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28 de Fevereiro, 2008 Carlos Esperança

O Islão é reformável?

Gostaria de acreditar que uma religião fosse capaz de prescindir das iniquidades que constituem o seu pecado original, que os dignitários que alimentam a fé dos crentes se decidissem, eles próprios, a combater a barbárie e que os beneficiários das superstições as denunciassem em nome dos valores da modernidade.

O que a história mostra é que foram sempre as forças laicas que destruíram as teocracias e estiveram na génese do progresso e do humanismo.

Se, ao arrepio da história e da crueldade mantida e aumentada através dos séculos, os clérigos da Turquia reformarem uma religião cuja perversidade encontrou nos talibãs os seus mais genuínos e devotados zeladores, estaremos perante uma auspiciosa excepção.

Até lá, manterei a dúvida e ninguém me peça para respeitar as crenças absurdas de quem quer que seja.

Mas gostava muito que a Turquia levasse a cabo a anunciada «reforma revolucionária e moderna do Islão». A religião não passaria a ser mais verdadeira, mas tornar-se-ia mais suportável. Averroes e Avicena teriam a sua vitória póstuma.

27 de Fevereiro, 2008 Carlos Esperança

Vaticano – Negócios em Cuba

ROMA (Reuters) – Autoridades cubanas prometeram ao segundo homem mais importante do Vaticano que abrirão mais a mídia local para a Igreja, informou ontem a agência católica de notícias SIR.

26 de Fevereiro, 2008 Ricardo Alves

Não contem comigo

O secretário-geral da ONU acha que a liberdade de expressão «deve ser exercida (…) de forma a respeitar todas as crenças religiosas». Todas? Mesmo todas? Então, vamos lá a ver: nesse caso, não posso dizer que a «resurreição» é ilógica para não desrespeitar os cristãos; não posso questionar a validade das viagens inter-estelares para não atingir os cientologistas; e não posso negar a sobrevivência da consciência depois da morte para não aborrecer os espíritas. Também não posso chamar pedófilo e fanático a Maomé para não ofender os muçulmanos; não posso defender que o casamento seja uma instituição civil  para não chatear judeus e cristãos; e não posso defender que as mulheres tenham os mesmos direitos do que os homens porque isso ofende todas as religiões com mais de cem anos de existência.  Tudo considerado, se eu respeitar todas as dezenas de religiões que existem no mundo, acho que não posso dizer mesmo nada. Para isso, não contem comigo.

26 de Fevereiro, 2008 Carlos Esperança

Discorrendo sobre a fé

Um dos conceitos mais retrógrados e violentos é certamente o carácter sagrado que se atribui ao que quer que seja. É uma forma de impedir a crítica, de subordinar a razão à fé, de conferir carácter divino ao que, tantas vezes, é inevitavelmente idiota.

A fé é um direito de todos, tal como a crítica, embora esta tolere aquela ao contrário da fé que se relaciona com a crítica como Maomé com o toucinho.

Um ateu, por mais estúpido que seja, não aceita que se possa ser punido pela crença. Já o crente, mesmo o mais inteligente, prescreve aos ateus e crentes de outras confissões a conversão à única religião verdadeira – a sua. É esta demente convicção de que há um único deus verdadeiro que faz de uma pessoa de bem num perigoso prosélito.

Os monoteísmos estiveram quase a atingir a verdade quando consideraram todos os outros deuses falsos. Foi por 1 que não fizeram o serviço completo, que não libertaram a humanidade da herança dos medos que germinaram no húmus da ignorância. Os lucros gerados pelas religiões e a legião de parasitas que medra á sua custa, não pode consentir que seque a fonte de rendimentos.

Para os ateus não constitui inquietação a imortalidade da alma, a preocupação reside na imortalidade da mentira. A matéria transforma-se, mas a alma permanece à medida das necessidades dos padres e da imaginação dos néscios.

As religiões não passariam de uma distracção inofensiva se não gerassem o proselitismo e o ódio fanático. Os ateus não procuram converter crentes mas estes só não exterminam os ateus se o açaime da lei e da secularização os impedir.

Deus é uma quimera que rende dinheiro no mercado da fé e, por isso, é eterno como o medo e a ignorância. Também por isso a luz da razão acossa a superstição e aflige o fanatismo.

25 de Fevereiro, 2008 Ricardo Alves

Desvario judaico

Um deputado do partido israelita Shas afirmou no Parlamento que «a homossexualidade causa terramotos». O deputado ultra-ortodoxo estava a protestar contra o facto de não apenas os casamentos entre pessoas do mesmo sexo serem reconhecidos em Israel (desde que realizados no estrangeiro), como de agora estes casais passarem a poder adoptar.

O deputado não explicou que género de deslocação nas placas tectónicas provocaria o reconhecimento do casamento civil em Israel.