Loading

Categoria: Não categorizado

5 de Julho, 2006 Palmira Silva

Leitura recomendada

Um artigo absolutamente imperdível no Guardian sobre o cisma anunciado da Igreja Anglicana devido à ordenação de bispos no feminino ou homossexuais. Gosto especialmente da solução do autor, o ateu confesso Simon Jenkins, para acabar com a crise: a abolição dos bispos!

Alguns excertos:

«Como deve um ateísta reagir à última actividade sísmica dentro da Igreja de Inglaterra? Eu debato, tu escolhes argumentos mas os anglicanos têm cismas. (…)

«A fonte de todos estes problemas são os bispos. Os presbiterianos estavam certos. Os Bispos são um pestilência maçadora e burocrática. (…) Na Idade Mádia, em que todos eram supostamente cristãos activos, tinham de suportar 20 bispos, e apenas seis foram adicionados antes da era vitoriana. Em 1845 eram 30; em 1945 o seu número tinha aumentado para 90. Hoje temos 114 bispos e bispos auxiliares. (…) A Igreja Anglicana parece a marinha moderna, com mais almirantes que navios no mar. (…)

Para a maior parte das pessoas, mesmo para muitos anglicanos, isto parece a discussão do sexo dos anjos. A controvérsia acerca de bispos homossexuais ou mulheres é absurda. Que uma instituição do século XXI possa promover trabalhadores não com base no mérito mas com base em discriminação sexual não é matéria de discussão. Esta é uma Igreja em que os membros episcopais compreendem aqueles que apoiam a cadeira eléctica e a tortura militar: certamente que podem abranger a homossexualidade e a emancipação da mulher. (…)

O ateísmo não tem exércitos mas o cristianismo, judaismo, hinduismo e o Islão claramente têm. Nunca uma maior mentira foi dita que aquela que sustém que o Papa não tem divisões [militares].

Este não é o lugar para discutir se a religião promove ou simplesmente reflecte conflitos entre pessoas. É um dado na maioria das guerras modernas e, em muitas, o fundamentalismo e intolerância religiosos exacerbam em vez de diminuirem a ferocidade do conflito.»

4 de Julho, 2006 pfontela

Transhumanismo

Uma das ideias que surgiu das correntes de pensamento de inspiração materialista nas últimas décadas foi o transhumanismo. Este movimento define-se pelo apoio ao uso das novas ciências e tecnologias para o melhoramento físico e intelectual da humanidade além de suavizar os alguns dos efeitos negativos inerentes à condição humana actual, tal como o envelhecimento ou própria morte. O objectivo seria atingir um estado pós-humano. Aqui devemos definir esse estado como a situação em que a evolução ja não está nas mãos de mutações lentas e fora do nosso controlo e passa a existir uma evolução dirigida – sendo que por evolução dirigida é necessário entender que a livre vontade é um valor absoluto, só o indivíduo pode dispor sobre o seu material genético e sobre a sua existência em geral.

A história do movimento é bastante interessante mas não será esse o aspecto fundamental da minha abordagem. O movimento cultural e social do transhumanismo parece ter essencialmente duas bases: o individualismo e o materialismo. O individualismo porque o principal objectivo é melhorar o indivíduo, de acordo com a sua vontade pessoal (chegando ao extremo de se poderem redesenhar completamente a si mesmos, o que inclui em extremos teóricos, e puramente especulativos, o abandono de uma forma biológica) e o materialismo porque nada é tomado como um acto de fé, as suas aspirações não são depositadas numa promessa de uma vida posterior ou em conceitos intangíveis mas sim no presente e nas técnicas que sabemos serem eficientes.

Este conjunto de ideias parece ser simples em si mesmo mas a quantidade de críticas que recebe é algo absolutamente extraordinário. Regra geral os comentários mais negativos dividem-se em três sectores: os neo-luditas, os “realistas” e os distópicos.
Os neo-luditas partilham essencialmente de uma visão anti-ciência e anti-mudança, que visa impor o status quo como algo permanente – dentro deste grupo existem dois subgrupos importantes, os religiosos que consideram a elevação do homem através da técnica como blasfémia e os ecologistas que gostam de uma ideia a que chamam “natural” (que é um conceito extremamente discutível).
Os realistas são essencialmente pessoas que duvidam das capacidades técnicas da humanidade para poder alguma vez cumprir com as promessas do transhumanismo. Dados os saltos técnicos do último século e a natureza exponencial do progresso técnico (indicado no conceito de singularidade) as suas dúvidas parecem ser infundadas.
Por fim chegamos ao grupo com mais hipóteses de realmente ser um obstáculo para o transhumanismo: os distópicos (dos quais o conservador Fukuyama é o mais destacado representante). Um ciência avançada pode levar a dois tipo de cenários, um de utopia individualista de uma liberdade inimaginável pelo nosso standard actual ou a uma distopia que no pior dos casos leva à aniquilação da própria espécie.

