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24 de Dezembro, 2014 Abraão Loureiro

A Lógica da Criação

O mérito é todo dos santos
O erro e o pecado são meus
Mas onde está nossa vontade
Se tudo é vontade de Deus?

Apenas não sei ler direito
A lógica da criação
O que vem depois do infinito
E antes da tal explosão?

Por que que o tal ser humano
Já nasce sabendo do fim?
E a morte transforma em engano
As flores do seu jardim

Por que que Deus cria um filho
Que morre antes do pai?
E não pega em seu braço amoroso
O corpo daquele que cai

Se o sexo é tão proibido
Por que ele criou a paixão?
Se é ele que cria o destino
Eu não entendi a equação

Se Deus criou o desejo
Por que que é pecado o prazer?
Nos pôs mil palavras na boca
Mas que é proibido dizer
(Ora pro Nobis)
(Ora pro Nobis)

Porque se existe outra vida
(Ora pro Nobis)
Não mostra pra gente de vez
Por que que nos deixa nos escuro
Se a luz ele mesmo que fez?

Por que me fez tão errado
Se dele vem a perfeição?
Sabendo ali quieto, calado
Que eu ia criar confusão

E a mim que sou tão descuidado
Não resta mais nada a fazer
Apenas dizer que não entendo
Meu Deus como eu amo você!

22 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Turquia ao encontro dos Irmãos Muçulmanos

Há vários anos, enquanto Bush armava o maior exército da NATO e chamava moderado a Erdogan, comecei a afirmar que não há Islão moderado nem religiões moderadas. Há crentes bondosos, solidários e pacíficos mas nenhum credo tem essas virtudes.

Erdogan, há anos que defende os assassinos de juízes protetores da laicidade e, quando a correlação de forças lho permitiu, começou a sanear os militares laicos. O Islão, na sua decadência, impõe-se pelo terror que cultiva, pela guerra santa que o Profeta preconiza e pela demência dos que as madraças e as mesquitas intoxicam.

O artigo do El País é elucidativo. Aqui ficam as primeiras frases traduzidas:

[“O pior é o medo. Toda a gente tem medo na Turquia”, lamentava-se há pouco numa entrevista o prémio Nobel de Literatura Orhan Pamuk. “A liberdade de expressão caiu para o seu nível mais baixo”, denunciava o autor de O museu da inocência, para descrever o clima de ameaça às liberdades civis que reina no seu país perante a perseguição à oposição e aos meios de comunicação críticos, plasmado em perseguições policiais e ordens judiciais de detenção. Perante as queixas da União Europeia pela deriva autoritária do Governo do islamita Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, nas suas siglas em turco), o presidente Recep Tayyip Erdogan replicou: “É o mesmo que nos aceitem ou não. Não nos preocupa o que pensem na UE. Que se ocupem dos seus próprios assuntos. Não têm nenhum direito a dar-nos lições de democracia”].

A tragédia vem a caminho da Europa, ou melhor, esta tem ido ao seu encontro.

22 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Antes mal acompanhado do que Sony

Quando o frio e alienado assassino, aiatola Khomeini, emitiu uma fatwa contra Salman Rushdie e a horda de intoxicados pelo Corão perseguiu e matou editores e livreiros que ousaram publicar e vender o livro «Versículos Satânicos», perduraram na história como devotos criminosos, os primeiros, e os últimos, como mártires da liberdade.

Quando as caricaturas de Maomé, o profeta muito amado e pouco recomendável, foram divulgadas, os dementes do costume quiseram assassinar o autor e assaltaram os jornais que, em nome da liberdade, não se deixaram chantagear.

Quando se cancela a exibição de uma comédia satírica sobre um complô para assassinar o líder norte-coreano, a figura grotesca cujo penteado é suficiente para levar um cidadão incauto do riso à incontinência urinária; quando basta um grupo de hackers e a ameaça de provocar um novo 11 de setembro em cada sala de cinema que exiba o filme, para que a Sony Pictures se acobarde, assiste-se a uma vergonhosa humilhação perante Kim Jong-il. Ceder à chantagem de Pyongyang ou de quaisquer crápulas, é a liberdade de expressão que se cancela.

A exibição do filme suspenso, «The Interview», ‘Uma entrevista de Loucos’ sobre dois jornalistas (Rogen e James Franco) contratados pela CIA para matar o líder norte-coreano, é uma exigência de quem se bate contra os totalitarismos e não abdica de uma das mais duras conquistas civilizacionais, o direito à livre expressão.

Se insistirmos em defender o respeito por idiossincrasias e preconceitos, preterindo o direito à liberdade, deixamos de ser dignos da civilização e dos direitos conquistados.

É preferível morrer pela liberdade do que morrer de medo… e de vergonha.

