O lider de 1.1 bilião de pessoas diz que o debate sobre criacionismo e evolução é «absurdo», uma vez que «evolução pode coexistir com fé». Mais, a mente iluminada de Ratzinger acha que «evolução parece real» mas que não explica «de onde vêm todas as coisas» (http://www.msnbc.msn.com/id/19956961/)
O que o papa Benedict está a fazer é, explicar a pessoas como Richard Dawkins ou Edward Larson, «vocês os cientistas podem perceber muito sobre evolução, fosseis, ADN, progressão orgânica, fisiologia animal, mas a verdade é que somos nós que temos a explicação para a origem das coisas. Vocês até podem dar um cenário quase real, mas sem a nossa contribuição, a evolução não pode ser totalmente entendida».
Para além do óbvio, ou seja, a religião não tem qualquer autoridade para estar a emitir tais dilates, esta tentativa de conciliação com o método científico é leviana e prejudicial para a ciência. É como dizer a um estudante de biologia,«não se esforce para encontrar o princípio das coisas, assuma apenas que houve uma força superior que as criou».
A agenda mediática portuguesa ignorou praticamente as eleições em Marrocos cuja política é relevante para a Europa e de grande interesse económico para Portugal.
Em monarquias absolutas as eleições não passam de imitação grosseira do acto cívico que as democracias repetem regularmente, pelo que a abstenção de 63% do eleitorado encontra aí uma das suas justificações. A única surpresa eleitoral de Marrocos foi a vitória relativa do partido conservador e nacionalista (Istiqlal), fiel à monarquia alauita.
Não há democracias onde a cidadania dependa do poder discricionário de um monarca ou da violência tribal das teocracias. Em Marrocos o rei pretende conciliar o seu poder absoluto e a liderança religiosa com a abertura política –, equação difícil de resolver.
Marrocos está aqui ao pé de Portugal e o que aí se passa não é indiferente à Europa e, sobretudo, à Península Ibérica com democracias recentes e debilmente consolidadas, afirmando-se graças à protecção da União Europeia que dissuade os nostálgicos de Franco e Salazar.
Os países do Magreb abastecem de mão-de-obra e rejuvenescem a população europeia, mas, as alterações étnicas e culturais demasiado rápidas que induzem, são um elemento social perturbador e fonte de medos que recentes atentados terroristas islâmicos, embora frustrados, vieram aumentar.
Se Marrocos e Argélia se transformarem em democracias serão a retaguarda protectora do sul da Europa. Caso contrário, convertem-se na vanguarda do terrorismo islâmico, em santuário da al-Qaeda e numa ameaça permanente para novas tragédias fomentadas pelo proselitismo islâmico.
A Europa, que sofreu sangrentas disputas religiosas, que a dilaceraram, está a facilitar o poder religioso em vez de aprofundar a laicidade que a tem poupado à violência dos que julgam ganhar o Paraíso convertendo os outros à sua fé.
É mau confundir a liberdade religiosa, que deve ser defendida, com a mistura do Estado e das Igrejas, que deve ser combatida.
Resultados eleitorais: RTP
Há seis anos escrevi este texto, publicado no Expresso:
No dia 11 senti-me americano, sufocado pela orgia de terror que desabou num país que tem sobre os inimigos a superioridade moral (o que não é pouco) que lhe confere a democracia.
Parece ser o fundamentalismo islâmico responsável pelo holocausto provocado, a origem da demência assassina de quem gravita em torno de um credo como moscas à volta do seu alimento predilecto, a incubadora de suicidas beatos que acreditam na virtude do martírio porque descrêem da bondade do seu Deus.
Recordo a elegante e altiva silhueta de Manhattan pela câmara de Woody Allen, hoje uma memória dolorosa com milhares de vítimas sepultadas sob os escombros do cenário rasgado. Olho a estátua da Liberdade, rodeada de morte e sofrimento, dolorosa metáfora duma civilização ferida. E os valores de que nos reclamamos foram desafiados.
Apesar da dor e da revolta, da raiva e do sofrimento, penso que devemos sobrepor a justiça à vingança, o castigo dirigido ao ódio cego.No Expresso de 15 de Setembro, para além da sensatez do P.R. e do 1.º Ministro, dois artigos estimulantes de Mário Soares e Freitas do Amaral podem servir de alerta a comportamentos desajustados.
