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Carlos Esperança

12 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

Tietmeyer no Banco do Vaticano

O arcebispo Paul Marcinkus transformou o Banco do Vaticano em caso de polícia e em antecâmara da morte para os principais comparsas do escândalo. O Papa B16 procurou agora um especialista do ramo bancário que aliasse conhecimentos das finanças e devoção religiosa.

O Banco do Vaticano é a caixa central das esmolas que pagam prestações da assoalhada da alma com sede no condomínio do Paraíso. Outras verbas pias lá vão parar, oriundas da lavagem de dinheiro ou de relações suspeitas, como outrora o ouro nazi extorquido aos judeus.

Para reabilitar o Banco (IOR) das patifarias que JP2 consentiu, desde empréstimos ao ditador Somoza à lavagem de dinheiro do tráfico de armas e à subvenção do sindicato Solidariedade, B16 vai nomear Hans Tietmeyer, o antigo presidente do banco central alemão – Bundesbank.

Além de ser um banqueiro respeitado, incapaz das patifarias de um arcebispo, estudou teologia, é um católico com sacramentos em dia, membro da Academia Pontifícia de Ciências Sociais e com dois irmãos padres.

Desta vez o banco do Vaticano vai passar a ser uma instituição séria apesar da localização da sede.

11 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

João Paulo II em Notre Dame

As atrocidades perpetradas pelo clero devem-se mais ao poder económico e influência política de que dispõem do que à convicção. O medo e a ignorância condicionam a fé mas o estado de precisão e o monopólio da assistência nas mãos dos sacerdotes levam à subserviência e à oração.

Mas tal como o bispo da história a quem um barbeiro herege escanhoava os queixos, sentindo a navalha no pescoço, respondeu à pergunta dizendo que acreditava muito pouco em Deus, também as vítimas que dependem do poder das Igrejas reagem do mesmo modo reiterando, contudo, a inabalável fé que os protege.

No mundo islâmico a miséria e o desespero a que se junta o medo e a coação social fazem fanáticos os crentes e transformam em beatos os cidadãos.

Nos países democráticos, onde a secularização era vacina contra os desmandos do clero e o proselitismo cristão verifica-se um mimetismo que modifica gente de sãos princípios em beatos que debitam a bíblia, se empanturram com hóstias, persignam, genuflectem e rastejam por uma promessa de aluguer de uma assoalhada no Paraíso.

Governantes venais dão nomes da clerricanalha às praças e ruas cuja toponímia deviam defender dos embusteiros de Deus e fabricantes de milagres. O pudor até em França se perdeu já com autarcas que trocam o pudor republicano e a pedagogia da laicidade por um punhado de votos e o nome de um Papa pouco recomendável para um largo público.

Foi assim que o nome de João Paulo II infectou um largo, em frente à igreja de Notre Dame, em Paris, com a laicidade a ser ultrajada.

10 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

Santo,…Já!!!

(Cartoon de Brito, publicado com amável autorização do autor)
10 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

B16 regressa ao local do crime

Para «reafirmar os laços profundos que existem entre o Vaticano e a Igreja alemã», laços que ligaram Pio XII a Hitler, amarras feitas de sangue e excomunhões contra a Reforma protestante, o pastor alemão aterrou em Munique.

O Sapatinhos Vermelhos que esconde as orelhas sob o camauro, ou as protege com um Saturno, bizarros adereços do múnus e do narcisismo, volta à Alemanha, donde emigrou depois de um curto apoio às SS e um longo caminho ao serviço do Deus de Pio XII, Torquemada, Pio IX e Urbano II.

Em tauromaquia, este regresso repetido às origens chamar-se ia tendência para a crença natural mas o teocrata não vai para ser lidado, regressa para estimular um movimento de retrocesso ao catolicismo mais retrógrado, impor velhos valores e fazer proselitismo.

B16 é o caixeiro-viajante ao serviço da SIDA e dos preconceitos da igreja anacrónica que elege a teologia do látex contra a protecção de doenças sexualmente transmissíveis, que prefere o nascimento de um deficiente grave ou o fruto da brutalidade da violação à interrupção voluntária de uma gravidez, que opta pelo sofrimento dos cônjuges em vez da liberdade do divórcio.