Para atingir o seu notável conjunto de objectivos gerais os transhumanistas (entre os quais me incluo a mim) aceitam recorrer a várias tecnologias recentes. A que mais potencial apresenta a curto e médio prazo é sem dúvida a genética. A nanotecnologia também apresenta potencial mas num futuro talvez mais distante (e a carga de controvérsia que apresenta é significativamente menor que a da genética). Um bom primeiro passo para implementar um estado de espírito transhumanista entre mais pessoas seria combater a percepção generalizada que as técnicas médicas o científicas (algo tão complexo como terapia de genes ou tão simples como tomar medicação por via oral) são para ser utilizadas exclusivamente para corrigir deficiências – quando numa perspectiva muito mais interessante podem ser usados para aumentar o que é normal para um ser humano. Isto hoje em dia é complicado porque grande parte dos laboratórios não desenvolve testes da sua medicação em pessoas saudáveis e não o fazem porque o potencial uso para incremento de habilidades é muito pequeno já que em muitos países é ilegal publicitar efeitos que não sejam puramente terapêuticos – se não podem publicitar quer dizer que se investe dinheiro e tempo em testes sem ter um retorno significativo.

Outro ponto importante é o medo irracional à tecnologia que certos sectores (especialmente religiosos e ecologistas) querem incutir às pessoas, os neo-luditas que referi acima. O progresso tecnológico vai continuar com o sem a proibição de certas técnicas experimentais, mas no caso de haver uma proibição generalizada no Ocidente os resultados serão muito piores para os cidadãos comuns. Em primeiro lugar fora da Europa e da América do Norte as atitudes face às novas tecnologias são muito diferentes, enquanto que nos EUA cerca de 40%/50% das pessoas são contra o uso da ciência para melhorar humanos normais em certos países asiáticos (por exemplo a Tailândia) cerca 90% da populacao é a favor. O que isto nos diz é que se não aproveitarmos as oportunidades tecnológicas alguém o fará. A segunda consequência da proibição seria a criação de um mercado negro. Quem pode pagar terá acesso as tais técnicas (por meios ilegais ou indo a países onde se podem aceder legalmente) enquanto o cidadão comum não o poderá fazer.

Em abono da verdade, e para terminar esta introdução, convém dizer que o movimento transhumanista é extremamente diverso, incluindo até crentes – que obviamente encaram a sua transformação em pós-humanos de forma bastante diferente – mas estes são uma minoria quando comparados com o número de ateus e agnósticos.

4 de Julho, 2006 Palmira Silva

Rapariga apedrejada até à morte

Uma raparga de 20 anos foi apedrejada até à morte em Izom, perto de Minna, a capital do estado de Niger na Nigéria, por uma multidão de jovens enraivecidos.

A jovem assassinada tinha distribuído panfletos com «material não reprodutível», em que denunciava más acções de Maomé, Cristo e outros pastores vivos e mortos. O estado do Niger tem uma população igualmente dividida entre cristãos e muçulmanos.

Aparentemente não foram efectuadas detenções pelo assassinato da jovem, descrita como «louca», e não se detectam quaisquer intenções das autoridades locais, num estado em que vigora a Sharia, para acusar alguém pela morte da jovem.

4 de Julho, 2006 Palmira Silva

Curiosidades históricas

Vin Mariani era um vinho tonificante comercializado a partir de 1863 por Angelo Mariani. O vinho era obtido por decocção de folhas de coca em vinho Bordeaux, ou seja, continha um elevado teor de cocaína, extraída pelo álcool, cerca de 211 mg de cocaína por litro. Quer Leão XIII quer Pio X eram ambos apreciadores (e consumidores) do Vin Mariani. Leão XIII, que aparece neste poster promovendo a bebida, atribuiu-lhe uma medalha de ouro do Vaticano.

