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22 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Antes mal acompanhado do que Sony

Quando o frio e alienado assassino, aiatola Khomeini, emitiu uma fatwa contra Salman Rushdie e a horda de intoxicados pelo Corão perseguiu e matou editores e livreiros que ousaram publicar e vender o livro «Versículos Satânicos», perduraram na história como devotos criminosos, os primeiros, e os últimos, como mártires da liberdade.

Quando as caricaturas de Maomé, o profeta muito amado e pouco recomendável, foram divulgadas, os dementes do costume quiseram assassinar o autor e assaltaram os jornais que, em nome da liberdade, não se deixaram chantagear.

Quando se cancela a exibição de uma comédia satírica sobre um complô para assassinar o líder norte-coreano, a figura grotesca cujo penteado é suficiente para levar um cidadão incauto do riso à incontinência urinária; quando basta um grupo de hackers e a ameaça de provocar um novo 11 de setembro em cada sala de cinema que exiba o filme, para que a Sony Pictures se acobarde, assiste-se a uma vergonhosa humilhação perante Kim Jong-il. Ceder à chantagem de Pyongyang ou de quaisquer crápulas, é a liberdade de expressão que se cancela.

A exibição do filme suspenso, «The Interview», ‘Uma entrevista de Loucos’ sobre dois jornalistas (Rogen e James Franco) contratados pela CIA para matar o líder norte-coreano, é uma exigência de quem se bate contra os totalitarismos e não abdica de uma das mais duras conquistas civilizacionais, o direito à livre expressão.

Se insistirmos em defender o respeito por idiossincrasias e preconceitos, preterindo o direito à liberdade, deixamos de ser dignos da civilização e dos direitos conquistados.

É preferível morrer pela liberdade do que morrer de medo… e de vergonha.

21 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Malefícios da fé

Talibã no Paquistão: Ataque em escola em Peshawar deixa 141 mortos (BBC)
http://www.bbc.com/news/world-asia-30491435

Paquistão: 5.5 milhões de crianças fora das escolas  Relatório da UNESCO (Tribune)
http://tribune.com.pk/story/666285/5-5-million-children-out-of-school-in-pakistan-unesco-report/

Orçamento para educação diminuiu apesar de promessas (Dawn.com)
http://www.dawn.com/news/1110706

Governo anuncia orçamento de 700 bilhões para Defesa (Tribune)
http://tribune.com.pk/story/716913/budget-2014-defence-budget-increasing-at-diminishing-rate/

Paquistão marca “Dia de Malala” com bolsa educação (AlJazeera)
http://www.aljazeera.com/news/asia/2012/11/20121110535489628.html

Ataque do Taleban deixa 145 mortos, incluindo 132 crianças (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/12/1562980-mais-de-80-criancas-morrem-em-ataque-do-taleban-no-paquistao.shtml

Paquistão tem sete milhões de crianças fora da escola (O Globo)
http://oglobo.globo.com/mundo/paquistao-tem-sete-milhoes-de-criancas-fora-da-escola-14853555

Paquistão: Dia da Malala homenageia a jovem baleada pelo Talibã (Terra)
http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/paquistao-dia-da-malala-homenageia-a-jovem-baleada-pelo-taliba,87384cfb7e45b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

21 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Por que motivo não me comovo?

Estado Islâmico executou 100 jihadistas estrangeiros

O grupo jihadista Estado Islâmico executou 100 dos seus combatentes estrangeiros, que tentavam fugir da cidade de Raqqa, no norte da Síria, avançou, esta sábado, o jornal britânico “Financial Times”.

A informação foi dada, sob anonimato, por um ativista opositor ao regime sírio e ao EI, que o jornal diz “conhecer bem”. O homem afirma ter “comprovado as 100 execuções” de jihadistas estrangeiros que tentavam fugir dos combates.

20 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Fraudes por todo o lado

Fraude financeira é descoberta em ordem franciscana

Uma ramificação da ordem franciscana da Igreja Católica, que administra igrejas e conventos em 110 países, disse que uma fraude por parte de alguns dos seus monges fê-la cair em graves dificuldades financeiras.

A revista italiana Panorama publicou uma reportagem na sua edição mais recente na qual diz que dezenas de milhões de euros em recursos da Ordem dos Frades Menores (OFM) foram investidos em empresas de fachada no estrangeiro.

O frade Michael Perry, diretor da OFM, disse que uma investigação interna revelou «um número questionável de actividades financeiras conduzidas por frades aos quais era confiada a gestão do património da ordem».

Numa carta publicada no site da OFM, Perry disse que a ordem estava em «grave, e eu destaco grave, dificuldades financeiras, com um significativo fardo de dívidas».

A carta, endereçada a todos os frades, diz que o tesoureiro-geral da ordem renunciou ao cargo, mas não deu mais detalhes.

A OFM é uma das quatro principais ramificações da ordem Franciscana Romana Católica, fundada por Francisco de Assis no século XIII. O convento e basílica localizados em Assis, cidade natal de Francisco na região central de Itália, são geridos por outra ramificação dos franciscanos, os Frades Franciscanos Conventuais.

