Loading
4 de Novembro, 2011 Ricardo Alves

Irlanda fecha embaixada no Vaticano

Num ano marcado por relações muito tensas com a ICAR, que decorrem das revelações do encobrimento, pela hierarquia católica, de crimes de abuso sexual de menores, a Irlanda decidiu fechar a sua embaixada no Vaticano. Não é um corte de relações diplomáticas, e alegadamente não é consequência da crise diplomática que já levou o Vaticano a chamar o núncio papal em Dublin. A decisão é apresentada, isso sim, como um esforço de contenção de gastos num país severamente atingido pela crise financeira. Cita-se como razão a falta de interesse económico  em ter duas embaixadas em Roma. Mas é uma estalada evidente: um arcebispo irlandês fala mesmo em «profunda desilusão» e «pouca consideração pelo importante papel desenvolvido pela Santa Sé nas relações internacionais».

O governo português poderia pegar na ideia…

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

4 de Novembro, 2011 Luís Grave Rodrigues

Epifania

3 de Novembro, 2011 Ludwig Krippahl

Compatíveis… pois…

John Haught, teólogo católico, é um dos defensores da tese de que a fé (católica) é compatível com a ciência. Jerry Coyne, biólogo ateu, é um dos defensores da tese contrária, de que ciência e religião não são compatíveis. No dia 12 de Outubro falaram ambos num simpósio sobre este tema, a compatibilidade entre ciência e religião.

John Haught fez o que os teólogos costumam fazer. Alegou haver várias interpretações metafóricas de crenças religiosas que não são incompatíveis com aquilo que a ciência propõe serem os factos. Que existe algo divino e transcendente, que há um sentido último, sempre misterioso, que o podemos sentir pela fé mas nunca compreender pela ciência e coisas assim. Mas evitou sempre a questão essencial. É irrelevante que seja possível fazer afirmações gratuitas que, não dizendo nada em concreto, também não contradizem a ciência. Ou o que quer que seja. O problema é que a ciência não é compatível com a decisão de ter fé em tais coisas.

O Jerry Coyne perdeu algum tempo a falar dos malefícios do cristianismo, o que não é muito relevante para a questão de ser ou não compatível com a ciência, mas focou o principal. A ciência é um processo que usa a dúvida para evitar encravar nos erros. Principalmente no auto-engano. Se questionarmos qualquer alegação, procurarmos hipóteses alternativas e só cedermos a nossa confiança, com relutância e provisoriamente, àquelas hipóteses que a isso nos obrigarem pelo peso das evidências, sempre vamos corrigindo os erros. Não podemos evitar errar, mas pelo menos temos a possibilidade de notar quando erramos e a disposição para o admitir e escolher alternativas. E isto é incompatível com a fé. A fé é a confiança dedicada e persistente na crença de que as coisas são como se julga. A ciência é a dúvida rigorosa e sistemática que vai moldando as crenças àquilo que as coisas são.

O vídeo das duas intervenções está disponível no site do simpósio (1). Mas foi por pouco. Numa atitude pouco compatível com o debate aberto que é essencial em ciência, e mais próxima da prepotência que as religiões manifestam sempre que podem, John Haught inicialmente impediu a divulgação do vídeo (2), alegando que «a discussão em Kentucky raramente se elevou ao nível de um encontro académico»(3). Apesar de ser apenas um incidente pontual, esta atitude de Haught é mais um exemplo da incompatibilidade entre querer saber e ter fé que já se sabe. É verdade que há cientistas religiosos. É verdade que se pode apresentar algumas crenças religiosa de forma tão vaga e abstracta que nada as possa contradizer. Mas a disposição para ajustar as ideias às evidências é incompatível com a dedicação incondicional a uma crença.

Em simultâneo no Que Treta!

1- 2011 Bale-Boone Symposium Videos, Science and Religion: Are They Compatible?
2- Why Evolution is True, Theologian John Haught refuses to release video of our debate
3- Why Evolution is True, Under pressure from blogosphere, Haught explains and relents

3 de Novembro, 2011 Abraão Loureiro

Ateus adotam nova estratégia: ir a público

Dois meses após uma organização ateia local colocar um cartaz dizendo: “Você não acredita em Deus? Você não está sozinho”, os 13 membros do conselho do grupo reuniram-se na sala de Laura e Alex Kasman para lidar com as consequências.

