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2 de Julho, 2006 jvasco

A mórbida face do fundamentalismo religioso

Depois de um grupo desconhecido ter provocado mais de 66 mortos e várias dezenas de feridos, Bin Laden vem apelar a que a luta seja «intensificada».

É horrível.

É óbvio que Bin Laden, directamente, não é responsável por nenhuma morte. Ele não esteve envolvido no planeamento nem realização do «11 de Setembro». Ele não é um operacional, e, em boa verdade, não esteve envolvido em nada de concreto que a Al-Qaeda tenha feito.

O papel de Bin Laden é inspirador. E é um papel importante.
Bin Laden representa a liderança «espiritual» da Al-Qaeda, e tem importância na medida em que o aspecto religioso é a pedra basilar desta odiosa organização. Tem importância na medida em que são os seus textos, a sua teologia, as suas interpretações do Corão, que inspiram a Al-Qaeda e muito outro terrorismo pelo mundo.

Se a religião não fosse vital para grande parte dos terroristas, Bin Laden não teria muito mais importância que o emplastro.

1 de Julho, 2006 Palmira Silva

Totalitaritarismo e vitimização: a invenção da cristofobia

Como já referi, as religiões alimentam-se de «mártires» e sem estes fenecem. Em particular a ICAR agita incessantemente a bandeira de supostas perseguições a cristãos, pois como afirmou Edward Novak, secretário da Congregação para as Causas dos Santos, «De um mártir» nascem «centenas, milhares» de novos fiéis. Isto é, para angariar clientela e inflamar os fundamentalistas é necessário inventar perseguições e glorificar os «mártires» que se «sacrificam» em nome de uma qualquer «causa» cristã, seja ela o aborto ou a Inquisição «anti-católica» que rejeitou Rocco Buttiglione.

O cúmulo do absurdo da cristianovitimização pode ser apreciado nas manobras e pressão exercidas pelo Vaticano para que seja aprovado um novo termo: a «cristianofobia».

Este termo recente foi rapidamente incorporado no léxico dos fundamentalistas que querem submeter todos aos ditames do Vaticano, com especial reprodução mediática após a publicação do livro «Política sem Deus. Europa e América, o cubo e a catedral» (Edições Cristandade), do teólogo católico George Weigel. De facto, desde a sua publicação que os fanáticos cristãos gritam «cristofobia» sempre que os poderes públicos não condescendem em transcrever na letra da lei os anacrónicos (e acéfalos) ditames da Igreja de Roma.

George Weigel, conhecido por ser o biógrafo de João Paulo II («Testemunho de esperança»), interroga-se sobre as razões que levam os intelectuais europeus a serem «cristianofóbicos» (sinónimo de laicos para os fundamentalistas católicos). Claro que a resposta óbvia é completamente ignorada e para conduzir os mais incautos à resposta convoluta e falsa que a ICAR pretende passar – e como subproduto alimentar a desconfiança em relação aos intelectuais de cuja influência perniciosa se devem afastar os «simples» cristãos – Weigel lança-se numa série de lucubrações erróneas.

Nomeadamente sobre a razão porque a «nata» da intelectualidade neste continente não reconhece que os males que assolaram (e assolam ) a Europa desde o início do século XX, proeminente entre esses males a II Guerra Mundial e concomitantemente o nazismo, se devem a uma «laicidade radical», ao «drama do humanismo ateísta», termo cunhado pelo jesuita Henri de Lubac no livro homónimo.

Lubac argumentava, na linha do revisionismo histórico Icariano, que a crise civilizacional que atravessou a Europa durante a II Guerra, isto é países católicos ou predominantemente católicos contra os aliados (países anglicanos, protestantes e ateus) se devia à rejeição de Deus em nome da liberdade humana. Na realidade, a série de posts (incompleta) sobre o que se passou na época revela como absurda a pretensão católica. Não foi a rejeição de Deus que motivou o Holocausto, Deus esteve presente em todos os discursos que convenceram os cristãos habitantes dos países do Eixo de que aquela era uma «guerra justa». «Guerras justas» que continuam a ser a praga anacrónica da modernidade.

A «guerra justa» movida pelo devoto teólogo é agora a desacreditação dos intelectuais europeus, incluindo católicos «liberais», que supostamente manifestam em elevado grau essa cristofobia porque assumem (correctamente) que o «único espaço público que garante o pluralismo, tolerância, civismo e democracia é um espaço público que é completamente ateu», isto é um espaço público laico, uma abominação aos olhos dos fundamentalistas cristãos.

