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25 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

A Arábia Saudita, os petrodólares e o terrorismo

Alwaleed bin Talal, um empresário multimilionário e membro da casa real da Arábia Saudita, confirmou que o país financiou o Estado Islâmico (EI) para ajudar a combater e derrotar o Governo da Síria.

A reiterada cumplicidade da obscura ditadura nos atos de terrorismo islâmico goza de surpreendente impunidade. Não vale a pena referir o suspeito do costume porque são muitos os países manchados de sangue e petróleo. Certo é o apoio do grande produtor de petróleo a todos os desmandos pios da falhada civilização árabe, que se agarra à fé como náufrago à única tábua. E, mais surpreendente ainda, é a cumplicidade de países que procriaram evangelizadores, cruzados e inquisidores de que se envergonham.

Surpreende-me que países, com massa crítica e instituições democráticas, se precipitem em aventuras patrocinadas por uma família medieval que dá o nome e é proprietária de um país. A mais sórdida teocracia, onde se situam Medina e Meca, locais que atraem os crentes islâmicos, como o mel às moscas, goza da proteção do mundo civilizado.

A Europa e os EUA continuam a ter como aliado o país medieval onde germina a mais demente interpretação do mais primário dos monoteísmos. Apesar de sofrerem, dentro das fronteiras, a demência mística, que alicia jovens, e ataques terroristas, que lançam o medo e a morte nos seus cidadãos, há uma pulsão suicida anestesiada pelo petróleo.

A ausência de quaisquer liberdades, direitos ou garantias, a mais infame misoginia e o despotismo patriarcal são apanágio da sociedade arcaica da santuário teológico do mais perverso islamismo.

Até quando a Arábia Saudita será um «país amigo»?

24 de Outubro, 2014 Ludwig Krippahl

O pulmão natural.

Os dirigentes da Igreja Católica têm estado a decidir se a Idade Média já acabou. O assunto pode parecer simples para quem está de fora mas, como o Espírito Santo diz umas coisas ao Papa e outras aos bispos, a decisão está complicada. Entretanto, alguns comentadores católicos por cá já chegaram à sua verdade revelada. Admito que aquilo que João César das Neves pensa acerca do casamento e do divórcio é entre ele a a sua esposa, e o que Gonçalo Portocarrero de Almada pensa é só com ele. Mas achei piada aos argumentos que apresentam para fazer de conta que não defendem um disparate.

Neves argumenta que o divórcio é inadmissível com uma analogia entre o cônjuge e o pulmão. «Tenho problemas respiratórios desde pequeno, com asma, bronquites, etc. Viver com os meus pulmões não é nada fácil, mas nunca me passou pela cabeça andar sem eles.» Foi «pelas mesmas razões» que não lhe ocorreu divorciar-se (1). É uma analogia estranha mas reveladora da noção que Neves tem do casamento. Eu não trocaria os meus pulmões porque, com a medicina que temos hoje, isso teria consequências desagradáveis. Mas se, quando eu tiver sessenta anos, a medicina permitir trocar de pulmões com a mesma facilidade com que se tira um apêndice, não verei problema ético nenhum em trocar os meus pulmões de sessenta anos por uns de vinte. Trocar assim de cônjuge já não seria um acto moralmente neutro. Mas, ao contrário do que Neves defende, isto não tem nada que ver com preservarmos «aquele corpo a que pertencemos desde que nascemos». Não se trata de um dever de permanecer juntos só porque calhou estar juntos. Tem que ver com o cônjuge ser uma pessoa e não um apêndice.

À primeira vista, isto pode parecer dar ainda mais razão à tese de Neves por ser pior trocar de cônjuge do que de pulmões. Mas o dever de ter consideração pelo cônjuge pode tornar o divórcio numa obrigação moral se a relação não for aquela que ambos merecem. A tese de Neves revela um problema comum a muitas religiões: descurar o facto de que, mesmo quando fazem parte de famílias, comunidades ou cultos, as pessoas continuam a ser indivíduos. Não passam a ser órgãos.