21 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Malefícios da fé

Talibã no Paquistão: Ataque em escola em Peshawar deixa 141 mortos (BBC)
http://www.bbc.com/news/world-asia-30491435

Paquistão: 5.5 milhões de crianças fora das escolas  Relatório da UNESCO (Tribune)
http://tribune.com.pk/story/666285/5-5-million-children-out-of-school-in-pakistan-unesco-report/

Orçamento para educação diminuiu apesar de promessas (Dawn.com)
http://www.dawn.com/news/1110706

Governo anuncia orçamento de 700 bilhões para Defesa (Tribune)
http://tribune.com.pk/story/716913/budget-2014-defence-budget-increasing-at-diminishing-rate/

Paquistão marca “Dia de Malala” com bolsa educação (AlJazeera)
http://www.aljazeera.com/news/asia/2012/11/20121110535489628.html

Ataque do Taleban deixa 145 mortos, incluindo 132 crianças (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/12/1562980-mais-de-80-criancas-morrem-em-ataque-do-taleban-no-paquistao.shtml

Paquistão tem sete milhões de crianças fora da escola (O Globo)
http://oglobo.globo.com/mundo/paquistao-tem-sete-milhoes-de-criancas-fora-da-escola-14853555

Paquistão: Dia da Malala homenageia a jovem baleada pelo Talibã (Terra)
http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/paquistao-dia-da-malala-homenageia-a-jovem-baleada-pelo-taliba,87384cfb7e45b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

21 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Por que motivo não me comovo?

Estado Islâmico executou 100 jihadistas estrangeiros

O grupo jihadista Estado Islâmico executou 100 dos seus combatentes estrangeiros, que tentavam fugir da cidade de Raqqa, no norte da Síria, avançou, esta sábado, o jornal britânico “Financial Times”.

A informação foi dada, sob anonimato, por um ativista opositor ao regime sírio e ao EI, que o jornal diz “conhecer bem”. O homem afirma ter “comprovado as 100 execuções” de jihadistas estrangeiros que tentavam fugir dos combates.

20 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Fraudes por todo o lado

Fraude financeira é descoberta em ordem franciscana

Uma ramificação da ordem franciscana da Igreja Católica, que administra igrejas e conventos em 110 países, disse que uma fraude por parte de alguns dos seus monges fê-la cair em graves dificuldades financeiras.

A revista italiana Panorama publicou uma reportagem na sua edição mais recente na qual diz que dezenas de milhões de euros em recursos da Ordem dos Frades Menores (OFM) foram investidos em empresas de fachada no estrangeiro.

O frade Michael Perry, diretor da OFM, disse que uma investigação interna revelou «um número questionável de actividades financeiras conduzidas por frades aos quais era confiada a gestão do património da ordem».

Numa carta publicada no site da OFM, Perry disse que a ordem estava em «grave, e eu destaco grave, dificuldades financeiras, com um significativo fardo de dívidas».

A carta, endereçada a todos os frades, diz que o tesoureiro-geral da ordem renunciou ao cargo, mas não deu mais detalhes.

A OFM é uma das quatro principais ramificações da ordem Franciscana Romana Católica, fundada por Francisco de Assis no século XIII. O convento e basílica localizados em Assis, cidade natal de Francisco na região central de Itália, são geridos por outra ramificação dos franciscanos, os Frades Franciscanos Conventuais.

19 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

O urso Maomé e a fauna devota

«Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa». (Pascal)

Há 7 anos, No Sudão, obscuro país onde a fome e a fé dizimam o povo, uma professora de inglês foi condenada a 15 dias de prisão, seguidos de deportação, por ter permitido aos alunos que dessem o nome de Maomé a um urso de peluche, o que foi considerado uma ofensa ao Profeta e não ao urso.

Poupou-a às chibatadas a nacionalidade e a intervenção do primeiro-ministro inglês e às balas, a polícia antimotim. Os piedosos sudaneses que se manifestaram, junto ao palácio presidencial, contra a clemência da sentença, queriam vingar a afronta ao Profeta à saída das orações de sexta-feira, excelentes para estimular a violência.

Desiludiram-se os crentes, por terem sido impedidos de linchar a professora. Estavam munidos de paus, facas e machados e só ansiavam por dar público testemunho da sua fé e agradarem ao seu Deus.

Há quem pense que a demência mística é mera manifestação tribal ou apanágio de uma única religião, quiçá por desconhecimento do Levítico, por exemplo, e da dívida para com o Iluminismo e a Revolução Francesa.

O fundamentalismo é uma palavra que serviu para definir, primeiro, o protestantismo evangélico americano que no início do século XX pregava um Deus apocalíptico, cruel e vingativo, e que atualmente ameaça ser a característica comum de diversas religiões.

É preciso um sobressalto republicano e laico para evitar que as religiões destruam a civilização e comprometam a sobrevivência humana e que a blasfémia – um «crime» medieval – desapareça do Código Penal de todos os países civilizados.