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Carlos Esperança

20 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Lech Walesa renuncia ao catolicismo?

«O antigo presidente polaco Lech Walesa ameaçou na sexta-feira renunciar ao título de cidadão honorário de Gdansk (antiga Danzig alemã) para não compartilhar a distinção com o escritor alemão Günter Grass, que confessou há uma semana ter pertencido às Waffen-SS». (DN, hoje, pág. 32).

Admite-se que Walesa, por coerência, renuncie ao catolicismo, para não compartilhar a fé com o Papa Rätzinger que igualmente pertenceu às SS, a não ser que a religião seja menos importante para o devoto Walesa do que uma condecoração.

19 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

A Argentina e o aborto

Só nos hospitais da província de Buenos Aires registam-se, em média, 95 abortos diários. Segundo o Centro de Estudos Estado e Sociedade (Cedes) morrem vítimas de aborto clandestino 27,4% das mulheres que a ele recorrem.

A hipocrisia, mais acentuada do que a outras latitudes, ignora o grave problema de saúde pública e só se torna notícia quando o caso assume contornos especiais.

Não interessa o drama diário de milhares de mulheres, destaca-se um drama particular que interpela diversas autoridades que se refugiam na moral e na fé.

Recentemente uma deficiente mental, de 19 anos, com idade mental de 10 anos, violada, viu ser-lhe negado o direito ao aborto, solicitado pelos tutores, num hospital do Estado.

Médicos, juízes e bispos são solidários na luta contra a despenalização do aborto. A irmã da deficiente interrogava-se, desesperada: «não vêem que, com a capacidade mental de 10 anos, ela não compreende que vai ser mãe e terá uma criança»?

Na sexta-feira passada, os nove membros do Supremo Tribunal de Buenos Aires ouviram a jovem deficiente, à porta fechada, antes de proferir a sentença. Tudo indicava que autorizariam o aborto.

Perante tal eventualidade não se fez esperar a reacção colérica do arcebispo de La Plata, Héctor Aguer: «A suposição de que a criança possa nascer com um defeito físico ou psíquico não autoriza a sua eliminação. Ou pensa-se, quiçá, que é possível produzir uma humanidade ideal»?

18 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Crime de honra

Em Itália, um piedoso paquistanês, Muhammad Saleem, de 55 anos, foi preso por matar uma filha. A jovem Hina Saleem, de 20 anos, perfeitamente integrada, a trabalhar numa pizzaria, acalentava o sonho de fazer carreira no cinema.

O italiano com quem a jovem vivia, há cinco meses, comunicou o desaparecimento que conduziu ao pai. Um tio e um cunhado estão provavelmente implicados neste nefando «crime de honra».

A família não suportava a união com um homem divorciado e casado segunda vez. Ao ser preso o pai exclamou: «eu não queria que se tornasse uma puta como tantas outras raparigas».

A influência religiosa e os preconceitos sociais da comunidade não hesitam perante o crime, desprezando as leis do País de acolhimento. Cometem-se na Europa imensas transgressões em nome da tradição e à sombra da condescendência com a barbárie.

O pai já tinha prometido a rapariga a um primo, no Paquistão, e a sua desobediência só podia, nos costumes tribais da família, ser punida com a morte, friamente premeditada.

Tenho a convicção de que não há guerra de civilizações, há uma luta entre a civilização e a barbárie, a democracia e a teocracia, a liberdade e a tradição. Há um longo caminho a percorrer para impor o respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos».

Fonte: LE MONDE 18.08.06

18 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Todo o bem vem de Deus

Viajar pela história das religiões não é apenas entrar no pântano da mentira e da intriga, é percorrer um mundo de horrores, descer às alfurjas da sordidez, penetrar num passado de crimes de que a civilização actual se procura libertar.

Julgamos epifenómenos as Cruzadas, a evangelização, a Reforma, a Contra-Reforma, a Noite de S. Bartolomeu e a própria Inquisição. Vemos o calvinismo como patologia benigna e o protestantismo evangélico uma demência sazonal com acessos esporádicos.

Temos a tendência de esquecer o oceano de sangue que liga os primórdios das religiões abraâmicas aos nossos dias e recordar as doces falsificações de paz e amor que o clero forjou laboriosamente ao longo dos séculos.

Nunca a liberdade teve o contributo empenhado de qualquer religião e quase sempre se conquistou na luta contra o poder do clero e a violência do dogma.

Do Islão e da sua patologia vemos o hábito das decapitações, a euforia com que serram vivos os inimigos da fé, a excitação das lapidações e o zelo com que fazem amputações.
Veneram Deus e Maomé, o primeiro a merecer manicómio e o último internamento num reformatório, se acaso o primeiro existisse e fosse vivo o segundo.