Gonçalo Portocarrero de Almada tenta chegar ao mesmo sítio por outra via. Invoca que «O matrimónio cristão [é] o casamento natural elevado à condição de sacramento» e que, por ser natural, «essa união só pode ser estabelecida entre uma mulher e um varão e deve durar enquanto os dois cônjuges forem vivos.»(2). Concordo que o casamento é algo natural na nossa espécie. A nossa espécie é, apesar do que por vezes parece, especialmente inteligente, e temos muito a ganhar por viver em grupos mistos de adultos e crianças. No entanto, as nossas crias precisam da atenção de ambos os progenitores, o que exige que os machos saibam quais são as suas crias. A dificuldade de combinar a vida em grupo com o investimento paternal e evitar que os machos matem as crias dos outros obrigou a nossa espécie a criar rituais e normas de comportamento que permitissem este tipo de colaboração. O casamento é um dos mecanismos resultantes desta pressão.

Mas se há algo natural na nossa espécie é a capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias. É por isso falso que o casamento tenha de ser entre “uma mulher e um varão” e durar a vida toda. Todas as culturas têm formas de divórcio e quantos casam com quem e com quantos depende das condições em que vivem. Culturas nas quais os homens arriscam frequentemente a vida em confrontos para capturar recursos tendem a favorecer a poliginia. Habitar em regiões mais pobres pode favorecer a poliandria, com uma mulher tipicamente casando com dois irmãos, o que lhe permite reunir os recursos necessários para criar os filhos. Com a formalização legal das uniões e a separação entre o Estado e a vida privada, é perfeitamente natural que o casamento possa ser a união entre duas pessoas, qualquer que seja o sexo. Não será um matrimónio no sentido original do termo mas, como as evidências claramente demonstram, não sai do intervalo de adaptabilidade destas normas sociais.

É perfeitamente legítimo que os católicos concebam o seu casamento como bem entenderem. Mas a sua condenação do divórcio é uma idiossincrasia religiosa que não reflecte qualquer realidade profunda acerca da natureza humana ou dos transplantes de órgãos.

1- DN, Amputação
2- Voz da Verdade, Divórcio, casamento natural e matrimónio cristão

Em simultâneo no Que Treta!

23 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

Momento zen de quarta_22_10_2014

João César das Neves (JCN) na homilia de quarta, denominada «sínodo em família», partilha com os crentes a pungência da dor que o dilacera: «a Igreja está dolorosamente dividida nas questões da família», temendo que desvirtue a doutrina e atraiçoe o Mestre (epíteto que no jargão de JCN designa o crucificado).

A ansiedade que o devora não é nova: «Vivemo-lo há muito tempo, durante o Concílio. O de Niceia em 325, ou qualquer um dos 21 ecuménicos, incluindo o último, Segundo do Vaticano de 1962 a 1965». Não significa que JCN tenha estado no de Niceia mas no de Trento, a avaliar pela rusticidade da sua fé, certamente esteve ou, pelo menos, bebeu aí a interpretação bíblica com a mesma fé com que os talibãs assimilam o Corão.

JCN justifica a tragédia que o atormenta, depois de citar uma epístola: « A doutrina é clara, sólida, indiscutível, vinda do mais alto dos céus. Aí não há dúvidas. A confusão está na vida, que brota do fundo do coração dos homens». Maldito coração! E tem fé: «A nossa confiança é sólida porque, além de avisados dos tumultos, fomos também informados do resultado: “Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33).

JCN, apesar de afirmar o contrário, não esconde a suspeição no papa Francisco e afirma que as questões deste sínodo, questões contra as quais já manifestou mais horror do que Maomé ao toucinho, «foram muitas, difíceis e complexas. Acesso aos sacramentos por casais irregulares, acolhimento a divorciados, uniões de facto, homossexuais são dilemas pastorais profundos e espinhosos (…).

Com o cilício a sangrá-lo, os dedos doridos das contas do terço e os joelhos magoados, JCN, na sua fé tridentina, termina a homilia a louvar: “o papa Montini, a quem o Senhor confiou a Sua Igreja no último período homólogo, é, não apenas um exemplo e um mestre, mas um poderoso intercessor para os caminhos actuais da Igreja e da família».

E, à guisa de quem se dirige aos paroquianos, para repetirem com ele a jaculatória, diz:

«Beato Paulo VI, rogai por nós!»

22 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

Notas Soltas

Estado Islâmico – O combate ao sectarismo é urgente e uma questão de sobrevivência civilizacional. Há quem confunda fobia, uma doença do foro psiquiátrico, com o medo, sobejamente justificado, de trogloditas medievais possuídos de demência pia.

