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30 de Maio, 2014 Carlos Esperança

Misericórdias – um banco da ICAR

Amarga ironia:

No dia em que o criador do S.N.S. foi homenageado pela Universidade de Coimbra, o coveiro anunciou: «O primeiro-ministro disse ainda que o acordo entre o Governo e as misericórdias para a devolução da gestão de hospitais “está praticamente fechado”.

29 de Maio, 2014 Carlos Esperança

Deus – um falso escritor

Texto da autoria de Sam Harris

(Enviado por Paulo Franco)

A situação em que nos encontramos é esta: a maioria das pessoas do mundo está convencida de que o criador do universo escreveu um livro. Ora, por azar, há muitos desses livros à mão de semear, cada qual reivindicando exclusivamente para si o dom da
infalibilidade.

As pessoas tendem a organizar-se em facções tendo por base a aceitação dessa presunção, incompatível com todas as outras – e não em função da língua, da cor da pele, do local de nascimento ou de qualquer outro critério tribal. Cada um destes
livros insta os seus leitores a adoptar um conjunto de crenças e práticas, algumas das quais benignas, outras não. Mas todas convergem, perversamente, num ponto de importância crucial:
o «respeito» pelas outras religiões, ou pelos pontos de vista dos não crentes, não é uma atitude defendida por Deus. Embora todas as religiões tenham sido inspiradas, aqui e ali, pelo espírito ecuménico, qualquer tradição religiosa tem como elemento central a ideia de que todas as outras são meros equívocos ou, na melhor das hipóteses, perigosamente incompletas. A intolerância está assim na essência de todas as crenças.

Quando uma pessoa realmente acredita que determinadas ideias podem conduzir à felicidade eterna, ou ao tormento eterno, é incapaz de aceitar a possibilidade de as pessoas que ama poderem ser desencaminhadas pelas blandícias dos não crentes. A certeza quanto à próxima vida é simplesmente incompatível com a tolerância nesta outra.

Este tipo de observações levanta-nos, desde logo, um problema, já que criticar a fé de uma pessoa é actualmente um tabu na nossa cultura. Nesta matéria, liberais e conservadores chegaram a um raro consenso: as crenças religiosas estão claramente
para além do discurso racional. Criticar as ideias de uma pessoa sobre Deus e sobre a vida depois da morte é considerado politicamente incorrecto, o mesmo não acontecendo quando as suas ideias sobre física ou história são atacadas.

E tanto assim é que, quando um bombista suicida se faz explodir juntamente com um
sem-número de inocentes numa rua de Jerusalém, o papel que a fé desempenhou nas suas acções, invariavelmente, não é tido em linha de conta. Os seus motivos devem ter sido políticos, económicos, ou inteiramente pessoais. Mesmo sem a fé, as pessoas
desesperadas continuariam a fazer coisas horríveis. A fé é sempre absolvida, aqui e em toda a parte.

A tecnologia, porém, possui a faculdade de criar novos imperativos morais. Os progressos técnicos na arte da guerra conseguiram finalmente tornar as nossas diferenças religiosas – donde, as nossas crenças religiosas – contrárias à sobrevivência.

Não podemos continuar a ignorar que milhares de milhões dos nossos vizinhos
acreditam na metafísica do martírio, ou na verdade literaldo livro do Apocalipse´ou em qualquer outra dessas noções extraordinárias que foram incubando nos espíritos dos fiéis ao longo dos últimos milénios – porque os nossos vizinhos estão agora armados
com armas químicas, biológicas ou nucleares. Não há dúvida de que estes progressos assinalam o fim da nossa ingenuidade.
Palavras como Deus e Allá devem ter o mesmo destino de Apolo e Baal, caso contrário serão capazes de destruir o mundo.

Basta percorrer o cemitério das más ideias da humanidade por alguns minutos para verificar que tais revoluções conceptuais são possíveis. Vejamos o caso da alquimia: durante mais de mil anos exerceu um enorme fascínio sobre os seres humanos e, no entanto, hoje em dia, qualquer pessoa que se assuma seriamente como alquimista de ofício perderá a credibilidade para ocupar qualquer posição de responsabilidade na nossa sociedade.

A religião com base na fé terá de cair, também ela, no esquecimento.

 

28 de Maio, 2014 Carlos Esperança

28 de maio de 1926

Há quem esqueça o período negro do salazarismo que oprimiu Portugal, quem denigra a primeira República para justificar a ditadura e deprecie a democracia para reabilitar o regime fascista que a precedeu.

São reacionários, oportunistas e trânsfugas para quem a história é um conjunto de factos que se deturpam ao sabor dos interesses e da sua ideologia.

Faz hoje 88 anos que um golpe militar, igual a outros que os militares tinham por hábito levar a cabo, sempre em defesa da ordem, do saneamento financeiro e da restauração da autoridade do Estado, deu origem a uma longa e sinistra ditadura.

Deixar que o tempo apague a memória e a amnésia absolva os crimes, é serviço que se presta às forças totalitárias que estão adormecidas e não foram erradicadas.