O Vaticano, um bairro de 44 hectares mal frequentado e pior governado, é a cabeça de um imenso e antigo tumor que espalha pus pela humanidade. A Santa Aliança, serviço de espionagem da Santa Sé, desde 1566, é uma associação de malfeitores para uso do vigário de Cristo e apoio aos ditadores que lhe são afectos.

Basta recuarmos ao segundo quartel do século passado e vermos Pio XI, após o pacto de Latrão, a entusiasmar os padres de toda a Itália a apoiarem os fascistas, considerando Benito Mussolini como «enviado pela Providência» o que, a ser verdade, colocaria pior o Deus do que o próprio Papa.

O apoio explícito de Pio XII a Hitler e ao nazismo foi ratificado quando o Papa ordenou ao arcebispo Orsenigo, núncio em Berlim, que organizasse uma grande recepção para celebrar os cinquenta anos do Führer. Desde aí, e durante toda a guerra, Hitler recebeu em Berlim felicitações por parte do cardeal Bertram.

Ante Pavelic desejou criar uma Croácia católica pura através de conversões forçadas, deportações ou extermínios. De 1941 a 1945 os ustachis levaram a cabo o assassínio sistemático de sérvios ortodoxos, ciganos, judeus e comunistas. Pavelic teve, desde o princípio do seu governo, o apoio público de Pio XII ao nacionalismo católico croata.

Durante uma peregrinação a Roma, em Novembro de 1939, Pio XII, não poupou nos encómios aos ustachis, encabeçados pelo tenebroso arcebispo Stepinac. Pio XII via no extermínio e nas deportações dos sérvios a oportunidade de proselitismo e o avanço do catolicismo para leste.

Pio XII manteve-se silencioso quando um agente dos serviços secretos papais informou que as vítimas eram obrigadas a abrir uma cova, antes de serem atadas com arames e enterradas vivas». Outro agente, da contra-espionagem papal, enviou um relatório datado de 11 de Maio de 1941 em que dizia: «Os ustachis prenderam 331 sérvios, entre os quais estavam um padre sérvio ortodoxo e o seu filho de nove anos. As vítimas foram esquartejadas com machados. O padre foi obrigado a rezar enquanto lhe matavam o filho. A seguir torturaram-no, arrancaram-lhe a barba, furaram-lhe os olhos e esquartejaram-no vivo».

Pio XII manteve silêncio, talvez para rezar em sossego.

Fonte: A Santa Aliança – Eric Frattini – Ed. Campo das Letras

17 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Líbano – um intervalo na guerra

O cessar-fogo anunciado entre Israel e o Hezbollah, sob os auspícios da ONU e a mediação da União Europeia não é o fim da guerra e, muito menos, o princípio da paz.

A guerra não é entre Israel e o Líbano, é entre o sionismo judaico-cristão e o terrorismo islâmico teleguiado de Teerão, através da Síria.

De um lado há uma tendência expansionista que não tolera a autonomia da Palestina, do outro a cegueira que pretende a erradicação do Estado de Israel. O terrorismo tem raízes bíblicas que é preciso extirpar.

A Tora e o Corão são certidões da Conservatória do Registo Predial Celeste que atribuiu os mesmos terrenos a dois proprietários distintos. É por isso que terrorismo e resistência se confundem entre fanáticos que acreditam na validade do atestado de posse.

Pela primeira vez, desde a sua existência, Israel não ganhou a guerra. Reduziu o apoio dos países ocidentais e agravou o ódio dos vizinhos islâmicos sem conseguir aniquilar o Hezbollah. O seu futuro começa a ser incerto.

Certa esquerda vê em Israel a face do imperialismo e nas teocracias islâmicas amanhãs que cantam. A direita, nostálgica do colonialismo, olha com arrogância para os árabes e com volúpia para o petróleo e ninguém, nenhum país, ajuda a criar condições para que a separação da Igreja e do Estado permita as mais básicas liberdades dos povos oprimidos pelo Corão.

As derrotas dos EUA no Iraque e, agora, no Líbano, através de Israel, terão dramáticas consequências para a paz no mundo e a estabilidade das democracias. Os radicalismos levam a melhor e ganham ânimo com o simples facto de sobreviverem.

A inexperiência do Governo de Israel e a inépcia da administração Bush precipitaram o mundo num beco cuja saída será sangrenta, demorada, dramática e planetária.

16 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Bento XVI reza pela paz

O Sapatinhos Vermelhos, em acto de exibição pública, reza pela paz enquanto o cardeal francês Roger Etchegaray, enviado especial do Vaticano, conduzia orações de um grupo de fiéis no Líbano.

