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15 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Espinoza e as perseguições católicas

Por
Paulo Franco

Numa época breve mas esplêndida no séc. XVIII, a Holanda foi a anfitriã tolerante
de muitos livres-pensadores como Pierre Bayle e René Descartes (que se mudaram
para lá para se sentirem seguros).

A Holanda foi igualmente o país onde nasceu o grande Baruch Espinoza, um descendente dos judeus espanhóis e portugueses que tinham emigrado para a Holanda para se livrarem de perseguições. No entanto, sendo Espinoza um livre-pensador altamente crítico do pensamento religioso da sua época (sendo actualmente considerado o pai do criticismo bíblico), no dia 27 de julho de 1656, os anciãos judaicos da sinagoga de Amesterdão proferiram a seguinte condenação relativa ao seu trabalho:

“Com o julgamento dos anjos e dos santos excomungamos, deserdamos, amaldiçoamos e anatematizamos Baruch Espinoza, com o consentimento dos anciãos e de toda esta congregação religiosa, na presença dos livros sagrados: pelos 613 preceitos que
aqui estão escritos, com o anátema por meio do qual Josué amaldiçoou Jericó, com a praga que Elisha rogou aos seus filhos e com todas as pragas que estão escritas na lei. Amaldiçoado seja de dia e amaldiçoado seja de noite. Amaldiçoado seja a dormir e amaldiçoado seja acordado, amaldiçoado ao sair e amaldiçoado ao entrar. O Senhor não lhe perdoará, a ira e a fúria do Senhor serão doravante ateadas contra este homem, e serão lançadas sobre ele todas as pragas que estão escritas no livro da lei. O senhor destruirá o seu nome sob o sol e expulsá-lo-á de todas as tribos de Israel por toda a sua desgraça, com todas as pragas do firmamento que estão escritas na lei.”

Esta condenação múltipla, repetitiva, infantil, e maldosa terminava com uma ordem a todos os judeus para evitarem qualquer contacto com Espinosa e para se absterem, sob pena de castigo, de ler qualquer texto composto ou escrito por ele.

O Vaticano e as autoridades calvinistas da Holanda aprovaram com veemência esta histérica condenação judaica e aderiram à supressão de toda a obra de Espinosa levada a cabo na Europa.

Os aspetos mais relevantes da obra de Espinoza, que levaram as instituições religiosas a
aderir a todo este absurdo, foi o simples facto de Espinoza colocar em causa a imortalidade da alma, e de pedir a separação da Igreja e do estado.

Até hoje, nenhuma das instituições religiosas envolvidas tiveram a dignidade de pedir desculpa (que eu tenha conhecimento) por este comportamento atentatório da liberdade de pensamento.

Baruch Espinoza é hoje reconhecido como o autor da obra filosófica mais original jamais elaborada sobre a distinção entre a Mente e o corpo; e as suas meditações acerca da condição humana providenciaram mais consolo real às pessoas sérias do que qualquer religião.

NOTA: Este texto foi inspirado no livro de Christopher Hitchens “Deus não é grande”.

14 de Junho, 2014 José Moreira

Ah! Valente.

Em declarações ao jornal “Vanguardia”, o papa Francisco garantiu que se sentia, dentro do “papamóvel”, como “numa lata de sardinhasimages“, o que desde logo nos dá a real dimensão dos lugares por onde Francisco andou. Colocado perante a circunstância de, muitas vezes, se desproteger para saudar os fiéis, admitiu que, na verdade, alguma coisa lhe poderia acontecer. “Está nas mãos de Deus”, rematou.

Muito bem. Ficámos a saber que, se alguém lhe der um tiro ou uma facada, foi a “mão de Deus”. Só espero que a polícia não incomode o infeliz.

14 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Virtudes públicas…

Bispo diz que Bento 16 sabia de abusos sexuais de menores

R7 13/06/2014 10h03

O papa Bento 16 teria sido pessoalmente advertido sobre um caso de abuso sexual de menores em uma escola católica de Toowoomba, no nordeste da Austrália, mas teria ignorado as convocações do bispo da diocese, Bill Morris, para estender o seu mandato e deixá-lo lidar com a situação.

A afirmação foi feita pelo próprio Morris em seu recém-publicado livro “Benedict, Me and the Cardinals Three” (Bento, eu e três cardeais, em tradução livre).

14 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Confunde sacramentos e crimes

Un arzobispo católico de EE.UU. no sabía que el acoso sexual a niños era un delito

 

© REUTERS Stefano Rellandini

Un arzobispo estadounidense ha declarado ante un juez que no tenía ni idea de que el abuso sexual a menores era un delito.

