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4 de Julho, 2011 Eduardo Patriota

No Brasil, empecilho para lei do aborto é a Igreja, revelam documentos

Marcela de Jesus – bebê anencéfalo que viveu por 20 meses

O aborto segue como um tema delicado. De forma alguma podemos permitir o assassinato de um feto por puro capricho. A justificativa de um aborto deve ser uma medida extremamente cautelosa, acompanhada por médicos, psicólogos, assistentes socias e outros agentes do governo. Mas, deve-se haver uma justificativa possível. Infelizmente, no Brasil, ainda obrigam grávidas a parirem um feto anencéfalo natimorto. Uma espécie de sadismo que não cabe na mente dos mais esclarecidos. E que, na verdade, não funciona na prática.

O aborto é uma prática comum e continuará sendo. Essa é a conclusão de um telegrama enviado a Washington pela embaixada em Brasília, em 7 de julho de 2004, com uma avaliação da legislação brasileira sobre o assunto. O telegrama obtido pelo site WikiLeaks foi divulgado nesta terça-feira pela Agência Pública, parceira brasileira do site de Julian Assange.

Na conclusão intitulada “leis que não pegam”, o embaixador diz que “apesar de ser ilegal, o aborto é comum aqui e um estudo mostrou que 31% das mulheres grávidas no Brasil fazem aborto. O resultado mais provável desse debate é que o aborto continuará a ser amplamente proibido — com certas exceções — e a proibição continuará a ser amplamente desrespeitada”.

Para os americanos, a oposição da igreja seria um grande empecilho para uma mudança efetiva na lei.  “Apesar da maioria dos brasileiros terem uma mente aberta, a igreja não só se opõe à liminar mas a vê como a ponta do ‘iceberg’ no início de uma série de exceções à proibição do aborto que viesse na prática a legalizá-la”, descreve o telegrama assinado pelo ex-cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Patrick Duddy.

3 de Julho, 2011 Ludwig Krippahl

Treta da semana: «Mentes fechadas».

A homeopatia não funciona. Esta é uma conclusão bem fundamentada quer pela teoria quer pelos muitos testes já feitos. A homeopatia assume que o remédio para uma maleita é uma solução diluída de algo que cause os mesmos sintomas, o que não faz sentido. É como dar um chá de barrote a quem partiu uma perna. E a diluição pode ser tanta que não sobre qualquer átomo do princípio activo porque, alegam, a água guarda a memória dos remédios enquanto, convenientemente, se esquece dos dejectos que por ela já passaram. Os testes também são claros. Se a um grupo de doentes dermos medicamentos homeopáticos e o outro dermos algo parecido sem homeopatia, desde que não saibam qual é qual vão relatar melhorias idênticas (1).

Infelizmente, muitos meios de comunicação social dão uma ideia diferente. A RTP 1 dedicou há dias mais de meia hora a fazer publicidade ao homeopata Nuno Oliveira, não criticando sequer afirmações como «não há necessidade [de uma criança] estar a iniciar um tratamento da medicina convencional, um antibiótico, por exemplo, numa infecção, quando nós podemos tratá-lo de uma forma totalmente inócua e extremamente eficaz», nem questionou a sua prática de pediatria homeopática quando só tem um curso de homeopatia (2). Isto é um perigo. É possível que uma infecção passe sozinha – nesses casos a homeopatia “funciona” – mas também é possível que perder dias a experimentar tretas tenha consequências graves para a criança. Adiar o tratamento de uma infecção perigosa não tem nada de inócuo.

Mas o ponto principal deste post é a justificação dessas alegações, e não tanto o problema de saúde pública que estas coisas criam. Em resposta a um artigo na Visão, que criticou a homeopatia, o Nuno Oliveira alega que os cientistas é que têm a mente fechada e dá exemplos de três erros comuns nas tretologias: «Estudo Homeopatia quase compulsivamente há muitos anos»; «os critérios de evidência aos quais a Homeopatia tem sido submetida, estão totalmente errados. A Homeopatia tem as suas regras específicas»; e «não podemos querer ter resultados homeopáticos, quando os medicamentos são utilizados segundo a visão da medicina convencional.»

