João César das Neves (JCN), com vasta erudição no campo da religião e da zoologia, confessou-nos recentemente que ele é um asno e que no céu também há cavalariças, sendo a primeira afirmação fácil de acreditar e a segunda de duvidosa prova.
Na homilia desta segunda-feira o santo asno perorou sobre a morte de um dos grandes intelectuais do nosso tempo e insigne ateu – Christopher Hitchens – , falecido em 15 de Dezembro e que desmascarou as mentiras pias e o perigo das religiões,
Talvez para não perder o direito à estrebaria que julga ter reservada no Paraíso (seja lá isso onde for) JCN escreveu umas tantas asneiras convencido de que elas lhe aplainam o caminho da salvação, uma espécie de prolongamento da vida que um ser hipotético reserva aos que acreditam na sua existência e praticam uns rituais exóticos apelidados de sacramentos.
JCN define ateísmo como « a doutrina religiosa com o dogma de que Deus não existe», comparando a dúvida à irracionalidade da fé e a desconfiança nas afirmações para as quais não existem provas com a crença irrefletida nessas afirmações, no seu caso com algumas tão exóticas como a virgindade de uma mulher parida ou a infalibilidade de um papa obsoleto e rancoroso – Pio IX.
Quanto à existência de deus, JCN esgrime uma sibilina ameaça comparando os dogmas com o ateísmo: «Um dia veremos, mas então será demasiado tarde». Será difícil que algum ateu pense, depois da morte, na possibilidade de zurrar numa cavalariça comum com o devoto escriba no paraíso dos católicos apostólicos romanos.
JCN acusa os ateus, de que Hitchens é o paradigma, por terem como traço principal não o ateísmo, bastante comum, mas o violento e persistente ataque à religião, como se só houvesse uma, ou as religiões fossem um exemplo de fraternidade entre si, e o ateísmo fosse mais do que uma opção filosófica de quem cultiva a razão e confia na ciência para elaborar os seus modelos de racionalidade.
Quanto aos ataques à religião (JCN sabe que todas são falsas menos a sua) confunde a discussão filosófica e os ataques a crimes, sejam eles cometidos por ateus ou crentes, feitos em nome do humanismo contra ao proselitismo religioso que há milénios comete os mais ignóbeis crimes e os mais sangrentos genocídios.
Para mostrar a dificuldade em dialogar com pessoas com referências diferentes (ateus?), JCN afirma: Imagine-se o embaraço no convívio com promotores do canibalismo, escravatura ou poluição. Nisso tem razão. Basta ler a Bíblia e ver como a escravatura, a tortura, a violência e a morte dos infiéis são referências pias que tornam embaraçoso o diálogo com o humanismo ateu herdado do Iluminismo e da Revolução Francesa.
…Ou serão, apenas, algumas igrejas?
A sério, eu sempre pensei que as igrejas nunca fossem atingidas pela crise, porque o “patrão” sabe (devia saber) gerir o negócio.
Pelos vistos, enganei-me…
Bento XVI batizou ontem 16 bebés na Capela Sistina, do Vaticano, tendo destacado a importância do “testemunho” pessoal e da transmissão da fé de pais e padrinhos na educação das crianças.
Nota: É assim que se fabrica a fé.
Ao ler este artigo do El País não pude deixar de lembra-me de As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares», tema da segunda das Conferências do Casino, de Antero de Quental.
O tema continua atual. O Concílio de Trento, a Contra-Reforma e os jesuítas, no fundo a Igreja católica, foi e continua a ser um fator de atraso em Portugal.
Efetivamente, a Itália, Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia, da esquerda à direita, têm-se revelado mais incapazes de manter uma economia sadia do que os países de tradição protestantes e, hoje, fortemente secularizados.
O autoritarismo de Roma é a lepra que corrói os países que empobrecem sob a sua influência.
Nota – Texto escrito de acordo com o novo Acordo Ortográfico.
“Agradecemos-te, Senhor, por este ficheiro que vamos sacar.” A partir de hoje, todos os que crêem na cópia e na partilha livre de músicas, filmes ou qualquer outro tipo de ficheiro digital, podem comungar na Igreja do Kopimism, uma congregação oficialmente reconhecida como religião pelas autoridades da Suécia.
Com especial carinho para os criacionistas, aqui se encontra uma exposição simples do argumento do relojoeiro.
O Papa afirmou ontem que a humanidade procura fugir à questão de Deus através de “narcóticos muito eficazes”, durante a missa da Epifania celebrada no Vaticano, na data popularmente conhecida como Dia de Reis.
A pulga atrás da orelha comecei eu a sentir quando tudo quando era comunicação social desatou a proclamar a elevação do Fado a património da humanidade. Tá bem, prontes. Antes isso do que evidentemente.
Dias depois, o Futebol fazia a sua entrada em cena. De manhã, à tarde, à noite e sempre que desse jeito, o mundo ficava a saber que Eusébio tinha dado entrada no hospital. E a coisa prolongou-se, com o regresso a casa e o regresso ao hospital. Estimei as melhoras e adormeci, pensando que…
Pensei mal. O terceiro efe, que se encontrava alerta mas encoberto, fez a sua entrada em pleno com os pescadores de Vila do Conde, milagrosamente salvos por “nossa senhora”. Ainda não sei o que andaram por lá a fazer a Marinha e a Força Aérea – se a memória não me atraiçoa, mas isso nem vem ao caso.
As pessoas têm direito às fés respectivas, e cada uma é livre de acreditar no que quiser. Se os pescadores acham que foi a senhora de Fátima, e não outra qualquer, que os salvou, estão no seu mais sagrado direito, embora não haja evidências de que não tenha sido, por exemplo, a senhora da Conceição ou, até, o S. Pedro que, como toda a gente sabe, é o protector dos pescadores, actividade que desenvolve em perfeita parceria com o respectivo Sindicato. Estão, também, no direito de acreditar que foi mais fácil, para a “nossa” senhora, salvá-los do que evitar o afundamento do barco. E que, ao salvá-los in extremis quando podia tê-lo feito logo no primeiro momento, mais não quis do que pô-los à prova – como é apanágio de tudo quanto é divindade, não esquecendo que essa coisa de pôr as pessoas à prova nem sequer é original, uma vez que há notícia de tentativas com Adão e Abraão, pelo menos. Todas estas crendices são legítimas, como legítima é a peregrinação que os pescadores vão fazer ao terceiro efe. Como dizem os franceses, chaqun sabe de si. Mas já duvido é do direito de as televisões todas, durante a última semana, nos terem andado a atazanar a vista e os ouvidos com a notícia da bendita peregrinação. Com tanta gente a peregrinar, por que razão hão-de, os pescadores, ter o direito a notícia destacada? Por que razão insistem em obscurecer as mentes? Para que não nos lembremos dos escândalos ao nível da política e do governo? Para que nos esqueçamos das maçonarias encobertas e dos fretes jurídico-financeiros?
Ou é o regresso ao passado, agora sem máscara?
Já agora: quantas horas vamos ter, em directo, a peregrinação?
Em simultâneo no “À Moda do Porto“
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