A solidão é o cimento que cola o abandonado à fé, torna o proscrito crente, faz beata a pessoa e transforma um cidadão num devoto.
A religião é o colchão que serve de cama ao solitário, o mito que se entranha nos poros do desespero, o embuste a que se agarra o náufrago. É o vácuo a preencher o vazio, o nada que se acrescenta ao zero.
O padre está para a família como o álcool para o corpo. Primeiro estranha-se, depois entranha-se e finalmente domina.
A religião é um cancro que se desenrola dentro das pessoas e morre com elas. Também metastiza e atinge órgãos vitais. Mas é dos joelhos que se serve, esfolando-os, da coluna vertebral, dobrando-a, e do cérebro, atrofiando-o.
A religião busca o sofrimento e condena o prazer. Preza o mito e esquece a realidade.
Um crente faz o bem por interesse e o mal por obrigação. É generoso para agradar a Deus e perverso para o acalmar. Dá esmola para contentar o divino e abate um inimigo para ganhar o Paraíso.
A religião vive da tradição, do medo e da morte. Começa por ser uma doença infecto-contagiosa que se apanha na infância, transmitida pelos pais, através do batismo. O lactente é levado ao primeiro rito mais depressa do que às vacinas.
Depois, o medo, o medo da discriminação na escola, no emprego e na sociedade, leva a criança à catequese, à confirmação, eucaristia e penitência. De sacramento em sacramento, missa após missa, hóstia a hóstia, com orações à mistura e medo do Inferno, transforma-se um cidadão em marionete nas mãos do clero.
Na cúpula temos o Vaticano, um antro de perversão a viver à custa dos boatos sobre o filho de um carpinteiro de Nazaré e os milagres obrados por cadáveres de católicos, de virtude duvidosa, à custa de pesados emolumentos.
O seu negócio é a morte que explora em ossos ressequidos pelo tempo, caveiras, tíbias e maxilares, pedaços de pele e extremidades de membros, numa orgia de horror e delírio.
É assim que a tradição, o medo e a morte continuam a encher os cofres do último Estado totalitário da Europa, que governa pelo medo e se mantém pela chantagem.
Esperemos que o atual PDG seja menos tenebroso do que os dois antecessores.
Por
Paulo Franco
Na cultura cristã, a palavra “persignar” significa basicamente fazer o sinal da cruz. Este gesto, antigamente, era habitualmente articulado apenas nos templos sagrados ou em momentos íntimos de reflexão teológica.
Mas o mundo também é feito de influências. Com a exportação de milhares de jogadores brasileiros de futebol pelo mundo inteiro, e particularmente para a Europa, começamos a ver o gesto de persignar com uma frequência que parece, a quem não é crente, banalizar um gesto que deveria querer-se, no mínimo, tornar especial ou até sagrado.
Cada vez que um jogador marca um golo, ou cada vez que um guarda-redes defende uma bola difícil lá veem os festejos seguidos do ato de persignação, agradecendo a Deus aquela bênção de o ter beneficiado em detrimento do adversário.
Para isto ter algum sentido, teria Deus de tomar o partido de uns para prejudicar os outros. Ora se fôssemos todos filhos de Deus, o mínimo que deveríamos querer era que Deus fosse imparcial.
Além do mais, se o objetivo da religião é que sejamos mais solidários com os outros e menos egoístas/narcisistas/egocêntricos, nunca deveria fazer sentido achar que Deus nos pudesse favorecer tendo obrigatoriamente de prejudicar quem está a competir contra nós.
Há dias, vi uma notícia de uma senhora que se vangloriava de ter sido favorecida com um milagre de Deus pois tinha sobrevivido a um acidente onde tinham falecido 7 pessoas. Sendo legitima a sua alegria de não ter morrido, como os outros, poderia ao menos ter o bom senso de reconhecer que não foi milagre mas sim uma grande sorte.
