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Carlos Esperança

8 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

O ateísmo salva

Foi convidado para a excursão da Universidade Sénior Albicastrense, apesar de só a mulher a frequentar. Henrique Alves, de 70 anos, acabou por não aceitar o convite porque diz ser “ateu”. “Se fosse a outro local eu tinha ido, agora a Fátima não vou”, revela o reformado. (JN)

8 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Religiões abraâmicas – farinha do mesmo saco

Perante a demência do Islão, face aos banhos de sangue perpetrados pelos trogloditas de Maomé, cheguei a pensar que o catolicismo se tivesse convertido numa seita tolerante, democrática e plural, uma espécie de religião verde, amiga do ambiente.

Julguei que Meca estivesse para o Vaticano como o tráfico internacional da droga para a contrafacção de roupa na Feira do Relógio. Puro equívoco. Uns e outros não renunciam a converter o mundo às mentiras da sua fé e submeter os povos ao pavor do seu Deus.

Que um desgraçado a quem falte a vista, o olfacto, o paladar e o tacto, confunda uma alheira de Mirandela com a feijoada à brasileira, não é de admirar, mas que uma pessoa normal, graças à cegueira da fé, veja numa rodela de pão ázimo o corpo e o sangue de JC já é preciso superstição e teimosia. Começam por distinguir a água benta da outra e acabam por não saber diferenciar as proteínas dos hidratos de carbono.

São esses aprendizes de Torquemada que viajam pelo Diário Ateísta à espera de achar o Camiño ou a edição portuguesa de «L’Osservatore Romano». Herdeiros dos falsários da «Doação de Constantino» e do «Sudário», adoradores de relíquias e outros lixos pios, crédulos em milagres, não toleram que haja quem despreze Deus, anjos, santos, Virgens e restante fauna etérea com que se enganam e pretendem ludibriar os outros.

Temo que os ares do Diário Ateísta lhes façam mal à saúde. Quem tem dois mil anos de intolerância e proselitismo dá-se mal com a liberdade e o pluralismo. Para recuperarem, nada melhor do que a sacristia, procissões, muitas missas, algumas novenas, a eucaristia semanal e peregrinações aos lugares santos. Pouco adianta à alma, mas alivia o ódio pio que aqui vêm bolçar num local desinfectado de superstições e dogmas.

7 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Muito sofre o ditador vitalício

O Papa Bento XVI manifestou hoje, na habitual audiência geral das quartas-feiras, no Vaticano, a sua «tristeza» face ao acidente ocorrido na A-23, na noite de segunda-feira, que provocou 15 mortos.

7 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Os católicos e a moral

Os católicos acreditam na superioridade moral da sua fé tal como acreditam na bondade do seu Deus. Julgam que a solidariedade, a compaixão e a generosidade variam na razão directa das hóstias que papam, dos terços que rezam e das indulgências que solicitam.

A ausência de espírito crítico leva-os a pensar que a manipulação política de Fátima contra a República, primeiro, e o comunismo, depois, foram desígnios divinos com cambalhotas do Sol e suaves aterragens de um anjo, para convencerem gente rural da existência de um Deus com que o catecismo terrorista da época tinha fanatizado três crianças.

Não se interrogam os propagandistas da fé, panegiristas do Papa e mensageiros da pantomina sobre os crimes da sua Igreja e o atávico tropismo para a defesa das piores tradições e a cumplicidade com regimes totalitários.

A ICAR esteve com o esclavagismo, com as monarquias absolutas, com a tortura e com a pena de morte. Nunca se colocou ao lado do liberalismo contra o absolutismo, da modernidade contra o feudalismo, da república contra a monarquia, da democracia contra a ditadura.

A repressão e a violência fazem parte do código genético herdado de Constantino. Não se pode esperar a libertação de quem leva dois milénios a falsificar textos e a impedir que o mundo avance. Na torpe violência que a corrói a mulher foi sempre a vítima predilecta. O clero e a nobreza viveram sempre na harmonia dos carrascos unidos contra a libertação dos povos.

Sem a Revolução Francesa ainda hoje teríamos o beija-mão e a submissão dos príncipes ao Papa mas, felizmente, a evolução vai atirando para o caixote do lixo da História a superstição e o medo com que o clero oprime os simples.

7 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Reincidência

Fonte: DN, hoje.

6 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Abaixo a hipocrisia católica

Ninguém de sã moral e equilíbrio mental se regozija com a desgraça alheia, rejubila com o sofrimento ou exulta com a morte. Às vezes o humor, mesmo o humor negro, é a forma de exorcizar a dor e fazer a catarse das desgraças que batem à porta, do infortúnio que chega ou da tragédia que se abateu.

Só as religiões, na sua demência, se alimentam da morte. Vendem-na em pedaços de medo ou provocam-na em acessos de ódio. Os cruzados e os suicidas islâmicos são o paradigma dos traficantes da morte para obterem uns trocos de eternidade. Nem os cadáveres estão em paz: uns exumaram-nos para serem queimados, outros acordam-se para a indústria dos milagres e a criação de beatos e santos.

O acidente de Fátima foi uma tragédia lamentável, mas não há que dar tréguas à religião que quer condicionar a reflexão que é legítimo fazer. Já em 24 de Março de 2001 um autocarro da Câmara de Viseu, vindo de Fátima, caiu numa ravina, em Santa Comba Dão e provocou a morte de 12 pessoas e numerosos feridos. Sem acidentes, o presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão, de uma só vez, disponibilizou autocarros para 10.200 idosos e, nas eleições seguintes, tinha a vitória assegurada.

Os presidentes de Câmara levam os peregrinos a Fátima para implorarem bênçãos e ganharem votos. Usam o nome da cultura e enviam-nos a um local de obscurantismo.

Ninguém se regozija com os mortos das peregrinações mas há quem os aproveite como mercadoria pia num acto pusilânime de superstição e misticismo. Só os clérigos são capazes de dizer, perante o sofrimento e a desolação: «Fez-se a vontade de Deus». O cinismo dos padres é que desperta a revolta pela exploração do medo e do sofrimento.

Nas exéquias fúnebres não faltará um bispo a explorar o espectáculo mórbido da morte. Far-se-á acompanhar das sotainas disponíveis e não faltarão, como diria o Eça, o «conjunto rançoso de cruzes, imagens, ripanços, opas, tochas, bentinhos, palmitos e andores».

Os ateus limitam-se a registar que há demasiados mortos sem qualquer milagre.