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Carlos Esperança

20 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

A CEP ensandeceu

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) comporta-se, sob a presidência do arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, como a sucursal do ministério romano da Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício.

A CEP começou por negar à Assembleia da República o direito de legislar sobre o aborto e acabou a designar a procriação medicamente assistida – quando os espermatozóides ou os óvulos utilizados no processo não forem do próprio casal – «infidelidade consentida».

Os bispos, reprodutores absentistas, não são peritos em questões de reprodução e andam a ler anúncios pornográficos. Julgam que os espermatozóides viajam no pénis do dador até ao óvulo da receptora ou que a produtora do óvulo o deixa extrair, às escuras, por um falo desconhecido a fazer de aspirador.

Os bispos podem fazer greve à reprodução e obrigar os úteros das freiras à inactividade, não têm o direito de ofender quem procura um filho a quem transmitir o amor que sente.

Não sei se a alma viaja nos órgãos reprodutores do homem e da mulher mas, para quem odeia o sexo, devia ser mais sedutor o tubo de ensaio do que os fluidos pecaminosos que acompanham a concepção.

Não admira o despautério do bando da mitra e do báculo. Reuniram em Fátima, um local de embuste, e foram embrutecidos para julgarem a virgindade a maior virtude da mulher.

Se estes homens não escondessem, sob a sotaina, os recalcamentos que os perturbam!

16 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

Padres casados

Parece que o Sapatinhos Vermelhos está em vias de recrutar 150 mil padres católicos que desertaram para o matrimónio.

Basta um compromisso oral. Passarem a ser castos.

O orgasmo será sempre, para este Papa, um genocídio.

16 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

O Vaticano e a prostituição

Nesta última terça-feira o cardeal Renato Martino considerou que o tráfico humano, que força mulheres a prostituírem-se, é pior agora que o comércio de escravos africanos no passado» – DN, 15-11-2006.

Tem razão o cardeal e, apesar do se ter dedicado ao comércio de escravos, o Vaticano há muito que não está ligado à prostituição.

Mas esteve. Até a legalizou no Vaticano.

15 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

Os bispos uivam

Houve quem esperasse da ICAR uma postura urbana em relação ao referendo sobre a IVG, para o que contribuiu a serenidade, fingida ou sincera, do patriarca Policarpo a referir-se ao aborto como problema essencialmente político, mais do que religioso.

Era preciso não conhecer o ódio que o cio recalcado desenvolve, ignorar a intolerância de que o clero é capaz e a subserviência à única teocracia europeia – o Vaticano -, para ver nos bispos um exemplo de tolerância e espírito democrático.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), espécie de confederação patronal católica, reuniu segunda-feira, em Fátima, local especialmente dedicado ao embuste e ilusionismo místico. Num acto de subversão, traindo o País a soldo de um Estado estrangeiro e totalitário, contestaram a legitimidade da Assembleia da República para legislar no que respeita à «liberalização ou descriminalização do aborto».

O Sr. Jorge Ortiga, bispo de Braga e presidente da CEP, nega à Assembleia da República o direito legislativo sobre o que ele considera «crime». Presume-se que fala em nome de Deus como se este tivesse direito de voto e de veto nos países democráticos.

Como pode um Papa, ditador vitalício, intrometer-se na vida interna das democracias e soltar o exército de bispos, padres e diáconos contra o sufrágio livremente expresso?

O Estado português não controla a qualidade das hóstias, não analisa a água benta, nem legisla sobre o valor das orações e indulgências para a salvação das almas. No entanto, os celibatários reunidos na CEP negam à mulher quaisquer direitos e querem substituir o direito penal pelo direito canónico.

Compreende-se o gozo que dá às reverendíssimas criaturas ver as mulheres condenadas à prisão, a excitação erótica de as saber escutadas nos seus telefonemas, o delírio psicopata de obrigar o Estado a guardar-lhes as barrigas, enfim, a pequena desforra dos autos-de-fé de que os privaram.