El jefe de la Arquidiócesis de la ciudad de San Luis, estado de Missouri (EE.UU.), el arzobispo Robert Carlson, testificó bajo juramento que en la década de 1980, mientras ejercía como obispo auxiliar en Minnesota, no tenía conocimiento de que el acoso sexual a niños era un delito, de acuerdo con el portal católico CatholicCulture.org.

“No estoy seguro de si yo sabía que se trataba de un crimen o no”, afirmó el jerarca en una declaración realizada el mes pasado y publicada este 9 de junio. Sin embargo, el religioso también admitió que ahora sí sabía ciertamente que el abuso sexual de niños era un crimen.

Mientras tanto, según el diario ‘St. Louis Post-Dispatch’, aunque el arzobispo Carlson argumentó que antes no se daba cuenta de la naturaleza criminal del abuso sexual infantil, sin embargo, firmó en 1984 un memorando en el que se discutía la ley de prescripción para las demandas relacionadas con acusaciones de abusos sexuales.

Durante el transcurso de su declaración, el arzobispo Carlson aseguró en 193 ocasiones que no podía recordar con precisión la respuesta a la pregunta que se le hacía en cuestión.

Un juicio por pederastia involucra a la diócesis estadounidense de Saint Paul y Mineápolis y Winona, Minnesota. Se trataría de un abuso sexual realizado en los años 1970 por un sacerdote contra un niño que recién ahora, siendo adulto, decidió llevar a los tribunales a los responsables.

13 de Junho, 2014 José Moreira

Arte e religião

Lá porque sou ateu, não significa que não aprecie arte. Mesmo que seja arte religiosa.1613797_241588386041489_3566580363120239505_n

13 de Junho, 2014 Carlos Esperança

A catequese e os fregueses pios do Diário de uns Ateus

Havia, no meu tempo de infância, uma catequese terrorista, muito próxima da que hoje é ensinada nas madraças e mesquitas islâmicas.

A fanatização das crianças é a arma que esconde interesses que perpetuam a ignorância e a superstição. Talvez por isso, sobrevivam hoje, transmitidos por famílias devotas ou padres que ainda sonham com o Concílio de Trento, velhos medos do Inferno e novos venenos da fé.

É raro ver-se um crente a discutir a religião com um módico de racionalidade, seja por dificuldade de interpretação do que leem ou por mistelas que envenenam as hóstias que consomem, sem código de barras, prazo de validade ou inspeções da ASAE.

Não é por acaso que há muito deixei de frequentar as caixas deste Diário, certo de que a inteligência não substitui o insulto, a razão a azia e os argumentos a falta de carácter.

Queixam-se alguns amigos dos insultos de que sou alvo, preocupados com a reputação que devia defender. Os inimputáveis não ofendem, apenas bolçam injúrias; não devem ser levados a sério, são talibãs que julgam ganhar o Paraíso com as ofensas aos ‘infiéis’; Não incomodam, porque não merecem a perda de tempo da leitura das suas inanidades.

Bem-aventurados os tolos.

12 de Junho, 2014 Carlos Esperança

E a eutanásia continua por discutir!

Era uns dias mais novo do que eu o marinheiro tetraplégico que queria morrer e não o deixavam. Há anos que aquela bela cabeça sem corpo pedia que o deixassem morrer. Vi-o várias vezes na televisão, lúcido e sereno, exigindo o direito à morte. «Sou uma cabeça sem corpo, tenho direito a morrer», repetia Ramón Sampedro, corajoso galego.

Sete anos depois da morte, decorrido o tempo para a prescrição do «crime», a amiga que o ajudou, Ramona Monteiro, revelou como o fez. A morte foi gravada por vontade de Ramon, que demorou anos a cumprir um desejo, dolorosos anos de sofrimento que a hipocrisia judaico-cristã queria prolongar enquanto «Deus quisesse».

Tetraplégico desde os 25 anos, lutou na justiça pelo direito de morrer dignamente. Dada a sua incapacidade física para suicidar-se, Ramon desejava que seus amigos e familiares o pudessem ajudar a morrer sem que cometessem algum delito.

Suicidou-se em 12 de janeiro de 1998. Soube-se depois que a morte foi mais amarga do que previra o lúcido suicida e do que julgara a abnegada mulher que o acompanhou nos três últimos anos de vida.

O cianeto não terá proporcionado uma morte tão rápida e doce quanto a eutanásia exige mas foi o produto que Ramon conseguiu. Enquanto morria os olhares de amor ficaram como última carícia de quem partiu e de quem ficou, com o aviso de quem se despediu: «depois de beber não me beijes os lábios».

E a eutanásia continua por discutir.