18 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança
Excelente livro de cientista ateia

É uma honra para o Diário Ateísta ter esta cientistas destacada como colaboradora.

É uma honra para o Diário Ateísta ter esta cientistas destacada como colaboradora.
O Vaticano anunciou ontem que retirou do arcebispo rebelde Emmanuel Milingo todas as suas funções sacerdotais. Mesmo excomungado desde 2006, Milingo, de Zâmbia, continuava ordenando bispos, desafiando a Igreja.
A decisão anunciada ontem significa que, a partir de agora, eventuais novas ordenações não serão válidas.
Milingo irritou o Vaticano em 2001, ao casar-se com uma sul-coreana.
Vaticano proíbe casamentos entre baptizados e não baptizados
Às vezes a Igreja católica tem razão. A proibição de casamentos entre baptizados e não baptizados é um direito que lhe assiste. Qualquer associação privada tem o direito de impor regras aos seus associados. Era só o que faltava, obrigar a Igreja católica a gastar água benta com ateus ou crentes de outras religiões!
Não faria sentido uma associação de vegetarianos abrir as portas à confraria da chanfana ou uma associação ateísta aceitar elementos do Opus Dei.
O código canónico disciplina a conduta dos associados e o Papa é, na religião católica, o guardião supremo da legalidade que o regulamento impõe. Pode-se dizer que os poderes do pontífice são excessivos, mas o Vaticano não é uma democracia nem Bento XVI um democrata. À Igreja católica só adere quem quer, embora seja uma conquista recente e que custou muitas vidas ao longo dos séculos.
A única diferença entre as religiões e as outras associações é a natureza dos estatutos. Nas primeiras há o hábito de lhes atribuir origem divina e nas outras a obrigatoriedade de os submeter a sufrágio em assembleias gerais.
Não se devem criticar as exigências das Igrejas para quem quer usufruir dos seus rituais. O que não se lhes deve tolerar é que imponham os seus códigos a quem as despreza, que pretendam submeter o Estado à sua prepotência ou os cidadãos aos seus preconceitos.
Está em discussão a proposta de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Seria intolerável que a Assembleia da República impusesse à Igreja a obrigação de os celebrar canonicamente, tal como é inadmissível que a Igreja use os devotos para impedir a igualdade dos cidadãos perante a lei.
Quem quer ser respeitado, tem de respeitar os outros. O Estado não deve intrometer-se nos matrimónios canónicos e a Igreja não pode impedir os casamentos civis.
É nesta separação da Igreja e do Estado que reside a laicidade e a garantia da defesa dos princípios democráticos que nos regem.
A condenação de um acto bárbaro, gratuito e intolerável não admite evasivas. Repudiar a grotesca agressão de que foi vítima o primeiro-ministro italiano é um dever perante os silêncios sonsos e o gozo obsceno de muitos. A luta política não consente arruaças e pancadaria como métodos que se substituam ao debate de ideias.
As tensões sociais e a espessura da crise não podem ser agravadas com a displicência com que alguns encaram estes actos marginais, felizes por terem atingido quem já deu sobejas provas de não merecer o lugar que ocupa e de envergonhar as instituições do seu país. Até o vaticano, seu fiel apoiante, já o tinha censurado, apesar da autoridade que lhe falta.
Independentemente do lugar e da vítima, a agressão a dirigentes políticos tem uma carga mediática e um poder mimético capazes de atraírem novos incidentes e de promoverem a instabilidade em outros países.
Dito isto, e repudiado sem reservas o acontecimento, há ilações políticas a tirar. Para já não podemos impedir que diversas forças, quiçá de sinal contrário, se aproveitem do caso. Há, aliás, franjas políticas que têm como único programa a destabilização das instituições democráticas.
Este infeliz acontecimento travou o amplo movimento anti-Berlusconi cuja organização estava em marcha, bem demonstrada no “No Berlusconi Day” que poderia ser o embrião de uma vasta coligação democrática, muito mais ampla do que os partidos que a sustentam, capaz de arredar do poder a coligação populista e fascizante que governa a Itália e envergonha a Europa.
Transformar em vítima o mais desqualificado dirigente europeu foi um serviço prestado à direita italiana, capaz de impedir a alternância de que carece o Estado italiano, com o país desconfiado de uma esquerda incapaz de levar a estabilidade ao país que mais governos conheceu depois da Segunda Guerra.
Se os cavalos fossem crentes, certamente que o seu deus teria relinchado mandamentos e concedido a ferradura de ouro aos mais devotos. Havia de proibir-lhes o pasto viçoso pela quaresma e a ração de aveia às sextas-feiras. E se, porventura, os cavalos de raça fossem lascivos, impor-lhes-ia restrições à cópula, limitando-a à égua própria e vitalícia para fins meramente reprodutivos.
Se os cavalos fossem dados à metafísica, saberiam converter em benta a água dos rios e a das fontes e aprenderiam a ajoelhar-se à passagem dos bispos dos cavalos e a rastejar perante o papa.