Assim, Weigel identifica oito aspectos ou dimensões que, na opinião de Weigel, dissociam a «ética» cristã, especialmente na versão exegética do Vaticano, da ética expressa no direito da Europa, segundo ele comprometida com os direitos humanos, com a democracia e com o império da lei. Quais são então para o teólogo católico as 8 fontes de «cristofobia»?

Alguns das fontes identificadas são constatações de factos, históricos e político-sociais, embora com algumas omissões e distorções que pretendem conduzir um leitor menos esclarecido às conclusões (erradas) pretendidas, nomeadamente que todos os males do mundo advêm da rejeição de Deus da praça pública.

O ponto 1 é absolutamente certeiro e verdadeiro. Se abstrairmos o revisionismo histórico católico que persiste em lavar a História e tentar vender o nazismo como sinónimo de ateísmo, reproduzido em itálico, não podia estar mais de acordo com o teólogo:

1. [A primeira componente dessa cristofobia é] a experiência do Holocausto no século XX e a convicção que se tem em círculos intelectuais e políticos europeus de que as atrocidades genocidas da shoah foram consequência lógica do antijudaísmo cristão que atravessa a história europeia. Por conseguinte, uma Europa que grita «Nunca mais» ante a tragédia de Auschwitz e todas as outras, tem de dizer «Não!» à possibilidade de que o Cristianismo tenha algo a ver com uma Europa tolerante.

O ponto 4 é absolutamente cretino, isto é, o teólogo que esquece convenientemente quem deu o poder ou quem estava no poder nos países que se aliaram a Hitler e na própria Alemanha, carpe a «contínua quebra do papel dominante» dos «partidos políticos democrata-cristãos na Europa». Ou seja, para Weigel os eleitores que votam em outros partidos fazem-no não por razões políticas mas sim porque são «cristofóbicos».

Carpimento que continua na quinta dimensão em que Weigel considera cristofobia o facto de se «identificar o Cristianismo com a direita» e muitos descreverem a democracia cristã «como xenófoba, racista, intolerante, fanática, estreita de visão, de corte nacionalista e tudo o que Europa não deveria ser».

A sétima dimensão é um dos pontos, em conjunto com o primeiro, mais importantes da lista (porque revisonistas da História) já que neste ponto Weigel ulula contra os intelectuais que alimentam «uma visão distorcida da história europeia» que enraíza a «democracia no Iluminismo» raízes «que são as que alimentam o projecto democrático» e esquecem as raízes cristãs da «democracia na Europa cristã anterior ao Iluminismo». Não sei se o devoto católico inclui, como alguns dos nossos leitores, esse instrumento fundamental para a democracia (?) e tolerância cristãs medievais que foi a Inquisição…

1 de Julho, 2006 Carlos Esperança

O Céu ao alcance da classe média

O negócio das indulgências é uma velha actividade da Igreja católica que, a troco do vil metal, assegura transportes directos para o Paraíso.

As orações, constando do cardápio, nunca tiveram grande cotação no mercado da salvação da alma. Valor seguro para convencer Deus, por intermédio dos seus agentes, era o dinheirinho.

Na década de cinquenta do século passado bastavam quinze tostões anuais para integrar a ASSOCIAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE ÁFRICA (colectividade e patrona hoje extintas). Era-se benfeitor por cinco escudos anuais enquanto um benemérito tinha de ofertar vinte.

Os crentes mais cautos desembolsavam 30$00, de uma só vez, para ficarem remidos e mais 100$00 se quisessem assegurar instalações celestiais para o resto da família, com direito a «Diploma de Remissão» para mostrar a Deus em caso de dúvida.

A referida Associação fora criada «para a conversão dos pretos», pio desígnio aprovado por Bento 15 e pelos Prelados Portugueses.

Aos clientes que esportulavam as importâncias referidas, era assegurada a «Remissão inteira dos pecados à hora da morte» – uma apólice para a felicidade eterna que permitia um número ilimitado de pecados, em quantidade e qualidade.

A ICAR tinha alvará para emitir apólices vitalícias de valor ilimitado para os danos que o pecador provocasse à alma.

Bastava a módica quantia de 30$00, de uma só vez, ou prestações suaves de 15 tostões anuais ao longo da vida. Se quisesse levar a família toda tinha que arrostar com mais 100 escudos, a pronto.

O Céu não tem preço mas custa dinheiro.

30 de Junho, 2006 jvasco

A aposta de Tavares

E se Deus existir e mandar todos os crentes para o Inferno e os ateus para o céu?

Porque se comportaria Deus assim? Seria um mistério fora do alcance das nossas mentes limitadas.

Como nada torna este Deus menos plausível que outro qualquer, como nada pode provar que este Deus não existe…

Enfim… A «aposta de Tavares» é apenas mais uma das várias refutações possíveis da «aposta de Pascal».