O problema não foi que o grupo, os Humanistas Seculares de Lowcountry, tinha virado alvo de hostilidades. Foi o oposto. Mais de 100 pessoas apareceram para seu simpósio público, e os membros do conselho estavam discutindo se não era hora de encontrar um espaço maior.

E agora os pais estão pedindo programas orientados para a família, nos quais possam se reunir com outros ateus de mente parecida.

“Todo mundo é a favor de patrocinar um piquenique para humanistas com famílias?”, perguntou o presidente do conselho, Jonathan Lamb, meteorologista de 27 anos, ouvindo um coro de “sim”.

Mais do que nunca, os ateus dos EUA estão se unido e se expondo – mesmo aqui na Carolina do Sul, lar da Universidade Bob Jones, das Leis Blue e de uma câmara legislativa que no ano passado aprovou unanimemente uma placa de carro cristã com uma cruz, uma janela de vitrais e as palavras “Eu Acredito”. (A medida foi vetada por um juiz e agora irá a julgamento.)

Eles estão se conectando via Internet, fazendo reuniões em bares, colocando anúncios em cartazes e ônibus, se voluntariando para cozinhas comunais, catando lixo na beira da estrada e conquistando o reconhecimento de grupos ateus em avisos para adotar uma estrada. Eles comparam sua estratégia com a do movimento dos direitos homossexuais, que cresceu quando os membros da minoria marginalizada decidiram ir a público.

“Não é uma questão de protestar. A coisa mais importante é sair do armário”, disse Herb Silverman, professor de matemática do Colégio de Charleston, que fundou o grupo dos Humanistas Seculares de Lowcountry, que tem cerca de 150 membros na costa das Carolinas.

As pesquisas mostram que as fileiras de ateus estão crescendo. Na Pesquisa de Identificação Religiosa Americana, grande estudo publicado no mês passado, o único grupo demográfico que cresceu em todos os 50 Estados nos últimos 18 anos foi o dos “sem religião”.

Continue lendo aqui (publicado no Ceticistmo Net)

 

3 de Novembro, 2011 Carlos Esperança

A ICAR e a política espanhola

A Igreja católica e o franquismo viveram tão harmoniosamente que o silêncio foi a nota dominante perante os crimes cometidos: execuções sumárias, roubo de crianças a quem assassinavam os pais, perseguições, prisões, enfim, uma ditadura cruel comparável às de Hitler e Estaline. Nem os padres republicanos, quando foram executados, encontraram compaixão nos cúmplices de Franco.

Não me refiro à crueldade, praticada pelos dois lados da barricada, durante a guerra em que a República, saída das eleições, foi derrubada com a bênção do Vaticano. A sedição e os crimes cometidos foram equiparados a uma Cruzada pelo papa de turno, que ainda considerava as Cruzadas como acções pias. O futuro santo Escrivà foi um apoiante que seguiu Franco no ataque a Madrid.

A Igreja católica digeriu mal a democracia espanhola, como é natural, e os bispos não desistiram de abanar as mitras e agitar os báculos sempre que as leis acompanharam a modernidade e puseram em causa os seus preconceitos. Não hesitaram em ocupar as ruas, invadindo Madrid com sotainas, beatos e protestos, quando as leis do divórcio, do aborto e do casamento entre indivíduos do mesmo sexo foram votadas. E não aceitaram  que a liberdade fosse levada às escolas do estado, tornando facultativa a frequência das aulas de religião.

Nas últimas eleições municipais e autonómicas a ICAR concorreu às eleições através do PP numa irritação ruidosa contra o PSOE, tal como havia feito no tempo de Aznar. Zapatero ainda fez numerosas cedências, particularmente no campo financeiro, um acto que a Igreja costuma apreciar. Nem a neutralidade conseguiu.

