Por
Paulo Franco
As leis de Murphy talvez não sejam para levar demasiado a sério mas são, sem dúvida, uma advertência séria para o que realmente pode correr mal.
As leis de Murphy são o paradigma da apologia do pessimismo, a hipérbole do derrotismo e do desalento face ao que pode vir a acontecer.
Se (de forma algo forçada, é certo) adaptarmos o “espírito” das leis de Murphy ao que de negativo as religiões têm dado à humanidade, poderíamos elaborar as seguintes premissas:
– Se alguém te mente uma vez, pode mentir-te muitas vezes.
– Se alguém te mente muitas vezes, pode mentir-te sempre.
As religiões já nos mentiram sobre a existência de infernos e purgatórios; será que não nos estão a mentir sobre a existência do Céu?
As religiões já nos mentiram sobre a existência de demónios e diabos: será que não estão a mentir sobre a existência de deuses?
As religiões já nos mentiram sobre a existência de anjos, bruxas e feiticeiras: será que não estão a mentir sobre a existência de pessoas ressuscitadas?
Mas, se com toda a força de vontade da resiliência humana, nos submetermos ao poder da Fé e acreditarmos que Céu, Deuses e Pessoas que ressuscitam realmente existem, podemos sempre admitir a hipótese de, afinal, inferno, purgatório, demónios, diabo, anjos, bruxas e feiticeiras serem também uma realidade no nosso mundo, mas aí teremos seriamente de nos interrogar:
Estaremos afinal de regresso à Idade Média?
Ou será que quem mente muitas vezes pode mentir sempre?
No mais recente censo realizado em Portugal (2011), o total dos 8 989 849 inquiridos surge assim distribuído (por ordem decrescente):
Católicos – 7 281 887
Não Sabe/Não Responde – 744 874
Sem Religião – 615 332
Outros Cristãos (que não católicos, ortodoxos ou protestantes) – 163 338
Protestantes – 75 571
Ortodoxos – 56 550
Outros Não Cristãos (que não judeus ou muçulmanos) – 28 596
Muçulmanos – 20 640
Judeus – 3061
Diário de uns Ateus – E sabe-se como é mais fácil e lucrativo dizer que se é católico.
Por
Paulo Franco
Se há uma certeza que já podemos ponderar com elevado grau de certeza, após 10 000 anos a acumular conhecimento, é que a intuição humana engana-se demasiadas vezes.
Desde concluir que é o Sol que gira em volta da Terra até à conclusão de que os terramotos são o resultado de um Deus furioso com os seus filhos humanos desobedientes.
A nossa intuição conduziu-nos frequentemente a conclusões erradas sobre o funcionamento da natureza e do universo que só após o advento do pensamento cientifico puderam ser corrigidas.
Quando observamos as formas perfeitas das dunas junto à praia, onde as elevações e depressões adquirem um equilíbrio e uma graciosidade encantadores, intuitivamente somos levados a crer que alguma força Divina teve de intervir. Demorou tempo até percebermos que, afinal, era apenas a força erosiva do vento a funcionar.
Uma boa amostra de como a mente humana, desprovida de conhecimento cientifico, se precipita para conclusões fantasiosas é a quantidade de histórias mitológicas inventadas pelas antigas tribos autóctones americanas que viveram junto ao “Grand Canyon”. Elas nunca imaginaram ou sonharam que aquele monstruoso monumento natural com 446 Km foi “construído” durante 2 biliões de anos de história geológica “apenas” com a força erosiva da água do rio Colorado e do vento.
Na Idade Média aceitava-se como verdade inquestionável, nos meios académicos e religiosos, a teoria Geocêntrica de Aristóteles. Nada mais natural do que quem nunca saiu do seu ponto de observação, concluir que está no centro do universo. Com o advento do Renascimento, primeiro Copérnico e depois Galileu, deram início a uma revolução cultural só comparável à revolução encetada por Charles Darwin alguns séculos mais tarde com a teoria da Evolução.
Curiosamente, estes 3 heróis da História, apesar de separados por quase 4 séculos, tiveram de enfrentar a oposição poderosa e perigosa da Igreja Católica.
A teoria Antropocêntrica foi mais um equívoco gigantesco, desta vez vindo de interpretações bíblicas que nos colocavam como o centro da criação, menosprezando todo o resto do mundo animal e vegetal, reduzindo-os a meros utensílios ao serviço dos Todo-poderosos humanos.
E sobre o Espaço Sideral, que poderíamos nós intuir sobre coisas tão assombrosas como um Buraco Negro ou um Quasar?
O que a intuição humana contribuiu para o desenvolvimento da teoria da relatividade de Einstein ou para a física quântica?
O universo é contraintuitivo. Só o método cientifico garante alguma possibilidade de o compreender.
“Minha desconfiança é que o universo não é só mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar. Suspeito que haja mais coisas no céu e na Terra que se sonha, ou que se possa sonhar, em qualquer filosofia.” J.B.S. Haldane.
