
REUTERS/ALESSANDRO BIANCHI
Depois da noite mais longa, como ateu e com respeito por todos os crentes (não tanto pelas crenças) desejo a tod@s um excelente solstício de Inverno, que ontem aconteceu, e um feliz ano de 2018.


REUTERS/ALESSANDRO BIANCHI
O Papa Francisco vai estar presente no funeral do cardeal Bernard Law, que morreu na terça-feira aos 86 anos, 15 anos depois de ter renunciado ao cargo de arcebispo de Boston na sequência de um escândalo de pedofilia que abalou a igreja nos Estados Unidos.
De acordo com a CNN, o cardeal, que foi acusado em 2002 de encobrir casos de abusos sexuais de menores envolvendo o clero, terá um funeral com honras de Vaticano, na basílica de São Pedro, esta quinta-feira.»
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Esta imagem gravada no templo de Luxor (c. 1.600 aC.) mostra cenas da natividade de Hórus:
– A anunciação pelo deus Thoht à virgem Isis de que será mãe;
– A imaculada conceção de Hórus no seio de Isis, feita milagrosamente por Kneph, o deus espírito santo, em forma de falcão;
– O nascimento de Hórus numa gruta, deitado numa manjedoura, três dias após o Solstício de Inverno (25 de dezembro), vendo-se a sua “sagrada família”: Isis, a mãe virgem, Osíris, o deus-pai, vendo-se ainda uma vaca e um burro;
– O menino Hórus, o deus-Sol, a ser adorado por pastores e por três reis magos, que lhe trazem presentes e que chegam 12 dias depois do nascimento (6 de janeiro), guiados por uma estrela a Oriente.

Por
Onofre Varela
(Gazeta Ateísta)
As frases “Graças a Deus” e “se Deus quiser” são usadas pelos religiosos no sentido do agradecimento e do desejo de que tudo corra bem.
Os extremistas islâmicos também as usam no sentido de que tudo lhes corra bem na eliminação de vidas nos seus atentados criminosos. Deus é pau para toda a obra, e acaba por ser como a nódoa… que no bom pano cai!
Para os crentes, Deus representa tudo quanto de bom se possa imaginar, mais a fé e a esperança de que tudo corra conforme os seus desejos. Não conhecendo realmente o que é nem como é Deus, o crente teme-o e adora-o concomitantemente. Assim, a palavra “Deus” acaba por ser um código para referir o objecto sagrado da sua adoração.
Se o crente, em vez da palavra “Deus”, adoptasse qualquer outro termo… por exemplo, “Birobé”, em vez de dar “graças a Deus”, dava “graças a Birobé”! Birobé seria o cerne, o autor, o veio-rotor, de todas as coisas. Birobé passava a ser o criador e o dono do seu destino. Seria a explicação para tudo quanto você desconhece, e o guardião da fonte de todos os seus desejos.
Birobé é, a partir de agora, o dono da sua alma. E só por vontade de Birobé você acorda todas as manhãs para enfrentar o dia que tem à sua frente para viver, e vive-o graças a Birobé. Birobé é a explicação para tudo quanto você desconhece e quer ver explicado. Mesmo que aquilo que você não conhece seja sobejamente conhecido por todos, menos por si, é Birobé que preenche o enorme buraco do seu desconhecimento. E continuando você a desconhecer a verdadeira essência da coisa, você crê conhecê-la porque você “sabe” que a coisa… é Birobé!
Quando você procura uma explicação, não consulta uma enciclopédia; recorre a Birobé. Birobé tudo sabe, é Grande e o seu Poder é indesmentível. Com Birobé, tudo. Sem Birobé, nada. Birobé é aquele que você designa com letra maiúscula, que crê Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente, que tudo vê, sabe e domina. Birobé é O princípio, O meio e O fim. É Ele que lhe ilumina o caminho e você deve-Lhe incondicional adoração.
Acha ridículo dar graças a Birobé?…
Tem toda a razão. É tão ridículo como dar graças a Deus!…
Por
ONOFRE VARELA in Gazeta de Paços de Ferreira
Em 1998 a América Central foi palco de uma desgraça que mobilizou o mundo numa onda solidária perante a destruição que o furacão Mitch causou na Nicarágua, provocando 20.000 mortos, 11.000 feridos e três milhões de desalojados. A solidariedade do sacerdote Santiago Martin manifestou-se num texto que ele publicou no semanário madrileno ABC, sob o título genérico Crónicas desde la Fé. Na linha da ideia de Deus ser sinónimo de tudo quanto é bom, escreveu, subordinado ao título “Deus é amor”, um texto que começava assim: “Aqui, nestas três palavras, nesta breve frase, se encerra e condensa o essencial da nossa fé. Deus existe e é amor. Deus existe e quer-te, a ti, pequeno ser humano, vítima de tantas precariedades e de tanta dor. Deus não te abandona nunca, ainda que os teus mais próximos o façam. E a prova principal dessa felicidade e desse amor divino é a encarnação do filho de Deus, sua morte na cruz e a ressurreição gloriosa”.
Que dizer deste naco de prosa? Este discurso, proferido por um louco na paisagem desoladora da Nicarágua após a passagem do furacão, não passaria disso mesmo: do discurso de um louco!… Onde estava Deus com o seu carregamento de amor e de bondade, no momento em que o furacão varreu a Nicarágua? Aos crentes foi ensinado que Deus comanda as forças da Natureza (e também por cá, há poucos dias, se rezou para que chovesse!), e a própria Igreja o reafirmou pela boca do arcebispo de Caracas, Ignacio Velasco, quando trágicas inundações enlutaram a Venezuela em Dezembro de 1999, causando 15.000 mortos. O arcebispo afirmou que “a tragédia que assola e enluta a Venezuela e os seus habitantes, é devida à ira de Deus que quer castigar a soberba do presidente Chávez”. (El País, 20/12/1999). Religião, loucura e ódio misturam-se nestes discursos que parece serem habituais na América Latina, onde a esmagadora maioria do povo é fanaticamente religiosa, e onde a Igreja Católica conta a maioria dos seus crentes.
Quando a Igreja diz que Deus é amor, talvez conviesse especificar que raio de amor quer ela referir. Deus surge a distribuir o seu amor do mesmo modo como os bombeiros o fazem, sempre depois de ocorrida a desgraça? Deus é um enfermeiro que coloca pensos nos espíritos feridos? Convenhamos que é pouco para um deus, tal como o pintam as religiões! Deus dá-me amor e quer-me?!… Quer-me como? Quer-me bem, segundo o humano conceito do que é estar-se bem, fruindo de uma vida consideravelmente feliz… ou quer-me morto, segundo o conceito católico da “bem-aventurança-além-túmulo”?
Como é que se pode explicar às vítimas do furacão Mitch (ou de qualquer outro cataclismo) que tudo aquilo aconteceu por um acto de amor de Deus que tanto nos quer, e que naquele dia, ao que parece, estava um mãos-largas?!…
No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.
Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.
E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,
Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.
Guerra Junqueiro – Freixo de Espada à Cinta, 1850-1923
Cortesia de um amigo brasileiro.
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