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Categoria: Religiões

10 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Maomé

Por

Leopoldo Pereira

A Ciência estima que entre 12 a 14 milhares de milhões de anos atrás (mais ano menos ano), terá deflagrado uma espécie de bomba, que viria a ser rotulada de Big Bang. A citada explosão deu origem ao Universo, com milhões de Galáxias, cada qual com milhões de astros. Uma dessas Galáxias é a “Via Láctea”, nela existindo diversos Sistemas Solares, pertencendo o nosso planeta a um deles. Tudo isto acontece a escalas tais que um errozito de milhão ou ano-luz não é significativo nas medições. Significativo é o abrangimento de tamanha imensidão, inatingível para o comum dos mortais e daí o tradicional recurso à explicação mais simplista: Foi Deus que fez detonar a bomba!

Validemos a sugestão, o que também me leva a acreditar ter andado o Senhor muitos milhares de milhões de anos a arrumar as estrelas, a fazer colapsar as velhas para obter as novas, a guiar os cometas, a colocar “buracos negros” aqui e a ali, a desenhar as melhores órbitas para cada astro, enfim, todas as tarefas que tamanha complexidade exige.

Quebrando a rotina, há uns anitos (seis milhares, números redondos) decidiu rumar ao planeta azul da Via Láctea, para uma semana de férias. Só que, em vez de descansar, acabou fazendo algo em prol do planeta. Segundo os “Livros Sagrados”, criou o Céu e a Terra, o dia e a noite (na realidade já tudo isso existia), colocou dois luzeiros no Céu (Sol e Lua), outra medida escusada, pois os luzeiros já lá estavam; criou as águas, enchendo-as de seres vivos, as plantas, os animais terrestres e o Homem, à sua imagem e semelhança (quem inventou esta, no mínimo era presunçoso).

Deus descansou apenas um dia, dos sete previstos. A origem da Humanidade toda a gente sabe: Deus fez Adão, dele fez Eva e ambos tiveram três filhos varões. Como um deles matou outro, restaram dois. Deus disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos. Tudo numa boa, até que o pessoal descambou e Deus, que não perdeu a Terra de vista, quis pôr cobro aos desmandos e afogou a malta toda, à exceção de Noé e sua família que, a bordo de uma pequena embarcação, juntamente com vários milhares de outros animais, se salvaram.

A partir daí, Deus, mais cauteloso, escolheu um povo para O adorar (só a Ele). A breve trecho até o Povo Eleito roeu a corda e as coisas estavam de novo a descambar! Foi então que Deus teve a ideia de elaborar os Mandamentos, que Moisés carregou Monte abaixo, até onde estava o seu povo acampado. Então os “eleitos” começaram a portar-se melhor (às vezes à força) e com o passar do tempo Deus avivava o espírito de alguns. Foi a estes iluminados, por certo analfabetos, que aos poucos ditou os textos bíblicos, escritos quando eles já não existiam!

Não deixa de ser curioso que Deus tenha prescindido de Roma, Constantinopla, Pinhel, Atenas, Cairo ou Lisboa, optando por aterrar sempre na mesma zona geográfica. E foi por essas bandas que posteriormente mandou entregar a Maomé, via anjo Gabriel, um livro já impresso, o Alcorão. Quase uma cópia da Bíblia, dado o Autor ser o mesmo. Mas por ser posterior e conter alguns queixumes divinos, relativamente ao Povo Eleito, acreditam os seguidores do Profeta que a verdade está com eles e os mais fanáticos defendem-na a ferro e fogo.

Por que razão Deus terá abandonado os “eleitos” e se voltou para Maomé? Deus tem razões que a razão desconhece. E o que consta do Profeta? Bom, a narrativa não lhe é muito favorável: Por azar ficou órfão muito cedo e consta que era pobre. Se o primeiro problema não tinha remédio, remediou divinamente o segundo, casando com uma viúva rica. Era idólatra, mas a dada altura começou a ter visões e mais tarde revelações. Deus aparecia-lhe sob a forma de luz intensa, o que o deixava encandeado e com suores; não raro batia com a cabeça.