Uma vereadora do Partido Popular de Rafelbunyol (Valência), Nuria Losada, causou polémica com um comentário que escreveu no Faceboock, em relação aos resultados eleitorais e ao descalabro do seu partido na região, em que se lia: «agora vão começar a queimar igrejas e violar freiras» e «na praça de touros construirão um bordel».
(Comentário divulgado pelo jornal ‘Levante EMV’)
Fonte: DN, hoje, pág. 36
Publicação: 2015-05-28 00:00:00
Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas beneficie os benditos ou seja a carta de recomendação para o primeiro emprego.
Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a hóstia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.
Tirando o colorido coreográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes vestidos a imitar padres, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade preserve o coiro da pasta ou do próprio.
Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa da tradição que arrasta os estudantes para a missa, a suplicar a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.
Começam no confessionário a confessar os «pecados» em que reincidirão, continuam na eucaristia, despacham umas ave-marias e acabam na cerveja, mergulhando na estúrdia da semana de todos os excessos.
Deus é o aperitivo que a tradição manda e a festa é o ritual que os corpos e os sentidos exigem. O bispo leva Deus para o Paço episcopal enquanto os estudantes vão fazer a digestão da hóstia em hectolitros de cerveja ou acabar no banco do Hospital, em coma, espécie de êxtase místico induzido por abuso alcoólico.
Até à data não se registaram intoxicações por excesso de hóstias. Talvez a eucaristia tenha lugar no início dos festejos porque, no fim, não há estômago que ainda aguente.
No final do curso, os alunos começam a festejar de joelhos e, com a falta de empregos, acabam de rastos.
Desta vez não é um muçulmano é um católico. Os cretinos estão em todo o lado. Seja qual for a religião a que pertencem.

http://nossaradio.blogspot.com/2015/05/e-deus-criou-o-mundo-proselitismo.html.
Nas actuais grelhas das Antenas 1 e 2, há um programa falado chamado “E Deus Criou o Mundo“, no qual um moderador (Henrique Mota, ex-director de informação da Rádio Renascença e fundador da editora livreira Principia) vai dando a palavra, ora a um judeu (Isaac Assor, oficiante da sinagoga de Lisboa), ora a um católico (Pedro Gil, director do Gabinete de Imprensa da Opus Dei em Portugal), ora a um muçulmano (Abdul Madgi Vakil, ex-presidente do Banco Efisa e do BPN), que alegadamente não falam em nome das religiões que professam mas a título pessoal. Ainda assim, são as respectivas ideias religiosas (e não outras) as que expõem quando lhes é pedido que se pronunciem acerca de determinado assunto. A primeira questão que um ouvinte que não professa qualquer daquelas religiões (professando outra ou nenhuma) tem de formular é esta: com que critério se cria na rádio do Estado, que estatutariamente é laica e se deve reger por rigorosos critérios de pluralismo, um programa circunscrito a três confissões religiosas, ignorando todas as outras com fiéis residentes em Portugal e – não menos importante – o livre-pensamento? É por se considerar que as três religiões abraâmicas são as que realmente contam e tudo o resto não interessa?
Um programa pondo à mesma mesa o judaísmo, o catolicismo e o islamismo poderia fazer sentido na Idade Média, como forma de estabelecer pontes de entendimento entre fés que embora tendo um tronco comum divergiram para posições dogmáticas praticamente inconciliáveis, mas no século XXI peca por manifesto e indisfarçável anacronismo. Não porque essas religiões deixassem de ter praticantes (se bem que, no caso do catolicismo, a prática ritualista tenha registado um acentuado decréscimo nas últimas décadas), mas por não ser admissível que se ignore todo o pensamento que a Humanidade produziu depois da Reforma Luterana e, sobretudo, a partir do Iluminismo. Por conseguinte, a ausência no programa de um protestante e, ainda mais, de um livre-pensador (agnóstico ou ateu), constitui uma lacuna gravíssima, que urge colmatar. Não é proselitismo religioso (no caso, de matriz abraâmica) que queremos no serviço público de rádio mas que os assuntos levados à antena sejam objecto de uma análise suficientemente ampla e plural, devendo obrigatoriamente de estar representado o livre-pensamento. Só assim os ouvintes ficam em condições de, livremente e sem antolhos, formaram ou alicerçarem a sua opinião sobre determinado tema, em face das ideias e dos argumentos expostos. Coisa bem diferente, portanto, do condicionamento a que vêm sendo sujeitos. E para provar como o livre-pensamento (ou o pensamento não confessional, se se preferir) é de capital importância na análise de qualquer assunto que seja do domínio do humano – e toda a religião existe para dar (ou tentar dar) resposta a inquietações humanas –, aqui se deixa dois textos ensaísticos que Agostinho da Silva publicou em 1942 e 1943, respectivamente, “O Cristianismo” e “Doutrina Cristã”.
O CRISTIANISMO
Por: Agostinho da Silva
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.