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16 de Janeiro, 2008 Helder Sanches

Adeus, querido diário

Há exactamente 11 meses, estreei-me no Diário Ateísta, estabelecendo para mim próprio alguns objectivos para a minha colaboração naquele que considero ser um dos mais importantes meios de divulgação do ateísmo em português.

Por diversas razões, optei por cessar a minha colaboração com o DA a partir de hoje. Espero não ter desiludido nem os meus colegas de equipa, nem, principalmente, os leitores deste espaço. A estes últimos, em particular e sem excepção, quero agradecer os comentários a todos os meus artigos, comentários esses que muitas vezes me ajudaram a reflectir mais profundamente sobre as minhas próprias ideias. Aos meus colegas do DA, agradeço todo o apoio que sempre me deram e toda a solidariedade editorial de que sempre beneficiei.

Um grande abraço para todos. Muito obrigado.

16 de Janeiro, 2008 Ricardo Silvestre

cavalo de Tróia

A Constituição dos Estados Unidos da América tem na sua primeira emenda a seguinte frase: “O Congresso tj3.JPGnão pode emitir leis respeitantes ao estabelecimento de religião, ou que proíbam o seu livre exercício”. No primeiro dia de Janeiro de 1802, Thomas Jefferson escrevia à Associação Baptista de Danbury, CT, onde assegurava esta congregação (que alias estava a ser perseguida…por outra congregação, neste caso, Protestante) que “existiria um muro entre o Estado e as Igrejas”.

Ao longo dos tempos, os fanáticos religiosos daquele país tem lutado contra esta emenda, tentado tornar os USA numa “nação cristã”. As diferentes denominações parecem não ser um problema, apesar da gentalha ser da mais diversa, mormons, baptistas, protestantes, católicos e outros grupelhos. Estas hordas querem é só um resultado, “in God we trust” deixar de ser uma frase nas notas e moedas, e passar a ser o cabeçalho da Constituição. 

Mas apesar de todas as tentativas, os secularistas sempre conseguiram defender essa emenda, e fazer com que os US não resvalem para o precipício.

Well, not anymore. O “cavalo de Tróia” está bem lançado. Vejam aqui. 

Para quem é menos versado em Inglês, o que Huckabee disse em campanha no Michigan foi: “Eu tenho adversários políticos que não querem mudar a Constituição. Mas eu acredito que é mais fácil mudar a Constituição do que mudar a palavra de Deus. E é isso que precisamos fazer – fazer uma emenda na Constituição para que esta esteja de acordo com os padrões de Deus, do que tentar mudar os padrões d’Ele para acomodar  visões contemporâneas.” 

Para além deste atrasado mental estar errado, o problema maior é este teocrata ser o candidato que lidera nas intenções de voto dos republicanos para as eleições deste ano!! 

Os Talibans podem sorrir de satisfeitos. Estão a um passo de tornar a América naquilo que eles são. 

16 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Factos & documentos. Padres-curandeiros

JORNAL “LINHA GERAL” (LEIRIA), N.º 38, DE 21-07-1932 (Página 1)

«Vários casos interessantes nos relatam dia a dia os jornais, dando-nos a impressão de estarmos vivendo em pleno século XVIII ou pouco menos.
«Conta o nosso camarada Gazeta de Torres que uma infeliz louca de nome Maria Luísa, de Vilar, concelho do Cadaval, tem sido tratada pelo padre da freguesia, que lhe vem aplicando benzeduras, ou lá o que é, para lhe tirar do corpo o mafarrico, explorando a crendice duns, a ignorância de outros e a inocência de poucos, para tirar disso o proveito que julga necessário para si e para a religião que diz servir.
«Também o nosso camarada Diário Litoral diz que na freguesia de Vera Cruz, concelho de Portel, outro santo padre se dedica ao mister de curandeiro, para afugentar o diabo do corpo duma filha de Miguel Ralo, do lugar da Amareleja, também enlouquecida. O tratamento aplicado, neste caso, consistiu em orações, missas e… uma sóva de chicóte aplicada na infeliz, a qual, já se vê, produziu os resultados de esperar… Loucura incurável, e mais, algumas equimoses.
«Sempre os mesmos, estes santos varões.»

Leiria, 11 de Julho de 2006 – (In Arquivo Distrital de Leiria). Enviado por MM

15 de Janeiro, 2008 ricardo s carvalho

o princípio do fim?

«[…] A visita do Papa à Universidade de La Sapienza, em Roma, foi cancelada pelo Vaticano devido a protestos de professores e alunos que acusaram Ratzinger de “reaccionário” e “obscurantista”. […]

Esta é a primeira vez que o Papa cancela uma visita devido a protestos, desde que iniciou o seu mandato em 2005. A agitação começou quando sessenta e sete mestres da Universidade La Sapienza argumentaram, em texto divulgado, que o Pontífice é “reacionário” e “obscurantista” em assuntos científicos, referindo-se a um discurso de 1990 no qual o então cardeal Joseph Ratzinger citou o filósofo Feyerabend para dizer que “o veredicto contra Galileu foi racional e justo”.

Os estudantes também se associaram ao protesto, reclamando a laicidade da ciência, recusando preconceitos como a homofobia e acusando o vaticano de “querer invadir todo o espaço político e social”. […]»

(via Esquerda.Net)

15 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Reconciliação entre fascistas desavindos

Seis meses depois da publicação do “Motu Proprio” sobre a liturgia romana anterior à reforma de 1970, “Summorum Pontificum”, em que Bento XVI aprova a utilização universal do Missal promulgado pelo Beato João XXIII em 1962, a Santa Sé fala de reconciliação com os católicos que colocaram objecções às reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II.

