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Categoria: Religiões

28 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

O princípio de uma nova tragédia?

Por

E – Pá

A “Esplanada das Mesquitas”, ou o “Monte do Templo”, são locais sagrados dos muçulmanos e dos judeus, em Jerusalém.
Esta área de 14 hectares no centro da Cidade Velha de Jerusalém, no sector árabe, faz parte de uma zona anexada por Israel em 1967.
Tem sido o fermento de constantes conflitos israelo-palestinos.

O rabino Yosef Shalom Elyashiv, um dos mais respeitados peritos na Tora em Israel, declarou que o perigo de criar tensões e derramamento de sangue são mais uma razão para que os judeus não visitem a Esplanada das Mesquitas.
Esta declaração é feita a 8 Out 2009.

A 25 Out 2009 forças militares e policiais israelitas intervêm neste local por supostos incidentes entre palestinos muçulmanos…

Depois dos “novos” colonatos na Cisjordânia, mais uma outra provocação para o Mundo e a desautorização de Obama…que, neste preciso momento, se confronta com o problema nuclear iraniano.

22 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

Irão – O ataque aos Guardas da Revolução

Por que motivo não senti a mínima pena ou o mais leve desgosto pelo atentado contra a elite militar de Teerão? Como Guerra Junqueiro, perante o regicídio, “lamento de olhos enxutos a execução” e há, nesta citação contida, uma dissimulação porque senti no feito impiedoso, na demência suicida dos algozes, a execução de uma sentença.

Não vou ao ponto de sentir aquela euforia imbecil que percorreu a rua islâmica quando as Torres de Nova York foram derrubadas. Não sinto aquele regozijo fanático com que na Idade Média se assistia ao churrasco dos hereges ou, ainda agora, nas teocracias se delira com a lapidação de uma adúltera, mas aceito que os agentes do terror teocrático mereçam prematuramente as setenta virgens que os suicidas lhes destinaram, apesar da minha aversão à pena de morte.

Tenho, pelos Guardas iranianos, o mesmo afecto que dispensava à PIDE e o asco que ainda guardo de Rosa Casaco. Sei que uma pessoa de bem não deve confessar regozijo pelo atentado a Carrero Blanco, à saída da missa, bem rezado e comungado, ou pelo feito heróico da cadeira que puniu Salazar, mas os estados de alma não são fruto da razão nem os biltres que amordaçam o povo, intoxicados por um livro, merecem compaixão.

Não percebo, aliás, que uma certa esquerda europeia defenda um multiculturalismo em que a opressão da mulher possa ser enquadrada numa tradição cultural, ou transija com a poligamia, sem que a poliandria goze de igual direito. Há parâmetros que diferenciam a civilização da barbárie e não são as normas do Corão, da Bíblia ou da Tora que podem servir de padrão civilizacional.

A escalada agressiva das Igrejas, o proselitismo doentio e a desvairada obsessão de cada religião a impor o seu deus privativo, aos crentes de outro deus ou a quem o dispensa, é um retrocesso civilizacional perigoso.

Pobre Europa, se esquecer o sangue vertido nas guerras religiosas e renegar a laicidade para agradar ao Papa ou aquietar o ódio pregado nas mesquitas.

21 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

Mário David – Bem-aventurado analfabeto

Eurodeputado exorta Saramago a renunciar à cidadania

Mário David não é um solípede à solta ou um inimputável analfabeto, é eurodeputado do PSD e vice-presidente do Partido Popular Europeu. Por isso as suas palavras podem ter eco, ser tomadas como boas e levadas a sério como se fossem de um homem culto e sensível.

Bem sei que Mário David, de que nunca tinha ouvido falar, é o Sousa Lara que entra na quota de todas as lideranças do PSD, o censor que honra o Santo Ofício, o analfabeto que, à semelhança do Sr. Duarte Pio, nunca leu Saramago e não gosta.

Mário David, sei-o agora, é o bem-aventurado primata que deseja a glória celeste na convicção de que há reino dos céus reservado aos pobres de espírito.

Pedir a Saramago, o Nobel do nosso contentamento, o mais admirável ficcionista do último século, não é de quem usa a cabeça mas de quem se serve dos pés. Todos.

Mário David afirma, referindo-se a Saramago: “Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?”

Que quererá fazer este Sousa Lara, digo, Mário David? Quererá queimar o escritor? Retirar-lhe a nacionalidade? Ter a glória de Nero por incendiar Roma ou o nome nos jornais pela indigência intelectual?

Outra pérola deste analfabeto literário:  “Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter”.

Foi o bom carácter de pessoas como Mário David que alimentou as fogueiras da Inquisição.