29 de Abril, 2010 Carlos Esperança
Catolicismo – Escândalo anunciado
O próximo grande escândalo católico…
A importação de noviças de países pobres ( África e Índia) para os conventos geridos por freiras brancas.
O próximo grande escândalo católico…
A importação de noviças de países pobres ( África e Índia) para os conventos geridos por freiras brancas.
O sacerdote católico Mário de Oliveira, padre sem paróquia mas livre e sem papas na língua, fala de Ratzinger e das «aparições» de Fátima.
E pede a demissão do Papa-Ratz.
O Papa tem o direito de vir a Portugal. Longe de nós a ideia de nos opormos, porque somos laicos. Mas a recepção oficial, de forma reverencial e com fundos públicos, não é desejável.
Enquanto chefe de Estado, Bento XVI não merece entusiasmo de uma democracia laica e igualitária. À frente de um pequeno Estado teocrático e patriarcal ele usa o seu lugar de observador permanente da ONU para dificultar todos os programas a favor do planeamento familiar, dos direitos das mulheres, da luta contra a Sida, ou das minorias sexuais. Frequentemente ao lado das piores ditaduras da Organização da Conferência Islâmica.
Enquanto líder religioso, Bento XVI é um papa ultraconservador e reaccionário. A sua visão do catolicismo, promovida através dos movimentos como o Opus Dei ou a Legião de Cristo, é dogmática, estreita, anti-feminista, discriminatória, hostil a um ecumenismo efectivo e ao espírito modernista do Vaticano II. Não há qualquer razão para reverência. Mas é assunto dos crentes.
Enquanto cidadãos laicos, a nossa vigilância está noutro lugar. Nós temos de aproveitar esta visita para recusar e voltar a recusar a «laicidade positiva», um termo utilizado por Bento XVI e repetido por todos os beatos ao serviço do papa e do Vaticano.
Fiéis à CRP, que separa o Estado das Igrejas, nós estamos amarrados à laicidade sem adjectivo. Quer dizer a uma laicidade que distingue bem a esfera do domínio público da sociedade civil e da esfera privada. Esta separação mantém prudentemente à distância a política da religião, no interesse de ambas.
Recusamos a evolução desta laicidade para uma religião civil à americana, a subvenção pública dos locais de culto, assim como a brandura da vigilância para com as seitas.
Apelamos, pelo contrário, a uma vigilância face a todos os integrismos. Esta vigilância passa pela revalorização dos laços sociais com um modelo laico, o apoio às associações de bairro lutando por viver em conjunto e à defesa da escola pública. Nós dizemo-lo sem rodeios: na transmissão dos princípios da República, o padre, o pastor, o rabino ou o imã não poderão jamais substituir o professor.
Nós não pensamos que o perigo das comunidades imigrantes seja tornarem-se «desertos espirituais», mas de se tornarem guetos sofrendo do bloqueamento da ascensão social, da subida dos preços imobiliários, do recuo dos serviços públicos e da falta de miscigenação social.
Nós não temos a pretensão de crer, como afirmam os avençados do divino, que «Deus está no pensamento e no coração de cada homem». Mas nós estamos certos de uma coisa, por mais importante que seja, a questão espiritual não nos parece ser apanágio das funções do Estado cujo papel é antes o de se ocupar da questão sicial.
Se o catolicismo faz incontestavelmente parte do património cultural de Portugal, o País não é já a nação consagrada ao Imaculado Coração de Maria, depois de várias décadas de democracia, mas uma República separada das Igrejas como estabelece a CRP. O seu objectivo não é procurar que um grande número de portugueses acreditem mas que vivam melhor, cada vez mais livres e mais iguais. Tal deverá ser a missão que incumbe aos órgãos do Estado. Tal é a nossa esperança.
Adaptação e tradução por CBE
O número 2 do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, afirmou que o celibato entre os padres “não é intocável”, mas defendeu a prática, negando que os escândalos de pedofilia na Igreja Católica tenham algum vínculo com ela.
Na sua homilia de hoje, no DN, João César das Neves (JCN) parece apavorado com a legalização do casamento gay, convencido definitivamente da sua obrigatoriedade ou servindo-se do pretexto para não falar dos escândalos que inundam a sua Igreja.
Qual profeta, ungido na sacristia de uma paróquia rural, JCN afirma que «Aquilo que chocará o futuro são sem dúvida as tentativas radicais e atabalhoadas na legislação da família», motivo que o levou a intitular o sermão «A construção de um monstro».
Considera a lei do aborto de 2007, responsável pelo morticínio de milhares e insurge-se contra o que chama «enorme fraude política de usar um referendo não vinculativo sobre a despenalização do aborto” para o legalizar, omitindo que o anterior, igualmente não vinculativo e menos participado, suspendeu a legislação legalmente votada na A.R..
Depois de uma frase pia, de ressonância apocalíptica, « O aborto é apenas um aspecto, de longe o mais sangrento, da vasta investida recente contra a vida», atira-se à “lei da procriação medicamente assistida” de 2006 exibindo um desvelo pelo embrião humano superior ao que alguma vez lhe mereceram as crianças que morrem vítimas da fome, da guerra e das doenças que o seu omnipotente deus consente.
«As leis do divórcio de 2008 e uniões de facto de 2009 constituem enormes atentados à instituição familiar, só comparáveis à campanha de 2010 pelo casamento do mesmo sexo», – diz o microfone da Igreja católica ligado às segundas-feiras no DN.