O primeiro problema é “estudar” a hipótese em vez de confrontar várias alternativas com os dados. É verdade que na escola nos dão as hipóteses e teorias pré-fabricadas, mas não é assim que elas são geradas. As terapias surgem quando a medicina estuda as doenças, tenta perceber os mecanismos que as causam e selecciona, testando, as formas mais eficazes de as tratar. Isto é o que a ciência faz. Estuda o fenómeno, reúne dados e usa essa informação para seleccionar as hipóteses mais correctas. As tretologias fazem o contrário. Partem de umas crenças que não questionam, seja as “leis” da homeopatia, o credo ou os efeitos astrológicos dos planetas, e depois inventam histórias para enfiar isso em todo o lado, interpretando os dados a gosto.

O segundo problema é invocar excepções arbitrárias. A propósito da religião, o Carlos Soares comentou que «É abusivo reduzir conhecimento a ciência»(4). Mas é precisamente o contrário. Os defensores de disparates sem fundamento é que tentam reduzir a ciência àquilo que não os incomode. Quem crê num deus diz que a ciência não se pronuncia acerca do seu deus, ainda que não se oponha à refutação científica dos deuses dos outros. Quem crê na vidência, tarot ou astrologia, idem. E a homeopatia faz o mesmo. Testar medicamentos em ensaios clínicos controlados, estatisticamente significativos e com dupla ocultação é excelente. Para os outros. Seria excelente também para a homeopatia se ela funcionasse, e nenhum religioso, astrólogo ou cartomante rejeitaria provas conclusivas de ter razão. Se as houvesse. Mas como não há, todos dizem alto lá, aqui a ciência não entra.

Finalmente, o tal pensamento positivo. É preciso ter a visão certa para testar a homeopatia, crer para compreender a religião, aceitar a existência do Serviço Magnético para receber a sabedoria do Kyron e assim por diante. Só que não é interpretando dados ambíguos de acordo com premissas falsas que se corrige o erro inicial. É por isso que a ciência formula testes objectivos, cujos resultados sejam claros independentemente daquilo que se deseja. É por isso que, quando quero saber se emagreci ou engordei, não me guio pelo espelho nem pela minha avó (que diz sempre que estou mais magro). Guio-me pelos buracos do cinto e pela balança, menos influenciáveis por factores subjectivos. Só assim se distingue entre conhecimento e erro, entre realidade e wishful thinking.

A ciência inclui todos os métodos, truques, procedimentos e técnicas que maximizam a probabilidade de seleccionar hipóteses verdadeiras. Mesmo que tenham de ser adaptados aos detalhes de cada problema, guiam-se sempre pelo princípio de que nos podemos enganar, procurando resultados claros que determinem, sem ambiguidade, quais das nossas hipóteses estão mais de acordo com a realidade. Quem é redutor, e tem mente fechada, é quem invoca excepções para proteger deste escrutínio as suas hipóteses favoritas. O Nuno Oliveira escreve que «Se queremos verdadeiramente evoluir no conhecimento, temos que estar abertos, temos que questionar, pela positiva e não pelo derrotismo.» Não. Temos é de questionar com objectividade. Temos de obter dados que indiquem o caminho correcto mesmo que isso frustre as nossas expectativas. Isso de “questionar pela positiva” não é conhecimento. É ilusão.

1- Ben Goldacre no Guardian, 16-9-2007, A kind of magic?
2- A.P. Homeopatia no YouTube, Homeopatia na RTP 1 – parte 1/4
3- Nuno Oliveira, 18-2-2011, Mentes Fechadas
4- Comentário em A diferença, ilustrada.

Em simultâneo no Que Treta!

