas no mundo em desenvolvimento.

Seguindo a tradição dos seus antepassados – recuando mil anos até à fundação das primeiras universidades e instituições de ensino no mundo Muçulmano – o Aga Khan continua a sublinhar a importância da educação.

O seu reconhecimento da necessidade de um compromisso da «Sociedade de Conhecimento» global levou à criação da Universidade Aga Khan (AKU), no Paquistão, há 25 anos – a primeira universidade privada e de gestão autónoma nesse país.

A AKU tornou-se, entretanto, numa universidade internacional e opera hoje em nove complexos universitários em todo o mundo.

O Fundo Aga Khan para a Cultura (Aga Khan Trust for Culture – AKTC) tem vindo a desenvolver diversos projectos que vão da realização de exposições de arte Islâmica à reabilitação de edifícios, bairros e cidades históricas, de Hunza, no Norte do Paquistão, a Cabul, no Afeganistão, ao Cairo, no Egipto, a Mali, no Norte de África.

Fonte: Sol, 06 de Junho de 2008.

6 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Papa vai receber Ingrid Betancourt

O Papa Bento XVI vai receber a ex-candidata presidencial colombiana, Ingrid Betancourt, na próxima semana, divulgouo a ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

«O santo papa Bento XVI vai receber-nos na próxima semana. Bendito seja Deus, é um encontro que não se pode perder», disse a franco-colombiana de 46 anos, que passou seis anos em poder da guerrilha.

Betancourt é católica e considerou a operação militar que a libertou, com mais três reféns norte-americanos e 11 policias colombianos, um «milagre»

A mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, foi recebida pelo papa durante a cruzada internacional que lançou, procurando apoio para a libertação da filha.

Fonte: Sol, 04 de Julho de 2008.

6 de Julho, 2008 Ricardo Alves

Anglicanos contra anglicanos

O «choque de civilizações», às vezes, não é entre religiões: é dentro de religiões. A Igreja Anglicana que o diga, com a luta actual entre bispos do mundo pobre, conservadores e literalistas, e bispos do mundo rico, reformadores e displicentes na sua relação com os textos sagrados. Tendo em conta que os primeiros têm cada vez mais crentes, e que os segundos estão a fechar igrejas, o futuro da «Comunhão Anglicana» será interessante.

RA

5 de Julho, 2008 Ricardo Alves

«Igreja Católica Reformada»?!

A ICAR de Roma está nervosa com a fundação, na Venezuela, de uma «Igreja Católica Reformada», que lhe ameaça disputar quotas de mercado. A iniciativa dos seguidores de Hugo Chávez é reveladora de por onde vai o cristão populista que governa a Venezuela. Mas as acusações de plágio dirigidas à nova igreja são injustas: todas as novas religiões nasceram copiando outras mais antigas.

RA

4 de Julho, 2008 Carlos Esperança

Nuno Álvares Pereira – de herói a colírio

Quando se ganham batalhas facilmente se esquece a bondade das causas, a legitimidade das posições e a personalidade do autor.

Nuno Álvares é um herói que as batalhas tornaram famoso e o sangue dos castelhanos glorioso. Pode parecer hoje anacrónica a razão dos combates, interesseira a escolha da trincheira e exagerado o número dos que sangrou, mas em época de crise alimenta a vaidade e anestesia o povo.

Nuno Álvares mudou a história da Península Ibérica, tornou possível a dinastia de Avis e serviu sempre, em momentos de crise, para estimular o orgulho nacional.

O antigo escudeiro de D. Leonor Teles era danado para batalhas. Começou cedo a matar castelhanos, em 1384, no recontro dos Atoleiros. Em 1385 saciou-se em Aljubarrota e, tendo-lhe ficado o vezo, ainda se deslocou a Valverde, território castelhano, para aviar mais alguns.

Farto de matar castelhanos, foi a Ceuta experimentar os mouros, em 1415. Depois, aborrecido da espada e de andar fora de casa, recolheu-se ao Convento do Carmo, que fundara, e aí viveu o tempo que ainda teve, até ao ano de 1431.

