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25 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Concorrência entre monoteísmos

Bíblia com mais de 1500 anos é descoberta na Turquia e causa preocupação ao Vaticano

O livro era mantido em segredo desde a sua descoberta em 2000; uma das polémicas do evangelho é de que Jesus seria apenas um profeta e que Ele nunca teria sido crucificado

O Vaticano está preocupado desde que uma Bíblia, de 1500 anos foi descoberta na Turquia. A preocupação é porque o tal livro contém o evangelho de Barnabé, que teria sido um dos discípulos de Cristo que viajava com o apóstolo Paulo, e descreve Jesus de maneira parecida com a que é pregada pelo islamismo.

Diário de uns Ateus – Admitir a falsidade de um destes escritos literários é admitir que algum possa ser verdadeiro. É improvável.

25 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Os fiéis defuntos e os cadernos eleitorais

Quando as doces catequistas da minha infância me iniciaram no ódio aos hereges, ateus, maçons, comunistas e judeus, ensinaram-me igualmente a rezar pelos fiéis defuntos.

Cedo me tornei o melhor aluno da catequese, qualidade a que não seriam alheias as três refeições diárias e o inevitável lanche de que não beneficiavam os meus colegas que iam descalços à catequese e se referiam às barrigadas de fome, nos dias piores.

Talvez por isso, eu era mais sensível aos horrores do Inferno, ao abandono das almas do Purgatório, às delícias do Paraíso e a outras lucubrações metafísicas. A fome e o frio de outros garotos tornavam-nos indiferentes. Não entendia a necessidade da missa para os defuntos que já gozassem o Paraíso ou para quem penasse no Inferno, dada a ausência de trânsito entre os dois destinos, mas as catequistas diziam que, na dúvida, devíamos rezar por todos. E todos rezávamos, eu e os que, descalços e com fome, tiritavam nas pedras da igreja, entre o altar e o transepto, nas noites frias de inverno.

Sempre pensei, apesar de ser em novembro e no dia 2 a missa que lhes era consagrada, que fiéis defuntos fossem os mortos irrecuperáveis, os que não trocavam a defunção por uma ressurreição, salvo no dia de Juízo Final, quando no Vale de Josafat, regressado à Terra, viesse Cristo julgar os vivos e os mortos, como o credo romano ensinava.

Mais tarde, quando acompanhava a minha mãe aos atos eleitorais, passei a ter uma outra interpretação dos fiéis defuntos, julgando que eram aqueles mortos que, sem abdicarem da defunção, eram convocados pelo presidente da mesa eleitoral para votarem na lista da União Nacional quando, à leitura do nome o presidente da mesa se benzia enquanto o secretário introduzia o respetivo voto na urna. Eram, de facto, defuntos fiéis a Salazar. Nem a morte os impedia do cumprimento do dever cívico na única lista a sufrágio.

Depois dos catorze anos, perdido o medo do Inferno e o interesse pelo Paraíso, alheado da fé e da liturgia, deixei de pensar nos fiéis defuntos, mesmo quando a opção ateísta se impôs. Só voltei a pensar nos fiéis defuntos, há poucos anos, quando soube do interesse autárquico por eles.

Os fiéis defuntos adicionam 5% do ordenado do PR ao de vários edis e deles dependem as dotações orçamentais das juntas de freguesia e o nível do salário dos seus elementos. Sem a sua persistente permanência nos cadernos eleitorais, e nos censos populacionais, eram muitos os que só tinham a perder e apenas beneficiava o erário público que, por ser público, serve para benefício privado.

Os fiéis defuntos merecem que as associações autárquicas lhes mandem rezar a missa.

Coimbra, 25-07-2013 – Carlos Esperança

24 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Ateus vão para o Inferno

Vaticano corrige Papa Francisco: ateus ainda vão para o inferno

Após o papa Francisco dizer ao mundo que mesmo os ateus podem ir para o céu, o Vaticano divulgou um comunicado: ateus ainda vão para o inferno.

Papa Francisco havia dito que mesmo os ateus podem se salvar, desde que realizem boas ações
O Vaticano emitiu esta semana “nota explicativa sobre significado de ‘salvação”, após a mídia noticiar que o papa Francisco “prometeu o céu a todos engajados em boas ações”, incluindo os ateus.

24 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Não se pode sair da rua

É preferível morrer de insolação, cair inerte desidratado ou errar por caminhos desertos do que entrar em casa ou num café onde nos espera sempre uma televisão com imagens de uma estrela pope, o Papa, perante o delírio místico de cariocas alucinados ou notícias sobre a cria de uma princesa inglesa.

À falta de um deus, cada vez menos provável, encena-se um espetáculo gigantesco em torno de uma estrela que não canta, não dança, não toca bateria e que usa como único instrumento as mãos e como adereço uma batina branca.

Em Inglaterra, a cria real, cujo desconhecimento do nome provoca apoplexias e calores nas senhoras e subida de tensão arterial nos cavalheiros, chegou bem, sabe-se o peso do animal vivo, imagina-se o futuro inútil e decorativo a que o destinam e garante à Igreja anglicana um futuro chefe cujos bispos são nomeados pelo poder político sem que Deus seja chamado para os negócios da fé.

Que interessam milhões de crianças com fome, os inúmeros mortos que a loucura da fé e a maldade dos homens produzem, o ambiente que se degrada, a água contaminada e o ar irrespirável no mundo cada vez mais injusto e nas mãos de cada vez menos pessoas?

O circo, mesmo sem pão, é o soporífero que anestesia os povos e mantém calmos os que apenas têm a morte como horizonte. É preciso embrutecer antes que acorde a energia de quem nada tem a perder.

23 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Estava no sítio certo

Religioso do Vaticano agia como banqueiro privado, diz documento

Uma autoridade do Vaticano, presa no mês passado, usou a sua influência para oferecer serviços financeiros privados e ilegais a amigos ricos, afirmam investigadores italianos num documento judicial.

Ele afirmam que o monsenhor Nunzio Scarano, correntista do banco do Vaticano e alvo de duas investigações na Itália, participou de “atividades ilegais, totalmente privadas, que tiveram como objetivo também beneficiar terceiros”.