O Post
é da autoria de JOÃO PEDRO MOURA. A ELE E AOS LEITORES REITERO AS MINHAS DESCULPAS.
MPF em SP pede retirada da frase ‘Deus seja louvado’ das notas de reais
Procuradoria pediu à Justiça que termine à União a retirada da expressão.
Ação pede prazo de 120 dias para que notas sejam impressas sem frase.
Excerto – Capítulo VII de “O Crime do Padre Amaro”
«Um pobre então viera à porta rosnar lamentosamente Padre-Nossos; e enquanto Gertrudes lhe metia no alforge metade duma broa, os padres falaram dos bandos de mendigos que agora percorriam as freguesias.
– Muita pobreza por aqui, muita pobreza! dizia o bom abade. Ó Dias, mais este bocadinho da asa!
– Muita pobreza, mas muita preguiça, considerou duramente o padre Natário. – Em muitas fazendas sabia ele que havia falta de jornaleiros, e viam-se marmanjos, rijos como pinheiros, a choramingar Padre-Nossos pelas portas. – Súcia de mariolas, resumiu.
– Deixe lá, padre Natário, deixe lá! disse o abade. Olhe que há pobreza deveras. Por aqui há famílias, homem, mulher e cinco filhos, que dormem no chão como porcos e não comem senão ervas.
– Então que diabo querias tu que eles comessem? exclamou o cónego Dias lambendo os dedos depois de ter esburgado a asa do capão. Querias que comessem peru? Cada um como quem é!
O bom abade puxou, repoltreando-se, o guardanapo para o estômago, e disse com afeto:
– A pobreza agrada a Deus Nosso Senhor.
– Ai filhos! acudiu o Libaninho num tom choroso, se houvesse só pobrezinhos isto era o reininho dos Céus!»
(Enviado pelo estudioso de Eça, M. P. Maça)
Por Nota: Por lamentável lapso omiti o nome do autor. Peço a ele e aos leitores as minhas desculpas.
JOÃO PEDRO MOURA
JESUS E A BÍBLIA
– PODE UM CRISTÃO RENEGAR O VELHO TESTAMENTO?
1- Isto de se reclamar do cristianismo, renegando o Velho Testamento… tem que se lhe diga…
É como reivindicar a obra do filho, ectoplasma, repudiando a obra do pai que o gerou… e que determina essa obra…
2- Há alguma igreja no mundo que se reivindique de Cristo e renegue o Velho Testamento? Não! É possível? Bem, teoricamente, basta fazer um passe de mágica ideológica e retórica sofística e enaltecer o Novo Testamento, denegando o velho…
3- … Mas será que o Jesus Cristo bíblico renegou o Velho Testamento?! Não!
Vejamos, Mateus 5, 17-19:
“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu a e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado. Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no reino dos Céus.”
Então, a que “Lei” e “Profetas” se estaria a referir esse tal JC?! À lei hebraica e aos profetas da Bíblia hebraica, evidentemente…
Isto é, ao deus do Velho Testamento…
4- E será que JC renegaria os Salmos?! Também não!
Vejamos esta comparação:
Mateus 27, 46: “Por volta da hora nona, Jesus deu um grande grito: Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?”…
… Idêntico ao Salmo 22, 2: “Meu deus, meu deus, porque me abandonaste, descuidado de me salvar, apesar das palavras de meu rugir?”…
Ou, então, em Lucas 23, 46: “E Jesus deu um forte grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso. Expirou.”…
…Idêntico ao Salmo 31, 6: “em tuas mãos entrego meu espírito, és tu que me resgatas, Iavé…”
… O que comprova a assunção dos Salmos, pelo dito Jesus Cristo, de resto, uma assunção conforme a educação típica dos jovens judeus de antanho…
Donde se regista o nexo ideológico entre o Novo e o Velho Testamento, inextricáveis, para só referir estes exemplos cruciais…
… O que comprova, também, por extensão, a assunção do versículo 137, 8-9, dos mesmos Salmos:
“E quanto a ti, Babilónia destruidora, feliz o homem que te retribuir pelo que nos fizeste!