No próximo dia 20, dia das eleições gerais, com a rotatividade partidária assegurada e a certeza de que entre os democratas de direita se escondem ainda os franquistas, a Igreja apresenta-se às eleições apoiando o PP. A Conferência Episcopal  já aconselhou os eleitores católicos «para que não caiam em erros que podem levá-los a votar uma opção que não esteja de acordo com a sua fé». A mensagem será difundida nos confessionários e nos púlpitos de milhares de paróquias, à semelhança do que o Islão faz nas madraças e nas mesquitas.

A vitória da direita será também a do clero que, há duas legislaturas, rumina a raiva que nutre pelo PSOE. É curioso que uma Igreja tão prosélita não tenha percebido ainda que a juventude espanhola está cada vez mais longe do pensamento do clero e indiferente aos santos destinados a Espanha que o Vaticano tem fabricado em doses industriais.

A vitória partidária da Igreja católica prenuncia o requiem pela sua influência política.

2 de Novembro, 2011 Ricardo Alves

A besta islamista voltou a atacar

A redacção do jornal Charlie Hebdo foi incendiada esta madrugada, aparentemente com um cocktail molotov. A razão é óbvia: o jornal satírico francês lança hoje nas ruas uma edição (capa aqui ao lado) destinada a assinalar a vitória dos islamistas do Ennahda na Tunísia e o anúncio pelo CNT de que as leis líbias se basearão na chária. A edição apresenta o título «Charia Hebdo» e um novo editor: «Maomé» (lui-même). A redacção ficou totalmente destruída.

A sátira e o riso são tão importantes para o meu ateísmo como o ajoelhamento e a prece o são para os religiosos. Se os muçulmanos e os católicos não entendem assim, eu explico melhor: atacar o Charlie Hebdo é como pôr uma bomba em Meca ou em Fátima. Ou melhor ainda: na Europa, o anticlericalismo é um direito. Pôr bombas por causa de umas caricaturas é próprio de bestas que se levam demasiadamente a sério. Ou de fascistas (neste caso, da variante islamofascista). Se não gostam de rir, vão rezar. 
P.S. Agradeço aos leitores que informem na caixa de comentários da localização de alguns dos quiosques e papelarias que vendem o Charlie Hebdo para que todos possamos, em solidariedade, adquirir um exemplar (ou mais…).
[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
2 de Novembro, 2011 Raul Pereira

Livros de Humberto Eco e Jesse Bering

Umberto Eco

Construir o inimigo e outros escritos ocasionais (Costruire il nemico e altri scritti occasionali), Gradiva, 2011, 312 pg. (****)

Construir o Inimigo

Eco tem um apetite intelectual bulímico e omnívoro, de forma que esta recolha de 15 textos apresentados em conferências ou publicados na imprensa durante a primeira década deste século, vai do Ulisses de James Joyce à Balada do Mar Salgado de Hugo Pratt, das cogitações de São Tomás de Aquino sobre a alma dos fetos às raparigas de formas generosas que adornam as televisões do Sr. Berlusconi. Alguns textos perdem pertinência e inteligibilidade quando retirados do contexto em que foram apresentados – é o caso de “Delícias Fermentadas” ou “O Grupo 63, 40 Anos Depois” – mas a lucidez e engenho de cada um dos restantes seria, por si, só razão para adquirir toda a colecção.

“Construir o Inimigo”, o ensaio que dá título à antologia, é uma brilhante súmula de, como ao longo da história, cada povo ou raça foi concebendo o Outro. Outro texto de grande pertinência e actualidade é “Absoluto e Relativo”, que distingue os vários tipos de relativismo que o debate público confunde (ou faz por confundir).