1 de Julho, 2011 Abraão Loureiro

Como legalizar o consumo de droga? Através da religião!

História, doutrina , igreja do Santo Daime
A historia da Doutrina Santo Daime começa com o nascimento de Raimundo Irineu Serra, em São Vicente do Ferré no dia 15/12/1892 no Estado do Maranhão. Irineu um negro alto com 2 metros de altura, filho do ex-escravo Sancho Martino e Joana Assunção, o fundador da Doutrina Santo Daime.

E se os portugueses aderirem à Igreja do Santo Daime e abrirem filiais pelo país? Ler notícia aqui

1 de Julho, 2011 Luís Grave Rodrigues

Uma Boa Pergunta

                      
30 de Junho, 2011 Ricardo Alves

«Nem Alá, nem Senhor»

O documentário «Nem Alá nem Senhor», da realizadora tunisina Nadia El Fani, já provocou manifestações furiosas dos extremistas islamistas, que gritam barbaridades intimidatórias como «a Tunísia é um Estado islâmico» e «o povo quer criminalizar a laicidade». Não suportam que se debata a laicidade num país de maioria muçulmana, e que a realizadora seja ateia. Que ninguém se espante: viram-se cenas semelhantes em Lisboa há poucas décadas, por causa de uma caricatura com Papa e preservativo ou à porta de cinemas que projectavam filmes com «Maria» no título. Tunes não está assim tão distante de Lisboa.

Fica em baixo um excerto do documentário.

29 de Junho, 2011 Ricardo Alves

«Matareis os vossos animais com crueldade e mutilareis as vossas crianças»

Não me indigna nem me entusiasma a proibição do abate ritual de animais (kosher ou halal). Se concordo que não anestesiar um animal antes de o matar é uma crueldade desnecessária (ainda pior quando se reza aos ouvidos do pobre bicho enquanto se lhe corta o gasganete), parece-me um exagero sentimentalista a ideia de que os animais de outra espécie que não a nossa têm direitos inalienáveis. Todavia, por princípio não aceito que um grupo de indivíduos se reclame o direito de fazer qualquer coisa que me é proibida por lei só porque seguem uma religião, seja ela qual for. Portanto, estou a favor. Porque, embora resolutamente antropocêntrico, não entendo por que a religião ou a tradição hão-de ser fonte de direitos, como pretende certo reaccionarismo pós-modernista.
E mais: como temem alguns judeus, ficaria realmente entusiasmado se se proibisse a circuncisão,  sem motivo médico, de menores de idade. A integridade dos órgãos sexuais das crianças parece-me mais importante do que qualquer fantasma de «anti-semitismo» ou «islamofobia» que se queira invocar. Apedrejai-me, clericais.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
28 de Junho, 2011 Eduardo Patriota

Galinha mutante levanta debate religioso em Israel

 

E eu pensando que já tinha visto de tudo…

Uma família judia ultra-ortodoxa mostrou nesta terça-feira (28) uma galinha de quatro patas que nasceu em sua casa, no bairro de Mea Shearim, em Jerusalém. A rara ave levantou um debate religioso sobre seu rótulo de alimento “kosher”, aquele que é considerado puro e por isso é permitido na alimentação de judeus.

Segundo a crença, um animal que tenha órgãos sobressalentes seria considerado impuro (“treif”), mas há quem defenda que isso só é verdade no caso de as patas extras estarem ligadas de alguma forma à bacia da ave, como as patas normais.

Por conta disso, alguns defendem que só se saberá se a carne da galinha é “kosher” ou “treif” depois que o animal for abatido, e sua estrutura, analisada.

Isso prova uma coisa e abre uma dúvida:

Prova que todos judeus ultra-ortodoxos faltaram às aulas básicas sobre biologia, DNA, replicação celular, etc. E a dúvida é: será que esse tempo todo os judeus estavam comendo alimentos proibidos? Será que isso explica os infortúnios deste povo ao longo da história?