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Carlos Esperança

29 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A Santa Aliança

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Nota: A espionagem do Vaticano foi criada pelo inquisidor Pio V, canonizado alguns anos depois, com o único objectivo de assassinar a herege Isabel I de Inglaterra e apoiar a católica Maria Stuart.

O destino ultrapassou a vontade do bom Papa, que se satisfazia com um só assassinato, e transformou a Santa Aliança numa máquina de extermínio e corrupção ao serviço do Vaticano.

Simon Wiesenthal, o célebre caçador de nazis, disse um dia: «O melhor e mais efectivo serviço de espionagem que eu conheço no Mundo é o do Vaticano».

A confissão é uma arma prodigiosa, sem esquecer a astúcia e inteligência dos papas e bispos a quem a tiara e as mitras, respectivamente, refinam a maldade e a velhacaria.

A Santa Aliança, nos seus cinco séculos de existência, esteve presente em todas as lutas do Vaticano e, como não podia deixar de ser, na carnificina da noite de S. Bartolomeu.

Fonte: A Santa Aliança – Cinco séculos de espionagem do Vaticano, Eric Frattini

28 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A sanha mística ou o divino ódio

Não há rapazes maus, há saprófitas do divino, perturbados pela fé, receosos do Inferno, onde o azeite fervente e o fogo eterno esturricam almas. Não se limitam a mergulhar na água benta e a banquetear-se com o corpo e o sangue do filho do carpinteiro. Atiram-se aos ateus com aquela sanha que lhes dá direito a bilhete de ingresso no Paraíso sem necessidade de unção nem arrependimento dos pecados.

São os cruzados actuais, que fazem a Universidade sem reprovações e a comunhão com muitas reincidências. Conhecem os odores dos padres e os mais leves desejos do Papa e dos seus bispos.

Julgam que o Novo Testamento foi inspirado por Deus e que os milagres são genuínas manifestações da vontade de cadáveres carcomidos pelo tempo e explorados pelo Vaticano. Conhecem os livros pios e as mentiras sagradas. Vêem na mãe de Cristo uma Virgem perpétua e no Papa um almocreve de Deus.

Para estes cruzados a excomunhão é uma sentença que impede a alma de gozar os favores divinos. A blasfémia e a apostasia são abominações. O sexo é uma tragédia. Enfim, são avatares dos pios inquisidores e dos infelizes cruzados.

Quando os soltam da missa e das orações vêm ao Diário Ateísta dar público testemunho das fantasias místicas e dos delírios pios. Sob o efeito dos alcalóides da fé, ruminam vingança, vociferam, insultam e ameaçam. Parecem miguelistas com varapaus e ancinhos, acompanhados de padres, a matar liberais. Foram feitos à imagem e semelhança de Deus: intolerantes, vingativos e cheios de ódio.

O Diário Ateísta é o instrumento da catarse desses infelizes e os ateus o alvo da sanha pirómana que os devora. Para eles, para quem Deus é uma alimária que tudo pode, os ateus são o instrumento com que o Todo-Poderoso os põe à prova.

Afinal, estes devotos são apenas filhos do ódio milenário de uma igreja anti-semita, marionetes do clero romano, gente rastejante que passa a vida de joelhos. Um dia terão o Céu à espera, ganho pela espuma da raiva que babam pela comissura dos beiços.

28 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Guerra das civilizações

Samuel P. Huntington é o autor da tese da inevitabilidade da guerra das civilizações.

Recuso a tese que disfarça a verdadeira guerra: entre a civilização e a barbárie, entre as religiões e o laicismo, entre Deus e o Homem.

É a luta da hóstia contra a sanduíche, do incenso contra o banho, dos sinais cabalísticos contra a liberdade de expressão. Há quem recuse a alegria e opte pela penitência, quem troque o prazer pelo cilício ou prefira a mortificação do corpo ao gozo dos sentidos.

As religiões reprimem a alegria e exploram a morte por intermédio do clero que assusta, persegue e pune ao serviço do Deus criado para benefício próprio e sofrimento alheio.

Quem se ajoelha perante um padre ou se roja nas lajes de um templo não perde apenas a verticalidade, reduz o horizonte visual e compromete o entendimento. Nas religiões do livro, enquanto Deus se rebola de gozo com o enxovalho dos crentes, estes dedicam-se às acrobacias do sofrimento.

Os judeus ortodoxos juraram derrubar o Muro das Lamentações à cabeçada; os devotos de Maomé andam com um tapete para se tornarem quadrúpedes várias vezes ao dia; os cristãos fazem maratonas de joelhos e os mais devotos azorragam-se em místico desvelo até ao delírio masoquista.

Os mais desequilibrados atingem o êxtase e a beatitude com os santos instrumentos de tortura enquanto debitam orações ou dizem mal de si próprios para o Deus imaginário.

Uns isolam-se em mosteiros, outros são enclausurados pela matilha que tem procuração divina e imaginação diabólica para a tortura. Alienados, abúlicos e depressivos debitam orações e papam hóstias numa sofreguidão mística que arruina o siso e fortalece a fé.

Há quem defenda este modo de morte, quem estimule a ociosidade e garanta ser o Céu a recompensa pela mórbida solidão e desvarios místicos. Às vezes soem soltar os mastins da fé e acirrá-los contra o ateísmo, o livre-pensamento ou a religião concorrente.

O islão recruta suicidas, o judaísmo cria colonos e o catolicismo alicia poderosos para o Opus Dei.

26 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Timor e a religião

Timor está à beira da guerra civil e do ensino obrigatório da religião católica.

Não faltam armas nem padres.

