Vêm por vagas. Saem desencabrestados das sacristias e entram no Diário Ateísta como solípedes em busca de ração e desatam aos pinotes por falta de cevada e alfarroba. Ora, o DA não é um órgão paroquial, o Cavaleiro da Imaculada ou outra qualquer publicação de louvores à Virgem e hinos ao fundador da seita.
Porque respeitamos a liberdade religiosa, não vamos aos blogues pios a debitar insultos, não comparecemos nas missas a interromper as homilias, não visitamos o Vaticano para insultar o último teocrata europeu. Temos o tino suficiente para respeitar os negócios da fé e deixar os crentes à mercê das sotainas.
Ora, na casa que é nossa, no espaço que portugueses e brasileiros mantêm como farol do livre-pensamento, é legítimo que advirtamos os incautos para as mentiras da religião e os vícios dos seus padres. Só crê no martírio de Deus quem quer e só se comove quem acredita na improvável existência de quem nunca fez prova de vida ou manifestou o mais leve interesse pelo destino da Humanidade.
Ultimamente, uma legião de mitómanos assaltou as caixas de comentários do DA para negar os crimes da sua Igreja e reabilitar os piores correligionários. Não lhes levamos a mal o proselitismo e a mitomania, apenas nos surpreende a facilidade com que mentem, a satisfação com que insultam, a ousadia com que põem os pés – todos – na casa alheia e vêm insultar, caluniar e ameaçar os ateus.
Ninguém nos acuse de parcialidade contra qualquer religião. Achamo-las todas falsas, todas perigosas, todas violentas, verdadeiros alfobres de evangelizadores capazes de recorrer à bomba para mostrarem a superioridade do seu Deus.
O que acontece com os crentes mais recentes é que já não disfarçam o ódio que lhes merece a democracia, o desprezo que nutrem pela liberdade, a aversão à modernidade e a simpatia pelos regimes autoritários e antidemocráticos.
Deus é, de facto, um veneno demasiado perigoso. Pior do que se existisse.
O Diário Ateísta nasceu em Novembro de 2003 e, após a fase experimental, passou a ter colaboração quotidiana desde Janeiro de 2004.
Hoje, quase quatro anos passados, atingimos o primeiro milhão de visitas vindas de todo o planeta, particularmente do Brasil, que disputa a Portugal o primeiro lugar no número de visitantes diários.
Os artigos não têm sempre o rigor e a qualidade literária que gostaríamos, mas são um farol de esperança na luta contra o obscurantismo religioso e na defesa dos princípios que constam da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Não nos pesam atitudes racistas, xenófobas ou misóginas. Deixamo-las para as religiões cuja hipocrisia e vileza denunciamos.
Deus é um mito, todos o sabemos, mas um mito perigoso, fonte de ódio e detonador da violência. Por isso, em nome da liberdade, defendemos os direitos dos crentes sem deixar de combater as crenças. A mentira, a superstição e a volúpia do poder, que os clérigos de todas as religiões cobiçam, encontram no Diário Ateísta a mais persistente e obstinada denúncia.
O ateísmo deve muito aos livros sagrados das religiões monoteístas, mas deve ainda mais aos exemplos de violência das suas Igrejas, às guerras que fomentam, à crueldade que cultivam e ao proselitismo que as devora.
Deus, na sua inexistência, não frequenta o Diário Ateísta mas vêm os jagunços da fé e os toxicodependentes da hóstia, cheios de missas e novenas, a ameaçar com o Inferno e a sugerir os churrascos que usavam na Idade Média. Deus abandonou-os à sua sorte e ao ridículo enquanto o Papa continua a explorar, como bom proxeneta, a Virgem e as casas de alterne da fé – conventos, santuários, catedrais e outros locais pios.
No Islão a demência agrava-se. Julga-se a única religião verdadeira. O Papa pensa o mesmo da sua, tal como os evangélicos, os ortodoxos e os judeus das trancinhas. Não há religiões boas. Há apenas máquinas de poder ao serviço do clero e de privilegiados que vivem na ostentação como parasitas de Deus.
O Diário Ateísta vai continuar a ser a voz que desafia Deus e os seus lacaios a provarem que há um ser supremo, para que os livres-pensadores o possam julgar pelos seus crimes no pelourinho da opinião pública.
Pensam os bem-intencionados que se trata apenas de uma farsa para estimular a piedade dos devotos embrutecidos pela fé e cegos pelo delírio místico. Nada disso. O que está em causa é a mais descarada campanha política contra a Espanha laica e democrática. É a exibição de força da Conferência Episcopal Espanhola e uma cruzada do Opus Dei e seus sequazes contra a progressiva secularização espanhola.
Seria injusto não reconhecer a violência fanática de quem assassinou bispos, padres e freiras na guerra civil espanhola. Não há perdão para a orgia de sangue e horror desses tempos, mas a violência e as atrocidades foram comuns aos dois lados da barricada com duas agravantes para o clero fascista que vê agora elevar aos altares as vítimas inocentes e as inventadas do seu lado:
1 – Os fascistas, com o apoio da Igreja católica, em especial o Opus Dei, derrubaram o Governo legal;
2 – Durante anos, continuaram a assassinar anarquistas, socialistas, comunistas e simples soldados ou simpatizantes do Governo legal (centenas de milhar).
A beatificação de 498 cadáveres não é um acto gratuito no circo dos milagres, é uma ofensa aos que caíram do outro lado e uma provocação ao actual Governo. B16 mostra que mantém firmes as convicções que levaram um jovem adolescente às fileiras das tropas nazis.
«Acho que o DA atingiu um limite incotrolável de agitadores (sobretudo o Baltazar…).
Recorre com frequência ao insulto soez, do mais ordinário que julgamos aparece por aqui, como por exemplo “são todos paneleiros”.
Não se pode admitir! Isso é pernicioso para o nosso espaço e urge fazer regras e impô-las e esses energúmenos sem escrúpulos que se cozinhem nas ordens e sacristias mas não venham com essa dialéctica indecente e perturbadora.
Quem usa essa terminologia é excluído. Por normas ditas e repetidas se necessário. É preciso criá-las e cumprí-las». (Leitor identificado)
Nota: Apesar da benevolência dos ateus para com os católicos, cuja má-criação é muito mais benévola do que as perseguições e fogueiras, não vamos continuar a tolerar a grosseria e as obscenidades.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.