B16, ditador vitalício, digno sucessor de JP2, é o inquisidor dos tempos modernos, que não está interessado na salvação das almas – sabe que Deus não existe -, apenas o move um projecto de poder que se afirma na luta contra o secularismo e a laicidade, que pensa ganhar no combate com os outros credos e na erradicação do agnosticismo e do ateísmo contra quem solta a clericanalha que cegamente lhe obedece.

7 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

O Deus dos cães

O Deus dos cães, se o há, apareceu num monte a um cão grande, a quem reservou para os da sua espécie as melhores áreas de caça e as árvores mais adequadas para alçarem a perna quando a necessidade de esvaziar a bexiga os apoquentasse.

Quis o Deus dos cães ensiná-los a ladrar e ladrou-lhes na sua infinita sabedoria como deviam comportar-se com os outros cães. «Todos os cães são irmãos» – disse-lhes o Sr. Deus dos Cães -, mas advertiu-os de que se submetessem à forma de ladrar que o único verdadeiro Deus dos Cães ensinara ao profeta de todos os cães.

Quis ainda o Todo Poderoso Deus dos cães ensinar-lhes a uivar quando o falso Deus do Vento zumbisse nos montes e árvores da floresta.

Sendo Deus pachola, nada proibiu em relação ao sexo mas, em verdade lhes disse, que os cães não deviam tocar em espinhas de peixe por fazerem mal ao pelo e pior à saúde.

Com o tempo passaram os cães a ladrar em vários tons e a uivar com energia desigual. Tanto bastou para que os cães se envolvessem em rixas que o cio acicata e, em vez de ladrarem, como o Deus dos Cães lhes ensinara, passaram a uivar à Lua e a morder-se uns aos outros.

Só não há canicídios em massa porque os cães preferem lamber as mãos do dono do que ajoelhar-se e submeter-se de forma permanente e definitiva a outros cães. Têm maior nobreza do que outras espécies, mais subservientes, que se subjugam a ambas as coisas.

E também não há cães bombistas e mártires suicidas porque são suficientemente finos para duvidarem das setenta cadelas virgens e das montanhas de suculentos ossos com que o misericordioso Deus dos cães os aguarda no canil eterno.

6 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

B16, tartufo de serviço

Religião não pode justificar terrorismo, diz B16, Papa de serviço ao catolicismo, ditador vitalício do Vaticano, que foi a Assis com pele de cordeiro a imitar o antecessor, futuro santo JP2, e rezar pelo diálogo inter-religioso.

A desfaçatez dos tartufos esboroa-se quando afirmam que o seu Deus é o verdadeiro e único capaz de emitir bilhetes válidos para o Paraíso.

Rezam, por hábito, conhecendo a inutilidade das orações, com excepção da piedade que induzem nos incautos e na prodigalidade dos óbolos que geram.

Só pode admirar-se com os apelos à conversão quem esquece que Portugal foi fundado na luta contra os moiros e se afundou a perseguir cristãos-novos e grelhar judeus.

As religiões que apregoam o diálogo são as que convertem os crentes das outras com quem fingem amizade, todas unidas no ódio aos ateus e nas rivalidades entre si.

JP2, o rural que perseguiu e silenciou teólogos progressistas, era amigo de Pinochet e consentiu o tráfico de armas para o ditador da Nicarágua, Anastácio Somoza, e o desvio de dinheiro do Banco Ambrosiano para o sindicato polaco Solidariedade. Hoje é o bem-aventurado a caminho da santidade, graças à intensa campanha de propaganda da ICAR.

Foi um papa dissimulado que apadrinhou a sombria prelatura pessoal – OPUS DEI – um exército de prosélitos sedento de dinheiro e poder, enquanto a «Santa Aliança» cumpria as orientações papais de espionagem e intriga internacional.

B16, é tão profundamente reaccionário como o antecessor, apenas lhe falta a superstição e a fé de JP2 com que este que emocionava as multidões com os trejeitos de artista de circo e devoção sincera.

