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Carlos Esperança

7 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Correio dos leitores

Nos dias que correm (início de Maio de qualquer ano desde 1917), muitos são os papa-hóstias que se dirigem à pequena cidade de Fátima, em forma de agradecimento à virgem que deu à luz.

Milhares de pessoas fazem-se à estrada a pé, em peregrinação, como forma de provar à sua senhora (nossa não é certamente, que eu não a quero para nada), uma fidelidade doentia e obsessiva.

A mente de um crente acha que tem que estar agradecido a uma entidade sobrenatural pelo que se passa de bom na sua vida. Mas para aqueles que vivem na realidade, a verdade é bem diferente.

As pessoas deviam era agradecer à ciência e tecnologia tudo o que de bom lhes acontece. Senão vejamos:

– Teve um acidente de carro e sobreviveu sem grandes sequelas? Agradeça à evolução constante da tecnologia de segurança automóvel.

– Tem comida na mesa e está grato? Agradeça aos nossos antepassados que inventaram e desenvolveram a agricultura, pecuária, pesca, etc. Todas elas são tecnologias e que ainda hoje são melhoradas.

– Estava doente e foi curado? Agradeça à medicina.

– Estava doente com uma doença terminal mas entrou em remissão e ficou bom? Agradeça ao facto da ciência moderna ainda não saber tudo, pois qualquer falta de explicação científica é uma boa oportunidade para achar que foi intervenção divina.

Etc, etc…

Quantos peregrinos não morreram até hoje atropelados a caminho de Fátima? Provavelmente nesses casos a culpa já é atribuída à falta de civismo dos condutores portugueses, e não à vontade da virgem que os devia estar a proteger enquanto são pastoreados que nem ovelhas até Fátima.

a) João Brandão

6 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A Igreja católica cheira as desgraças

O desaparecimento da inglesinha
Três dias depois do desaparecimento da menina inglesa, Madeleine, de um apartamento na praia da Luz, em Lagos, a polícia portuguesa prossegue as buscas.

O desaparecimento de Madeleine, de três anos, possivelmente raptada, é motivo de alarme e merece a preocupação e solidariedade de todos.

Fazer da tragédia da criança e da desolação dos pais um circo místico com a montagem de um número pio, com a inclusão do terço, é um acto vil de utilização da fragilidade humana.

As religiões são assim. A cada patifaria da sorte, em vez de execrarem a incúria divina, pedem ao mito a ajuda que não tem, o milagre que não pode.

Nem a criança desapareceu por vontade de Deus nem aparecerá por remorso dele. São vãs as orações e, quanto à ansiedade dos pais, faz mais um calmante do que uma novena e para a descoberta do eventual criminoso é mais útil um cão bem treinado do que a Senhora de Fátima.

As orações são inutilidades que os crentes debitam e os padres aproveitam para proselitismo. Nenhum clérigo com alta de um hospício acredita que Deus se meta na investigação policial ou estimule o faro dos cães que procuram a criança desaparecida.

Vale mais o nariz de um cão treinado do que o Deus gasto por séculos de mentiras e insucessos.

O mundo gira sem interferência de Deus. É cruel confiscar a dor dos pais para promover a fé e usar o desespero para uma operação de marketing religioso. Fazê-lo é uma atitude rasteira de quem substitui a razão pela fé e a solidariedade pela genuflexão.

Uma bruxa não faria melhor.

6 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fazer a maratona sem sair de casa

Próxima Peregrinação de Carlos Gil

Caminho de Lisboa – Fátima16 de Julho de 2007

1º dia – Cascais – Lisboa
2º dia – Lisboa – Vila Franca de Xira
3º dia – Vila Franca de Xira – Azambuja
4º dia – Azambuja – Santarém
5º dia – Santarém – Monsanto
6º dia – Monsanto – Santuário de Fátima
7º dia – Cumprimento das promessas e presença nas comemorações

Por 2500 euros cumpre promessas de peregrinos de qualquer parte do mundo.
a) 1atento (leitor do DA)

6 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Papa lembra ligação a Fátima

Todos conhecemos a ligação do Vaticano a Fátima. É um rio de dinheiro que nasce na Cova da Iria e desagua no Vaticano, um caminho de sofrimento que produz chagas nos joelhos e não tem saída para o Céu.

Quem fez de Fátima um anjódromo e de uma azinheira um local para aterrarem virgens também inventou as cambalhotas do Sol e embruteceu as três inocentes criancinhas que preferiram a catequese à escola e a oração à leitura.