23 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Andam santos pelos cemitérios

A ICAR continua a fúria canonizadora despertada pelo bem-aventurado JP2, um polaco supersticioso de quem o Opus Dei, uns tantos cardeais e o espírito Santo fizeram Papa.

B16, especialista em moral e bons costumes, pós-graduado em relações com Deus, vai canonizar no próximo dia 1 de Julho quatro novos santos.

Desta vez a lotaria da santidade saiu à casa. Os canonizados, todos agentes e promotores de vendas da ICAR, são os seguintes:

Rafael Guizar Valencia (1878-1938), Bispo Mexicano;

Filippo Smaldone (1848-1923), sacerdote e fundador do Instituto das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações;

Rosa Venerini (1656-1728), fundadora da Congregação das Irmãs Mestras Pie Venerini;

Theodore Guerin (1798-1858), fundadora da Congregação das Irmãs da Providência de Santa Maria ad Nemus.

O anúncio, feito hoje, significa que os emolumentos, liquidados pelas igrejas dos países interessados, já entraram na tesouraria do Vaticano.

A Agência Ecclesia é omissa quanto aos milagres obrados pelos taumaturgos, mas a experiência diz-nos que são no ramo da medicina, ignorando-se apenas a especialidade e os miraculados. As provas são, como sempre, arrasadoras e os atestados rubricados por médicos de imaculada honestidade.

A ICAR é recordista de milagres por sepultura e por cadáver. Deus, na sua infinita venalidade, não deixa de atender os pedidos feitos por intercessão de um esqueleto com algumas décadas de terra.

A intermediação milagreira é um negócio florescente do sector terciário (o terço é, a seguir ao óbolo, o instrumento mais estimável para a corrupção divina e com provas dadas).

Apesar da opacidade do Orçamento de Estado e de se desconhecer o IVA aplicado, sabe-se que a rubrica «beatificações e canonizações» passou a ter um peso crescente no erário do Vaticano.

23 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Protocolo de Estado e falta de pudor republicano

Pretender integrar o clero na lista de precedências dos titulares dos órgãos de soberania e altos funcionários do Estado é um anacronismo incompatível com um país laico. Afigura-se tão despropositado como colocar nos templos uma cadeira junto ao altar para os representantes do Estado ou das autarquias.

Surpreende que um político experiente como o açoreano Mota Amaral, que não é um demagogo, persista na defesa de uma promiscuidade entre o Estado e a Igreja que tão maus resultados deu no passado e que só pode prejudicar ambas as instituições.

Mas, mais anacrónico, é a peregrina ideia de incluir no protocolo de Estado o Sr. Duarte Pio, um descendente do ramo miguelista da família de Bragança, a menos que se pretenda desprestigiar o regime democrático e transformar o País numa República de ananases, já que as bananas são características da outra Região Autónoma.

O pudor republicano é incompatível com os delírios místicos de um deputado ou com o pendor monárquico de quem sabe que a monarquia constitucional portuguesa se extinguiu com a morte de D. Manuel II.

Que o CDS dê particular destaque «quer às Forças Armadas, quer às instituições religiosas – com realce para a Igreja Católica», é uma atitude que se compreende num partido que foi expulso do Partido Popular Europeu, por ser demasiado conservador e anti-europeu. No fundo é um partido de duvidoso ideário republicano e de hesitantes sentimentos democráticos.

22 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Como se criam católicos

Nos primeiros dias de vida os pais entregam os neófitos ao padre, que lhes mergulha a fronha em água benta e os limpa do pecado original, quando ainda precisam de quem lhes mude a fralda.

Depois, crescem no temor de Deus, que se alegra quando comem a sopa e fica triste quando adormecem nas orações.

Aos seis anos de idade, com muitas ave-marias e padre-nossos rezados, para que o Deus cruel e apocalíptico os livre do Inferno, das perpétuas chamas e do azeite fervente, onde só há choro e ranger de dentes, as pias catequistas ensinam-lhes os mandamentos da Santa Madre Igreja e os do único Deus verdadeiro, à custa dos tempos livres.

Depois do exame de aptidão vem a confissão. Os pecados – ofensas feitas a Deus -, são ditos ao padre, punidos com penitência adequada e perdoados para poderem saborear o corpo de Cristo numa fina rodela de pão ázimo (sem fermento nem sal).

Com a missa semanal e a desobriga pela Páscoa da Ressurreição, como tarifa mínima, seguida de nova rodela mística, os cristãos ficam aptos para novos pecados que, de novo, serão perdoados e assim, sucessivamente, vão mantendo viva a fé na vida eterna.

A comunhão solene é um momento alto, com a família a alambazar-se em hidratos de carbono. Por pudor, a ICAR deixou de vestir de cruzados as crianças. A confirmação é imposta por um bispo que exibe o anelão de ametista e o faz oscular, indiferente aos micróbios que passa de boca em boca. O sinal da cruz é desenhado a óleo na testa do cristão pelo dedo do prelado ricamente paramentado e refastelado num cadeirão.

Nesta altura já as crianças de dez anos sabem que os judeus mataram Cristo, que a Santa ICAR está mais cheia de santos, mártires e bem-aventurados do que um autocarro da Carris em horas de ponta.

A xenofobia e o racismo estão na Bíblia. O dever de um cristão é converter quem está errado (os outros) à verdadeira fé, a que vem de Roma através de breves, bulas e encíclicas. O proselitismo é um dever e quem não quiser salvar-se deve ser obrigado.

Os créus querem esgotar a lotação do Céu e os ateus querem evitar que seja obrigatório.