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6 de Março, 2004 jvasco

Animações engraçadas

Este link dá para uma página de animações engraçadas. São pequenas sátiras, na sua maioria sem estarem relacionadas com a temática religiosa. Mas aquela que eu apontei está, tal como uma ou outra que por lá andam. De qualquer forma, há muitas outras engraçadas.

6 de Março, 2004 André Esteves

Quem mente? Quem engana? Não é um ateu certamente…

Veio a público, que a organização Juntos pela vida, que faz parte do movimento anti-aborto sancionado pela ICAR, tem distribuído folhetos entre as crianças de vários estabelecimentos de ensino, nomeadamente em colégios católicos.
O conteúdo dos folhetos é aparentemente chocante, demonstrando até que ponto, estão os apoiantes do movimento anti-aborto, dispostos a ir, para criar nas «futuras elites» do país, um terreno fértil para a sua influência.

Aliás, bastará aceder à pagina do movimento Juntos pela vida para descobrir todo um entulho pseudo-científico, de artigos, estudos e citações que transformam o aborto na causa de todos os problemas do mundo, desde o cancro da mama, à violência doméstica. É característica dos «cruzados» não olharem aos meios para atingirem os fins.


A imagem que foi utilizada nos folhetos, faz parte de um mito urbano que corre na internet, há já 3 anos… Trata-se do artista chinês Zhu Yu, que numa exposição de arte «choque» intitulada «Comendo pessoas», se auto-retratou a comer um «feto», que na realidade não passa de um pato assado com a cabeça de um boneco.


Na China comunista, nas fomes dos anos 60, suspeita-se que tenham sido comidas crianças, bem como estranhos que passavam nas estradas das aldeias. Mas a fonte mais persistente das histórias de canibalismo fetal chinês, é ironicamente uma religião. O Taoismo defende que para se obter saúde e longevidade é necessária a maior variedade possível de alimentos. Esse princípio naturista formou uma das características da culinária chinesa, que é o uso de uma extensiva variedade de alimentos e carnes, e que no passado, até incluía carne humana… (Numa ironia da natureza, foi exactamente este comportamento , que permitiu a entrada do vírus da pneumonia atípica nos seres humanos…).

Hoje, o canibalismo na China continental, bem como em Taiwan é proibido e sancionado pela lei.

Tal é do conhecimento público.

Utilizar uma imagem daquelas, carregada da carga emocional que lhe está associada, sem um aviso, ou com o objectivo de demonstrar o absurdo ou o mau-gosto, mas com a intenção de enganar, só demonstra a falta de ética científica (de que se reclamam…) bem como falta de rigor intelectual e de honestidade…



É caso para perguntar: Quem come quem?



Distribuí-las entre crianças, demonstra ou uma ingenuidade gritante, ou uma estupidez congénita ou uma vontade maléfica de manipular pelo trauma as mentes expostas na sala de aula.

Justificando-se, o Padre Jerónimo Gomes afirma que «as imagens não são chocantes» e argumenta que «tudo se pode dizer (às crianças) desde que seja científico e de maneira simples»

Científico não é. E a simplicidade é enganadora….

O Padre Jerónimo Gomes defendeu-se, dizendo que o folheto era aprovado pela hierarquia da igreja, na figura do Padre Feytor Pinto. Este negou-o publicamente, dizendo que só «aceitava a inclusão do folheto nas pastas distribuídas no Encontro Nacional da Pastoral da Saúde».

Quem mente? Os dois? Ou um, duplamente…

Portugal Diário: Notícia do folheto


Público: A «reacção» do Padre Feytor Pinto


As fotografias usadas no folheto ( ATENÇÃO – Imagem susceptível de causar repulsa. )


O mito urbano desmontado

6 de Março, 2004 Carlos Esperança

O padre Jerónimo Gomes – um talibã da ICAR

Os folhetos anti-aborto que estão a provocar enorme repúdio inserem-se na habitual política de terrorismo ideológico da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Só quem já esqueceu o catecismo do Ensino Primário, durante a ditadura, pode agora surpreender-se. Os horrores que, segundo os padres, Deus reservava aos pecadores – choro, ranger de dentes, noite perpétua, caldeirões de azeite fervente onde o diabo mergulhava as almas dos pecadores com garfos de três dentes – faziam parte do inferno que povoava as noites das crianças.

Durante séculos foi o medo de Deus, e o pavor ainda maior dos seus funcionários, que serviu de caldo de cultura para o autoritarismo do Estado com a cumplicidade do clero.