Se os cavalos se dessem à beatice, como os humanos, o deus estaria rodeado de éguas que relinchariam hinos e cavalinhos que o louvassem. Algumas éguas ficariam virgens para o glorificar e outras professariam em estrebarias, para sua maior glória.
A fé tem obrigações e os cavalos haviam de arranjar burros que lhes levassem a palha e algum camelo que transportasse o andor com a Égua Lusitana ou com o cavalo de Alter do Chão, quando organizassem procissões equestres.
Não faltariam devoções pias, dias santos com rações suplementares de cevada e festas anuais, sem cabresto nem bridão, para poderem relinchar hossanas, mas não falhariam as esporas para punir o garrano que cobiçasse a égua alheia nem selins apertados para os que não cumprissem as devoções pias.
Se o deus que os homens da Idade do Bronze inventaram e nos legaram fosse amante de touradas, só os aficionados teriam direito ao Paraíso. Os toureiros seriam anjos, santos os forcados e o Campo Pequeno uma catedral.
Os cabos seriam apóstolos e os rabejadores bem-aventurados destinados aos altares. Os bispos trocariam a mitra pelo barrete e o báculo pela muleta. Os cavaleiros, forcados, bandarilheiros, novilheiros, campinos e outros intervenientes seriam os eleitos em vez de padres, freiras, diáconos, beatas e outros avençados do divino. E para agradarem a deus, os beatos fariam lides com o capote e cravariam ferros curtos por devoção.
O matador seria um cruzado com indulgências plenas e o forcado colhido numa tourada teria assegurada a ascensão ao céu onde o esperariam virgens, mel e outras iguarias.
Talvez os membros das associações protectoras dos animais tivessem de se remeter à clandestinidade e, denunciados pelo inteligente, pagassem o atrevimento servindo de churrasco numa fogueira erguida para preservar das heresias as touradas e as boas pegas.
Há um bispo anglicano que acha que os talibã «podem ser admirados pela sua convicção na sua fé e pela sua lealdade uns para com os outros». O bispo já pediu desculpa, mas fica a nota: os homens de fé acham a fé admirável. E quanta mais melhor. E mais, e mais. E até se for fanática. Ou, de repente, assassina. Não, quando chega a esse ponto é melhor pedir desculpa. Fui claro demais? A fé nunca é demais.
(Fernando Pessoa)
Por mais que as religiões reclamem desejos de paz nunca deixam de provocar guerras. A alegada bondade de deus foi, no passado, discutida em batalhas sangrentas entre dois bandos de crentes rivais que queriam impor o único deus misericordioso e verdadeiro. E ainda hoje esse fanatismo se mantém vivo em lutas religiosas de pendor totalitário.
Há vários crimes cometidos por delinquentes – casos de polícia ou de acompanhamento psiquiátrico –, mas o terrorismo tem a marca do nacionalismo, da fé ou de ambos.
Os ateus, cépticos, agnósticos e livres-pensadores não fazem guerras motivados por verdades absolutas, ainda que estas existam. Nunca se travou uma batalha por causa de um teorema ou uma guerra para impor uma lei da física. Morreram e morrem milhões de pessoas por causa da Bíblia ou do Corão e ninguém se agride por causa de um tratado de medicina ou de um compêndio de matemática.
A defesa da lei divina, seja isso o que for, provoca chacinas e dizima povos, mas não há quaisquer desavenças por causa da lei da gravidade entre os que a aceitam e os que a desconhecem.
Em Espanha acabam de ser condenados a penas de oito e meio a catorze anos de cadeia onze terroristas islâmicos que pretendiam fazer explodir o metro de Barcelona. Trata-se de fanáticos intoxicados pela fé e convencidos de que Maomé lhes reservava 70 virgens pela selvajaria. Nem se dão conta do estado em que ficam depois de se explodirem e da repugnância de qualquer mulher em recebê-los aos bocados.
O princípio de Arquimedes não levanta ódios mas os princípios enunciados no Antigo Testamento levam a vingança, o ressentimento e o crime aos fanáticos que acreditam no que está escrito num livro obsoleto e que os clérigos juram ter sido ditado por deus.
Os Estados só podem defender-se do fascismo religioso se prosseguirem uma absoluta neutralidade em relação às religiões e se, à semelhança do comportamento para com as outras associações, vigiarem os pregadores do ódio. A isso chama-se laicidade e é uma condição sine qua non para evitar esta demência da fé e a carnificina em nome de deus.
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Dissertação de um ateu…
Antes de tudo era o Verbo
antes do Ser e da carne
antes do modo
do tempo
e da pessoa,
singular ou plural,
uma conjugação em desuso
que declinei muitas vezes
antes de me aborrecer.
Alexandre de Castro
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, pediu hoje aos bispos que sigam uma “conduta correta e justa“, porque é nela que os mesmos têm a missão de educar o povo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.