Fátima não é apenas um embuste para aliviar as magras carteiras dos simples e espoliar o ouro dos desesperados, é o epicentro de uma montagem clerical contra a República e, por extensão, contra o comunismo.

Em 1917, o país rural com soldados em França, infestado de padres trauliteiros e bispos miguelistas, era o húmus ideal para plantar virgens e fazer ralis de anjos. O terço era a ocupação dos supersticiosos para aplacar a ira de um Deus troglodita que precisava de padres-nossos e ave-marias para livrar as pessoas do comunismo e do Inferno.

Os parasitas de Deus andavam possessos com a lei da separação da Igreja e do Estado, com o registo civil obrigatório e o divórcio. O mercado das hóstias começou a entrar em crise e o ódio dos retalhistas a subir em flecha. Só aliviaram com a ditadura salazarista.

Diz B16 que «muitos foram os fiéis que acorreram à Cova da Iria para pedir a protecção de Nossa Senhora nas suas dificuldades». Isso é verdade, mas não há a menor suspeita de qualquer milagre e há a certeza de dezenas de atropelamentos mortais nas estradas antes de chegarem a Fátima e não há o menor indício de que fosse essa a graça pedida.

5 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Santos & Beatos, S. A.

JP2 fez santos como o abade de Trancoso fazia filhos, embora de forma diferente.

Em 26 anos de pontificado beatificou 1.345 bem-aventurados. Dos 800 santos da Igreja Católica, 483 são do período do papa polaco. Ele sozinho canonizou mais do que todos os outros papas juntos nos últimos 400 anos.

B16 pode não acreditar em Deus, mas conhece o negócio e mantém a fábrica de santos a laborar no mesmo ritmo. Um cardeal português, com ar de cavador, apronta atestados de milagres que saciam a fome da Renovação Carismática, Opus Dei, Regnum Christi e doutros grupos pios que sustentam o Vaticano e fazem o marketing da cruz.

Se Cristo tivesse sido decapitado o símbolo da devoção seria uma cimitarra, objecto que adornaria o pescoço dos beatos e viajaria em ouro no vale de ilustres peitos lusitanos e de outras devotas espalhadas pelo mundo e pelas sacristias.

Os santos são cadáveres exumados pela superstição dos fiéis e a ganância do Vaticano, ícones para exibir em dias de festa nas igrejas rurais que ficam o resto do ano a apanhar fungos, teias de aranha e pó.

O negócio da fé é uma burla que goza de protecção legal. A criação de santos é um embuste cujo alvará pertence ao Papa e que rende grossos cabedais à Cúria romana. A Igreja é a casa de alterne que serve indulgências a troco de esmolas.

4 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Quem é terrorista?

O Vaticano define como terrorismo as críticas ao Papa e como defesa de princípios o terrorismo eclesiástico.

O artista Andrea Rivera criticou a Igreja Católica por ter negado enterro religioso a Piergiorgio Welby, o tetraplégico que foi objecto de eutanásia em Dezembro de 2006 e «L’Osservatore Romano», pasquim impregnado de água benta e com cheiro a incenso, ataca o autor da crítica.

É verdade que as cerimónias religiosas e as violas não fazem falta nos enterros, mas a liberdade de expressão, por muito que custe ao bando da sotaina, é um direito adquirido.

A ICAR faz terrorismo ao acirrar ódios em Espanha, fabricando milhares de santos dos mortos que apoiaram Franco contra os republicanos na guerra civil; faz terrorismo ao impedir o aborto de um feto anencéfalo a uma jovem irlandesa de 17 anos; é terrorista quando larga os bispos na via pública com mitras e báculos à frente das manifestações contra Zapatero; é terrorista quando impede o divórcio em Malta e o aborto na Irlanda.

A ICAR só não queima hereges porque lhe tiraram a lenha. Mas ainda se baba de gozo com as chagas dos supersticiosos que viajam de joelhos em Fátima ou com os pobres diabos que se crucificam nas Filipinas.

O último Estado totalitário e teocrático da Europa não tem o direito de chamar aos outros o que é da sua tradição e ambição.

4 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Deus é doido

(Clique para aumentar a imagem e a indignação)

Os ayatollahs que mandaram cortar as mamas aos manequins das lojas iranianas ficaram perturbados com o beijo de Ahmadinejad na luva da sua professora primária.

Uma provocação erótica que deixa Maomé encolerizado.
4 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Deus é doido (2)

(Clique para aumentar a imagem e a indignação)
Fonte: Público, hoje.