Era um herói. Agora passou a taumaturgo. Uma sexagenária queimou um olho com óleo de fritar peixe, invocou o D. Nuno e logo ficou boa. Os médicos não sabem dizer se foi do óleo ou do beato a cura repentina e o Vaticano tem a certeza do milagre.

Mas é triste ver um herói acabar como colírio para queimaduras de óleo de fritar peixe.

Carlos Esperança

2 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Fátima vista por Pessoa

O poeta português Fernando Pessoa encarava Fátima como o lugar mítico da construção do nacionalismo católico e monárquico que ele repudiava, sustentou hoje o historiador José Barreto, antes de revelar um texto inédito do escritor sobre aquele lugar de culto.

«É um texto irónico, a roçar a sátira anticlerical, em que Pessoa parece regressar ao seu radicalismo de juventude. A intenção não é propriamente anti-religiosa mas anti-católica – uma ‘nuance’ que se deve sublinhar”, disse José Barreto numa conferência sobre “Pessoa e Fátima. A prosa política e religiosa», proferida hoje na Casa Fernando Pessoa.

Começa assim: «Fatima é o nome de uma taberna de Lisboa onde às vezes… eu bebia aguardente. Um momento… Não é nada d’isso… Fui levado pela emoção mais que pelo pensamento e é com o pensamento que desejo escrever», diz o poeta.

O texto inédito descoberto pelo historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa é apenas «o preâmbulo de um artigo maior que teria um carácter de estudo de caso, permitindo caracterizar aquilo a que Pessoa chama ‘esta religiosidade portuguesa, o catolicismo típico deste bom e mau povo’», explicou, citando o poeta.

«Fatima é o nome de um lugar da provincia, não sei onde ao certo, perto de um outro lugar do qual tenho a mesma ignorancia geografica mas que se chama Cova de qualquer santa», observou.

«Nesse lugar – esse ou o outro – ou perto de qualquer d’elles, ou de ambos, viram um dia umas crianças aparecer Nossa Senhora, o que é, como toda gente sabe, um dos privilégios (…) a que se não (…). Assim diz a voz do povo da provincia e a ‘A Voz’ (jornal católico e monárquico) sem povo de Lisboa», prosseguiu.

«Deve portanto ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e ‘A Voz’ da cidade de ha muito substituíram aquelas velharias democraticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração científica e o pensamento raciocinado», ironizou.

Pessoa denunciava o aproveitamento da crença do povo por parte do poder político e afirmava: «o facto é que ha em Portugal um lugar que pode concorrer e vantajosamente com Lourdes. Ha curas maravilhosas, a preços mais em conta», escreveu.

«O negócio da religião a retalho, no que diz respeito à Loja de Fatima, tem tomado grande incremento, com manifesto gaudio místico da parte dos hoteis, estalagens e outro comércio d’esses jeitos – o que, aliás, está plenamente de accordo com o Evangelho, embora os católicos não usem lê-lo – não vão eles lembrar-se de o seguir!», comentou. 

O artigo sobre Fátima – que teria sete páginas tipográficas, de acordo com o sumário que Pessoa deixou escrito – destinava-se a ser publicado no primeiro número da revista Norma, um dos três projectos editoriais de Pessoa no ano da sua morte, em 1935, um quinzenário sobre Literatura e Sociologia que não chegou a concretizar.

Fonte: Sol, 02 de Julho de 2008.

2 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Reitor dos santuários de Lourdes investigado

A Justiça francesa está a investigar a origem de 427 mil euros na conta corrente pessoal do reitor do santuário de Lourdes, o padre Raymond Zambelli, que nega qualquer ilegalidade.

O dinheiro tinha sido detectado em Maio por funcionários da «Tracfin», um organismo dependente do Ministério das Finanças francês cuja missão é seguir os movimentos monetários suspeitos e possíveis operações de bloqueio de fundos.