JCN encara a educação sexual como uma imposição de «ideologia frouxa e lasciva» às crianças e jovens e ruge contra as praias de nudistas. Depois mistura coisas diferentes: divórcio (quererá proibi-lo?), uniões de facto e filhos fora do casamento, a que atribui a baixa natalidade, esquecendo que pior, para a reprodução, é a castidade.
JCN considera a legislação familiar portuguesa, em linha com o que se passa na Europa, um plano malévolo digno de Nero, Napoleão e Hitler, esquecendo as paixões que os dois últimos despertaram em altos dignitários da sua Igreja.
Enfim, JCN é uma poderosa vacina contra a Igreja de que é prosélito.
O Vaticano terá de decidir destino de ordem religiosa fundada por pedófilo
O padre Marcial Maciel, fundador da Legião de Cristo, abusou de seminaristas e teve ao menos um filho
NOVA YORK- Um dos próximos testes para Bento XVI na crescente crise de abusos sexuais cometidos por clérigos é decidir o destino de uma ordem religiosa cujo fundador, o padre Marcial Maciel, teve ao menos um filho e abusou de jovens seminarista
População apoia padre pedófilo
Numa reacção que surpreende quem acompanha o caso, o padre Luiz Marques Barbosa, de 83 anos, detido há uma semana sob a acusação de pedofilia, está a receber forte apoio da comunidade católica de Arapiraca, cidade do estado brasileiro de Alagoas onde foi pároco durante vinte anos e onde os supostos abusos terão ocorrido. A casa onde devido à idade foi autorizado pela Justiça a cumprir prisão domiciliária é cenário diário de uma verdadeira romaria de fiéis que querem confortar o sacerdote.
Desde o amanhecer, dezenas de pessoas, homens, mulheres e crianças, vão até à habitação, cercada por muros altos e por uma rede electrificada, para expressar solidariedade ao sacerdote. Rezam com ele e confortam-no. De acordo com testemunhos, o padre Luiz Barbosa está abatido mas recebe todos e não foge do delicado assunto que o colocou naquela constrangedora situação, assumindo que mantinha uma relação homossexual com o rapaz, ex-acólito, que o denunciou. Mas nega ter abusado de menores.
“Ele está a ser confortado pelos fiéis porque fez um bom trabalho na Igreja”, afirmou a um repórter o comerciante Robson de Paula, ao sair da casa do sacerdote, onde levou até a esposa e a filha, mostrando que o respeito e a quase devoção a Luiz Marques não acabaram.
Uma outra senhora, que não se quis identificar, afirmou que “não compete a nós julgar os pecados dele, quem tem d julgá-lo e, se for o caso, puni-lo, é Deus.”
Correio da Manhã, 26 de Abril 2010
O número de alemães que pagam o «imposto de igreja» está em queda acentuada. As notícias mais recentes indicam várias dioceses em que o número de renúncias a permitir que parte do imposto estatal seja captado pela ICAR triplicou ou quintuplicou.
Na Alemanha, é possível ao contribuinte indicar a comunidade religiosa à qual deseja que parte (8%-9%) do seu imposto seja afecto. As comunidades religiosas beneficiárias são a Igreja Luterana, a ICAR e a Comunidade Judaica. Este «imposto de igreja» permite saber quantos contribuintes pertencem a cada uma das principais comunidades religiosas.
Segundo uma sondagem, 26% dos católicos alemães poderão deixar de contribuir desta forma para a ICAR alemã, que retira 70% do seu financiamento do «imposto de igreja».
Um brincalhão qualquer do “Foreign Office”, o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, resolveu fazer circular um documento com aparência oficial em que se sugeria ao Papa Bento XVI que aproveitasse a sua visita ao Reino Unido em Setembro próximo para lançar a sua própria marca de preservativos «Benedict», para inaugurar uma clínica de abortos e para abençoar um casamento homossexual.
Descoberta a brincadeira, lá foi o brincalhão transferido sabe-se lá para onde, e lá teve o “Foreign Office” de andar a desmentir tudo e a pedir desculpas formais ao Papa e à Santa Sé.
Mas parece que a coisa é bem capaz de não ficar por aqui.
O cardeal Renato Martino, antigo presidente do Conselho Pontifício do Vaticano para a Paz e a Justiça declarou que se o Governo britânico convidou o Papa, deveria tratá-lo com respeito, porque fazer troça das crenças de milhões de católicos, não só no Reino Unido mas em todo o mundo, é de facto muito ofensivo.
E acrescentou que este incidente, de tal modo é ofensivo, poderá mesmo vir a causar o cancelamento da visita do Papa ao Reino Unido.
É pena que os responsáveis pelo Vaticano se ofendam tanto com uma brincadeira de um obscuro funcionário do ministério dos negócios estrangeiros britânico e não se incomodem sequer com a sua persistência em discriminar os seres humanos em razão da sua orientação sexual ou com os efeitos das mortíferas consequências da sua política sobre o preservativo, principalmente na África sub-Sariana.
Isto para não falar do tenebroso escândalo da pedofilia e do sofrimento causado a milhares e milhares de crianças por esse mundo fora, com a miserável complacência das mais altas estruturas da Igreja Católica, incluindo a do Cardeal Joseph Ratzinger.
Mas se uma brincadeira deste género é bem capaz de fazer cancelar a visita do Papa ao Reino Unido, será que em Portugal ainda vamos a tempo?…
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.