Não sei se Deus ouve melhor as orações feitas no teatro de guerra ou as que, na pacatez do Vaticano, são rezadas por um dignitário com as orelhas sob a tiara.

Fica igualmente a dúvida sobre o que Deus pensa, se pensa, se acaso existe.

Acaba com a guerra porque uns figurões, exoticamente vestidos, disparam orações e acendem velas ou com vergonha da forma como se chacinam os crentes de duas edições diferentes do estúpido livro de que ditou a primeira edição a Moisés no Monte Sinai?

Se acaso as orações têm algum efeito para subornar Deus, por que motivo não as usaram antes do primeiro tiro, da primeira criança assassinada, da primeira grávida morta? E, se Deus é tão bom, como dizem, e omnipotente como apregoam que andava a fazer quando os primeiros mísseis foram disparados e os motores dos tanques aqueciam?

É feio querer ganhar influência política e importância mediática à custa das tragédias.

O Papa, bispos, mulhas, ayatollas e rabis são prostitutos de alterne, proxenetas de Deus, que, como aves de rapina, aguardam a carne putrefacta dos cadáveres para a sua própria sobrevivência.

15 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

A França e o catolicismo

Uma sondagem feita em França, com uma amostragem de 29.016 pessoas, concluiu que dois terços dos franceses se consideram católicos, que a prática religiosa é, sobretudo, feminina, praticada pelos mais velhos e cada vez maior o número dos «sem religião» que, em 20 anos, passou de 21% para 27%.

A moral sexual do Vaticano é desprezada pela maioria dos que se afirmam católicos e o número dos que vão regularmente à missa não chega a 5%.

Mesmo assim é um número significativo para um espectáculo que, com leves alterações, está em cena há demasiados séculos.

Fonte: Inquérito do «Ifop» realizado para o jornal «La Croix»

14 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Günter Grass e Rätzinger

A revelação, feita pelo próprio, de que tinha sido membro das SS, de Himmler, deixou os admiradores do Nobel da Literatura, Günter Grass, em estado de choque.

Nascido no mesmo ano, exactamente seis meses depois, Günter Grass fez o mesmo percurso adolescente de Joseph Ratzinger. É uma nódoa que ficará na biografia do excelente escritor.

Quanto ao Papa, a nódoa é menos grave pois nunca foi uma referência moral e, de certo modo, nunca mudou.

13 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

90.º Aniversário do Anjo de Portugal

Terminou hoje em Fátima uma autêntica maratona da fé, uma orgia litúrgica cheia de missas, em vários idiomas, e hóstias suficientes para todas as bocas.

O dia de hoje foi um festim para os créus, uma pândega devota que começou à meia noite, com duas horas de adoração do SS.mo Sacramento e terminou com a «tarde de evangelização para imigrantes ucranianos e da Europa do Leste» que abriu às 15H30.

2H00 – Via-sacra, diversão de hora e meia, seguida de uma hora de Celebração Mariana e, logo a seguir, uma missa para queimar tempo, das 4H30 às 5H30.

Das 5H30 às 7H00 foi servida a Adoração com Laudes do SS.mo Sacramento, seguida de uma procissão eucarística, durante duas horas e quinze minutos, com a imagem até ao altar do Recinto.

Às 9H15, sempre sem intervalos, houve Rosário na Capelinha. Foram três quartos de hora de padres-nossos, ave-marias e respectivos mistérios.

10H00 – Solene celebração da eucaristia presidida por D. Dionísio Lachovicz. Oferta de trigo, bênção dos doentes, consagração a Maria e Procissão do Adeus, com a imagem de regresso à Capelinha, 12H30, onde aguarda novos passeios, nos dias 13, para comoção dos crentes e proveito eclesiástico.

Não é a fé que espanta, é a resistência das bexigas. Doze horas e trinta minutos é mais do que uma pessoa normal pode conter-se. Só depois houve um intervalo de três horas, antes de começar a evangelização dos imigrantes do Leste.

Este ano comemora-se a aparição do Anjo de Portugal aos três pastorinhos, alcoviteiro que precedeu as aparições de «Nossa Senhora do Rosário».

O Anjo de Portugal, como a ICAR lhe chama, deve ter chegado na clandestinidade pois a República não lhe teria reconhecido a nacionalidade. Dele não ficou uma única pena, um simples pelo púbico, um mero vestígio que ponha em causa a maior burla religiosa montada pelo clero para combater a República Portuguesa e, mais tarde, o comunismo.

Fonte: GUIA gente – Edição PCE – Distribuição com o «Diário de Notícias. 5 páginas e um poster com o Anjo de Portugal e os 3 pastorinhos de joelhos (meio de locomoção habitual, em Fátima).