Pergunta O arcebispo Marcel Lefebvre, excomungado por JP2, domiciliado no Inferno, arranjará transporte para o Paraíso?

15 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Penitência – sacramento obsoleto

A confissão auricular foi durante vários séculos uma arma ao serviço da Igreja católica. O confessor do rei ou da rainha, sobretudo o desta, tinha acesso aos segredos de Estado e capacidade de manipulação da realeza quando a Igreja tinha por adquirido que o poder espiritual se devia sobrepor ao temporal. E sobrepunha.

A espionagem era bem mais perigosa do que o desassossego familiar ou o medo público provocados pelo tráfico de favores, de diversa índole, no segredo do confessionário. A desobriga não era, pois, uma questão de fé, era uma arma poderosa para a manutenção do poder clerical.

Compreende-se o pudor de Frei Bento Domingues a abordar o terrorismo psicológico exercido durante séculos, sobre crianças e adolescentes, cheio de ameaças com as penas do inferno para quem não confessasse os pecados mortais.

Foi a ânsia do poder que levou o IV Concílio de Latrão (1215) a tornar obrigatória a confissão anual que se mantém, tal como o entusiasmo papal com a sua perpetuação.

Nem os dissabores recentes com as confissões encenadas por jornalistas, em numerosas paróquias italianas, que as gravaram e divulgaram nem os escândalos sexuais que várias vezes começaram nos confessionários, como os tribunais averiguaram, levam o Papa a abolir uma prática que constrange quem a exerce de um lado e doutro do confessionário.

Mas não se pode esquecer que Bento XVI foi o prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício) que teve no Afeganistão islâmico um departamento homólogo e mais vigoroso – o Ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício. 

15 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Momento Zen de segunda

João César das Neves (JCN) na sua homilia de hoje – como a Igreja criou a Europa – perdeu a cabeça. Não podendo apoiar-se na História, tanto pior para a História. Não podendo contar com os factos, tanto pior para os factos. Primeiro está a salvação da alma, a verdade vem depois.

Eis afirmações que os historiadores negam mas que JCN subscreve: «A Igreja Católica, vencendo o paganismo obscurantista e civilizando os bárbaros, foi uma poderosa força dinâmica, estabelecendo os valores de tolerância, caridade e progresso que criaram a sociedade contemporânea. A Idade Média, conhecida como “Idade das Trevas”, foi uma das épocas de maior desenvolvimento e criatividade técnica, artística e institucional da História».

Para JCN «segundo a tese comum, a Igreja manteve o continente na obscuridade e miséria durante séculos até que a emancipação, com o Humanismo e Iluminismo, permitiu a ciência, liberdade e prosperidade actuais. Esta visão, divulgada por discursos, livros de escola e tratados de História, é simplesmente falsa».

JCN julgará que foi o Iluminismo que organizou as Cruzadas, criou a Inquisição, fez conversões forçados, defendeu o esclavagismo, expulsou os judeus e os muçulmanos, apoiou as monarquias absolutas, criou o direito divino e cometeu numerosos crimes.

JCN, citando um autor desconhecido, certamente avençado pelo Vaticano, explica como o Cristianismo gerou a liberdade, os direitos do homem, o capitalismo e o milagre económico no Ocidente.

Só não explica a razão pela qual o Vaticano não subscreve a «Declaração Universal dos Direitos do Homem» que considera de inspiração ateia.

15 de Janeiro, 2008 Ricardo Alves

Nota sobre o acaso

Os crentes costumam afirmar que, na ausência de crença em «Deus», «nós estamos aqui por acaso». Esta afirmação presta-se a confusões.

Em primeiro lugar, os crentes costumam englobar no «acaso» dois conceitos distintos: a aleatoriedade e a ausência de propósito ético. Fazem-no porque na sua cosmovisão a distinção não existe ou é nebulosa, uma vez que atribuem ao universo simultaneamente uma criação divina (que inclui as leis que o regem), e um propósito ético, que remetem para a mesma entidade.

No entanto, a existência do nosso planeta, da nossa espécie animal, ou de cada um de nós individualmente, considerados os constrangimentos das leis físicas e as inevitabilidades dos sistemas biológicos, é tanto um acaso como a verticalidade da queda do meu telemóvel se eu o largar no ar. Não são acasos no sentido de aleatório.

E a existência da nossa espécie tem tanto propósito ético, à partida, como a existência dos chimpanzés ou dos caranguejos. O desenvolvimento de uma linguagem complexa, e depois de uma cultura, convenceram-nos do contrário. E quem conta estórias grandiosas, mesmo que falsas, engana os incautos.

14 de Janeiro, 2008 Ricardo Alves

O catecismo católico-fascista em Espanha

«[Franco é] o homem providencial, escolhido por Deus para governar a Espanha (…) é como a encarnação da Pátria e tem o poder recebido de Deus para nos governar».

As palavras são do Catecismo Patriótico espanhol, escrito por dois padres que, em pleno franquismo, produziram para as crianças uma descrição da síntese de fascismo e catolicismo conseguida por Franco. No livro em causa, classificam a Espanha de Franco como um Estado «totalitário cristão». Um caso típico que mostra como o fascismo e o catolicismo dos anos 30 foram duas realidades apenas separáveis no âmbito teórico.