Feliz o que pegar nas tuas crianças e as esmagar contra as rochas.”…
… Como manifestação hedionda e crudelíssima contra os “inimigos” e os, duma maneira geral, desafetos à causa judaica/cristã…
É… os religionários da Bíblia, nas suas diversas variantes, têm destas coisas “amigáveis”… por mais amigos e solidários dos povos, que aparentem ser…
5-… E o JC bíblico, na senda veterotestamentária, também preconiza coisas hediondas semelhantes contra os incréus ou os desafetos da sua palhaçada religiosa…
6- Pretender separar o Novo do Velho Testamento é amputar o corpo doutrinário da religião cristã, mesmo que haja distinções nítidas entre ambos…
Os religionários do Novo têm que se ater, assim, ao Velho, pois que o JC assim determinou. Nem num só momento, JC renegou a doutrina veterotestamentária, contrapondo-a a uma pretensa nova…
Quando muito, JC, biblicamente falando, seria um dissidente, isto é, um indivíduo proclamando algumas coisas diferentes da prática consuetudinária dos seus congéneres hebraicos, mas nunca renegando a “Lei”e seus “Profetas”…
7- A Bíblia é considerada a “palavra de deus”, pelos seus religionários. Pretender que se aceitam umas coisas e se denegam outras, dos textos bíblicos, é a mesma coisa que querer elevar-se à condição de “deus”, plenipotenciário, e transformar a Bíblia numa espécie de ementário, donde se saca o mais convinhável e se pretere tudo aquilo que se acha passadista, cruel, injusto, ou o que seja…
…Mas não pode ser! Sob pena de se estar a acusar o seu deus de certas injustiças ou crueldades ou demais atos nefandos…
Por isso, quem defende a Bíblia, tem de assumi-la toda, inteirinha!…
Se não quer, repense a obra e siga outro caminho… que não aquele do deus bíblico, do seu ectoplasma filial e das demais figurinhas e figurões do jardim da celeste corte…
Há quem pense que o Vaticano só tem para vender água benta, bênçãos e indulgências, produtos que o mercado da fé absorve na razão inversa do bem-estar das populações.
A vendas de títulos eclesiásticos de cónego, bispo e cardeal, com as respetivas funções e proventos, foi o abominável pecado da simonia que os protestantes condenaram, depois de verem os papas medrar com o negócio. Hoje, o Papa é mais cuidadoso mas ainda nos tempos de Salazar e Franco eram os ditadores que tinham a última palavra nas escolhas episcopais que, aliás, as concordatas lhes concediam.
As Igrejas vivem do fausto e do poder. Abandonadas ao negócio por conta própria não prosperam. Os cargos eclesiásticos são negociados em segredo com os Estados que lhes são fiéis ou com as oposições dos Governos de que não gostam.
Acontece que os principais produtos de exportação da ICAR, que rendiam muito ouro, entraram em decadência por saturação do mercado ou desinteresse da clientela. Já não se compram relíquias. A água de Lourdes, o ramo de azinheira benzido em Fátima ou o terço comprado no Vaticano vendem-se com dificuldade, ao preço da uva mijona. Já lá vão os tempos dos relicários com pedacinhos do santo lenho, farrapos das fraldas do menino Jesus ou ossos de S. Francisco. O raio do carbono 14 estragou o negócio pio.
As bulas que autorizavam comer carne à sexta-feira, compradas por pessoas que não tinham dinheiro para a ementa, desapareceram por falta de fé e de interessados. As indulgências plenárias passaram a ser de borla e só a liturgia dos batizados, casamentos e funerais ainda se aguentam no mercado. As procissões, onde as notas pregadas com alfinetes nas vestes do santo de serviço servem para exibir a vaidade dos benfeitores e suprir as necessidades do clero, rendem cada vez menos.