Por ironia, JP2 era espiado no Vaticano pela polícia comunista polaca enquanto a CIA e a espionagem do Vaticano colaboravam. Segundo fontes polacas, entre 10% e 15% dos religiosos polacos colaboraram com os serviços secretos durante o regime comunista.

Durante a guerra foi muito maior a percentagem dos que colaboraram com o nazismo.

A confissão é uma arma terrível.

5 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

Abaixo o proselitismo

No dia em que a clericanalha deixar de baptizar crianças de fralda, doutrinar crianças em idade escolar e atormentar velhos em fase terminal, deixo de denunciar as mentiras e crimes das religiões.

Quando, em vez de curarem paralíticos e cancerosos, os cadáveres apodrecidos do catolicismo fizerem crescer membros amputados e crescer o cabelo aos calvos, calo o ridículo da ICAR e os escândalos dos seus padres.

Se um Papa se revelar uma pessoa de bem e deixar de interferir na política dos países democráticos, deixo de denunciar o antro do Vaticano e os crimes que aí se cometem.

Se o dinheiro pilhado aos pobres e o ouro deixado cair nos santuários, por multidões de infelizes e desesperados, for posto ao serviço dos milhões de refugiados, deixo de apontar a cupidez e o luxo dos bazares da fé e de me indignar com os tesouros reunidos no Vaticano.

Quando a clericanalha deixar de aterrorizar crentes com o castigo eterno, as fogueiras perpétuas, o choro e ranger de dentes para quem seja avesso ao incenso e sofra náuseas com a hóstia, abandono o Diário Ateísta e dedico-me a outras causas.

Mas, enquanto os prelados exibirem anelões e passearem as mitras, os mullahs apelarem ao ódio e ao martírio e os rabis clamarem que são donos da Palestina, farei minhas as palavras dessa grande mulher e escritora, George Sand:

«Há cinquenta anos que trago em mim uma maldição que hei-de repetir até à hora derradeira, maldita, maldita, três vezes maldita seja a intromissão dos padres na família».

4 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

Deus e os monoteísmos

Admitamos que Deus transmitiu a sua vontade através de Moisés, Cristo e Maomé, que a sua abominável vontade (tão humana que é) pretendeu privilegiar alguns povos em detrimento de outros e que os livros sagrados foram ditados da forma que os apregoam, aos alcoviteiros que dizem, nas circunstâncias que inventaram.

Temos de concluir que Deus era rude, intolerante, vingativo e, sobretudo, um ignorante em questões científicas, além de narcisista e autoritário.

Aquela ideia de ameaçar o género humano com o julgamento no Vale de Josafá, depois de proceder à inauguração de um lago de fogo e enxofre, é demasiado idiota para ser levada a sério.

A exiguidade do Vale não comporta todos os vivos, a quem mandará guias de marcha e assegurará transporte, quanto mais os mortos que desde o princípio do Mundo ameaça ressuscitar.

Fica a questão de saber quem Deus considera homens – o que inclui mulheres, depois de os doutos cardeais terem concluído que também possuíam alma -, isto é, desde quando, na evolução das espécies, começou Deus a atribuir almas.

É difícil imaginar Deus a ditar os dislates de que Moisés, Jesus e Maomé se fizeram eco sem, ao menos, se retirar para aliviar a tripa, comer uns frutos ou beber água. Os santos livros, tão prolixos a registar-lhe as palavras, não referem o meteorismo, a flatulência ou reumatismo que certamente haviam de o afligir.

Como é possível que, com Maomé, o mais ignorante e analfabeto dos profetas, durante vinte anos, entre Medina e Meca, não se queixasse do calor ou proferisse um impropério pela lentidão de raciocínio do profeta?

Há uma só explicação possível. Naquele tempo, a ignorância e a superstição tornavam ávidas as pessoas pelo misterioso e fantástico. As religiões vieram ao encontro dessas necessidades e serviram um Deus amigo delas e inimigo dos seus inimigos que lhes dava algum conforto e tranquilidade.