É preciso recordar o tempo em que o país, com 40% de analfabetismo, uma mortalidade infantil que envergonhava qualquer país europeu e uma esperança de vida diminuta, era apresentado como tendo a governá-lo um homem providencial.

O ensino primário que na primeira República se tornou obrigatório e tinha cinco anos de escolaridade foi reduzido a 4, para rapazes, e a 3, para meninas.

Mas foi a repressão e a miséria que fizeram do Estado Novo, o pseudónimo da ditadura, uma mancha indelével na história do séc. XX, em Portugal.

Prisões sem culpa formada, degredo, exílio, espancamentos, assassinatos e perseguições foram a chave do triunfo de uma obscura ditadura que excluiu Portugal do convívio das nações livres e prolongou o atraso que a monarquia legou.

O 28 de maio foi um acidente de percurso na história, a nódoa que manchou a honra do País e comprometeu o progresso de Portugal. Triste sina a nossa. Maldito esquecimento.

Começou aí o contubérnio entre a ditadura e a Igreja católica de que Salazar e Cerejeira viriam a ser os destacados e infames protagonistas.

27 de Maio, 2014 Carlos Esperança

As guerras e o Paraíso

«A pior coisa que uma guerra nuclear poderá fazer é trazer milhões de pessoas ao paraíso mais cedo do que de outra maneira chegariam lá….»

Arcebispo de Canterbury Geoffrey Fisher

27 de Maio, 2014 Carlos Esperança

Ecumenismo e marketing

O ecumenismo de que o Vaticano se reclama não é mais do que um golpe publicitário para a hegemonia que procura, a tentativa de reunir forças para liderar a cruzada contra o ateísmo e a laicidade.

Não há ideologia mais odiada do que o ateísmo nem postura que mais descontrole o clero que a indiferença perante os dogmas e as sotainas.

As três regiões do livro são idênticas na sua intolerância, no ódio à liberdade e ao livre pensamento, na obsessão prosélita e na presunção de que cada uma é a verdadeira.

As sociedades ocidentais, na sua luta pela liberdade e emancipação, limaram as garras eclesiásticas, contiveram a prepotência religiosa e empurraram o Papa para o Vaticano.

Os protestantes, após as guerras da reforma e contra-reforma, em que o ódio cristão explodiu em torrentes de sangue, foram-se reduzindo à liturgia e à oração e perderam o fervor que agora regressa impetuosamente através de seitas cada vez mais agressivas.

O islão, inculto e radical, misógino e beato, impõe cinco orações diárias, o poder do clero e uma legião de dementes submissos às crueldades do Corão – um livro execrável que apela em quase todas as páginas à destruição dos infiéis, da sua religião, cultura e civilização, assim como dos cristão e judeus, em nome de um Deus misericordioso.

Os islamistas não são piores do que os cristãos ou os judeus, apenas se mantêm na Idade Média, com maior medo dos parasitas que pregam nas mesquitas do que do Deus que está no Paraíso com 70 virgens e rios de mel à sua espera.

A tragédia da humanidade não está nos crentes, está na droga das religiões e nos charlatães que as promovem e impõem.

 

26 de Maio, 2014 Carlos Esperança

Mensagem de um ateu

Dirijo-me a todos os ateus e ateias, aos crentes de qualquer religião, aos agnósticos, aos homens e mulheres do meu país, independentemente da cor da pele, do estrato social e das opções sexuais. Mas dirijo-me apenas aos que quiserem refletir e não se ofendam.

Faço-o sem a arrogância dos padres, que enviam a bênção a quem a recusa, sem a prepotência dos bispos que julgam que todos lhes devem vassalagem, sem uma câmara de televisão a conferir importância pública ao que tem relevância particular.

Sem vestes talares, nem báculo, mitra, cruz, ódio ou ressentimento, sem fé no divino ou crença em milagres, sem dogmas nem outras aldrabices, saúdo os correligionários e os adversários.

Não o faço por ser o rescaldo do 13 de maio que os católicos fabricaram para manter um evento político contra a República e rechear os cofres pios. A minha mensagem não fala do Céu, não exorta à castidade, não é moralista nem impõe quaisquer mandamentos.

Exorto-vos, caros leitores, a rejeitar o charlatanismo e a superstição mas, se isso vos faz felizes, continuem a viajar de joelhos à volta de uma igreja, a fazer o circuito das velas acesas, a contar ao padre o que não contam ao irmão ou companheiro/a e a ir a Fátima.

Desejo o melhor para todos os que referi. Cultivem o prazer de ler, ouvir música, ir ao teatro, ver cinema, enfim, gozem os prazeres da cultura. Mas, se a desgraça vos bateu à porta e uma hóstia vos alivia e se acreditam em milagres, rezem o terço, oiçam missas, beijem o pezinho do menino Jesus, persignem-se e peçam a bênção ao padre.

Ninguém tem direito a roubar a felicidade. Se a abstinência satisfaz os castos, se o jejum agrada ao masoquista e a procissão recreia o créu, não se poupem a exóticas distrações, não faltem à missa, à procissão ou à novena. Desobriguem-se e comunguem e sintam-se melhor da obstipação, das lombrigas e do reumático.