Porque se Deus tivesse sido bom para ela, teria de ter sido muito mau para os que faleceram.
Ninguém consegue fugir às suas especificas circunstâncias de existência sem se deixar influenciar por elas. E em paralelo a esta realidade inexorável está a psicologia subjacente à natureza da crença no sobrenatural. É simples de compreender que a palavra “religião” está direta e intimamente ligada à nossa natureza egocêntrica. O nosso cérebro beneficia de milhões de anos de evolução sempre à procura de refinar a sua capacidade de nos iludir de que somos especiais, de que somos os eleitos de uma qualquer entidade divina, que nos beneficia em detrimento dos outros.
As teorias de há séculos, como a geocêntrica, a heliocêntrica ou a antropocêntrica, que colocava a Terra, o sol e o Homem no centro do universo, são excelentes demonstrações da nossa natureza egocêntrica ancestral.
A necessidade de religião é o paradigma mais fiel da nossa necessidade de afagar o ego, sem esquecer que o medo da morte nos aterroriza de tal modo que criamos todo tipo de defesas psicológicas para minorar o nosso sofrimento.
Só que esta nossa capacidade de nos iludir, que evidentemente nos ajudou a chegar até aqui, afasta-nos da mais nobre, edificante e complexa atividade humana: conhecermo-nos a nós próprios.
Paulo Franco.
No catolicismo vão longe os tempos em que as bruxas eram cotejadas com uma bíblia gigante e que, dada a insustentável leveza, um peso menor era o diagnóstico diferencial que provava a sua qualidade.
Santos doutores e papas, que não eram ainda infalíveis, acreditavam na sua existência e na incineração como terapia inquisitorial. Mulheres magras, por fome ou constituição, acabaram no churrasco pio por serem mais leves do que a bíblia que servia de bitola. A bruxaria era apanágio feminino que alimentava fogueiras e medos coletivos.
Aproveitavam a calada da noite para os conciliábulos e a vassoura para transporte até às encruzilhadas dos caminhos onde afluíam fantasmas e se rogavam pragas. Era aí que a tradição judaico-cristã domiciliava a origem das desgraças que semeavam o pânico na população e a loucura nos inquisidores.
Faleceram há muito Jaime I e Inocêncio VIII. O rei inglês mandava pagar prémios, em dinheiro, a delatores de suspeitos de bruxaria e o papa mandava inquisidores a descobrir e eliminar bruxas, incumbência que desempenhavam com denodo.
Dessa época só restam demónios, mais para manter postos de trabalho aos exorcistas do que por convicção. O padre Gabriel Amorth, exorcista oficial do Vaticano, desde 1986, obteve do papa Francisco o reconhecimento da Associação Internacional de Exorcistas, com profissionais calejados em pelejas contra o demo. Com 89 anos ainda exerce.
Agora é o Estado Islâmico, com predileção por decapitações, que se dedica a eliminar pessoas por serem «infiéis, ateus e praticarem bruxaria». Em Mossul, norte do Iraque, decapitaram em público, numa praça central, sete pessoas acusadas dos 3 crimes.
O cronista desta página, irrevogavelmente infiel e ateu, só não se dedica à bruxaria, e se não for torturado, altura em que atestará a bondade dos cinco pilares desses chalados.
Como detesto ser decapitado, execro o furor pio de que esses dementes estão possessos, aceitando, neste caso, que qualquer país os exorcize. É urgente e um ato de clemência.
Profissionais fardadas em plena atividade laboral.
Por
João Pedro Moura
O ensaísta francês Roger Caillois (1913-1978) publicou, em 1939, a obra “O Homem e o Sagrado”, editada há uma trintena de anos em Portugal pelas Edições 70.