Vaticano – As contradições internas, geridas com pinças pelo papa Francisco, revelam clivagens entre a ala reacionária e a ala conformada com a modernidade. A homofobia e o horror ao divórcio alimentam o furacão que abala os alicerces do catolicismo romano.

Paulo VI – A exigência de milagres para a santidade é uma tradição obscurantista, que explora a superstição popular, mas a beatificação do papa declaradamente antifascista é uma compensação para as distinções conferidas a Pio XII e João Paulo II.

Turquia – Quem pensava que Erdogan era um muçulmano moderado há de arrepender-se sem perceber porque prefere a destruição dos curdos do Iraque e da Síria à extinção do Estado Islâmico.

21 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

DA INCOGNOSCIBILIDADE… DOS TEÍSTAS (1 de 3)

 

DA INCOGNOSCIBILIDADE… DOS TEÍSTAS (1 de 3)

Por

João Pedro Moura

PRIMEIRA TESE TEÍSTA – Deus é o princípio do Universo, omnipotente, omnisciente e omnipresente, criador, governador e justiceiro.

Segundo os crédulos religionários, deus é uma entidade absoluta, que pode tudo, que sabe tudo, que em tudo está presente, que criou tudo, que governa o mundo, agindo como entender, dando liberdade ou tirando-a, ora provocando benesses ora malefícios, ora fazendo milagres ora deixando estar e decorrer, tudo culminando, futuramente, no Dia do Juízo Final, em que todos os mortos serão ressuscitados, mesmo os que viveram antes do judaísmo e do cristianismo, ou que nada percebem disso, e serão julgados, numa espécie de supremo tribunal de justiça, em versão única e definitiva.
Será a maior concentração de gente na História, ainda por cima de vivos e mortos, numa espécie de versão aumentada e revista da grotesca série norte-americana Walking Dead, onde vivos e “zombies” pululam em ficção brutesca e bélica…

Nesse dia mundial da jurisprudência divinal, os bons irão para o paraíso; os maus para o inferno…
Isto é, os bons não terão mais que trabalhar, pois terão tudo o que necessitam para viver, sem terem que ganhar dinheiro. Enfim, ou não precisarão de comer e beber nem de andar para lado nenhum, ou, precisando, o seu deus facultar-lhes-á tudo o que quiserem, desde voar para onde quiserem ou teletransportarem-se instantaneamente, ou adquirirem carros e outras viaturas à descrição, sem fazerem nenhum esforço.
É só pedirem a deus…
…Aliás, eu acho que nem é preciso pedir, pois esse deus, dizem os crédulos, é omnisciente, e então oferecerá tudo a cada um, conforme os seus gostos, que deus já conhece…
Os maus, isto é, os ateus, os indiferentes, os agnósticos e os fieis doutras religiões e igrejas, que não atinaram nem creram na via reta dos “caminhos do Senhor”, serão lançados no inferno, onde serão consumidos, em modo eterno, pelo fogo divino, que, parece, que não os matará, mas torturá-los-á para sempre, num indizível sofrimento, pelos facinorosos crimes de não terem crido no “Senhor” salvador …

Pois, isso é tudo muito lindo (ou feio…), se deus existisse e se os religionários demonstrassem a existência do mesmo…
…Mas não demonstram…

PRIMEIRA ANTÍTESE ATEÍSTA – Deus não existe! Porque os religionários não conseguem provar a sua existência.

Mas replicam os teístas, no seu jogo de meras palavras, destituídas de argumento fundamentado: os ateus também não conseguem provar que deus não existe!

Em primeiro lugar, compete a quem começou a afirmar algo, justificar a existência desse algo. O ónus da prova está naqueles que sustentam a existência de deus, pois os ateus nem sonhariam em negar algo que não foi, previamente, afirmado.