O resultado do escrutínio, seja ele qual for, é assunto de portugueses, não é matéria que esteja ao arbítrio das sotainas, uma decisão que possamos tolerar aos agentes infiltrados do Sapatinhos Vermelhos.

13 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

Terrorismo religioso

O terrorismo violento e persistente, que torna reféns as democracias, ameaça a liberdade e compromete os direitos individuais, tem a marca genética da religião, inspira-se nos livros sagrados e é acirrada pelo clero.

A mais ameaçadora das taras é o proselitismo.

A evangelização cristã foi a desgraça que levou a tortura, a humilhação e o genocídio aos povos que submetia à obediência papal. Livrou-nos da tragédia o laicismo e a progressiva secularização das sociedades apesar da nostalgia da Cúria romana e do azedume do clero.

Hoje, criam-se bandos de fanáticos em países que não reconhecem os direitos humanos, a igualdade dos sexos e a modernidade. São países dominados por clérigos, que manipulam os crentes, instilam o ódio nas crianças e condicionam a opinião pública.

As democracias, em vez de exigirem o respeito pelos direitos humanos, fizeram negócios milionários com os cleptocratas beatos e ignoraram a violência e os crimes em nome de um Deus cruel e apocalíptico.

As teocracias têm legiões de suicidas dementes, ansiosos por destruir a civilização e pôr em risco a sobrevivência da Humanidade, confiantes no prémio de 70 virgens e rios de mel em que o delírio místico os faz acreditar.

Em nome da liberdade religiosa, aceita-se o Corão e os clérigos que o debitam e sonham com um califado mundial, sob os auspícios do Profeta Maomé e desenvolve-se o racismo contra os árabes, como se fossem criminosos, sem punir os responsáveis pelas madraças onde se recrutam e formam os suicidas assassinos.

Se os cristãos levassem a sério a Bíblia e os padres prometessem o Paraíso a troco do seu cumprimento, permitiríamos a catequese e homilias que incitassem ao crime, ao racismo, à xenofobia e ao anti-semitismo, para que alguns trogloditas ganhassem o Paraíso?

É preciso alterar a estratégia no combate ao terrorismo que tem a assinatura de Deus. Os crentes são as vítimas dos sacerdotes. A origem dos crimes está nos livros sagrados e no clero que os debita.

Os democratas têm o dever indeclinável de combater ideologias totalitárias e o clero que as promove. Os crimes de uma religião não se previnem com a violência de outra, anulam-se com a laicidade e o secularismo.

9 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

A hipocrisia de Bento 16

B16, inveterado celibatário, incapaz de permitir a interrupção voluntária do celibato ao clero, é adversário feroz do divórcio. Não se estranha, pois, que apele aos bispos para manterem «a unidade e unanimidade» sobre princípios que quer impor à humanidade.

O último teocrata europeu é incapaz de aceitar a liberdade individual e de respeitar o pluralismo. Quem desconhece o casamento, que nega a si próprio e ao imenso exército de sotainas e hábitos que escondem a clericanalha, como pode compreender o divórcio?

E quanto ao aborto? Que leva um autocrata, misógino e intolerante, a querer na cadeia as mulheres que, voluntariamente, interrompam a gravidez? Um cínico, dirá que o Papa quer proteger os fetos para matar pessoas, lembrado dos assassínios da ICAR, ao longo dos séculos.

Quanto aos casamentos homossexuais, ninguém lhe pede a bênção, apenas se lhe pede que não interfira nas decisões individuais e que, como guardião da moral, que julga ser, diga qual é a sua opção sexual, a menos que seja sexualmente neutro.

Se a hipocrisia matasse ninguém aceitava o lugar de Papa.

3 de Novembro, 2006 Carlos Esperança

Interrupção voluntária da gravidez

Não sei que razões ponderosas terão levado uma operária de Aveiro a interromper a gravidez e a sujeitar-se a uma curetagem, quiçá com medo de perder o emprego ou, com ele já perdido, receando não poder criar mais um filho.

