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Carlos Esperança

1 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

A mentira das religiões

Quando Deus ordenou a Abraão para lhe sacrificar o filho, o estúpido preparava-se para obedecer ao monstro que trazia em si. Valeu a Isaac que o pai, demente e subserviente a Deus, acabou por vê-lo substituído por outro animal que a cegueira mística projectou no altar do sacrifício.

Pois bem, é desse tresloucado que as religiões do livro se reclamam herdeiras, do louco capaz de sacrificar o filho por uma ilusão, predisposto a derramar o sangue do inocente para obedecer à vontade de um patife imaginado.

Foi o Deus que, no Monte Sinai, havia de obrigar Moisés a descalçar-se antes de revelar a sua vontade e ditar-lhe o futuro da humanidade, em data cuja falsificação é hoje uma evidência, e sentenças que só os doidos acolheriam. Mas o negócio à volta dos livrinhos sagrados originou falsificações ainda mais grosseiras e a perpetuação de Deus.

Neste fim de ano de 2006, em Meca, mais de três milhões de intoxicados do Corão prestam homenagem ao profeta Maomé, um rude pastor de camelos que tinha a mania de falar com Deus. Ainda hoje há desses indivíduos, desde a presidência de grandes nações até – o mais frequente -, aos serviços de psiquiatria. Têm em comum falar com Deus.

Aliás, não é monopólio de uma religião o curto-circuito dos neurónios dos crentes. Uns odeiam o porco porque o profeta, que não era um modelo de asseio, embirrou com o bicho; outros não usam preservativo porque o almocreve de Deus o condena na teologia do látex; muitos fazem jejum; quase todos viajam de joelhos e viram o rabo em sentido contrário ao altar onde julgam que está o Deus que dizem ser omnipresente.

Os muçulmanos não podem urinar virados para Meca; os católicos não podem defecar no Papa; todos temem os padres e fingem que acreditam em deus.

A religião é a latrina da fé onde os homens perdem o senso e ganham medos, onde a razão dá lugar à superstição e a dignidade se submete ao medo.

31 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

Os Homens e Deus

Quando os homens inventaram Deus, fizeram-no à sua imagem e semelhança, com os defeitos potenciados pelo medo e ignorância, cruel como os tempos rudes da infância da humanidade onde a sobrevivência era dura e dominavam os instintos primários.

Não podiam, pois, os trogloditas fazer obra asseada, mas ainda assim criaram deuses que tinham a beleza, a graça e o amor como paradigma. Foi o monoteísmo a inventar o Deus apocalíptico, cruel, vingativo e único, que persegue os homólogos e a combate a concorrência a ferro e o fogo.

Foi deste déspota pouco recomendável que se apoderaram os clérigos organizando uma batalha sem tréguas para exercerem o poder e manobrar os crentes. Hoje são legiões de funcionários de Deus que exibem vestes talares, angariam crentes, fanatizam povos e põem a humanidade de joelhos e de rastos.

Inventaram a Tora e fizeram plágios para diversificar o produto e terem pretexto para se guerrearem, perseguirem e matarem. Das religiões monoteístas é difícil escolher a pior. Apenas se moderam pela laicidade do Estado e secularização das sociedades.

30 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

A execução de Saddam

Os ateus repudiam a pena de morte.

A crueldade é apanágio dos crentes.
30 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

O referendo e a IVG

O referendo que aí vem não se destina a aprovar a IVG, pretende apenas descriminalizar o acto. A eventual vitória do SIM não incentiva ou promove o recurso à IVG, apenas modifica a lei, a fim de evitar que as mulheres sejam empurradas para a clandestinidade do vão de escada, com risco da própria vida e de perseguições policiais.

Ninguém encara levianamente um problema cujas repercussões físicas, e psicológicas são especialmente gravosas para quem vive o desespero de uma gravidez indesejada ou impossível.

Curiosamente são sempre as portuguesas pobres que se sujeitam ao vexame dos exames ginecológicos impostos, que vêem a sua vida íntima devassada, que suportam a desonra do julgamento e conhecem as agruras do cárcere. As ricas resolvem o problema e os pruridos éticos no intervalo das compras em Badajoz ou Londres.

O que está em causa não é a posição ética sobre a interrupção voluntária da gravidez, até às dez semanas, é saber quem renuncia, ou não, à perseguição das mulheres, quem quer vê-las na cadeia, quem pretende juntar ao trauma da IVG a punição da enxovia.