A ironia de Eco assoma em “Andar em busca de tesouros”, que retoma um tópico já abordado em O Nome da Rosa: a proliferação de relíquias sagradas pelas igrejas e mosteiros da Europa. Veja-se o caso do prepúcio de Jesus, cuja posse é reclamada, simultaneamente, por Roma, Santiago de Compostela, Chartres, Besançon, Metz, Hildesheim, Charroux, Conques, Langres, Antuérpia, Fécamp, Puy-en-Velay, Auvergne e Calcata, embora esta última tenha perdido essa pretensão desde 1970, quando o pároco comunicou o seu furto. Já os cueiros do Menino Jesus são reclamados apenas por Aquisgrana (Aachen), o que se compreende pois nos tempos bíblicos a fralda descartável ainda não tinha sido inventada – um Jesus do século XXI deixaria um rasto capaz de satisfazer todos os santuários. Constantinopla (hoje Istambul) pôde orgulhar-se de uma extraordinária concentração de relíquias, mas a IV Cruzada levou à dispersão da maior parte, incluindo “uma porção de esterco do burro em cima do qual Jesus entrou em Jerusalém” (se o prezado leitor tiver notícia do seu paradeiro queira alertar as autoridades eclesiásticas).

A antologia encerra com umas “Reflexões sobre o Wikileaks” bem mais penetrantes e iluminadoras do que a maior parte do que se tem escrito sobre o assunto: “Todo o dossier construído pelos serviços secretos […] é feito exclusivamente de material já de domínio público. […] Preguiçoso o informador e preguiçoso, ou de mente estreita, o dirigente dos serviços secretos, que julga verdadeiro apenas aquilo que reconhece”.

Jesse Bering

O Instinto de Acreditar, Temas & Debates, 2011, 284 pg. (****)

O Instinto de Acreditar

No debate sobre Deus que anima o meio intelectual anglo-saxónico (por cá o debate anda mais em torno de Jesus e da sua capacidade em levar o Benfica a campeão) é desconcertante que este livro tenha sido recebido pelo sector religioso com bonomia. Bering não é tão agressivo como Richard Dawkins e Christopher Hitchens, mas não é menos assertivo.

Bering introduz a coscuvilhice como explicação do apetite por criar deuses: a conjugação de duas características únicas da espécie humana – a capacidade de imaginar e prever o pensamento e comportamento dos nossos pares (a “teoria da mente”) e a linguagem (que nos permite relatar os comportamentos dos nossos pares) – fez do mexerico um eficaz “dispositivo de policiamento” da sociedade.

Mais eficaz ainda é imaginar que existe um deus que nos observa mesmo quando os nossos pares estão distraídos. “A atracção inebriante das crenças no destino, de ver sinais numa série infinita de acontecimentos naturais inesperados, a ilusão inabalável da imortalidade psicológica, e a assumpção implícita de que os infortúnios estão ligados a um qualquer plano divino […], tudo isso amadureceu no cérebro humano, [levando] os nossos antepassados a sentir-se e a comportar-se como se as suas acções estivessem a ser observadas, etiquetadas e julgadas por uma audiência sobrenatural”. Ao refrear o comportamento egocêntrico e impulsivo, “a ilusão cognitiva de um Deus omnipresente e atento foi útil para os nossos genes, e isso é razão suficiente para que a natureza mantivesse a ilusão bem viva no cérebro humano”.

— José Carlos Fernandes —

❖ Críticas publicadas na Time Out: Lisboa a 19 e a 26 de Outubro de 2011, respectivamente. Agradeço ao autor a autorização para as publicar também no Diário Ateísta.

2 de Novembro, 2011 Ludwig Krippahl

Ciência, metafísica e filosofia.

Uma coisa que me dizem muitas vezes é que não posso exigir “provas científicas” para alegações que, apesar de serem acerca de factos, se rotulam de metafísicas ou filosóficas. A ideia parece ser de que há jogos diferentes e, por simples troca de etiquetas, o que é claramente falso num passa a verdade indubitável no outro. Cientificamente, a hóstia fica na mesma. Metafisicamente, dá-se um milagre. Treta.

A filosofia procura a compreensão pelo raciocínio metódico e pelo diálogo racional e crítico. A ciência também, e aquilo que hoje chamamos ciência chamou-se, durante séculos, filosofia natural. Agora prevalece a ideia de que a ciência lida com o que é empírico e a filosofia lida apenas com o resto, como a ética e a metafísica. Mas esta ideia é errada. É certo que filosofia abarca muita coisa, dos silogismos de Aristóteles aos dramas de Sartre, da ironia de Kierkegaard à lógica matemática de Russell. Mas muito na filosofia – como a filosofia da mente, da linguagem e da ciência, só para dar alguns exemplos – depende de dados experimentais, exactamente como a ciência. Não há uma fronteira clara a partir da qual uma investigação filosófica passa a ser científica. Esta distinção deve mais a decisões subjectivas de nomenclatura do que a diferenças objectivas entre as abordagens.

