27 de Julho, 2007 Carlos Esperança
Espanha é um país laico
O Tribunal de Canárias condena os bispos por investigarem a vida privada de uma professora de religião.
Em Portugal, haveria coragem?
O Tribunal de Canárias condena os bispos por investigarem a vida privada de uma professora de religião.
Em Portugal, haveria coragem?
O Paquistão conta com mais de 10.0000 madraças onde os alunos aprendem apenas a doutrina do Corão.
É assim que se fanatizam as crianças com a doutrinação exclusiva do que dizem ser a vontade do profeta. Em vez de técnicos, que faltam ao país, os jovens mais pobres só aprendem a rezar.
E, mais tarde, a matar e a morrer em nome de uma fé anacrónica e assassina.
Esta é a diferença entre a catequese e o ensino, ente uma madraça e a escola laica.
DA/Ponte Europa
A benevolência para com as conspirações religiosas estão na origem do atrevimento dos crentes que querem ajoelhar o mundo aos pés do único Deus – o seu – e do proselitismo que alastra como uma mancha de óleo.
Sabemos como é difícil vigiar mesquitas quando se tem medo de vigiar igrejas católicas onde os sermões terroristas dos padres ameaçam com o inferno os crentes que votam de forma diferente da vontade do Papa e da alegada vontade de Deus, ou os que incitam, por exemplo, a assassinar médicos que interrompem uma gravidez indesejada.
A prevenção dos crimes não pode estar sujeita à subserviência ao clero nem ao temor de Deus.
A paz tem de ser defendida mesmo contra o clero. Sobretudo contra Deus.
A Associação Académica de Coimbra, que já teve a melhor equipa nacional da modalidade, pouco confiante no mérito dos actuais jogadores e do treinador, virou-se para o santuário de Fátima.
Assim, recentemente, um director da secção de rugby levou a Fátima a respectiva bandeira na esperança de que a Senhora de Fátima, certamente praticante da modalidade, passe a favorecer a equipa e a prejudicar as dos adversários.
Alguns atletas confiam mais nas suas capacidades do que na intercessão da Virgem. Até o árbitro é capaz de ter mais influência, mas o ridículo já chegou à Secção de Rugby da AAC, pelo menos a um dos pios directores.
A partir de agora os resultados serão brilhantes ou a senhora de Fátima fica mal vista e o director beato deve trocar as funções com as de mordomo das festas da Rainha Santa.
Há nas religiões uma filosofia que envergonha as pessoas de rectas intenções e nobres ideias.
Comecemos por este estranho hábito de viajar de joelhos ou de rastejar, como fazem os subservientes ou os répteis, para agradarem a um Deus que os homens criaram e os padres exploram. Haverá algo mais deprimente do que dobrar a coluna para pedir a Deus um favor, uma injustiça ou uma arbitrariedade?
Às vezes recordo a excelente conferência do Casino, de Antero de Quental: «Causas da Decadência dos Povos Peninsulares» e verifico como se mantém actual a acusação ao catolicismo romano. E compreendo melhor como a demência do Islão conduz os povos que oprime à miséria, ao desespero e à oração.
Quem, de mente sã, esfola os joelhos e balbucia orações para que Deus mande chuva ou cure uma doença para a qual o estado da arte médica não encontra solução? Quem é capaz de subornar um santo com uma esmola, uma bilha de azeite ou um pagamento em numerário, para interceder junto de Deus para um benefício qualquer, não é uma pessoa honesta ou os padres deram-lhe volta ao miolo.
Há no catolicismo esta mentalidade rural de que tudo se compra, todos são venais, o que é preciso é untar as mãos de quem tem poder. O que surpreende é ser Deus o malfeitor capaz de se corromper, de favorecer um cábula, de curar um doente, quando devia curar toda a gente ou, melhor, impedir que alguém adoecesse.
Deus não é uma invenção simpática, é uma ideia perigosa capaz de induzir a corrupção, a mentira, a fé e a guerra. E os promotores de Deus, que o exploram e vendem junto dos simples, são os responsáveis pelo atraso, a superstição e a mentira que arrasta multidões de crentes para manifestações de ódio, actos de vingança, terrorismo e guerras.