O divórcio era proibido há trinta anos, Camilo esteve preso por adultério e, no entanto, as sociedades modernas souberam distinguir o crime do pecado, o direito canónico do Código Penal e separar as convicções pessoais do ordenamento jurídico.

No dia do referendo vou votar SIM. Para que o aborto clandestino deixe de ser a chaga actual. Para que se resolva um problema que aflige milhares de mulheres. Para que as pobres não sejam ainda mais infelizes. Para que nenhuma mulher seja presa pela minha incúria em abster-me. Para não sentir vergonha quando souber que a mulher que se ia esvaindo em sangue acabou a fazer a convalescença na prisão.

29 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

O Natal e o comércio

O Natal está para os negócios como a Primavera para as sementeiras. É o tempo de arrotear e adubar os terrenos para semear a fé, a altura propícia para atrair indiferentes à recreação litúrgica e ao rebanho dos fiéis.

Sai uma missa cantada para o cavalheiro que troca a casa de alterne pela ida ao templo, uma confissão bem feita para a jovem que se excedeu nas carícias ao namorado com quem rompeu e exibe-se o presépio a quem desistiu da ida à discoteca.

Os padres não têm mãos a medir: remexem a vida íntima dos penitentes que ousam a confissão, abençoam os fracos que se ajoelham, borrifam de água benta os clientes que aturam a homilia e impregnam de incenso os que se demoram na igreja.

Não há tempo para o breviário, é altura de despachar as hóstias que criavam mofo, de animar os incautos a cantar hossanas ao patrão e dar o óbolo aos empregados, enquanto agitam o turíbulo e incitam os fregueses a atacar o cantochão.

O Natal é uma festa para todos. Das pastelarias saem bolos recheados de creme, das lojas embrulhos para todos os gostos e das igrejas bênçãos para todas as carências.

Na febre do consumo secam pias de água benta à entrada dos templos, esgotam as velas no supermercado, fazem fila os crédulos a caminho do confessionário, viajam de joelhos os beatos, em direcção ao altar, e até os padres fingem acreditar em Deus.

Passada a euforia, voltam os penitentes aos pecados do dia-a-dia, regressam os padres à ociosidade e ao breviário, encostam-se os bispos ao báculo com as orelhas debaixo da mitra e o Papa continua a uivar contra o preservativo e as uniões de facto, a vociferar contra os casamentos dos homossexuais e o divórcio e a querer queimar mulheres que interrompem a gravidez.

Depois do Natal, arrumam-se cálices e patenas, despejam-se turíbulos, põe-se naftalina nos paramentos, desmancham-se os presépios e guardam-se os animais na sacristia com o Menino, a Virgem, o acompanhante, os reis magos e os adereços que hão-de servir para o ano que vier.

Depois de empanturrarem os crentes no divino, os padres aguardam uma nova onda de piedade para voltar ao proselitismo. Mantêm os fregueses habituais que servem de lastro para aguentar abertos os templos.

27 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

O Natal e o marketing

Da escalada de proselitismo contra a secularização do Natal fica o azedume de Bento 16, as diatribes das homilias, em missas com fregueses de ocasião, e a ruminação beata de alguns jornalistas avençados.

A ICAR, que confiscou a festa que precedeu o mito cristão, quer agora registar a marca e vender um cadáver coroado de espinhos como único pretexto genuíno dos desmandos gastronómicos do solstício de Inverno.

Ninguém é contra o Natal. Apenas a Igreja católica é contra as celebrações profanas do solstício e afadiga-se a confiscar o espaço público para expor a estrela da Companhia – o Cristo -, acompanhado da virgem que o pariu, do inocente pai, da vaca, do burro, dos reis magos e de outros animais que compõem o parque zoológico do presépio.

A prova de que o Natal é popular está na ostentação com que os autarcas de todo o País enchem de luzes, que apagam e acendem, os votos de «Feliz Natal», inúmeras Virgens de cores variadas e os milhares de Meninos Jesus que dormem em berços de lâmpadas com estrelas a vigiar o sono.

Vale-nos a mentira milenar e a encenação para que o Menino não corra o risco de ser electrocutado pelo desvelo beato dos vendedores de ilusões. Pior sorte têm os operários que fazem as decorações. No meu bairro, o electricista que procedia às decorações natalícias caiu da escada e foi hospitalizado. É falsa a religião. Assim o fosse a lei da gravidade.

26 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

JESUS CRISTO NUNCA EXISTIU

O feriado do Natal é o mais importante e disparatado feriado religioso que existe.