Segundo o jornal satírico «Le Canard Enchaîné», o caso ameaça estragar a festa da visita do Papa a Lourdes, a 13 de Setembro, pelo que a Justiça decidiu adiar o interrogatório e a detenção do padre para depois da viagem de Bento XVI.

O reitor dos santuários, cujo salário oficial anual ronda os 8.700 euros, incluiu, no ano passado, na sua conta 16.500 euros em dinheiro, em seis ocasiões, e 26 cheques de particulares, no valor de 14.328 euros, adianta o mesmo jornal.

Raymond Zambelli alega que o dinheiro provém da venda, em 1996, de uma casa doada por uma paroquiana e dos investimentos que efectuou. A 13 de Setembro cumprem-se, em Lourdes, os 150 anos das aparições da Virgem Maria.

Fonte: Sol, 02 de Julho de 2008.

2 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Papa apoia indígenas

O papa Bento XVI garantiu hoje a dois líderes indígenas brasileiros que «tudo fará» para ajudar e proteger as suas terras na reserva da Raposa Serra do Sol.

Na véspera de se deslocarem a Portugal para divulgar a campanha de defesa do direito da terra «Anna Pata, Anna Yan» (Nossa Terra, Nossa Mãe) e denunciar as violações e crimes de que dizem ser alvo na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, Norte do Brasil, os dois delegados entregaram uma carta ao Pontífice apelando à sua intervenção no conflito.

«Faremos tudo o possível para vos ajudar a protegerem as vossas terras», afirmou Bento XVI, durante o encontro que foi mantido em sigilo a pedido do Vaticano.

A reserva indígena da Raposa Serra do Sol tem sido alvo de disputa entre tribos indígenas e seis grandes fazendeiros, que ocupam cerca de seis mil hectares do território e se recusam a sair, considerando que os índios «apenas atrapalham o progresso».

Jacir José de Souza, de 61 anos, da tribo Makuxi, e Pierlangela Cunha, de 32, da tribo Wapixana, coordenadora das escolas da reserva Raposa Serra do Sol, foram nomeados pelo Conselho Indígena de Roraima como representantes dos seus povos, e desde 16 de Junho viajam pela Europa para sensibilizar os governos e organizações para a sua causa.

Foram recebidos terça-feira pelo secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, D. Giampaolo Crepadi, que reconheceu o valor da luta e exemplo dos indígenas da região.

«A Santa Sé vem a comprometer-se na defesa dos direitos dos povos indígenas, principalmente no que diz respeito à promoção humana, o reconhecimento de sua identidade cultural e a defesa do direito de propriedade intelectual», afirmou o responsável.

Na segunda semana de Agosto, o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) deve decidir se é constitucional ou não a homologação das terras em área contínua, feita pelo presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, em 2005.

Os delegados indígenas exigem que o STF ratifique o decreto de homologação e que faça cumprir a retirada dos agricultores, que «além da violência e intimidação» desenvolvem actividades com um «impacto ambiental altamente prejudicial na zona e nos recursos naturais dos índios», segundo disse à o padre Elísio Assunção, director da Fátima Missionária, que coordena a visita a Portugal.

Fonte: Sol, 02 de Julho de 2008.

1 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Receita para a felicidade segundo Alberto João

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu, em Caracas, que a religião e a riqueza são elementos que dão felicidade e justiça social aos portugueses, em particular os madeirenses.

«Não se pode ter pessoas felizes sem a riqueza crescer, não se pode ter justiça social sem ter riqueza para distribuir e não se pode dar poder de compra às pessoas se elas não estiverem empregadas e se não houver investimentos que criem esses empregos», disse.

«Não há dúvida que a religião traz valores ao dia a dia de cada homem e de cada mulher, que lhe permitem trabalhar melhor, com mais esperança, objectivos claros, honestos que acabam por ser convergentes com a actividade económica com toda a moral e a fé no sentido de uma sociedade melhor», disse Alberto João Jardim.

«A comunidade portuguesa em particular os madeirenses estão certamente nessa convergência», enfatizou.

Fonte: Sol, 30 de junho de 2008.