O ateísmo é um caminho difícil. Ensina que não há Inferno mas tira-vos a consolação do Paraíso. É por isso que esta mensagem não vos oferece uma ideologia, um sistema filosófico ou a vida eterna.

Quero que sejam afortunados; que pensem como entenderem, sem receio de castigos; que consigam mudar de opinião sem medo das labaredas; que possam baldar-se à missa sem angústia; que façam amor sem cismarem na eterna perdição.

Sejam felizes. Boa semana para todos.

25 de Maio, 2014 Carlos Esperança

O embuste de Fátima

Por

Paulo Franco

O Padre Mário de Oliveira volta a questionar as aparições de Fátima. O Padre da Lixa defende que as 3 crianças foram vitimas de uma montagem do clero de Ourém e compara este caso com as noticias do escândalo de pedofilia na Igreja.

«Eu quase que me atrevo a dizer que as 3 crianças que foram envolvidas pelo clero de Ourém, em 1917, naquela montagem das aparições de Fátima, que essas crianças acabaram por ser vitimas de toda essa montagem, e isso perfaz, na minha sensibilidade de Padre dentro da Igreja e até de ser humano, perfaz um crime, um abuso, pelo menos tão grave como a pedofilia. Porque o crime de pedofilia ainda pode ser, de certa maneira, como que reparado, com acompanhamento de especialistas ainda pode vir a ser superado. Ali não: duas crianças morreram, não foram assassinadas pelos Padres, é claro, mas em consequência dos horrores todos que viveram, de todos os medos que os padres incutiram com aquele tipo de discurso, com os chamados sacrifícios que as crianças foram persuadidas a fazer pela conversão dos pecadores, porque as imagens que na pregação davam sobre o inferno eram tão horríveis que impressionavam tanto a mente e a consciência das crianças que elas nem dormiam perturbadas e preocupadas com a salvação dos pecadores.

E então faziam sacrifícios de toda a ordem e feitio: não comiam, não bebiam água em pleno verão. Quando veio a gripe pneumónica, poucos meses depois das chamadas aparições, a pneumónica levou muitas pessoas e também levou aquelas crianças que estavam demasiado
fragilizadas, não puderam resistir.

A Lúcia sobreviveu porque era mais velha, não era tão sensível às histórias das conversões dos pecadores e talvez ela tivesse percebido que tinha sido ali um teatrozinho que tinham montado. Depois tem outra agravante: para além da morte dos dois irmãos, como sobreviveu a Lúcia, em vez de porem fim aquilo tudo, porque a senhora de Fátima afinal não valeu às duas crianças, acabaram por morrer da gripe pneumónica, como é que depois se anda a tentar implantar uma coisa a dizer que vai ali fazer milagres e curar os doentes quando os próprios dois supostos videntes morreram, nossa senhora não protegeu os seus próprios, então, em vez de soltarem a menina, a adolescente Lúcia para ela fazer uma vida normal, não, encurralaram-na, encarceraram-na por toda a vida, isto é uma coisa hedionda, é um crime horroroso».

Este texto foi retirado da net.

O padre Mário de Oliveira faz ainda uma acusação que me parece totalmente justa. Acusa o Vaticano de total falta de vergonha ao canonizar o Papa João Paulo II pois, durante o seu mandato, centenas de padres pedófilos foram protegidos pela igreja. A igreja católica marimbou-se simplesmente para as crianças vitimas de abusos sexuais e apenas se preocupou em defender o bom nome da instituição. Inclusive, vários padres abusadores foram mudados de uma paróquia para outra e aí continuaram a fazer vitimas. Tudo isto com o encobrimento vergonhoso do Vaticano.

Ainda sobre Fátima: se o “milagre do sol” aconteceu mesmo, como é que não foi visionado pelo mundo inteiro onde era de dia?

Só há uma incongruência, uma inconsistência na forma de pensar do padre Mário de Oliveira: então se ele, a meu ver muito bem, percebe que a “nossa senhora de Fátima” não faz milagres porque nem sequer salvou os dois pastorinhos que morreram da pneumónica, como é que, mesmo assim, ainda acredita num Deus todo poderoso que ama os seres humanos?

Na mesma lógica de pensamento, também deveria excluir a hipótese “Deus” pois também Ele permite que milhões de pessoas, muitas delas crianças, morram das formas mais absurdas e cruéis que se possa imaginar.

É impossível encontrar pensamento lógico ou racional na cabeça de um crente.

24 de Maio, 2014 Carlos Esperança

O Vaticano também mente. Ai se existisse Deus!

A presidente argentina Cristina Kirchner recebeu uma carta do papa Francisco e decidiu divulgá-la. Na sequência, porém, o Vaticano negou a autoria do documento, dando início a dúvidas sobre a autenticidade da carta.

Na noite da última quinta-feira, tanto a Santa Sé como o governo argentino confirmaram que o comunicado é oficial, mas não é uma carta e sim um telegrama, reporta o jornal Clarín.

A história soa confusa, e é mesmo.