Com a democracia, a ICAR tem procurado adaptar-se e aceitar a modernidade mas, de vez em quando, o terrorismo beato dos seus próceres vem à tona. Não resiste a querer transformar cidadãos num bando de beatos, tímidos e idiotas genuflectidos à vontade dos seus padres.

Foi o que aconteceu agora com a distribuição de panfletos pela Associação S.O.S. – Vida, um direito que lhe assiste mas que a boçalidade do Padre Jerónimo Gomes levou às últimas consequências ao entregá-los a crianças dos 6 aos 9 anos.

Imagine-se o que se diria – e bem – se as Associações que defendem a descriminalização do aborto abordassem crianças dessa idade para defenderem os seus pontos de vista!

As preocupações com os traumas que podem causar às crianças não interessam aos padres. Eles sabem que a fé é um trauma de infância que, às vezes, dura a vida inteira.

O terrorismo ideológico, crueldade visual e péssimo gosto que agora se execram não são fruto de um acto infeliz, é uma acto deliberado inserido na metodologia habitual.

Aliás, há três pecados que a ICAR combate com inusitada violência, talvez porque são os únicos que os seus padres e bispos não podem cometer: o aborto, o adultério e o divórcio – o primeiro porque as mulheres estão excluídas do sacerdócio e os dois últimos porque este se encontra condenado ao celibato.

5 de Março, 2004 Carlos Esperança

A árvore genealógica do Sr. Duarte Pio

O Diário de Notícias tem um suplemento à sexta-feira com o nome de Dna. É pena não estar disponível na NET, para tornar acessível a entrevista de três páginas que o Sr. Duarte Pio de Bragança lhe concedeu. Vem no n.º 379, de hoje.

Tem pérolas que não deviam ficar apenas reservadas aos leitores da edição impressa e aos vassalos que certamente as apreciam.

O Sr. Duarte Pio é, segundo crê, descendente dos reis de Portugal. Curiosamente do pior ramo. Mas melhor do que falar do miguelismo caceteiro é pôr o Sr. Duarte em discurso directo:

– «Nem se pode dizer que o 25 de Abril ou o 5 de Outubro tenham valido a pena.»

– «E nessa altura aconteceu algo muito emocionante. Eu sabia que o meu pai estava doente, que estava mal, mas não pensava que fosse realmente tão grave e fui passar esse Natal com os timorenses que se reuniram no Jamor. Houve festa e uma dança com espadas. Durante a dança, quebrou-se uma das espadas e os chefes ficaram com um ar muito comprometido, fez-se silêncio, parou tudo, parou a festa. Eu não percebia o que se passava, até que alguém me explicou que quando se quebra uma espada durante aquela dança significa que vai morrer um rei. Foi exactamente na hora em que morreu o meu pai.»

– «Nos países árabes, sou recebido não só como português, mas como descendente do profeta Maomé. Sim. Porque a rainha Santa Isabel é descendente do profeta Maomé. Depois casou com o rei de Aragão. (…) Por outro lado, quando estou com os meus amigos judeus, explico-lhes que através de D. Afonso Henriques também sou descendente de David…»

– «…embora(…)quando eu disse que tinha sido um prejuízo enorme para a cultura portuguesa que Saramago tivesse sido distinguido com o prémio Nobel, tenham feito uma campanha hostil contra mim.» [ referindo-se ao seu boneco da Contra-Informação].

5 de Março, 2004 Mariana de Oliveira

Chegou o carteiro

Ontem, quando abri o correio electrónico, até me assustei! Vejam só o que anda a circular pela rede.

5 de Março, 2004 André Esteves

O kitsch religioso da semana


«E eis que o Cristo eléctrico nos olha das profundezas …»

É sempre interessante, ver o mundo pelos olhos dos outros, as culturas dão subtilmente pesos diferentes às mesmas coisas…
Reparem no cristo.. Apesar dos esforços do artista chinês de fazer um ocidental, subsistem traços orientais na imagem humana. Cristo é o espelho racial por natureza.

Não sei porquê, mas as luzes a piscar, na visão original, lembraram-me a cena de um banquete chinês, com um porco à Pequim, com exactamente o mesmo tipo de lâmpadas enfiadas no nariz e uma fieira multicôr, à volta do animal. Provavelmente foram demasiados anos a comungar a ceia…

“Tomai.. Comei… Este é o meu corpo.” – e agora, explorem a nossa própria truncagem cultural:

Imaginem uma versão chinesa da ceia…

(Não imaginaram arroz no lugar do pão, pois não? É que os chineses não comem pão… )

4 de Março, 2004 Mariana de Oliveira

Interlúdio

Neste pequeno intervalo do estudo de Medicina Legal (nós, estudantes de Direito, nesta cadeira, somos insensivelmente usados pelos senhores de Medicina como divertimento :o) ), aqui coloco um excerto de uma letra do meu grupo preferido: The Divine Comedy. A música chama-se Don’t look down e é do álbum Promenade.