Deus é a réstia de esperança de todos os desesperos, a mezinha para todas as desgraças, o lenitivo para todos os sofrimentos e, finalmente, a ocupação e modo de vida de uma multidão de parasitas que vive do medo e insegurança alheia.

2 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

A droga da religião

A tradição, a coacção social e os interesses de classe ou de grupo estão na origem do proselitismo de que as primeiras vítimas são as crianças.

É habitual «dar» catequese dos seis aos dez anos, idades em que é fácil a manipulação ideológica e o exacerbamento dos sentimentos.

Os empregados de Deus já antes, logo após o nascimento, marcaram as crianças como gado de uma coutada que nunca mais podem abandonar. O baptismo ou a circuncisão imprimem marcas que os profissionais da fé não deixam apagar.

Sabe-se como nas aldeias se coage o matrimónio católico, se incita à prática da missa e organizam festas religiosas e orações colectivas. É mais temido o padre do que o fiscal dos impostos e a ida à igreja é mais assídua do que à escola.

O condicionamento da opinião pública começa, através das Igrejas, pela manipulação dos crentes. Só a secularização, que aparece com o bem-estar, independência económica e alfabetização de um povo, consegue descolar a população das sotainas e da hóstia.

Em períodos de crise, as pessoas abandonam os partidos políticos e integram-se nas Igrejas onde o pensamento único e vocação totalitária lhes levam o consolo e a calma de quem preza mais as certezas divinas do que as interrogações humanas.

Não é por acaso que, nos conturbados tempos em que as várias religiões se digladiam e o futuro da humanidade é um enigma, numerosos fiéis façam maratonas aos santuários, debitem orações e se refugiem a ouvir litanias dos profissionais do embuste.

Há sempre quem prefira viver de joelhos a morrer de pé.

1 de Setembro, 2006 Carlos Esperança

As máfias de Deus e as outras

É conhecida a religiosidade dos mafiosos sicilianos bem como de agentes de profissões análogas, como passadores de droga, traficantes de armas e proxenetas, meros exemplos da harmonia entre o crime e a superstição.

Quando, há algum tempo, a cantora pop Madonna foi à Rússia e se fez coreografar numa cruz logo as poderosas máfias autóctones a intimidaram e chantagearam com ameaças aos dois filhos e marido.

Surpreende os incautos ver máfias e Vaticano do mesmo lado da barricada, defensores dos bons costumes e do respeito pela iconografia de que a religião se apropriou.

Entre 1979 e 1982, cinco cardeais referidos no inquérito do IOR (Banco do Vaticano) e do Banco Ambrosiano, com a média de 69 anos de idade e gozando todos de boa saúde, esqueceram-se de respirar. Sucedeu-lhes o mesmo que a João Paulo I cuja imprudência de revelar que iria fazer um inquérito ao IOR logo alertou Deus para a necessidade de o chamar à sua divina presença, como soe dizer-se em jargão religioso.

Em vida de João Paulo II, enquanto foi possível conservá-lo, a Santa Aliança (agência de espionagem do Vaticano) teve um papel muito activo na venda de armas à Argentina, durante a Guerra das Malvinas, no desvio de fundos do IOR para o «Solidariedade», de Lech Walesa e na lavagem de dinheiro da droga e de outras pias actividades.

O arcebispo Paul Marcinkus, Roberto Calvi, Licio Gelli e Michele Sindona, este último lavava dinheiro de heroína, tiveram uma relação íntima com Paulo VI, João Paulo II e cardeais da Cúria num triângulo que envolvia o IOR, o Banco Ambrosiano e a falsa loja maçónica P-2.

Foi Licio Gelli quem apresentou Somoza a Roberto Calvi. A Nicarágua converteu-se em refúgio seguro para o dinheiro «B» do Vaticano e o IOR, em troca, pagou grandes somas ao ditador.

A falência do Banco Ambrosiano só não causou maiores danos ao Vaticano porque são antigas as nódoas e tão frequentes que qualquer canonização lhes serve de lixívia. Mas custou muito dinheiro ao Papa.

Fonte: A Santa Aliança – Cinco séculos de espionagem do Vaticano, de Eric Frattini.