O Purgatório, uma mina em atividade durante séculos, foi encerrado por falta de visão ou de transportes para o Paraíso, depois de fortunas gastas em missas para sufragar as almas dos que se finaram com pecados veniais.
Atualmente restam dois negócios à ICAR, as peregrinações e a indústria da santidade, dependentes as primeiras da produção da segunda. A indústria da santidade, pelos emolumentos que rende à Cúria romana e pelos óbolos que atrai aos santuários onde o canonizado se encontra esculpido numa peanha ou colado a um andor, é a última fonte de rendimento com produtos pios.
O resto, e é a grande fonte de receita, é o património que as devotas almas deixam em testamento nos países onde a promiscuidade com o clero exonera de impostos o esbulho feito aos moribundos. É altura de tributar os bens da ICAR e de averiguar como foram obtidos.
O Diário de uns Ateus, nos nove anos de existência que se completam no corrente mês, teve sempre a preocupação de evitar clivagens partidárias e respeitar o pluralismo dos ateus que aqui colaboram e dos que aqui vêm comentar os textos, notícias e imagens.
Procuramos, pois, evitar a luta partidária para que as opções de cada um não molestem o combate contra o obscurantismo, a mentira e o ódio que as religiões destilam. A política procura resolver os problemas das pessoas na sua passagem pela Terra, ao contrário das religiões, que procuram vender um lugar de estacionamento no Paraíso, fique isso onde ficar, com cama, mesa e roupa lavada, ainda que o façam através de ações caritativas.
Mas não nos iludamos quanto à neutralidade política. Os muçulmanos conquistam o seu espaço, não apenas pelo medo, como é hábito de todas as religiões, mas também através das escolas e obras de assistência. Esse modelo é comum às diversas crenças, razão para florescerem em épocas de crise. À medida que o Estado se demite das suas funções na educação e na assistência fica vazio o espaço por onde se infiltram o clero e a legião de crentes disposta a prestar-lhe vassalagem.
Em épocas de prosperidade as religiões recuam; em períodos de crise a fé em deus entra em apoteose. A doença, a fome e o analfabetismo são os ingredientes ideais com que se confeciona a esperança numa bem-aventurança eterna. Os períodos mais dramáticos da história da humanidade corresponderam sempre a amplos movimentos de fé e, muitas vezes, à repressão violenta sobre os descrentes.
Não há a mais leve suspeita da existência de deus mas a fragilidade humana, o medo do desconhecido e o temor da morte fazem as delícias dos parasitas de deus.
A crise internacional, com reflexos dramáticos em Portugal, já prenuncia uma onda de proselitismo servida por obras assistenciais que, tendo aspetos benéficos, não descuram a propaganda.
O ateísmo não pode ser, não deve e não é, uma religião. É uma opção filosófica que tem na defesa da laicidade e no combate às afirmações pias, sem provas, o seu objetivo. É o combate pela liberdade e o livre-pensamento que fazem do ateísmo uma forma superior de moral. A prática do bem não é exclusiva de crentes ou ateus mas é moralmente mais nobre se não tem em vista uma alegada recompensa de um ser hipotético.
Cresce na Noruega número de jovens recrutados pelo islamismo radical
É um alerta preocupante o que chega da Noruega. A polícia avisa que está a aumentar o número de jovens recrutados para as fileiras do islamismo radical. Recebem treino terrorista no Afeganistão e no Paquistão e são considerados uma ameaça real à segurança do país.
Vaticano condena cúmplice de espionagem a dois meses de prisão
Dois meses de prisão foi a sentença recebida neste sábado por Claudio Sciarpelletti, técnico de informática acusado de encobrir Paolo Grabiele, ex-mordomo do papa Bento XVI, no caso de roubo e vazamento de documentos do Vaticano. Apesar de condenado, o homem de 48 anos teve a pena suspensa por cinco anos.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.