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23 de Maio, 2013 Ludwig Krippahl

Concluir que existe.

A Maria Madalena Teodósio perguntou-me o que eu consideraria evidência para a existência de um deus (1). Ou, por outras palavras, o que me levaria a considerar a hipótese de existir algum deus mais plausível do que a alternativa. Esta ênfase na hipótese pode parecer picuinhice mas é importante. Em rigor, nós não podemos decidir a existência de deuses em si. Ou existem ou não existem, independentemente da nossa opinião. Apenas podemos decidir que opinião formamos. Tratando-se de factos, o mais racional será preferir a hipótese mais favorecida pelo peso das evidências. Tornar explícito que estamos a seleccionar hipóteses permite excluir, logo à partida, qualquer hipótese que seja indiferente ás evidências. Por exemplo, a hipótese de existirem deuses indetectáveis que habitam fora do universo e não interferem em nada que se possa observar. Este tipo de hipótese é de rejeitar não só por falta de mérito epistémico mas também por pragmatismo. Hipóteses assim há infinitas e são racionalmente indistintas, pelo que não há razão para escolher uma em vez de qualquer outra. Por isso focarei apenas (algumas) hipóteses testáveis acerca da existência de deuses.

Uma é a de que um relato da criação divina do universo foi passado, por revelação ou inspiração, aos autores humanos de algum livro sagrado. A essa hipótese contrapõe-se a alternativa desses relatos serem apenas criação humana. As evidências favorecerão uma ou outra hipótese conforme a concordância entre o relato e o que observamos do universo. Se um relato for vago, inconsistente com a realidade em muitos pontos e acertar apenas no que era acessível aos seus autores humanos a segunda hipótese será claramente a mais plausível. É o que acontece com o livro do Génesis, se lido como pretendiam os autores originais e como muitos cristãos ainda o interpretam hoje (se for lido como alguns teólogos pretendem temos apenas mais uma daquelas infinitas hipóteses impossíveis de testar e, por isso, irrelevantes). Pelo contrário, se um relato antigo da origem do universo contivesse detalhes correctos e inacessíveis aos seus autores terrenos seria evidente uma origem sobre-humana. Por exemplo, se o Génesis descrevesse detalhadamente as partículas sub-atómicas e a formação da matéria pela interacção dessas partículas. Se, além disso, descrevesse de forma concreta e confirmável como essas partículas teriam sido criadas, a hipótese desse relato provir de alguém com a capacidade de criar universos seria muito mais plausível do que a hipótese de ter sido mera fantasia humana. Eu descarto como ficção as cosmologias dos livros sagrados que conheço porque consistem apenas daquilo que se esperaria da imaginação e conhecimento dos seus autores. Mas se algum ultrapassasse claramente esses limites eu teria de mudar de opinião.

Outra hipótese testável é a da criação inteligente em si, independentemente de haver algum relato detalhado do processo. Se processos naturais geram planetas, montanhas, vales, animais e plantas sem orientação inteligente, o que acontece em cada passo do processo depende apenas das condições nesse momento. Cada partícula numa nuvem de poeira espacial move-se em função das forças que a afectam. As placas tectónicas deslocam-se conforme o movimento do magma, a água escorre conforme o declive do terreno e as populações de seres vivos são moldadas pela competição entre indivíduos naquele ambiente, em cada instante. A falta de inteligência nestes processos impede que algo ocorra visando um resultado futuro específico. Isto é o contrário do que sucede num processo de criação inteligente, que consiste numa série de decisões tomadas tendo em vista o resultado final. As diferenças são claras, na maioria dos casos. Pedras arredondadas de textura e tamanho semelhantes espalhadas pelo leito de um rio é algo compatível com processos naturais de erosão. Pedras afiadas em pontas de seta alinhadas junto a um esqueleto humano sugerem intervenção inteligente. As características das baratas são o que se espera de milhões de anos de evolução por processos naturais. A lã das ovelhas domésticas, o milho híbrido e o tomate geneticamente modificado indicam alguma inteligência no processo. Se estrelas, planetas, montanhas ou seres vivos tivessem sido criados por um ser inteligente deveríamos notar alguns desvios em relação ao esperado por processos naturais sem planeamento, tal como quando identificamos vestígios arqueológicos ou diques de castor. Indícios de criação inteligente de estrelas ou galáxias tornariam plausível a hipótese de existir um criador inteligente do universo.