Não podemos permitir que, à sombra de uma terrível emoção, se deixe arrasar a Palestina ou se permita a caça ao árabe. Não é nos crentes que está o perigo, é no poder do clero que os conduz. Jeová, Cristo ou Alá são inofensivos. Perigosos são os funcionários que agem em seu nome.
E, tal como nós, que nos libertámos do poder clerical que há século e meio se não conformava com a separação do poder espiritual e temporal, que considerava a Igreja incompatível com a democracia e o progresso, também eles, os islamitas, hão-de conquistar o direito à liberdade religiosa e política, reconhecer os direitos das mulheres e apreciar a democracia.
O horror está nos estados teocráticos, nos totalitarismos com que nos conformamos, na pobreza, na ignorância e no analfabetismo que os sustentam.
Há seis anos atrás, também a uma terça-feira, o mundo assistia, incrédulo, a um acto terrorista que viria a transformar as relações e os equilíbrios internacionais.
Na origem destes actos estiveram, não só mas também, motivações religiosas. Motivações movidas por uma cegueira que afecta o discernimento, o bom senso e qualquer tipo de respeito pela vida humana. A religião pode ser muita coisa, mas também é isto. Nela – exclusivamente nela – se encontram as razões para as guerras santas, as tais guerras que pretendem aniquilar e conquistar todos os que não sofrem da mesma espécie de loucura, justificadas por palavras “sábias” de indivíduos gastos de velhos e ultrapassados.
Infelizmente, muitos dos países ocidentais, em vez de aproveitarem esta excelente oportunidade para promoverem os benefícios das sociedades seculares, optaram pela postura populista ao, também eles, incendiarem os seus discursos políticos e de Estado com imagens religiosas contribuindo, assim, para uma maior “beatificação” das guerras, das crises e das injustiças que se seguiram a 2001.
Ainda é muito cedo para sabermos ao certo as consequências destas opções. Tenho esperança que a reacção das sociedades ocidentais não chegue tarde de mais.
Faz 6 anos que os ataques de 11 de Setembro aconteceram. Homens crentes no seu propósito divino lançaram-se contra edifícios, naquele que é o país onde a separação entre Estado e religião é parte da sua Constituição. E não se lançaram como insectos contra uma janela, lançaram-se a
No Irão, pessoas com a mesma filosofia messiânica e de martírio procuram ter armas atómicas. Para fins pacíficos, dizem. Quando o líder desse país fala no retorno de uma figura tipo conto de fadas (o 12º Íman) causando conversões maciças ao Islão, da destruição dos poderes satânicos do Oeste, do apoio a um dos partidos de deus que destabilizam sistematicamente o Médio Oriente (como nos explica Christopher Hitchens), é racional duvidar das promessas de Ahmadinejad.
Judeus fanáticos insistem em ocupar terras que acham que lhes pertence porque assim foi ditado por uma personagem fictícia (o deus do primeiro testamento), e que assim minam os já fracos propósitos de entendimento por parte de Palestinos (também eles agarrados aos seus dogmas da impureza da religião judaica – dogma esse roubado sem pudor ao Catolicismo primitivo).
E, mas não terminando aqui, os cristãos do novo mundo, que almejam controlar os bastidores políticos e militares de Washington para impor a tão desejada nova ordem mundial a que já se referia o Bush Sr.
Apesar de não se poder (ainda) provar uma correlação entre o dogma religioso e o terrorismo, quando se equacionam todas as variáveis explicativas que são apresentadas pelos que tentam perceber este fenómeno: pobreza, perseguição, rejeição social, desespero de causa, no final, aquela que é a mais explicativa é a fé. Como nos diz Sam Harris, dos terroristas do 9-11 (e agora mais recentemente os de Londres e Glasgow) estamos a falar de pessoas formadas, educadas, provenientes de famílias abastadas e influentes. É a fé, e o que defende os seus dogmas, que os fazem matar indiscriminadamente os outros.
Nova York é, e recorrendo às palavras de João Pereira Coutinho, a mais gloriosa construção humana, produto de uma civilização cosmopolita, empreendedora e livre. É também um símbolo. Um símbolo de progresso de novas ideias, de debate civilizado, de um espírito científico de grande fôlego. Que assim seja, até ao dia em que o laicismo e a razão reine sobre a intolerância e o ódio religioso.


O terrorista suicida que causou 30 mortos na Argélia, no Sábado, tinha 15 anos.
Não era ateu, graças a Deus.
«Conheço muitas pessoas que, ainda hoje receiam desinscrever-se do registo religioso por receio de perder o seu emprego ou oportunidades futuras».
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.