Não sou insensível ao sofrimento dos desesperados que procuram uma boia de salvação, aos doentes que aguardam um milagre, aos crentes que se mortificam na esperança de serem ouvidos por um deus, através de uma imagem de barro, quando os homens os abandonam.
Confranjo-me com os deserdados da sorte a rastejar no genuflexódromo da Cova da Iria, com os que envergam os restos da farda que trouxeram das colónias para agradecerem o milagre do regresso, com os pobres que deixam os únicos brincos ou o cordão de ouro que lhes restava na feira da fé que uma legião de clérigos promove.
São assim os que sofrem. Seria injusto criticar a ingenuidade de quem foi condicionado na infância, de quem se deixa contagiar pelas multidões, de quem aproveita transportes pagos pelas autarquias em ano de eleições.
Vergonha é da multinacional da fé que explora um povo que sofre e a miséria humana ao som de cânticos a um ídolo de barro, que ajoelha a multidão aos pés de um cardeal a um gesto canónico e arrecada o óbolo da gente simples.
Condicionar a liberdade com gestos mecânicos e sinais cabalísticos, aspergindo com o hissope a multidão em transe, é o número de circo que os atores executam na perfeição e o público recebe em lágrimas de comoção.
Daqui a dois anos o espetáculo será o mesmo mas os números redondos das datas têm o condão de embotarem o discernimento e redobrarem a fé.
O Vaticano há muito que deixara de atualizar a lista dos livros proibidos. Condena, para não perder a vocação censória, desaconselha, para fingir autoridade, e vocifera, para impressionar os espíritos mais timoratos. Agora, com o papa Francisco, usa mais a pele de cordeiro sem recusar a indústria dos milagres que embrutece e suporta a superstição.
A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, submetida ao pulso férreo do cardeal Joseph Ratzinger, piedoso inquisidor que se esforçou para que o progresso e a liberdade não fizessem perigar o destino das almas, foi uma pálida amostra do Santo Ofício, que a precedeu, mas deu-lhe para embirrar com o «Código Da Vinci» do escritor Dan Brown, e incluiu o interessante romance policial, que pisca o olho aos eruditos, na lista de obras a «não ler, nem comprar». O apelo foi do cardeal Tarcísio Bertone, aos microfones do Radio Vaticano, a emissora do bairro com potência para ser ouvida através do planeta, mas cujas vozes não chegam ao Céu.
O que incomodava o santo cardeal, além das manipulações da ICAR que o romance desmascarou, era a possibilidade de Jesus ter sido pai de uma filha de Maria Madalena, o que pressupôs o pecado da fornicação cometido pelo impoluto e casto fundador da ICAR.
Assim, ainda que a execração do livro e a proibição da compra contribuíssem para a sua difusão, a Cúria não pôde deixar de atualizar o Índex dos livros interditos sob pena de conferir ao ato sexual uma dignidade que a prática divina lhe outorgava. Deste modo, o «Index librorum prohibitorum» da Igreja Católica ficou enriquecido com um novo título e a sexualidade de novo anatematizada.

Faz hoje anos que a Virgem Maria, a mãe de Deus, apareceu pela primeira vez em Fátima a três crianças para transmitir uma mensagem aos Humanos.
Andava preocupada com a gente, coitada.
De início a mensagem foi considerada um segredo divino tal era o seu significado simbólico e a sua enorme relevância para a História da Humanidade.
Só foi conhecida aos bochechos e depois de cuidadosamente dividida em três partes.
Ora, a mensagem da mãe de Deus era de tal forma importante que a sua última parte só foi conhecida meio século depois de nos ter sido transmitida.
Era uma previsão de que um gajo vestido de branco ia sofrer um atentado.
Foi pena que a “previsão” não tivesse sido divulgada mais cedo.
É que quando os prognósticos são feitos no fim do jogo perdem toda a piada, não é?…
Mas na primeira parte a Senhora «mais brilhante que o Sol» disse de facto uma coisa de particular importância para a Humanidade: disse que devíamos rezar muito a Deus.
Ao que parece, Deus gosta muito que lhe rezem. Faz-lhe bem ao ego, dizem.
Mas a especialidade da Virgem Santíssima era de facto a futurologia.
Pelos vistos a capacidade de adivinhação deve ser um dom especial reservado por Deus às mulheres «puríssimas», que são aquelas cujo canal vaginal só funciona no sentido catolicamente correcto, que é o sentido descendente, e que nunca foi conspurcada por essa coisa suja, horrível e pecaminosa chamada sexo.
Foi assim que vinda dos Céus, onde se encontra de corpo e alma, esta anorgásmica mãe, provavelmente com muito pouco que fazer, resolveu vir ao nosso planeta dizer-nos que a Guerra acabava nesse ano de 1917 e que os soldados portugueses estariam de volta ao solo pátrio já pelo Natal.
O pior de tudo foi que a I Guerra Mundial, a tal guerra de 1914-18 acabou, tal como o próprio nome indica… no ano de 1918.
Então não querem lá ver que a mãe de Deus se enganou, coitadita?
Ou seja:
Quer isto dizer que nesta insigne e extraordinária mensagem transmitida aos Homens a mãe de Deus numa parte fez um prognóstico no fim do jogo, noutra disse uma banalidade e na terceira, ó Céus… enganou-se!
É pois para honrar esta extraordinária mensagem que milhares de pessoas se deslocam todos os anos a Fátima para adorar e rezar à Virgem Maria e para comemorar e celebrar a extrema razoabilidade e a lucidez de tudo isto.
Qualquer que seja a sua opção religiosa, que pode ser nenhuma, tente ouvir estes argumentos. Se conseguir rebatê-los, tanto melhor; assim todos ficaremos melhor elucidados.
Por
A norte-americana Silvya Ann Driskell, de 66 anos, diz ser “embaixadora de Deus e do seu filho Jesus Cristo” e, nessa sua condição, vai processar todos os gays do mundo por desrespeitarem “as leis morais e religiosas”.
Numa petição de sete páginas que entregou, no dia 30 de Abril, ao tribunal de Omaha, no estado norte-americano do Nebraska, Driskell escreveu que a “homossexualidade é um pecado e os gays sabem que é pecado viver uma vida homossexual.”
Na carta, a mulher cita ainda passagens da Bíblia para sustentar as suas afirmações e desafia o juiz John M. Gerrard a não “julgar Deus”, reforçando que os homossexuais são “mentirosos, enganadores e traidores”.
Silvya Ann Driskell acrescenta: “Tenho 66 anos e nunca pensei ver o dia em que a nossa grande nação ou o nosso grande estado do Nebraska se tornariam tão complacentes à cumplicidade com o comportamento lascivo de algumas pessoas. Uma forma de destruir uma nação ou um estado é destruir os seus princípios morais.”
A mulher, apontada como sendo “louca” pelos media americanos, não recebeu resposta do tribunal à sua petição.
Esta mulher tem razão numa coisa: o Deus bíblico odeia, de facto, os homossexuais. E este é mais um triste episódio da homofobia bíblica a somar a tantos outros, desde crianças a envergar camisolas com a frase “God hates fags”, a lideres religiosos africanos, com a bíblia na mão, a exigir a pena de morte para os Homossexuais. Actualmente, existem 7 países onde a homossexualidade pode ser punida com pena de prisão ou até mesmo com a pena de morte.

O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.