A tecnologia religiosa poderia ser outro indício forte. Todas as religiões desenvolvem procedimentos para influenciar a natureza. Curar doenças, afastar tempestades, conceber filhos e assim por diante. Todas as religiões falham redondamente nestas coisas e o efeito é sempre nulo. Mas podia não ser. Podia ser, se a realidade fosse outra, que os alhos engordassem mais com a bênção do padre do que com umas semanas de tempo seco. Ou que a estátua de Maria na mesa de cabeceira fosse mais eficaz do que um pára-raios no telhado. Podia ser e, se fosse, seria mais plausível a hipótese de existir o deus dessa religião.

A objecção mais comum a este tipo de argumentos, pelo menos da parte dos religiosos mais sofisticados, é que isto assume poder-se reunir evidências da existência do tal deus e isso, alegam, é impossível. Mas a questão relevante é que hipóteses acerca da existência de deuses se pode aceitar com justificação racional e, para isso, é preciso encontrar evidências que as possam distinguir das alternativas. Não há como escolher, racionalmente, entre hipóteses impossíveis de testar. Além disso, esta é uma desculpa como a da raposa. A única razão para alegarem que é impossível obter evidências para as hipóteses que defendem é não as conseguirem. Se tivessem evidências claras da criação inteligente do universo não diriam que as uvas estão verdes.

1- Comentário em Adenda ao post anterior

Em simultâneo no Que Treta!

23 de Maio, 2013 José Moreira

As aparições continuam

Desta vez, a senhora de Fátima mudou de local de aparições e apareceu em Boliqueiimage002me. Só que, desta vez, o fotógrafo estava lá.

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22 de Maio, 2013 Carlos Esperança

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22 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Uma condenação suspeita

Advogado condenado por ofensas ao Santuário

Para fundamentar a condenação, o tribunal considerou que as declarações do arguido foram “ofensivas”, punham em causa a e foram proferidas de “forma livre e deliberada”, e sem mostrar “qualquer arrependimento”.

Recorde-se que as declarações de Cândido Oliveira contra o Santuário de Fátima e a Igreja Católica surgiram numa contestação no âmbito de um processo movido contra a Câmara de Ourém em que o Santuário reclama a posse de uma parcela de terreno em Fátima, que o município diz ser do domínio público.

No documento, Cândido Oliveira teceu várias considerações sobre o santuário, acusando-o de “ganância desmedida, ocupando tudo de borla e deixando as pessoas na miséria”.

Diário de uns Ateus – Não se impede o direito de defesa do que a ICAR considera os seus direitos mas causa perplexidade a criminalização das ofensas à  “doutrina defendida pela igreja”. O Santo Ofício não está de regresso.

21 de Maio, 2013 Carlos Esperança

João César das Neves

Por João pedro Moura JOÃO CÉSAR DAS NEVES, O BOBO DA CORTE CELESTE

1 – João César das Neves é o mais eminente teólogo leigo da ICAR, em Portugal. Ele tem publicado inúmeros livros sobre economia, sempre numa perspetiva liberal, de Estado mínimo, e também inúmeros livros sobre o catolicismo, eivados de grande conservadorismo, e mesmo prefaciando livros ainda mais fanaticamente religiosos do que ele… Ao longo destes anos, JCN tem-se destacado por um pensamento assaz discrepante: a defesa dum liberalismo económico avançado e a defesa dum conservadorismo e reaccionarismo sociais bastante recuados. Isto encerra uma certa incongruência, pelas razões a seguir aduzidas: Os pressupostos intelectuais do JCN, na defesa do liberalismo económico, assentam em valores como, liberdade empresarial; autodeterminação dos indivíduos, que se associam conforme entenderem, para fazer e desfazer empresas; primado do mercado e, portanto, liberdade de preços como pilar básico da relação de compra e venda; intervenção mínima do Estado, encarado como factor de perturbação das relações de mercado; exclusão da intervenção estatal e dos subsídios nos processos de falência e de apoio a empresas, pois que a falência é reguladora do mercado, desaparecendo assim o fruto podre ou inviável, etc.