As religiões, quando têm força, dominam a sociedade e sujeitam tudo e todos à cegueira do seu Deus. Os clérigos acendem fogueiras, instigam suicídios, apelam à guerra santa e fanatizam os crentes que ajudam a ensandecer desde tenra idade.
Se a civilização avança, a sociedade se democratiza e os Estados se tornam laicos, as religiões preferem que as combatam a que as desprezem. O clero das três religiões do livro só conhece a violência e, por isso, apenas se revê no papel de algoz ou de vítima.
O Diário Ateísta, no seu indeclinável dever de denunciar o obscurantismo e ridicularizar a fraude dos milagres, aparições e outras pias trapaças, acaba por beneficiar as religiões, em especial a católica, porque lhe cria a aura de mártir e perseguida. Ora, aqui não se persegue ninguém, apenas se defende o direito à liberdade para todas as correntes de pensamento, inclusive para as próprias crenças.
Claro que não deixamos de denunciar os crimes das diversas religiões contra a liberdade e a livre determinação individual, o seu horror à sexualidade, a sua hipocrisia moral e o apego a bens materiais. Mas isso serve à Igreja para se dizer perseguida enquanto mama na teta do erário público e se apropria de largas fatias da saúde, educação e assistência.
As Misericórdias são mealheiros por onde circulam dinheiros públicos com uma contabilidade em que o fiscal é o bispo da diocese. São “instituições ligadas à Igreja mas que funcionam como empresas e com contabilidade privada” – como denuncia o sociólogo das religiões Moisés do Espírito Santo.
Para a Igreja os lucros são para Deus e os prejuízos para os contribuintes. É através da consciência cívica e da pressão sobre o Estado que podemos minar a influência nefasta da religião e o ascendente eclesiástico sobre a sociedade.
O núncio apostólico em Espanha, Manuel Monteiro de Castro, acusa os meios de comunicação de serem particularmente cáusticos para com os escândalos sexuais da Igreja católica, nomeadamente a pedofilia.
Até é natural que o embaixador do Vaticano tenha razão, que a comunicação social seja mais agressiva para as agressões sexuais perpetradas por padres do que por padeiros, por exemplo, que um escândalo sexual de um bispo seja mais mediático do que o de um trabalhador da construção civil, que a violação de uma criança seja mais chocante por um monsenhor do que por um cavador alcoolizado.
O núncio não compreende, na sua santa ingenuidade, as várias razões que podem justificar tal comportamento:
– A importância social de que o clero católico goza em Espanha;
– Os inaceitáveis privilégios que reivindica;
– A presunção de que a grande educadora é a ICAR;
– A intolerância demente contra a homossexualidade, o divórcio, a contracepção e a sexualidade em geral;
– O passado de violência da ICAR na evangelização da América Latina (que o Papa disse pacífica);
– A violência cega e furiosa da Inquisição espanhola contra os judeus e todos os inimigos da fé;
– A cumplicidade com a ditadura de Franco e o vergonhoso silêncio perante os seus assassínios;
– A provocação permanente à democracia e as manifestações públicas contra o Governo legal;
– A gula com que pretende parasitar os cofres do Estado;
– A histeria com que pretende tornar universais os preconceitos morais católicos;
– O poder excessivo e obsceno de que goza na sociedade e no aparelho de Estado.
Eis algumas razões que justificam a atenção que lhe presta a comunicação social, atenção que não lhe faltou quando o actual Papa, em viagem política, visitou Espanha e a ICAR se preparava para fazer ajoelhar Zapatero numa missa a que a sua dignidade o impediu de assistir.
A Igreja Católica foi obrigada a pagar 660 milhões de dólares de indemnização às 500 vítimas de abusos sexuais cometidos por padres dos EUA. Os casos aconteceram ao longo dos últimos 60 anos na arquidiocese de Los Angeles (LA) na Califórnia. Esta é a maior indemnização alguma vez paga pela Igreja Católica.
Fonte: TVI
Comentário: O celibato é cada vez menos recomendável para o clero e, sobretudo, para as finanças diocesanas e para a integridade das vítimas.
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