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1 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Feliz Ano Novo_1

Sob os escombros do ano que ora finda jazem os votos que formulámos no início. Onde se encontram a almejada paz, o amor jurado, a fraternidade anunciada? Pelo contrário, irrompem das trevas da intolerância fundamentalismos torpes e ódios obscenos.

Por todo o mundo lambem-se feridas de catástrofes naturais e conflitos provocados. A explosão demográfica, a pobreza e a guerra deram as mãos à intolerância e à vingança. O racismo e a xenofobia atingiram proporções dementes que terminaram na orgia de sangue em que os homens se atolaram. Foram frágeis os desejos e efémeras as expectativas.

Ano Novo, vida nova. Estes são os votos canónicos que fastidiosamente repetimos no dealbar de cada ano. E suplica-se que o Ano Novo seja o paradigma dos nossos sonhos e não a consequência dos nossos actos ou o fruto de circunstâncias que nos escapam.

Após as doze badaladas e outras tantas passas, o champanhe e os abraços, por entre beijos húmidos e corpos que se fundem numa sofreguidão de amor, com o brilho das luzes e o som da música, recomeça um novo ano com votos repetidos de ser diferente e ser melhor.

Os anos nascem ruidosamente e vivem-se em silêncio. Começam com ilusões e acabam em pesadelo.

Há em cada um de nós uma força que nos impele para a mudança, que nos dá ânimo para desbravar novos caminhos e assumir novos riscos enquanto o conservadorismo e o medo do desconhecido nos tolhem os passos, nos intimidam e levam a recusar a novidade.

Eu acredito que no coração dos homens mora um genuíno desejo de paz. Os mísseis que cruzam os ares, as bombas que perfuram o solo ou os efeitos colaterais da artilharia que errou o alvo e destrói povoações inteiras não são mais que um pesadelo passageiro.

O futuro constrói-se. A felicidade é um estado de alma que devemos procurar e a alegria o caminho a seguir.

É em cada um de nós, no espírito de tolerância, na aceitação da diferença, na solidariedade, que podemos começar a construir o mundo mais justo, fraterno e pacífico para o qual julgávamos bastarem os desejos formulados de olhos fechados na última noite de Dezembro.

Que o delírio do amor e a embriaguez do sonho se mantenham vivos durante o ano que aí vem. E que, por entre nuvens que pairam carregadas de incerteza, resplandeça o sol da esperança e a nossa vida decorra tranquila. Sem dogmas nem obscurantismo.

Feliz 2011.

31 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

Superstição e atraso numa reivindicação justa

Autarcas e população de Coimbra, Lousã e Mirando do Corvo seguem em marcha lenta até ao Santuário de Fátima em protesto contra o fim das obras do MetroMondego. Vão pedir à Virgem para que este processo se resolva e rezar para que o Governo seja responsável, diz Jaime Ramos.

[Vamos a Fátima] rezar para que o Governo passe a ter atitudes responsáveis, que deixe de fazer este terrorismo de Estado que tem estado a fazer contra Coimbra”, afirma o antigo governador civil de Coimbra.

30 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

O Vaticano e o “dinheiro sujo”…

Por

E – Pá

O Vaticano promulga leis para lutar contra a lavagem de dinheiro…

De facto, passados 28 anos [1982] do escândalo do Banco Ambrosiano/IOR [Banco do Vaticano], é uma medida que chega tarde. Melhor seria, concomitantemente, esclarecer de que modo 1,4 bilhões de dólares levaram sumiço, as circunstâncias do suicícdio de Roberto Calvi, a defenestração do alto funcionário do BV Giuseppe Della Ca e da secretária suiça Graziella Corrocher…
Só Michele Sindona foi apanhado pela justiça americana. Uma outra pia entidade – Arcebispo Marcinkus – o presidente do Banco, provavelmente o mais envolvido de todos, amigo pessoal de JP2 e, acrescente-se de nacionalidade americana, morreu tranquilamente nos EUA…

Se este emaranhado de factos, em devido tempo, não provocou qualquer reacção do IOR, a actual investigação dos magistrados italianos e uma maior exposição dos negócios da ICAR ao Mundo, alertou o Vaticano para a necessidade de tentar prevenir os negócios “sujos”… que, como se verifica, não morreram com Marcinkus.

Para não ferir a tradição, o actual inquilino Vaticano, B16, não deve tardar a aparecer pedindo desculpas públicas. Esperando que o Mundo as aceite… sem mais explicações!

29 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

Diploma de apoio ao ensino privado

Cavaco Silva, depois da ameaça pública de veto, a que se chamou diálogo entre o PR e o Governo, promulgou o regime de apoio ao ensino privado.

A decisão sobre o regime referido é da competência do Governo mas a intromissão do PR, num diploma que exorbita a sua competência, e a publicidade que quis dar ao seu direito de veto, revela bem a pressão da ICAR e a sua influência eleitoral.

Quando o PR afirma esperar que prevaleça o bom senso fica a saber-se que quer aludir à sua forma de interpretar o interesse nacional, de acordo com os interesses dos donos dos estabelecimentos de ensino privado, à custa do erário público.

As escolas privadas são instituições lucrativas destinadas a quem as quer e pode pagar. Não podem ser um sorvedouro de dinheiros públicos, o instrumento de transferência de recursos do Estado para mãos privadas nem o subsídio a projectos confessionais.

A ruidosa ingerência presidencial piorou o diploma que vai regular a relação do Estado com os estabelecimentos do ensino particular e cooperativo.

Havendo na área escolas públicas, cuja cobertura nacional é obrigação do Estado, a que propósito se financiam estabelecimentos particulares cujos professores estão isentos dos concursos públicos e a aceitação dos alunos depende dos proprietários?

O ensino público, laico, gratuito, universal e de qualidade, deve ser separado do ensino privado. É a tarefa que incumbe ao Estado para assegurar igualdade de oportunidades, sem discriminação de nascimento, poder económico ou orientação confessional.

O presente diploma foi modificado para pior e traz consigo a ameaça da manutenção do ensino nas escolas religiosas à custa do erário público.

29 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

A superstição vende bem

Prefeitura apela aos espíritos para evitar chuva no réveillon do Rio
Paes teria pedido à médium um ‘centro’ de orações na Avenida Atlântica
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Médium vai fazer acção, mesmo com contrato suspenso com a prefeitura.

No que depender das forças do além, a chuva não vai atrapalhar a queima de fogos no réveillon da praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. A médium Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral, promete recorrer aos espíritos para garantir o tempo bom na noite do dia 31.

Nota: A ICAR só sabe rezar para que chova. Tem uma novena especial.

28 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

A China mente

Papa age mais como político ocidental do que como líder religioso

Um jornal chinês exortou hoje o Vaticano a “deixar de interferir nos assuntos internos da China” e acusou o Papa Bento XVI de agir “mais como um político ocidental do que como líder religioso”.

Nota: Os políticos ocidentais são eleitos democraticamente e respeitam a liberdade religiosa. O Papa é mais parecido com os governantes chineses.