Converteu-se e foi convencendo uns e outros de que era verdade tudo quanto lhe acontecia de sobrenatural. Tanto insistiu que foi corrido de Meca (sua terra natal). Decidiu ir para Medina com alguns seguidores e pelos vistos com sucesso. Travou várias batalhas com inimigos, somando vitórias e derrotas, mas no final tudo acabou em bem para a religião que defendia, sendo hoje a segunda em número de fiéis e sem dúvida a mais aguerrida.

Faleceu em Medina, depois de ter possuído esposas, escravas, sobrinhas, e outras mulheres (crentes). Como se depreende, praticou poligamia e foi de opinião que cada homem não deve ter mais que 4 mulheres. Teve vários filhos, mas só 4 filhas vingaram. Os muçulmanos veneram-no. Ele e Alá são o máximo.

O Alcorão contém muitas frases temíveis: “Matai os politeístas”; “Os não crentes islâmicos só têm um fim: O Inferno”; “Aos que não creem, atormentá-los-ei com um duro castigo nesta vida e na outra. Não terão quem os auxilie”; “Deus aniquila os infiéis”; “Se fordes mortos pela causa de Deus, tereis o seu perdão e uma misericórdia superior a todas as riquezas deste mundo”. “Não tenhais por mortos aqueles que morreram pela causa de Deus”; “Aos que combateram, introduzi-los-ei em jardins por onde correm rios”. Falta citar as “virgens prometidas” e várias outras frases identicamente elucidativas, mas por agora não pretendo alongar-me mais.

9 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Deus pode esperar. O lucro não

Médicos, freiras e pais traficavam bebés comprados em Marrocos

A Guarda Civil acusou 19 pessoas desta rede internacional

Todas as crianças eram de famílias pobres para dar dinheiro ou promessa de um futuro melhor.

As redes de compra e venda de bebés que operaram em Espanha até 1990 não foram só fornecidas com os recém-nascidos no país, mas também importados do exterior.

A Guarda Civil já descobriu a existência de uma rede que captou crianças em Marrocos e, com base em Melilla, para casais espanhóis ansiosos para serem pais. Muitas dessas crianças foram entregues a famílias de Valencia, uma região que, já antes, aparecera como destinatária de muitos recém-nascidos roubados.

 

9 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Insensibilidade católica

Supremo de El Salvador vai decidir se Beatriz pode abortar

Há quase dois meses, uma junta médica em El Salvador recomendou a interrupção da gravidez como única forma de salvar a vida a Beatriz C., 22 anos, portadora de lupus e com insuficiência renal.

A vida de Beatriz C., 22 anos, em adiantado estado de gestação e mãe de uma criança de um ano de idade, continua em risco. Proibida de abortar no seu país, sob pena de ser castigada com até 50 anos de prisão, a jovem salvadorenha, portadora de lúpus e sofrendo de insuficiência renal, apresentou há quase um mês um recurso ao Supremo Tribunal (CSJ) para que a equipa médica do Hospital de Maternidade seja autorizada a interromper a sua gravidez.

8 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Espanha – Frades e freiras em vias de extinção

Numa década, caiu para metade o número de pessoas que vivem em instituições religiosas coletivas em Espanha: conventos, seminários, mosteiros, abadias e estabelecimentos similares.

Em 2001 foram 41.137 e em 2011 18.487 habitantes, segundo o Censo da População e Habitação elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Quase todos aqueles que vivem nessas instituições são mulheres (82,4%) e idosos (39,9% em 2011 tinham entre 65 e 84 anos).

5 de Maio, 2013 Carlos Esperança

A Interrupção Voluntária da Gravidez e a violência do preconceito

A legalização não se destina a aprovar a IVG, pretende apenas descriminalizar o ato. A legislação permissiva não incentiva ou promove o recurso à IVG, apenas modifica a lei, a fim de evitar que mulheres sejam empurradas para a clandestinidade do vão de escada, com risco da própria vida e de perseguições policiais.

Ninguém encara levianamente um problema cujas repercussões físicas, e psicológicas são especialmente gravosas para quem vive o desespero de uma gravidez indesejada ou impossível.