Nessa obra antropológica, o autor, entre outras coisas, procurou discernir a correlação entre as súplicas à divindade, nas diversas religiões passadas e presentes, e o sacrifício que as pessoas entendiam e entendem fazer para obterem uma benesse divina ou aplacarem a “ira” dos deuses, quando as pessoas prevaricavam…
O esquema, basicamente, é simples: se uma benesse divina é uma coisa colossal e extraordinária, o “pagamento” da mesma deve ser efetuado com um esforço e sofrimento proporcionais…
O assunto tem a sua complexidade e não se esgota em explicações simples…
Refiro a obra de Caillois, apenas, para quem quiser aprofundar estudos sobre antropologia religiosa, psicologia de massas, etc.
Serve esta introdução para tratar da questão do sacrifício dos peregrinos fatimistas: marcham 100, 200 kms, rastejam centenas de metros, marcham de joelhos na mesma distância… etc.
É sempre a mesma coisa, ano após ano, desde 1917…
…Para só referir Fátima…
Mas essa gente casmurra e mentecapta não sabe praticar outros sacrifícios???!!!…
A que propósito entendem que a chamada “Nossa Senhora de Fátima” se compraz em observar tais comportamentos???!!!…
Pronto, querem fazer sacrifícios para agradecer à “Virgem Santíssima”?! Seja!
Por exemplo:
Que tal regressarem à escola para tentarem fazer, pelo menos, o 9º ano ou o 12º???!!!…
Seria um belíssimo sacrifício ver esse povo na escola, alguns mal sabendo ler, retomarem os estudos onde os deixaram, quando tiveram que ir trabalhar, ou porque os pais os obrigaram, ou porque desistiram por inépcia…
E quem diz o ensino básico… diz o superior…!…
Era ver o povo dos sacrifícios a caminho da escola, nos cursos noturnos, depois de um dia de trabalho extenuante, a esforçarem-se estrenuamente para assimilarem aquelas matérias de Ciências Naturais e de Físico-Químicas, de História, de Línguas Estrangeiras, de Geografia e demais disciplinas do cardápio escolar…
Era ver o sr. António debruçado sobre as leis da termodinâmica, a dona Augusta, com olhar grave, observando a eletrólise da água, o Marcolino, circunspeto, a estudar a Reforma Protestante, do séc. XVI, a dona Ermelinda conjugando o verbo “to be” e a senhora Maximiana ouvindo, radiante, o prof. de Geografia a descrever aspetos essenciais da economia agrícola de Portugal: ouvir falar das boas terras de Cebolais de Cima, Freixo de Espada à Cinta, Alguidais de Bota-Arriba, Lentiscais de Cacamijo e Cabeçais de Metralhadora à Coxa…
Enfim, isso é que seriam grandes sacrifícios, com uma grande vantagem: o povo ia aprendendo, ia raciocinando, ia acumulando saber, para o futuro e para o melhor desempenho profissional…
Mas, por que é que o povo não se lembra destes sacrifícios???!!!…
Enfim, admitamos que o povo religionário não se virará para a ciência… e recalcitrará no sacrifício puramente físico…
Mas então, proponho que, para não irem todos os anos a Fátima, como alguns fazem, em renovação de promessas, deveriam arranjar um sacrifício que fosse permanente, uma espécie de estigma ostentatório, que servisse de agradecimento e pagamento “ad eternum”…
…Proponho a amputação dum dedo mínimo! Nem mais!
Vejam a máfia japonesa – a Yakuza! Eles cortam, pelo menos, um dos dedos mínimos, como ritual de lealdade e de sacrifício! Aquilo é que é um caso sério e radical de devoção à causa!…
Comparados com a Yakuza, os peregrinos pedestres portugueses e outros mais parecem ovelhas perambulando pelos campos, cansadas e conformistas…
A amputação digital, não! É radical! É irreversível! Exprime um sacrifício e uma dedicação perpétuas! Mesmo que haja defeções, fica o estigma permanente!…
Agora, a nossa mansuetude ovelhum!…
Por isso, entendo que os mais dedicados à causa das promessas e seus pagamentos, sacrifícios e peregrinações anuais, deverão refletir sobre as vantagens da amputação digital e sua correlação com a benesse divina…

A demência da fé tem fortes motivos que a agravam. Não se ignoram as circunstâncias de natureza económica, social e política que agravam a patologia, mas não podem servir de álibi as maldades de que se foi alvo quando se exerce nos jornalistas a vingança e se recorre à decapitação como método.