Do «25 de Dezembro» dimana a outra pequena colecção de feriados, que compõem o ramalhete antilaico de feriados religiosos, que, por serem afectos a uma religião, é assunto privado e, como tal, deveria ser insusceptível de abranger toda a comunidade de cidadãos, de vivências pluralistas de filosofias de vida e religiosas, num Estado que deverá ser sempre neutral em matéria religiosa e, como tal, deverá estar isento de feriados religiosos.

Natal significa nascimento. Concretamente, «nascimento de Jesus».

1- Mas, consultando a Bíblia, não se lobriga nada de datas sobre o nascimento de tal “divindade”.
Como é que um livro, o Novo Testamento, que se propõe celebrar e divulgar a vida e obra duma figura que, a ter existido, seria uma personalidade ímpar na História, não menciona a data do seu nascimento (como se um «deus» pudesse nascer?), embora diga que ele nasceu, nem a da sua morte (como se um «deus» pudesse morrer?), embora diga que ele morreu!!! ?

2- Além de não referir, nem data de nascimento nem de falecimento, a Bíblia apresenta duas genealogias de «Jesus» totalmente diferentes: Mateus 1,1-16 e Lucas 3, 23-38. Como é possível um livro “sagrado”, isto é, inspirado por «deus», isto é, infalível, apresentar tão desaustinadas genealogias!!!

Enfim, não é pela Bíblia que se demonstra a existência de “Jesus”?

3- O nascimento de «Jesus» anunciou-se, astronomicamente, por uma estrela oriental, provavelmente a conjunção tripla de Marte, Júpiter e Saturno, na constelação Peixes (daí talvez o motivo da utilização dos peixes como símbolo dos primitivos cristãos), que ocorreu no ano 6 a.c., e ocorre de 139 em 139 anos, e por um trio de “magos”, portadores de perfumes, ouro e mirra, tal-qualmente o mito persa de Mitra?

4- “Jesus” nasce numa estrebaria, parido duma «virgem Maria», (aquecido com o bafo vacum?), tal como o deus persa, Mitra, também chamado “senhor”, nasceu numa gruta, parido duma virgem?

5- “Jesus” nasceu em 25 de Dezembro, dia do solstício invernal de antanho, tal como Mitra?

6- O signo zodiacal da constelação chamada Virgem, na representação pictórica dos caldeus, é representado por uma mulher, «virgem», tendo ao colo um menino, tal como uma das representações pictóricas cristãs?

7- «Jesus» morre no equinócio da Primavera, tal como Mitra?

8- “Jesus ressuscitou”, uns dias após a “morte”, tal como Mitra?
Neste culto, os seus sacerdotes acendiam o círio sagrado (pascal), ungindo de perfumes a imagem de Mitra, e um dos pontífices declarava solenemente a ressurreição desse deus, tal-qualmente o ressurrecto «Jesus»?

9- Tal como o cristianismo, o mitraísmo assenta a sua doutrina da fé numa infracção primitiva (o “pecado original” cristão?) e na luta entre o Bem e o Mal?
Mitra também subiu ao céu, após a última refeição tomada na companhia dos seus apóstolos?
Também instituiu sacramentos e sacrifícios, como o tauróbolo, degolação dum touro, com derrame do sangue por cima do sacerdote (vi essa cena espectacular num filme sobre os romanos). Os cristãos preferiram o sacrifício do «cordeiro de deus» («agnus dei»).

10 – Os mitraístas também comungavam sob as duas espécies, pão e vinho, e ensinavam que, após a morte, cada pessoa era julgada, apartando-se os justos para junto de Mitra (vá-se lá saber para quê!…) e os injustos eram remetidos para o inferno, torturados pelos demónios.
No «fim do mundo», ressuscitar-se-iam as criaturas todas, para um julgamento definitivo: os justos beberiam o elixir da imortalidade e os injustos seriam aniquilados?

11- O domingo também era o dia de repouso dos mitraístas, tal como os cristãos?
– embora o judaísmo, donde descende directamente o cristianismo, adoptasse o sábado?

12- Os religionários de Mitra, para se distinguirem dos outros, tatuavam uma cruz na testa assim como os primitivos cristãos.
A cruz é um símbolo estilizado duma primitiva técnica de produzir fogo, pelo cruzamento de 2 ramos. Esta estilização remonta à mitologia ariana e védica dos hindus, cuja cruz, a suástica, apresentava-se com ramos angulosos, dando uma ideia do disco solar. Tal entrelaçamento de ramos também é uma simulação estilizada duma relação sexual e do concomitante ritual de fecundidade, típico das religiões primitivas.
Enfim, sol-cruz-fogo, o mito solar em todo o seu esplendor!