(…)

And then a God who really ought not to exist

Sticks out a great big hand

And grabs me by the wrist

And asks me “why?” and I say

“Well God, it’s like this

It may be arrogance

Or just appalling taste

But I’d rather use my pain than let it all go to waste

On some old god who tells me what I want to hear

As if I cannot tell obedience from fear

I want to take my pleasures where and how I will,

Be they disgraceful or distasteful or distilled

And to be frank I find that life has more appeal

Without a driver who’s asleep behind the wheel”

(…)

4 de Março, 2004 André Esteves

Está nas bancas!! Dieu, la science et la religion.

Está nas bancas portuguesas o número 14 dos dossiers temáticos da La Recherche (em françês «Hors série», ou seja, «extra-edição») com o tema: Deus, a Ciência e a Religião.

Inclui temas tão interessantes, como a economia e a religião, cosmologia, matemáticos e deus (numa perspectiva muito actual), os biólogos e o seu novo deus, o DNA.
Numa posição combativa face á religião (e não necessariamente a deus…) encontramos artigos que cobrem a neurologia, sociologia e etnografia das religiões.
Um dos artigos mais interessantes, na minha opinião, «Os perigos da harmonia a todo o preço…» (pag.74) cobre as tentativas mais recentes dos religiosos moderados de fazerem a concordância entre as suas escrituras e as descobertas científicas modernas…

La Recherche


Hors série n°14 – Dieu, la science et la religion – Sumário

4 de Março, 2004 Carlos Esperança

A objecção de consciência e os hospitais públicos.

Durante a discussão do aborto na Assembleia da República, Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde, chamou a atenção para um assunto bizarro e dramático. É o caso de serviços hospitalares que recusam proceder à interrupção voluntária da gravidez (IVG) em casos legalmente previstos (risco de vida da mãe, malformação do feto e violação), graças a uma verdadeira insurreição beata que dá pelo nome de objecção de consciência.

Alegam os médicos e enfermeiros que são contra o aborto e que, por isso, não o fazem. Nem cuido de saber se o fazem, depois, na clínica privada, interessados em salvar a alma apenas dentro do horário oficial. O que está em causa é o boicote deliberado ao cumprimento da lei.

Claro que os partidos que têm ocupado o poder são responsáveis pela manutenção deste estado de coisas. A subserviência à Igreja (neste caso à ICAR) levou os governantes a prescindirem da sua autoridade.

O papa faz chantagem com médicos e enfermeiros católicos, obrigando-os a absterem-se de proceder à IVG. Já tentou a mesma canalhice com advogados, em relação ao divórcio, mas, neste caso, foi desautorizado pelo próprio bastonário da Ordem dos advogados.

O aborto e o divórcio nunca serão obrigatórios, apenas se exige aos crentes que respeitem os outros. A visão totalitária da ICAR é que não pode ser consentida.

Então o que há a fazer para evitar que a aplicação da lei seja sabotada pela demência mística de beatos e hipócritas?

Naturalmente deve o Estado, na abertura de concursos de Obstetrícia/Ginecologia, pôr como primeira condição: «Não ser objector de consciência».

Veremos que passam a ser raros os objectores e não mais se sujeitam mulheres com malformações fetais ou violadas a andar por Ceca e Meca, numa insuportável angústia, enquanto a gravidez, os riscos e a ansiedade se agravam de forma dramática.

É isto que os cidadãos exigem da democracia. É esta a tarefa de um Estado laico.

3 de Março, 2004 Carlos Esperança

Paulo Portas com medo de que a lei do aborto tenha efeitos retroactivos?

PAULO PORTAS é um católico excelente, sofrível cidadão e político execrável. Tem sido o inspirador das posições mais reaccionárias que, em matéria de política, moral ou religião, se discutem na Assembleia da República.

Quem usou a expressão «Cro-Magnon» para qualificar a posição da Direita portuguesa – ele que também era de Direita –, e que apresentava a posição arejada de uma liberal europeia, Simonne Veil, como a desejável, não mudou apenas de princípios, mudou radicalmente de convicções como assinalou Francisco Louçã.

Paulo Portas está agora mais perto de salvar a alma, mas longe de preservar o carácter e, sobretudo, de se fazer respeitar.

É um político de alterne, a procurar receber em votos o pagamento dos serviços.