Não é aceitável a prática do terror como instrumento diplomático nem a crueldade como punição e, muito menos, executar quem cumpre um dever profissional e não é parte no ódio que se cultiva e na represália que se exerce.
O Estado Islâmico é a execrável esquizofrenia onde uma teia de cumplicidades encontra o fanatismo mais primário reunido ao mais primitivo dos instintos, em feras à solta.
Há quem ambicione a morte e odeie a vida, única e irrepetível, e quem pense no prémio de um ser hipotético, desprezando os elementares deveres de humanidade. As feras que surgiram, ansiosas de um califado, são um bando anacrónico de terroristas, beatos de um credo maldito, que investem com a cegueira do touro e a sensibilidade de um réptil.
É preciso pará-los. Está em causa a civilização.
Por
João Pedro Moura
Desde há uns 20 e tal anos, que um grande número de futebolistas, em Portugal e no estrangeiro, se persignam durante o jogo, mormente quando marcam golos.
Esse gesto impetratório de bênção, por parte dos futebolistas, até está mal feito, pois que, oficialmente, a persignação consta dum ato mais prolongado, em simultâneo com a prolação duma ladainha, que, obviamente, os futebolistas não cumprem, dada a rapidez com que se persignam…
E alguns persignam-se duas e três vezes seguidas, olhando para o céu com dedos em riste, quiçá, tentando vislumbrar algum sinal divinal…
Antes da revolução do “25 de abril”, quero dizer, no tempo em que as pessoas eram mais religiosas e frequentadoras das liturgias, os futebolistas não se persignavam, pois que não se viam tais cenas dentro dos campos.
Agora, é em massa!
Esta praga em Portugal foi introduzida pela chegada crescente de jogadores brasileiros, devotos fervorosos e praticantes de persignação, que conseguem contagiar os futebolistas portugueses, também atoleimados e néscios como os brasileiros, pelos vistos…
Mas, analisemos bem a essência da persignação futeboleira e tiremos ilações.
Com esse apelo impetratório, o futebolista visa, principalmente, a vitória da sua equipa…
Ora, rogar à divindade pela vitória da sua equipa, equivale a rogar pela derrota da equipa adversária!…
Ora, se a divindade é universal, não pode “ajudar” uma equipa em detrimento da outra!…
É conhecida a máxima religiosa e popular de “todos somos filhos de Deus”.
Portanto, pedir ou agradecer a um qualquer figurão da corte celestial que conceda a vitória a uma equipa, em desfavor doutra, é uma contradição antitética e doutrinária.
Esses futebolistas não são seres humanos no pleno uso das suas faculdades mentais de raciocínio e inteligência???!!!…
Há uns anos, a senhora Margarida Prieto, extremosa e piedosa esposa cristã do sr. Manuel Damásio, então presidente do Benfica, instalou um altar, perto dos balneários, com as habituais figurinhas estatuais do jardim da celeste corte, para “dar sorte” à equipa benfiquista. Mas, com o “azar” da equipa, que descia na classificação, o altar foi retirado, posteriormente…
E há quem agradeça, em Fátima, pela vitória da sua equipa no campeonato!…
Como é que estes néscios e crédulos têm o desplante de invocar a proteção divina para as suas vitórias desportivas, em prejuízo do interesse das outras equipas???!!!…
A não ser que, ao contrário do que eu disse atrás, não estejam “no pleno uso das suas faculdades mentais de raciocínio e inteligência”…
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.