19 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

O urso Maomé e a fauna devota

«Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa». (Pascal)

Há 7 anos, No Sudão, obscuro país onde a fome e a fé dizimam o povo, uma professora de inglês foi condenada a 15 dias de prisão, seguidos de deportação, por ter permitido aos alunos que dessem o nome de Maomé a um urso de peluche, o que foi considerado uma ofensa ao Profeta e não ao urso.

Poupou-a às chibatadas a nacionalidade e a intervenção do primeiro-ministro inglês e às balas, a polícia antimotim. Os piedosos sudaneses que se manifestaram, junto ao palácio presidencial, contra a clemência da sentença, queriam vingar a afronta ao Profeta à saída das orações de sexta-feira, excelentes para estimular a violência.

Desiludiram-se os crentes, por terem sido impedidos de linchar a professora. Estavam munidos de paus, facas e machados e só ansiavam por dar público testemunho da sua fé e agradarem ao seu Deus.

Há quem pense que a demência mística é mera manifestação tribal ou apanágio de uma única religião, quiçá por desconhecimento do Levítico, por exemplo, e da dívida para com o Iluminismo e a Revolução Francesa.

O fundamentalismo é uma palavra que serviu para definir, primeiro, o protestantismo evangélico americano que no início do século XX pregava um Deus apocalíptico, cruel e vingativo, e que atualmente ameaça ser a característica comum de diversas religiões.

É preciso um sobressalto republicano e laico para evitar que as religiões destruam a civilização e comprometam a sobrevivência humana e que a blasfémia – um «crime» medieval – desapareça do Código Penal de todos os países civilizados.

18 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Ódio divino à cultura

Os grupos fundamentalistas visam no ódio cego à cultura, que liberta, a morte dos que gostam de aprender. As escolas são o palco predileto de atentados, como a escola em Peshawar, onde mais de 140 pessoas, na maioria alunos, foram esta terça-feira mortas por um comando talibã.

Pelo menos, cento e trinta e duas crianças não sobreviveram, impedidas de saber mais do que o Corão diz, de abrir as mentes à cultura, de aspirar à sabedoria e à fruição dos direitos individuais. É a vingança sectária contra cada Malala que escapa, cada mulher que se liberta e cada vida que os fanáticos não controlam.

Há idiotas úteis a debitar lugares-comuns, não são terroristas todos os muçulmanos, são minoritários os criminosos, e não veem que é terrorista o Corão, perigosas as madraças e instigadoras de ódio as mesquitas! Não viram a alegria que percorreu as ruas islâmicas após a queda das Torres Gémeas de Nova Iorque ou do massacre de Atocha?

Esquecem os 1.200 reféns de Ossétia do Norte numa escola de Beslan, no dia do início do ano escolar de 2004, por rebeldes armados pró-chechenos, e a morte de 186 crianças entre as 331 pessoas que pereceram durante o assalto das forças especiais que os foram libertar e que também sofreram 31 mortos.

Nas Filipinas, em 28-01-1999, 500 alunos e 70 professores de uma escola perto de Cotabato (sul) foram sequestrados por membros da Frente Moro de Libertação Islâmica.

Na Nigéria, bandos islamitas de Boko Haram, responsáveis por ataques e sequestros, reivindicaram o rapto a 14 de abril passado de 276 raparigas cristãs, estudantes no liceu de Chibok (nordeste). Algumas conseguiram fugir, mas 219 continuam desaparecidas.

No Afeganistão, os talibãs serravam vivos os militares da URSS capturados, atrocidade silenciada na comunicação social. Que interessava? Eram comunistas! Mais tarde foram os soldados americanos a sofrer igual sorte. E o silêncio manteve-se, eram imperialistas!

Este maniqueísmo uniu, em silêncio cúmplice, dignitários de várias religiões perante a fatwa contra Salmon Rushdie. Esses e outros cúmplices ficaram cobardemente calados perante os editores assassinados ou os jornais incendiados por causa das caricaturas de Maomé. Quando se pronunciaram foi contra a liberdade de expressão, em manifestações de compreensão perante as dementes demonstrações de raiva, vingança e primarismo.

A tragédia dos países muçulmanos deve-se à natureza não secular do Estado. O ódio dos clérigos ao laicismo e a sua arrogância moral exacerbam-se com o declínio económico e cultural da decadente civilização árabe.

Parece profético o subtítulo do livro de Robert Hutchison: “O Mundo Secreto do Opus Dei – Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico”. (Ed. Prefácio, Novembro de 2001)

Fontes: Imprensa mundial.

17 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Contradições

Epicuro de Samos, 341 – 270 AC, 71 anos, Atenas, Grécia

– Deus quer evitar o mal, mas não consegue?
Então não é omnipotente.

– Deus pode evitar o mal mas não o faz?
Então é malvado.

– Deus pode e quer evitar o mal?
Então porque existe a maldade?

– Deus não pode nem quer evitar o mal?
Então, porquê chamá-lo Deus?