Foi uma boa acção? – Certamente que não. Também o adultério é um acto perverso e já deixou de ser crime. Também o divórcio é um passo cruel, tantas vezes indesculpável, e não conduz ao cárcere. Também um processo judicial que prescreve, por incúria, é uma ofensa à Justiça e um atropelo aos cidadãos e ninguém é punido.

O que terá levado a PJ e o Ministério Público a perseguirem aquela operária de Aveiro enquanto na costa se descarregava droga? Quem deliberou devassar-lhe a intimidade e obrigá-la ao exame ginecológico enquanto se escolhiam árbitros para jogos de futebol do fim-de-semana seguinte? Quem estabeleceu a prioridade do crime a perseguir?

Aquela operária, com o corpo e a alma doridos, ia de motorizada com o companheiro. Gozasse o conforto de um Mercedes e condutor privativo e ninguém a teria detido. Na Maia, em Setúbal e em Aveiro eram mulheres pobres as que foram julgadas.

A pobreza é mera coincidência. E uma parteira foi presa por tráfico de estupefacientes porque, em vez de minorar as dores, era a sangue frio que devia ter punido as pecadoras.

Perante o crime de mulheres que interrompem a gravidez, porque o feto que trazem no útero é um futuro filho indesejado, não sou capaz de exigir a sua prisão.

Mas, se houver quem as queira prender, se a maioria entender que as mulheres servem apenas para parir e sofrer, tratar da casa e atender o marido, cuidar dos filhos e recusar o prazer, então negam-lhes o direito de ser irmãs, mães, companheiras, filhas e camaradas.

Mas não é num mundo misógino, beato e intolerante que me apraz viver.

30 de Outubro, 2006 Carlos Esperança

Nicarágua – Protectorado do Vaticano

O Parlamento da Nicarágua aprovou um projecto de lei que proíbe o aborto terapêutico.

Interrompe-se, assim, um acto que, por indicação médica, se praticava legalmente há mais de um século.

A medida, instigada pela Igreja Católica, está a levantar um coro de protestos, mas fica a ideia de que, quando a correlação de forças lhe é favorável, a Igreja impõe às mulheres a obrigação de parir, ainda que no ventre esteja um ser com deformidades incompatíveis com a vida, um feto com espinha bífida ou mongolóide.

Nem mesmo o perigo de vida da mulher demove os padres, que jamais serão mães.

Depois acusam de jacobinismo os que, conhecendo a felicidade de ser pai ou mãe, não querem que se persigam as mulheres que não têm resistência psicológica para suportar uma gravidez indesejada.

A maldade humana está onde menos se espera. Este retrocesso legislativo é uma afronta às mulheres de todo o mundo.

A clericanalha não dá tréguas.

29 de Outubro, 2006 Carlos Esperança

O clero e o perigo da confissão

Deus anda arredio da moral dos padres e só com muita devoção se pode acreditar que a Igreja católica é a sua Igreja. Deus fica indiferente às crianças abusadas e aos discursos compungidos do Papa.

Se alguém acredita no valor dos sacramentos aí estão as patifarias, que os recalcamentos sexuais exacerbam, a desmenti-los. De nada valem a água benta, o incenso e as orações. Os padres, vítimas do celibato que o Vaticano lhes impõe e do cio que os acicata para as maiores torpezas, não chamam a atenção para a bondade do seu Deus, atraem a atenção para as infâmias de si próprios.

Na Irlanda, um cristianíssimo país onde Santíssima Trindade infecta o preâmbulo da Constituição, os padres católicos colocam mal a ICAR. Podiam tomar como amantes os colegas, ter um bispo por conta ou um cónego privativo mas são as crianças as vítimas dos seus incontroláveis desvarios.

O pior de tudo são as confissões, um mundo de silêncios e cumplicidades, onde o clero se esquece do breviário e acende o fogo que o devora e conduz para as relaxações que envergonham a Igreja e aguardam o julgamento dos tribunais.

Era melhor que se casassem.