3 de Julho, 2006 Ricardo Alves

Os oxímoros como sinal de desespero argumentativo

Existem crentes que, quando em desespero argumentativo, declamam extravagâncias sobre «a religião do ateísmo» ou «os dogmas da ciência» (outros clássicos são «a anti-religião do laicismo» e «a ciência é uma tradição»).

Quem se compraz com estes oxímoros, fá-lo por se sentir encurralado. Como não temos religião alguma, não podem acusar-nos de seguir a religião errada, e por isso preferem renunciar ao rigor conceptual e proclamar que não ter religião é uma religião. Não compreendem que é um perfeito absurdo chamar fé à ausência de fé, como é outro disparate dizer que rejeitar a tradição é uma tradição, ou que a saúde é uma doença.

3 de Julho, 2006 Carlos Esperança

B16 – O sempiterno ódio à liberdade

O pontificado de B16 ficará na história pela intolerância, intransigência doutrinária e conservadorismo teológico. A fraterna e entusiástica recepção aos excomungados fiéis da Sociedade S. Pio X (SSPX), filhos pródigos de pendor fascista e anti-semita, é a marca de água de um frio pontífice fascinado pelo poder absoluto.

B16 é demasiado inteligente e arguto para acreditar na existência de Deus, na verdade dos evangelhos ou no negócio dos milagres, mas sabe que a multinacional da fé a cujos destinos preside só sobrevive com mão de ferro e inflexibilidade ideológica.

Sagra bispos e cria cardeais de acordo com a intransigência intelectual e o proselitismo de que deram provas; fabrica santos e beatos segundo as necessidades do mercado e os interesses das sucursais que esportulam os devidos emolumentos.

O apego de B16 ao Opus Dei, Comunhão e Libertação, Legionários de Cristo, SSPX e outras seitas prosélitas de pendor fortemente reaccionário, é uma estratégia de combate ao islão, ao laicismo e ao ateísmo. O que fascina B16, é a liderança do obscurantismo e a hegemonia no mercado da fé.

Engana-se quem julga B16 um clérigo arcaico, deslumbrado pelo fausto e mordomias da cadeira de Pedro, como acontecia com o supersticioso antecessor. Este é muito mais sofisticado e melhor estratego. Usa a influência e dinheiro das ordens e movimentos que dirige e dos políticos que infiltra nos Estados.

A ICAR abomina a democracia. O ódio de Pio IX consta da matriz genética dos seus sucessores. B16 recusa a liberdade individual em nome da vontade do Deus de que se diz intérprete. A ordem e a autoridade são valores a que apela com o zelo dos fanáticos e a crueldade dos algozes.

B16 abomina todas as liberdades: desde a liberdade de expressão à liberdade religiosa ou da descrença, do livre-pensamento ao direito de crítica, da prática da sexualidade sem fins procriativos à eutanásia. B16 e os seus sequazes só apreciam regimes políticos que se submetam às sotainas e acolham os ditames dessa obscura ditadura sediada num bairro de Roma mal frequentado – o Vaticano.

3 de Julho, 2006 Palmira Silva

Igreja Católica quer excomungar cientistas

Estátua de Giordano Bruno no Campo dei Fiori (Roma) erigida no local onde este foi queimado vivo pela Igreja Católica em 17 de Fevereiro de 1600. A partir de 1603, todo o trabalho de Bruno desapareceu sob ameaça da Igreja, que proibiu que as teorias avançadas pelo herético ateísta Bruno fossem sequer mencionadas. O trabalho de Bruno apenas voltou a ser citado um século depois por outro «herege», Newton. A ICAR ainda hoje recusa o trabalho de Bruno, por cujo assassinato nunca pediu desculpas, e o seu carrasco, o cardeal Bellarmino, foi canonizado em 29 de Junho de 1930.

A Igreja Católica, que nunca excomungou Hitler, que morreu católico, cujos representantes afirmam sem pudor que um aborto é equivalente aos ataques por bombistas suicidas, e assim excomunga liberalmente mulheres, quaisquer que sejam os motivos para o aborto, mesmo salvar a vida da gestante e mesmo que essa gestante tenha 8 anos (neste caso são os pais os excomungados), quer agora que sejam excomungados os cientistas que trabalham com células estaminais!