2- Só que esses pressupostos não são aplicados por JCN ao campo social: Como bom católico, é contra o divórcio, como um atentado à unidade da família, mas o “divórcio” entre sócios e o fim duma empresa já é normal, segundo JCN, tenha as consequências que tiver; é contra o livre exercício da sexualidade, fora do casamento, isto é, discorda da livre parceria para o prazer sexual e afectivo, sem as pessoas terem que pensar em casar-se; discrepa da união de facto; defende a despreocupação com o número de filhos, como se a procriação excessiva (em economia: a superprodução) fosse um bem e não um factor de pobreza; defende a intervenção máxima do Estado na regulação das relações sexuais e dos costumes, etc. Daí esta enorme discrepância que o sr. Neves patenteia, entre o seu liberalismo económico (Estado mínimo regulador) e o seu conservadorismo social (Estado máximo regulador).

3- Se perguntassem ao JCN por que é que defende o liberalismo económico avançado, ele diria que é a favor da liberdade criativa e do bem-estar individual e social, que essa liberdade iria provocar na sociedade. Dito doutra maneira, o sr. Neves é a favor do prazer, da satisfação da livre empresa, geradores de dinheiro e, portanto, fautores de bem-estar, na medida em que, com esse dinheiro, poderemos adquirir bens gratificantes, que nos dão satisfação, felicidade, etc. Mas então, por que é que o sr. Neves não aplica o mesmíssimo raciocínio à busca do prazer e da satisfação, em geral, dos indivíduos, no campo social/sexual???!!! Por que é que só exalta o prazer psicológico dos bens materiais, móveis e imóveis, da economia social, e reprime o prazer sexual dos bens sensoriais, que também fazem parte duma economia: a do organismo???!!! Mistérios do organismo! Mistérios do fanatismo religioso!

4- Mais: o sr. Neves aplica, ou acha que aplica, a doutrina bíblica (mas, na realidade é bastante mais eclesiástica do que bíblica), ao campo social, mas já prescinde dessa mesma doutrina bíblica, na aplicação ao seu liberalismo económico: Vejamos a maior ideia, antiliberalismo económico, que consta na Bíblia: “Jesus disse então aos discípulos: “Notem bem o que vos digo: é muito difícil um homem rico entrar no Reino dos céus. E digo-vos ainda: é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no reino dos céus””, Mateus 19, 23-24. Isto é, os “ricos”, que são gerados pelo liberalismo económico, como se sabe, e que são os empresários, em geral, sobretudo os maiores, são impedidos, pela doutrina bíblica que o sr. Neves defende, de serem “salvos”… Que melhor tirada antiliberalismo económico da Bíblia???!!! Mas, o sr. Neves, como bom farsante que é, só cita e só segue o que lhe convém da Bíblia…

5- JCN tem a mania de identificar homossexualidade e pedofilia. A definição de ambos os vocábulos, facilmente os distingue. Mas, JCN, perito em lançar confusões e provocações, para tentar “matar 2 coelhos com uma cajadada”, finge confundir tais expressões. É claro que o sr. Neves sabe os muitos casos de homossexualidade pedófila que grassam na sua ICAR, mas não faz caso. Só acontece, para o sr. Neves, aos “debochados” secularistas… Mais, se ele tivesse lido “A Vida Sexual do Clero”, espanhol, de Pepe Rodríguez, Publicações Dom Quixote, veria que o autor, que tem muitos conhecimentos entre os padres, aponta para 30% de homossexuais entre o clero espanhol… Quem tem telhados de vidro…