13- E como as religiões orientais têm semelhanças promíscuas e diacrónicas, tais mitologias remontam aos tempos de Osíris, no Egipto, e de Jezeus Christna, na Índia.

14- O dia 25 de Dezembro, como suposta data de nascimento do «Jesus», foi fixado em 320, pelo papa Silvestre, sob domínio de Constantino, pois que antes, as datas de tal nascimento tinham uma geometria variável, conforme as concepções e interpretações vigentes.
No início do séc. III festejava-se em 20 de Maio, mas também houve calendários que apontavam para 28 de Março.
25 de Dezembro era o dia pagão em que se celebrava o nascimento de Mitra, festividade oficial do império, instituída pelo imperador Aureliano, no ano de 275.
Foi só mudar Mitra para Jesus – e em menos de um século a coisa ficou entranhada!

15- Se a festa comemorativa do nascimento de «Cristo» tem uma data fixa, por que é que a data da sua “ressurreição” é variável, podendo calhar entre 22 de Março e 25 de Abril, conforme o ciclo lunar!!!
Mais uma razão para a incongruência de tal festividade.
Dionísio, o Exíguo, frade de finais do séc. V e princípios do VI, fixou o suposto nascimento de «Jesus» no dia 25 de Dezembro do ano de 753 da fundação de Roma, atribuindo-se ao ano 754 o ano 1 do calendário cristão.
Assim determinou o imperador Justiniano.
Mas isto só foi adoptado a pouco e pouco pelos diversos países.
A Igreja só adoptou o calendário a.c./d.c., em 968, no tempo do papa João XIII…

16- Para concluir esta coisa extremamente desvairada que é o “25 de Dezembro”, resta esclarecer que o ano do suposto nascimento do “Jesus”, 753 da fundação de Roma, está errado. Pois que o tal frade que o fixou, Dionísio, o Exíguo, enganou-se no cômputo, dado que Herodes, o Grande, rei dos judeus, morreu em 4 a.c. (ano 749 de Roma), e o tal «Jesus» nasceu no reinado de Herodes, a que alude a Bíblia, em Mateus 2,16, no episódio do massacre das criancinhas abaixo de 2 anos.
Portanto, «Jesus Cristo» nasceu entre 6 (também há quem admita 7) e 4 a.c. e, como substituto virtual do Mitra, em 25 de Dezembro.
Ao que isto chegou!…
Daí o disparate deste feriado religioso!

17- «Dominus Invictus», isto é, «Senhor Invencível» era o nome latino e pagão do culto solar pré-cristão, introduzido no império romano pelas andanças, na Pérsia, das legiões conquistadoras. Sol identificado por «dominus», o ?senhor?.
Era o culto de Mitra, personificado numa figura masculina, representada com um halo (disco solar) atrás da cabeça, culto esse que inspirou fortemente o cristianismo.
Por isso é que a cópia cristã do Mitra, a conhecida personagem bíblica «Jesus Cristo», também teve, ao longo da História e até hoje, uma representação pictórica com um halo, reminiscência do círculo luminoso evocativo do Sol e do velho culto solar mitraísta.
Por isso, é que também tal «Jesus» é designado por «Senhor», em latim, «dominus», referência solar mitológica.
E a decorrência imitativa cristã é tanta, a partir do mitraísmo, que até copiaram os pinheirinhos decorados com bolinhas representativas do sol, no presépio, celebração com que os religionários de Mitra evocavam o ?dominus invictus?, isto é, o sol e a insolação, no seu momento de menor duração anual, solstício de Dezembro, e o início da crescente insolação diária.
É essa insolação decrescente, que termina, e o início da crescente, que marca precisamente a celebração do ?dominus invictus?, do sol que esteve a diminuir durante meses, mas que afinal é invencível e regressa sempre em força crescente. (Até um dia?)

E os cristãos devotos e hodiernos, com os seus símbolos e representações pictóricas, a pensarem que são uma religião original!
Plagiadores de pacotilha!

18- Portanto,«Jesus Cristo» nunca existiu, como espero ter demonstrado.

19 – Mas estas semelhanças das religiões orientais, entre as quais, o cristianismo, têm muito mais que se lhe diga.
Contudo, não se pense que há resposta para todas as interrogações sobre o cristianismo. Este, ao triunfar no império romano e na Idade Média destruiu muitos documentos e opositores, susceptíveis de gerarem o contraditório e esclarecer muita coisa que falta esclarecer?
A origem do cristianismo é a matéria mais complexa da História e é o assunto do meu máximo interesse e estudo.

João Pedro Moura