De facto, o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, responsável pelo Conselho Pontifical da Família, o tal que diz que o HIV é suficientemente pequeno para passar através dos preservativos, afirmou a uma revista oficial do Vaticano, a Famiglia Cristiana, numa entrevista publicada na quinta-feira, que os cientistas que trabalham com células estaminais devem ser excomungados, da mesma forma que as mulheres que abortam e os médicos que as auxiliam.

O cardeal Trujillo pretende ainda que a excomunhão latae senentiae, isto é automática, seja estendida aos políticos que aprovem leis permitindo a investigação em células estaminais.

Numa altura em que a revista Nature torna acessível a todos o Stem Cell Insight para que os interessados neste campo fascinante de investigação possam apreciar os progressos nesta área emergente e as possibilidades que oferecem no tratamento de diabetes juvenil e deficiências imunológicas congénitas, desordens neuronais, cancro ou mesmo o envelhecimento, para além de permitirem a regeneração de tecidos para condições como ferimentos na coluna dorsal, etc., o Vaticano volta a demonstrar que a condenação de Galileu, Giordano Bruno e muitos mais cientistas não foi em «erro», é a imagem de marca de uma Igreja obscurantista e prepotente, completamente desligada da modernidade, a que se opõe ferozmente.

Não ficou claro se esta deve ser considerada a posição oficial da Igreja mas, conhecendo o pensamento sobre o tema de um papa que já criticou os «ateus» cientistas, que enquanto Ratzinger considerou pecaminosa qualquer manipulação genética, incluindo a clonagem terapêutica (quer usando células estaminais embrionárias quer adultas) e sabendo ainda que Bento XVI já tinha declarado que uma das prioridades do seu papado seria exactamente este tema, não é difícil prever que o será dentro em breve!

mais de um ano escrevi «este novo Papa considera que se uma célula adulta é alterada para se tornar totipotente (ou estaminal) então deve ser considerada um embrião. Ou seja, é expectável que brevemente pretenda proibir, na boa tradição inquisitorial a que já nos habituou, a investigação em células estaminais, embrionárias ou adultas, e todas as terapias envolvendo estas células, que serão certamente consideradas um pecado mortal».

Infelizmente mais uma vez parece que não me enganei na minha análise deste papa!

2 de Julho, 2006 Carlos Esperança

Bispos católicos invadem a blogosfera.

Tenho parcas informações sobre o actual arcebispo de Braga que, certamente, não é pior do que os anteriores nem tão detestável como o virtuoso cónego Eduardo Melo.

Neste momento é o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), uma espécie de líder da confederação que engloba o patronato das dioceses católicas. Para os menos entendidos em temas da ICAR, podemos dizer que o bispo de Braga é homólogo dos presidentes da CIP e da CAP no ramo da fé.

Após uma reunião dos bispos portugueses em Fátima, para aprofundar o tema «Deus na rede», ainda pensei que tinham pescado o patrão e que o iam julgar pelo abandono a que os votou.

Afinal, os bispos portugueses, em especial o seu presidente, vêem os «blogs como meio de evangelização». Agora compreendo a comissão de serviço que alguns crentes cumprem nas caixas de comentários do Diário Ateísta, principalmente os activistas da seita «Comunhão e Libertação» cujo objectivo é imitarem o Opus Dei, na despudorada confissão do padre João Seabra à RTP-1.

[Para D. Jorge Ortiga, a sociedade «parece que caminha ao ritmo dos sinais negativos». E exemplifica: «vejamos o caso do homem de Santa Comba Dão»] – (Agência Ecclesia).

Esta afirmação surpreende porque o psicopata venerava as fotos da Senhora de Fátima, Salazar, Américo Tomás e Irmã Lúcia, que exibia com desvelo. Será esta iconografia que o bispo Ortiga considera «sinais negativos»? A ser assim, vai no bom caminho.

Fonte: Agência Ecclesia

Adenda – Um leitor alertou-me para o facto de o homem de Santa Comba Dão ser o Salazar e a referência uma condenação pública do fascismo («sinais negativos»). Não foi esse o meu entendimento. 02-07-2006 23:40:05

2 de Julho, 2006 Palmira Silva

Revisionismo histórico e cristianovitimização

O ditador croata Ante Pavelic, líder dos católicos Ustase, com monges franciscanos. Os franciscanos foram muito activos no genocídio de sérvios, judeus e ciganos na ex-Jugoslávia.

