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Categoria: Religiões

10 de Junho, 2008 Mariana de Oliveira

Vaticano defende reforma agrária

O Vaticano aponta a reforma agrária e o favorecimento das populações rurais como a solução para a crise alimentar.

A posição foi manifestada pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, numa nota, por ocasião da cimeira sobre segurança alimentar da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma.

«A questão da reforma agrária nos países em vias de desenvolvimento não pode ser descurada, para que se confira a propriedade da terra aos cidadãos e se favoreça assim o uso de milhares de hectares de terra cultivável», refere a nota.

A Santa Sé considera que a escalada dos preços dos bens alimentares «poderia transformar-se numa oportunidade de crescimento para os países mais pobres do mundo», desde que as nações mais ricas se empenhem no seu «desenvolvimento agrícola»

O Conselho Pontifício Justiça e Paz revelou-se igualmente preocupado com a eventual redução da área de cultivo face à produção de biocombustíveis.

«Não se pode pensar em diminuir a quantidade de produtos agrícolas destinados ao mercado de alimentos, ou às reservas de emergência, a favor de outros fins que, mesmo se pertinentes, não satisfazem um direito fundamental como o da alimentação, assinala a nota.

O Vaticano lamenta ainda a especulação financeira sobre as matérias-primas, pedindo a «regulação» de preços.

Fonte: Sol, 05 de Junho de 2008.

8 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Vaticano – Forças Armadas de prevenção

A polícia do Vaticano, que junto à Guarda Suíça se encarrega da segurança do Papa, reforçou recentemente o seu dispositivo antiterrorista com a criação de dois serviços especiais, informou um oficial neste sábado. (AFP)

Comentário: O Papa não confia na protecção divina.

CE

8 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Saudades do cárcere

Duas freiras italianas idosas acorrentaram-se a um poste de luz diante do Vaticano no domingo, afirmando terem sido injustamente expulsas de seu convento e pedindo ajuda ao papa Bento 16 para retornarem à clausura. (Reuters)

CE

7 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa

Na incubadora do tempo esteve em gestação, mais do que devia, a Associação Ateísta Portuguesa (AAA) nascida de um parto arrastado e da vontade de muitos.

Ela aí está, como farol aceso numa pátria que o Vaticano tinha por protectorado, como chama da liberdade na apagada e vil tristeza das sacristias, ponto de encontro de todos os que não tremem com medo do Inferno e preferem viver de pé a arrastar-se de joelhos.

A defesa da laicidade tem mais um parceiro empenhado e o fundamentalismo clerical mais um obstáculo no caminho. Por muitos santos e beatos que o Vaticano crie, por mais milagres que adjudique, não há prodígio pio que se compare à descodificação do genoma humano, não há maravilha que obscureça os avanços da ciência.

A comunicação rompeu fronteiras, chegou a lugares remotos e a religião sobrevive com a ameaça clerical, a violência da tradição e a necessidade de preservar relações arcaicas de produção em obscuras regiões tribais.

A demência dos avençados do divino ainda vai derramar muito sangue, em luta por uma assoalhada celeste, mas o processo de secularização em curso é irreversível, a laicidade uma exigência civilizacional e a liberdade uma aspiração universal.

Portugal deixou de ser a nação fidelíssima que custava o ouro do Brasil e é hoje um País que caminha para a modernidade. O aparecimento da AAP é apenas um sintoma dessa lenta e difícil caminhada do ateísmo num país cada vez mais liberto dos odores do incenso e da humidade da água benta. 

Carlos Esperança

7 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Jesuítas capitulam perante o Papa

Jesuítas pedem perdão por desobediência aos Papas

 
A Companhia de Jesus pediu “perdão ao Senhor pelas vezes em que os seus membros lhe faltaram com amor, discrição ou fidelidade durante o serviço eclesiástico”. É isto que se lê nos “decretos” conclusivos da Congregação Geral dos Jesuítas, que decorreu no início deste ano, em Roma, e que foram agora publicados.

Carlos Esperança

5 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Carta da AAP ao Presidente da CEP

Exmo. Senhor                       (Carta registada em 2 de Junho de 2008)

Dr. Jorge Ortiga

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

Quinta do Cabeço, Porta D
1885-076 MOSCAVIDE

 

 

 

Excelência:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), recentemente constituída, felicita V. Ex.ª pela recente reeleição como presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e aproveita para lhe expor alguns pontos de vista susceptíveis de corrigir tomadas de posição com que, talvez por desconhecimento, alguns bispos têm atacado o ateísmo e os ateus, embora lhes respeite o direito de expressão constitucionalmente consagrado.

A AAP revê-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Constituição da República Portuguesa. Defende a liberdade, sem privilégios para qualquer religião, bem como o direito à crença, não-crença ou, mesmo, à anti-crença e exige a neutralidade do Estado em matéria confessional.

A AAP assegura a V. Ex.ª que defenderá qualquer religião que, eventualmente, venha a ser perseguida por religiões concorrentes ou por algum Estado ateu que venha a surgir, tão perverso como os confessionais. O Estado deve ser neutro.

Dividem-nos profundas divergências de carácter filosófico e uma visão antagónica da Criação, pensando os ateus que foram os homens que criaram Deus e a ICAR que foi o contrário, mas nada justifica que não possamos ter uma relação urbana entre adversários que, jamais, devem ser inimigos.

Da AAP pode a ICAR contar com a ausência de proselitismo, a não admissão de sócios menores de 18 anos e a renúncia à excomunhão de qualquer opção religiosa, filosófica ou política. Os ateus são tolerantes e cultivam o pluralismo.