A alegada diferença entre ciência e metafísica é outra ficção. Conveniente, mas fictícia à mesma. Consideremos, por exemplo, os postulados de Koch. Se um micróbio está presente nos organismos doentes e ausente nos saudáveis, se depois de purificado e inoculado num hospedeiro saudável este passa a manifestar a doença, e se depois pode ser isolado desse hospedeiro doente, então considera-se cientificamente estabelecido que esse micróbio causa essa doença. À primeira vista, é uma questão empírica e científica sem nada de metafísico.

Mas a relação de causalidade é metafísica. Empiricamente, a única coisa que se pode estabelecer é uma correlação. Sabemos que o micróbio está lá, depois o animal adoece, depois isolamos o micróbio, e assim por diante. Se a ciência, como apregoam, se limitasse ao empírico, nunca poderíamos dizer que o micróbio causa a doença. Apenas se poderia afirmar que, nos casos conhecidos, a doença se correlaciona com a presença do micróbio. Esta seria uma afirmação muito mais limitada. Por exemplo, nesse caso a ciência nunca poderia dizer o que me teria acontecido se não tivesse tomado a BCG e me tivessem inoculado com o bacilo da tuberculose aos 5 anos. Empiricamente, é impossível determinar o que teria acontecido quando não aconteceu. Não faz parte do conjunto de casos conhecidos onde se possa medir correlações. Mas a ciência responde que esse bacilo causa tuberculose e que, por isso, se eu não tivesse tomado a vacina e me tivessem inoculado com o bacilo eu certamente teria apanhado tuberculose. A causalidade, a explicação, o relato de como as coisas acontecem, tudo isso é científico e é metafísico. Se a ciência fosse estritamente empírica estaria limitada a listas de observações do género “este aparelho indicou aquele valor”. E talvez nem isso.

O que não quer dizer que estes aspectos metafísicos do relato científico não sejam testáveis. Não são directamente testáveis, porque a explicação e a causalidade, por si, não são nada que se possa observar. Mas são indirectamente testáveis porque explicações e relações entre causa e efeito implicam restrições àquilo que se espera observar. E a metafísica inclui o estudo de conceitos como o tempo e o espaço, que a ciência tem elucidado, e foi de um cepticismo metafísico que surgiu a epistemologia, o estudo de como podemos saber o que julgamos saber, e a filosofia da ciência, que é também uma ciência da ciência, visto que ninguém consegue fazer filosofia da ciência que valha qualquer coisa sem testar hipóteses contra o que observa os cientistas a fazer.

Invocar a desculpa fácil de que certa alegação não carece do fundamento que deveria ter por ser metafísica ou filosófica assume serem desconexos estes aspectos da nossa compreensão que estão interligados. Explicações, causalidade, relatos acerca do que a realidade é para além do que observamos, ou são um misto de filosófico, metafísico e científico ou não servem para nada. E, ao contrário do que muitos parecem crer, os rótulos de “metafísico” ou “filosófico” não têm o poder mágico de tornar disparates em verdades.

Em simultâneo no Que Treta!

1 de Novembro, 2011 José Moreira

Dúvidas de um ateu (II)

Gen 2:16 – E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,
Gen 2:17 – Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

A primeira dúvida prende-se, desde logo, com o facto de Deus ter criado uma árvore cujo fruto não se podia comer. Ou seja, uma árvore completamente inútil já que, tanto quanto se sabe, nem sequer havia indústria madeireira. E Deus cria coisas inúteis?

Mas a questão torna-se mais complexa quando se afirma que Deus é, entre outras coisas, omnisciente. E o que se pergunta é:

  1. Deus sabia, ou não, que o casal iria comer o fruto proibido?
  2. Se sabia, como se depreende, por que carga de água colocou uma árvore cujo fruto não podia ser comido e que, no fim de contas, não servia rigorosamente para mais nada?