30 de Junho, 2006 jvasco

Aos crentes:

Na vossa Igreja, é pecado usar a pílula anticoncepcional?
Se sim, é grave?

29 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A Santa Aliança

(Clique na imagem para ampliar)
Nota: A espionagem do Vaticano foi criada pelo inquisidor Pio V, canonizado alguns anos depois, com o único objectivo de assassinar a herege Isabel I de Inglaterra e apoiar a católica Maria Stuart.

O destino ultrapassou a vontade do bom Papa, que se satisfazia com um só assassinato, e transformou a Santa Aliança numa máquina de extermínio e corrupção ao serviço do Vaticano.

Simon Wiesenthal, o célebre caçador de nazis, disse um dia: «O melhor e mais efectivo serviço de espionagem que eu conheço no Mundo é o do Vaticano».

A confissão é uma arma prodigiosa, sem esquecer a astúcia e inteligência dos papas e bispos a quem a tiara e as mitras, respectivamente, refinam a maldade e a velhacaria.

A Santa Aliança, nos seus cinco séculos de existência, esteve presente em todas as lutas do Vaticano e, como não podia deixar de ser, na carnificina da noite de S. Bartolomeu.

Fonte: A Santa Aliança – Cinco séculos de espionagem do Vaticano, Eric Frattini

29 de Junho, 2006 Ricardo Alves

A indignação de um ateu

Os muçulmanos consideraram-se insultados por alguém ter rabiscado num papel a cara de Maomé. Os católicos dizem-se indignados porque alguém fez um telão com a «Virgem» a entrar numa sanita. E os ateus, será que também se ofendem?

Este ateu responde que sim. Sinto-me indignado quando vejo na rua uma adolescente tapada até só se verem os olhos. (Porque sei que o véu raramente é uma escolha livre e porque compreendo que significa repressão sexual e menorização da mulher.) Sinto-me ofendido quando vejo uma mulher caminhar dois passos atrás do marido, de olhos no chão e submissa. (Porque tenho a convicção, penso que legítima, de que o homem e a mulher devem ter igual dignidade social.) Sinto-me insultado quando os media falam dos eventos de Fátima como se algo de sobrenatural se tivesse passado por lá. (Porque é tratar-nos a todos, portugueses, como se fossemos estúpidos.)

Todas estas situações me indignam. No entanto, não defendo que se proíba o uso do véu na rua, nem que se proíba as mulheres (muçulmanas ou outras) de andarem dois passos atrás do marido, nem que se proíba as pessoas de acreditarem que apareceu em Fátima um «cadáver vivo» com dois mil anos. Convivo com tudo isso, que ofende as minhas convicções mais profundas, desde que me permitam criticá-lo.

Desgraçadamente, há católicos no país onde vivo que não aprenderam a conviver com o que lhes desagrada, e que defendem que as expressões públicas ou até privadas que «ofendam a religião» devem ser criminalizadas, e que enquanto esperam por esse novo Tribunal do Santo Ofício expressam indiferença ou mesmo simpatia por quem comete crimes de vandalismo e furto de objectos blasfemos. Sinceramente, exaspera-me que não compreendam que a liberdade religiosa não desculpa a prática de crimes. Se eu desenhar a cara de Maomé na privacidade da minha casa, esse «insulto» não descriminalizará o meu assassinato por um islamista. Se um grupo de brincalhões insultar uma representação em loiça da «Virgem Maria», qualquer agressão física que lhes seja feita não deixa de ser crime. E alguém dizer em público que é ateu não autoriza os católicos a roubar-lhe a carteira nem belisca a liberdade religiosa dos crentes.
28 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A sanha mística ou o divino ódio

Não há rapazes maus, há saprófitas do divino, perturbados pela fé, receosos do Inferno, onde o azeite fervente e o fogo eterno esturricam almas. Não se limitam a mergulhar na água benta e a banquetear-se com o corpo e o sangue do filho do carpinteiro. Atiram-se aos ateus com aquela sanha que lhes dá direito a bilhete de ingresso no Paraíso sem necessidade de unção nem arrependimento dos pecados.

São os cruzados actuais, que fazem a Universidade sem reprovações e a comunhão com muitas reincidências. Conhecem os odores dos padres e os mais leves desejos do Papa e dos seus bispos.

Julgam que o Novo Testamento foi inspirado por Deus e que os milagres são genuínas manifestações da vontade de cadáveres carcomidos pelo tempo e explorados pelo Vaticano. Conhecem os livros pios e as mentiras sagradas. Vêem na mãe de Cristo uma Virgem perpétua e no Papa um almocreve de Deus.