Recentemente, o senhor Patriarca Policarpo considerou o ateísmo o «maior drama da humanidade», afirmação de rara benevolência para com as religiões e cujo excesso não se justifica com os habituais exageros publicitários. Para nós, ateus, homens e mulheres que vivemos bem sem Deus, os grandes dramas são a fome, as doenças, as guerras, o terrorismo, a pobreza, o analfabetismo e os cataclismos naturais. Nunca veríamos nas religiões ou numa corrente filosófica «o maior drama da humanidade», e sabemos como as primeiras os provocaram e ainda provocam.

No dia 13 de Maio, o senhor cardeal Saraiva Martins, pesquisador de milagres e criador de beatos e santos, presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa». Sem aumento de orações ou sacrifícios podia ter incluído mais quatro continentes mas, Excelência, por que motivo a peregrinação foi «contra o ateísmo» e não a favor da fé? É o espírito belicista dos cruzados que ainda corrói a mente do vetusto cardeal da Cúria?

Nós, ateus, somos a favor da liberdade, da democracia, do livre-pensamento e da ciência, contra o obscurantismo, a mentira, o medo e o pensamento único. Somos contra a xenofobia, o racismo, o anti-semitismo e qualquer forma de violência ou de discriminação por questões de raça, religião, nacionalidade ou sexo.

Se V. Ex.ª partilhar algum ou alguns dos nossos pressupostos éticos ou filosóficos pode contar com a nossa solidariedade.

Apresento-lhe as minhas cordiais saudações

 

Pela Direcção da Associação Ateísta Portuguesa   

Carlos Esperança

4 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Argélia condena liberdade religiosa

Aqui ao lado da Europa, na outra margem do Mediterrâneo, acabam de ser condenados quatro argelinos por conversão ao cristianismo. A falta de liberdade religiosa é um fenómeno generalizado que se agrava sempre que as religiões têm influência no aparelho de Estado.

Quatro argelinos a quem é recusada a cidadania (não há cidadania sem liberdade) foram condenados a prisão por se terem convertido ao cristianismo e tiveram de negar que participaram numa missa quando foram presos, porque é crime assistir à missa, rezar sem ser virado para Meca ou obedecer a outro profeta que não seja Maomé.

Mas que mundo é este em que cada um não é livre de testemunhar as suas crenças e praticar os rituais sem medo das consequências?

A separação da Igreja/estado não é um acto hostil às religiões, é o estatuto que defende a liberdade de todos, a vacina contra o espírito totalitário de quem não deixa que alguém se liberte do credo em que foi criado.

A laicidade do Estado é um seguro de vida contra o proselitismo.

Carlos Esperança

4 de Junho, 2008 Mariana de Oliveira

Jordânia quer julgar directores de jornais e caricaturistas dinamarqueses

O delegado do Ministério Público de Amã, Hasán Abdulá, acusou publicações periódicas dinamarquesas de «difamação e desrespeito» pelo profeta Maomé e emitiu notificações para 20 editores de jornais diários e caricaturistas dinamarqueses para que compareçam em tribunal, na Jordânia.

Em Abril, um grupo de órgãos de comunicação social e partidos políticos jordanos apresentou uma queixa, depois de vários periódicos dinamarqueses voltarem a publicar em Fevereiro caricaturas polémicas do profeta Maomé, consideradas ofensivas no mundo islâmico.

«As autoridades jordanas comunicarão as notificações aos acusados, através da Embaixada da Dinamarca em Amã» , explicou o activista Zakaria al Sheij, director da campanha «O Mensageiro (Maomé) Une-nos», desenvolvida pelos grupos que apresentaram a queixa.

«Caso não compareçam, serão emitidos mandados de captura para que sejam levados a tribunal pela Interpol» , disse Al Sheij, em declarações aos jornalistas.

Para Al Sheij, o delegado do Ministério Público acusou os jornais dinamarqueses de «difamação e menosprezo pela religião islâmica e pelo profeta Maomé, por insultarem os sentimentos religiosos dos muçulmanos e provocarem problemas sectários e raciais».

Os organizadores da campanha revelaram que prevêem lançar, a 10 de Junho, uma campanha para boicotar os produtos dinamarqueses e holandeses, e iniciar acções legais contra o deputado holandês Geert Wilders pelo lançamento na Internet, em Março, de uma curta-metragem anti-islâmica.

Fonte: Sol, 04 de Junho de 2008.

3 de Junho, 2008 Mariana de Oliveira

Papa diz que fome e desnutrição são «inaceitáveis»

O Papa Bento XVI afirmou hoje que a fome e a desnutrição são «inaceitáveis» num mundo «com recursos suficientes», na mensagem que enviou aos líderes mundiais presentes na cimeira da FAO sobre segurança alimentar.

«A fome e a desnutrição são inaceitáveis num mundo que dispões em realidade de níveis de produção, de recursos e de conhecimentos suficientes para pôr termo a este tipo de dramas e às suas consequências», declarou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que leu a mensagem enviada pelo Papa.

O Papa também convidou para a «mundanização da solidariedade».

Na mensagem, Bento XVI afirma que milhões de pessoas estão com os olhos postos nos líderes mundiais para que encontrem soluções enquanto a segurança da sua própria sobrevivência e dos países a que pertencem estão em risco.

O papa afirma que o mundo tem recursos suficientes e know-how para pôr termo à fome e às consequências desta e apelou a todas as nações para fazerem reformas estruturais «indispensáveis» que contribuam para o desenvolvimento.

Fonte: Sol, 03 de Junho de 2008.