São quase sempre mulheres pobres que se sujeitam ao vexame de exames ginecológicos impostos, que veem a sua vida íntima devassada, que suportam a desonra do julgamento e conhecem as agruras do cárcere. As ricas resolvem o problema e os pruridos éticos no intervalo das compras em cidades cosmopolitas.

Em S. Salvador uma mulher encontra-se grávida de um feto anencéfalo e a alternativa joga-se entre a morte de mãe e feto ou 50 anos de cárcere para a mãe.

O que está em causa não é a posição ética sobre a interrupção voluntária da gravidez, é saber quem renuncia, ou não, à perseguição das mulheres, quem quer vê-las na cadeia, quem pretende juntar ao trauma da IVG a punição da enxovia.

Em Portugal também a IVG era proibida na ditadura. Já em democracia, ainda o PSD e o CDS, em maioria, votaram contra, em casos de risco de vida para a mãe, malformação do feto e violação. Salvaram a honra do PSD Jaime Ramos, Helena Roseta e Natália Correia, de quem me recordo, e poucos mais. O CDS foi igual a si mesmo. Implacável.

O divórcio era proibido há trinta anos, Camilo esteve preso por adultério e, no entanto, as sociedades modernas souberam distinguir o crime do pecado, o direito canónico do Código Penal e separar as convicções pessoais do ordenamento jurídico.

Defender o direito à IVG é defender a saúde da mulher. Para que o aborto clandestino deixe de ser a chaga atual em países dominados pelo clericalismo. Para que se resolva um problema que aflige milhares de mulheres. Para que as pobres não sejam ainda mais infelizes. Para que nenhuma mulher seja presa pela incúria dos que se abstêm.

Para não sentirmos vergonha ao sabermos que uma jovem mulher salvadorenha está em risco de vida ou sob ameaça de 50 anos de prisão.

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4 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Patologias da religião vistas por um padre

Por

Padre Anselmo Borges, DN

1-Não tem faltado aqui, nestas crónicas, a denúncia das patologias da religião. Como ser insensível ao sofrimento das vítimas da pedofilia do clero? Vítimas de escrúpulos, vítimas da humilhação intelectual, vítimas da intolerância religiosa, de um deus mesquinho e escravizador… O historiador católico Jean Delumeau escreveu: “As minhas investigações convenceram-me de que a imagem do Deus castigador e vingativo foi um factor decisivo para uma descristianização cujas raízes são antigas e poderosas”.

Parece que, enquanto pôde, o clero controlou a vida sexual dos fiéis, a ponto de outro historiador, Guy Bechtel, afirmar que a fractura entre a Igreja católica e o mundo moderno se deu na teoria do sexo e do amor, com uma confissão inquisitorial centrada na actividade sexual.

Será preciso lembrar os homens e mulheres que foram assados nas fogueiras da Inquisição e não só, porque tinham ideias novas? E houve o medo-pânico da mulher, que se chegou a acusar de manter relações sexuais com o diabo. E os livros considerados heréticos também foram queimados. E houve as cruzadas, as guerras de religião, a missionação forçada. Pio VI condenou essa “detestável filosofia dos Direitos do Homem”. Pio IX condenou expressamente a evolução como uma aberração. No século XX, o teólogo E. Drewermann escreveu: “Há 500 anos, a Igreja recusou a Reforma; há 200, o Iluminismo; há 100, as ciências naturais; há 50, a psicanálise. Como viver com tantas rejeições?”

(…)

2 de Maio, 2013 Carlos Esperança

A loucura dos homens e a maldade de Deus

Morrer devido à gravidez ou cumprir 50 anos de prisão por abortar

Dilema de Beatriz, impedida de abortar sob pena de ser acusada de homicídio agravado, levantou uma onda de indignação em El Salvador.

Uma mulher gravemente doente e grávida de 20 semanas de um feto anencefálico – sem parte do cérebro – corre risco de morte devido à proibição do aborto em El Salvador. Beatriz, que já apelou ao Tribunal Constitucional do seu país e ao Tribunal Iberoamericano de Direitos Humanos (CIDH), espera agora que o Governo abra uma exceção para que possa abortar.