6- Aliás, o sr. Neves não faz ideia, mas a ICAR já abençoou a pedofilia… 2 exemplos: a) D. Beatriz, nascida em Coimbra, em Fevereiro de 1373, filha do rei D. Fernando, também nascido em Coimbra, que reinou entre 1367 e 1383, e de Leonor Teles, celebrou casamento com D. João I, de Castela, em 2 de Abril de 1383, com 10 (dez!) anos de idade, sob a bênção da Igreja, pois que todos os casamentos, até 1910, eram realizados pela Igreja, mesmo que fossem de não–católicos. Em 1385, teve um filho, que, entretanto, morrera… b) Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga (a futura rainha de Portugal, D. Maria II) nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de Abril de 1819, filha do rei D. Pedro IV, e casou, por procuração, em 29 de Outubro de 1826, com o seu tio, D. Miguel, o absolutista. Ela tinha, portanto, 7 (sete!) anos e ele, 24… Ela embarcou no Rio de Janeiro, em 5 de Julho de 1828, com 9 anos de idade, a caminho de Viena de Áustria, para se juntar ao biltre do seu tio e marido, mas acabou para seguir para Inglaterra, quando o seu prometido marido deu o golpe de Estado absolutista, em Portugal, quebrando as condições do contrato com o seu irmão e pai de D. Maria, o rei D. Pedro IV. Por um triz que não consumava o casamento aos 9 anos de idade, sob a bênção da Igreja… Isto é, a pedofilia era coisa institucionalizada e normalizada, desde tempos imemoriais, até, mais ou menos, há 100 anos, pois que até à 1ª Guerra Mundial havia bordéis de “crianças” nas principais cidades europeias. Mesmo sendo prática consuetudinária, sobretudo nos tempos monárquicos e eclesiásticos de antanho, não deixa de ser absolutamente repugnante essa atitude de casar meninas impúberes, sob a bênção do “Senhor”… Uma coisa impressionante! Eis a Igreja pedófila do passado, com renovação de práticas arde-e-cora (em inglês, “hard-core”…) no presente…

7- O pensamento sexual (!…) do sr. Neves é muito parecido com o dos 2 mais eminentes teólogos medievais: Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino. Tudo o que o sr. Neves condena, como sendo “deboche”, foi também condenado por aqueles teólogos. Só faltava o sr. Neves indicar qual é a melhor posição sexual, como indicaram aqueles teólogos…

8- O abominável César das Neves é um arcaísmo grotesco, um resquício da teologia medieval, reatualizado, mas, ainda e sempre, impróprio para consumo. O sr. Neves é um homem inçado de fantasmas medievais; de medos de doenças pestíferas; de combates ao “sexo desregrado”; de misoginia; de medos de energias sexuais, que ele só concebe à solta, tumultuosamente; de aversão medieval pela concupiscência, “inspirada pelo Maligno”; de medo da “dies irae”…

9- Outrora, havia o bobo da corte régia, que divertia o séquito monarquista… … Hoje, temos o bobo da corte celeste, João César das Neves, que também nos diverte, em variante tragicómica e patética…

10- Daqui a 20 ou 30 anos, quando o sr. Neves for um velho, de pila mole e testículos definhados e ressequidos pela inânia espiritual que a sua cabeça profusamente debita, ainda haveremos de o ver, ouvir e ler a increpar o aborto, a esbravejar contra o “deboche” e a objurgar os homossexuais e seus casamentos…

…Assim, a bater forte e fortemente, como quem chama pela ajuda do trono ou do altar… No fundo, isto significa que o sr. Neves sabe que há cada vez menos casamentos católicos, cada vez menos frequências de missas, de catequeses, de aulas de religião e moral, numa secularização imparável, esvaindo a Igreja de réditos e influências… O sr. Neves sabe… o sr. Neves pressente… por isso escreve assim…   JCN1JCN2