Para estes cruzados a excomunhão é uma sentença que impede a alma de gozar os favores divinos. A blasfémia e a apostasia são abominações. O sexo é uma tragédia. Enfim, são avatares dos pios inquisidores e dos infelizes cruzados.

Quando os soltam da missa e das orações vêm ao Diário Ateísta dar público testemunho das fantasias místicas e dos delírios pios. Sob o efeito dos alcalóides da fé, ruminam vingança, vociferam, insultam e ameaçam. Parecem miguelistas com varapaus e ancinhos, acompanhados de padres, a matar liberais. Foram feitos à imagem e semelhança de Deus: intolerantes, vingativos e cheios de ódio.

O Diário Ateísta é o instrumento da catarse desses infelizes e os ateus o alvo da sanha pirómana que os devora. Para eles, para quem Deus é uma alimária que tudo pode, os ateus são o instrumento com que o Todo-Poderoso os põe à prova.

Afinal, estes devotos são apenas filhos do ódio milenário de uma igreja anti-semita, marionetes do clero romano, gente rastejante que passa a vida de joelhos. Um dia terão o Céu à espera, ganho pela espuma da raiva que babam pela comissura dos beiços.

28 de Junho, 2006 jvasco

Futebol e Milagres

Um jogo decisivo entre o Benfica e o Sporting. O árbitro marca falta, sacando de um cartão amarelo.

Os adeptos de um dos clubes estão indignados: nem sequer houve falta.
Os adeptos do outro também: era caso para cartão vermelho.

Quem já não viu situações deste tipo? Quem já não viu multidões inteiras de adeptos terem «visto perfeitamente» algo completamente oposto àquilo que as multidões do clube adversário viram «com toda a clareza»?
Quem já viu sabe que os adeptos não estão a mentir para defender o seu clube: eles realmente acreditam ter visto aquilo que alegam.

Então, uma multidão inteira, em conjunto, viu «perfeitamente» algo que não aconteceu. Essa multidão teve uma alucinação colectiva. As alucinações colectivas acontecem, no mundo inteiro, numa base semanal.

Como é possível? Como é possível que tanta gente, em conjunto, acredite ter visto com clareza algo que é manifestamente falso?
Em primeiro lugar, as pessoas, nesses estados mais emocionais, confundem um pouco aquilo que vêem com aquilo que querem ver. Mas, tendo algum bom senso, se mais ninguém viu aquilo que eles viram, só sendo loucos é que insistirão na confusão.
O que faz as alucinações em massa acontecerem a pessoas razoáveis é o reforço colectivo: cada pessoa vê que as pessoas à volta viram o mesmo, e isso reforça a sua «ligeira sensação» de ter visto algo, transformando-a numa certeza absoluta.

Obviamente não é apenas no futebol que este tipo de alucinações se sucedem. Em todo o mundo e ao longo da histórias elas estiveram sempre presentes. Desde aparições de Isis e Osiris no antigo Egipto, até aparições de Zeus, Neptuno e Afrodite pela Grécia clássica, os tempos actuais presenteiam-nos com milhares de pessoas que já viram ETs, seres magros de olhos muito grandes que pilotam discos voadores (os mesmos que ocasionalmente até raptam seres humanos para fazerem experiências sexuais com eles). Em todo o mundo, existem vários fenómenos de alucinação colectiva que resultam em avistamentos (colectivos) de divindades várias, e outro tipo de seres ou fenómenos inexistentes.

Um dos últimos casos em que isso aconteceu foi na Cova da Iria. Estavam lá os elementos todos: vários milhares de pessoas que estavam lá para ver qualquer coisa; que queriam; que desejavam ardentemente ver qualquer coisa. Depois, umas nuvens ténues passaram pelo Sol, alterando vagamente a sua textura (um fenómeno naturalíssimo que não espantaria ninguém em qualquer outro dia).
Mas as pessoas confundiram então aquilo que estavam a ver com aquilo que queriam ver: algo de especial. É assim que começa a «dança do Sol», toda a gente diz que está a ver algo fascinante, e esta crença é reforçada por todos os outros em redor que também querem ver algo fascinante.
Claro que como nada de extraordinário se passava, cada um dos que «viu» descreve um fenómeno diferente. E claro que nenhum registo fotográfico demonstra um milagre ou uma «dança solar».
Tal como no exemplo do futebol, quem não vê nada sente-se inibido em revelar a sua posição, com medo de provocar a ira dos restantes (lembremo-nos do que aconteceu há 500 anos no Rossio), o que ainda agrava mais a sensação de unanimidade e o reforço colectivo.

Decididamente, a alucinação colectiva não é tão difícil de acontecer quanto parece.
Olhem para o futebol.