Em segundo lugar, não é possível provar a inexistência de deus, através de estudo e investigação científicos, quer em observações astronómicas e macroscópicas, quer em exame microscópico, pela simples razão de que não há nada para investigar nesse âmbito.
Os cientistas nem saberiam o que é que haveriam de fazer!
Espera-se, há muitos anos, que os crédulos teístas provem a existência de deus…
… E que até o diferenciem dos deuses greco-romanos e outros mais antigos, cujo prazo de validade já terminou há muito tempo…

Foi o ateu francês, Sébastien Faure (1858-1942), um dos autores mais desconhecidos e mais extraordinários que apareceu na História, o primeiro a apresentar, em 1908, um conjunto demolidor e devastador de argumentos contra o deus dos crédulos: 12 PROVAS DA INEXISTÊNCIA DE DEUS.

Faure, como que pega nas “5 Vias”, isto é, as “5 provas da existência de deus”, na Suma Teológica, de Tomás de Aquino, o maior filósofo medieval cristão e um dos maiores de sempre, e destroça-as com argumentos perfeitamente demolidores, que não deixam pedra sobre pedra do frágil edifício teórico do fideísmo cristão, mas que também dão para qualquer religião…

Faure avisa que não há nem podia haver demonstração científica de qualquer inexistência, por mais que se observasse o céu ou se pesquisasse o que quer que seja.

Ele afirma, e muito bem, que a negação de deus só pode ser feita através dos argumentos dos crentes, que sustentam os deuses das religiões.
É através da falta de fundamentação dos religionários e da sua argumentação desconexa, que se destroi o seu conceito de deus.

 

20 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

João Paulo II (JP2) e os mártires da ICAR

As Igrejas pelam-se por mártires. Os santos têm escassa cotação e poucas se dedicam à sua criação. A ICAR entrou na era industrial com JP2, um caso de superstição e doentia fixação em defuntos a quem atribuiu passadas virtudes e poderes perenes. Para fabricar um santo basta engendrar dois milagres e cobrar os emolumentos do processo canónico. Para produzir mártires urge encontrar algozes predispostos a causar vítimas.

Os mártires podem ser dementes que procuram o Paraíso ou infelizes que estão à hora certa no sítio errado. Os suicidas islâmicos ilustram o primeiro caso, os missionários apresados por canibais fazem parte do segundo. Estes, em vez de serem benquistos pela eucaristia que levavam eram apreciados como manjar divino, em ávida antropofagia.

O nacionalismo e a fé convivem de mãos dadas. A vontade divina coincide muitas vezes com a do príncipe e este é usualmente um agente predestinado. A glória terrena facilita-lhe a bem-aventurança eterna. A rainha Santa Isabel fez o milagre das rosas, um milagre de que uma tia avó, húngara, certamente lhe enviara a receita para Aragão. Herdou-lhe o nome, o truque, a realeza e a santidade.

Nuno Álvares Pereira andou aí, depois de muitas humilhações nas provas para santo, a ser ultrapassado pelas bentinha de Balasar, os pastorinhos de Fátima e outros defuntos com milagres comprovados e devoções firmadas. Faltou-lhe o martírio que infligiu aos castelhanos e a coragem da Cúria Romana para enfrentar Espanha. Quando muitos já desistiam da canonização, o patriarca Policarpo porfiou na devoção e exigiu a Roma um milagre para dinamizar a estatuária e colocar nos altares portugueses uma peanha mais.

Destinados à santidade, o Vaticano, bairro que também usa o pseudónimo de Santa Sé, já leva três pontificados a publicar listas de mártires e defuntos virtuosos. As mortes são antigas e a utilização, para fins de propaganda, é a macabra operação de marketing que a ICAR favorece. O Cardeal Crescenzio Sepe, criado cardeal e nomeado prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos pelo inefável JP2, evocava o “generoso tributo de sangue de muitos irmãos e irmãs para o crescimento da Igreja no mundo”.

Morrer ao serviço de Deus é garantir o Paraíso – garante o clero –, com a mesma certeza com que na praça nos afiançam a excelência da hortaliça e no talho a saúde do animal de que nos cortam os bifes.

ICAR = Igreja Católica Apostólica Romana

19 de Outubro, 2014 Carlos Esperança

Frases de um ateu

“No passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente”

“Acredito que conseguiremos entender a origem e a estrutura do Universo. De facto, mesmo agora já estamos perto de lograr esse objetivo. Não há nenhum aspeto da realidade fora da mente humana.”

(Stephen Hawking, físico britâncico, um dos maiores cientistas mundiais, em entrevista ao El Mundo)