O texto «A Igreja é novamente a Igreja dos mártires», distribuído como suplemento do número de 8 de Dezembro de 2004 do jornal oficial do Vaticano, o «L’Osservatore Romano», afirma que no século XX o cristianismo experimentou a maior perseguição da sua história:

«Com segurança, posso afirmar que, desde sempre, o martírio formou parte da vida da Igreja», sublinha Novak no texto, citando por exemplo a perseguição do povo arménio, os mártires mexicanos e espanhóis (da Guerra Civil), o período nazista e o do comunismo, assim como o actual.

Este parágrafo, uma alusão à tentativa de lavagem da História do Holocausto pela ICAR, que considera que uma mentira muitas vezes repetida acaba por ser aceite como verdade, insere-se na linha de revisionismo histórico bem patente na carta apostólica Tertio millennio adveniente de 1994 em que João Paulo II, depois de dar o mote para o texto supracitado dizendo que «No nosso século, voltaram os mártires» afirma:

«Pio XI teve de medir-se com as ameaças dos sistemas totalitários ou desrespeitadores da liberdade humana na Alemanha, na Rússia, em Itália, em Espanha e, antes ainda, no México. Pio XII interveio no âmbito da gravíssima injustiça representada pelo desprezo total da dignidade humana, que se verificou durante a segunda guerra mundial».

Considerando que os regimes totalitários europeus, com a excepção óbvia do caso russo, foram instalados com a ajuda da Igreja Católica estas afirmações são no mínimo aberrantes. Com declarações completamente falsas como estas não admira a sanha com que o seu teólogo de estimação ataca os «cristofóbicos» intelectuais europeus que insistem em investigar a História e em provar como falsas as declarações do Papa.

Percebe-se que João Paulo II seja um revisonista histórico uma vez que teve de seguir o juramento anti-modernidade, instituído por Pio X em 1910 e em vigor até 1967, que, entre outras pérolas, rezava «Também condeno e rejeito a opinião dos que dizem que um cristão esclarecido deve assumir uma dupla personalidade – a de um crente e ao mesmo tempo de um historiador, como se fosse permissível a um historiador sustentar algo que contradiz a fé do crente».

Mas as barbaridades históricas proferidas quer por João Paulo II quer pela sua correia de transmissão George Weigel merecem uma análise mais profunda. É fácil comprovar que são barbaridades históricas com pouco mais que o recurso a encíclicas e restante tralha debitada profusamente pelo Vaticano, que a maioria dos crentes desconhece.

É sempre importante analisar a História, mas é especialmente importante nesta altura em que, despojados das máscaras de tolerância e laicidade impostas pelo vergonhoso papel desempenhado pelo Vaticano na II Guerra Mundial – cuja limpeza de imagem ditou o concílio Vaticano II – os censores moralistas de Roma retomaram as suas prelecções obsessivas contra os ideólogos do mal, protagonizados por todos os que não só não aceitam os dogmas que debitam, como se recusam a permitir que seja o Vaticano a ditar as leis que regem os respectivos países.

Tal como Marco Pórcio Catão, o objectivo dos pregadores é exponenciar o ódio das populações contra esses supostos ideólogos do mal. Os frutos da campanha de intolerância do Vaticano contra os que não acatam os seus ditames são bem conhecidos dos colaboradores do Diário Ateísta, considerados servidores de «Satanás e seus Demónios», por um piedoso leitor que mais nos informou por mail ser «Pena não haver nos dias de hoje o Santo Oficio, Jesus disse ‘arvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo’, a Inquisição, infelizmente mal sucedida, livrou alguns da heresia» – aliás, opinião «benevolente» em relação à Inquisição partilhada por alguns dos devotos do movimento «Comunhão e Libertação», emulador do Opus Dei, que comentam nestas páginas.

A democracia, indissociável do pluralismo, da liberdade de opinião e expressão e da tolerância, foi uma conquista árdua contra o totalitarismo e intolerância da Igreja. Urge a vigilância da intolerância religiosa para que o fim desta história não seja o retorno da história, isto é, da militância religiosa das guerras «santas» e da sanha persecutória da Inquisição, desejadas por muitos! E para isso urge o desmascarar das pretensões revisionistas da ICAR!