24 de Julho, 2006 pfontela
Tinham dúvidas?
«Sobre o argumento “Não impor a moral católica aos não católicas”
Para mais pérolas na mesma entrevista ver aqui.
«Sobre o argumento “Não impor a moral católica aos não católicas”
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Sob a alegação de que as bandas participantes cantam músicas com líricas blasfemas que influenciam negativamente a juventude, uma igreja holandesa está a tentar impedir a realização do Festival Els Rock Open Air, programado para o próximo dia 26 de Agosto, na cidade de Rijssen. Entre as bandas esperadas encontram-se os Suffocation, Holy Moses, Sun Caged e Perzonal War.
Autoridades da Igreja holandesa solicitaram oficialmente a proibição do evento, mas a câmara local negou o pedido, uma vez que este foi autorizado há um ano e, como tal, já não é possível impedir a sua realização.
O vice-presidente da Câmara de Rijssen, Wim Stegeman, afirmou que não há bases legais para proibir o festival mas tentou apaziguar os dignitários cristãos afirmando que os organizadores do festival não convidaram bandas consideradas «demasiado extremistas» na sua abordagem lírica.
Acho pouco provável que Stegeman tenha convencido os dignitários de uma religião baseada na proibição de tudo e mais umas botas – e na carpição de perseguição pelos malvados anti-cristãos se não forem autorizados a impor a proibição do «pecado» ou da blasfémia a todos – sobre a ortodoxia das líricas a entoar no palco de Rijssen.
Especialmente se considerarmos que o «Imagine» de John Lennon foi considerado «abordagem lírica extremista», isto é, música «anti-religiosa», pelo director de uma escola primária católica que proibiu os pequenos alunos de cantarem o hino à paz internacional num evento dedicado ao tema «Músicas para um Planeta Verde».
Aliás, desde o «Ain’t Necessarily So», de George e Ira Gershwin, banido de todas as estações de rádio nos Estados Unidos e Inglaterra pouco depois do seu lançamento, já que, não questionando directamente a existência de Deus, desafiava a interpretação literal da Bíblia, a música tem estado sob a mira dos zelotas cristãos. Especialmente a música rock que para os fundamentalistas, como Ratzinger, é considerada um «contra-culto que se opõe ao culto cristão».
E especialmente «blasfemos» encontramos os músicos que não têm quaisquer problemas em assumir o seu ateísmo nas respectivas líricas, de Gary Numan a Marilyn Manson, passando por Bad Religion, Depeche Mode, Sex Pistols, Crash Test Dummies, Enigma, Trent Reznor, Bauhaus, REM, XTC, The The, Nine Inch Nails, John Lennon, Brian Eno (Roxy Music), Frank Zappa, David Byrne, Ani DiFranco, Tom Waits, etc..
Um excerto de uma lírica «blasfema» de Numan, um músico de culto que se revelou nos finais dos anos 70, abertamente anti-religião, do seu álbum de 1994 «Sacrifice», mais concretamente da faixa «A Question of Faith», especialmente certeira nestes tempos de violência em nome de Deus:
«When children kill children
Don’t it make them wonder?
Don’t it make them question their faith?»
Para além da banda sonora fabulosa (com a colaboração de David Byrne), aproveito para voltar a recomendar o filme pelo conteúdo.
A polícia indiana efectuou as primeiras detenções relacionadas com o atentado terrorista que matou mais de 180 pessoas em Bombaim na semana passada. Os primeiros detidos são activistas do Students Islamic Movement of India (SIMI), os quatro mais recentes são alegadamente membros do Lashkar-e-Tayyaba, o Exército dos «Puros»..
As suspeitas de que pelo menos os explosivos e o planeamento do atentado fosse da responsabilidade do Lashkar-e-Tayyaba, o grupo islâmico baseado no Paquistão que há muito luta pela soberania do Paquistão sobre Caxemira, foram imediatas e os últimos desenvolvimentos confirmam essas suspeitas.
Mais indicações do envolvimento do Lashkar-e-Tayyabano atentado residem no facto de que foi utilizado o explosivo militar RDX na manufactura das bombas utilizadas em Bombaim. Este explosivo é muito utilizado pelos militantes islâmicos em Caxemira, especialmente pelo referido movimento terrorista.
Entretanto na Caxemira sob administração indiana foi preso Mohammad Rafiq Sheikh, ou Mudassar, um dos líderes do movimento, procurado por mais de 20 atentados, incluindo um ataque com granadas em Sranigar no mesmo dia do atentado de Bombaim.
Um e-mail enviado a uma estação local de televisão, a Aaj Tak, que reinvidicou a autoria do atentado de Bombaim para uma organização denominada Lashkar-e-Qahhar, ou Exército do Terror, foi descartado pela polícia. De facto, há indicações da polícia indiana de que o e-mail é uma brincadeira (de mau gosto) de um jovem indiano. Quiçá como protesto em relação à medida adoptada pelo governo, na tentativa de evitar uma escalada da violência entre hindus e muçulmanos, de bloquear, como medida de segurança, o domínio blogspot.
As iniciativas de paz entre a Índia e o Paquistão foram seriamente abaladas pelos acontecimentos de 11 de Julho.
Não sei como se sentem os protectores de embriões, óvulos e células correlativas, clonados nas madraças da ICAR, quando uma alma por erro de navegação ou capricho da natureza se encavalita num feto estacionado fora do parque, em sítio proibido.
Refiro-me às gravidezes ectópicas. Trata-se de asneira de Deus ou produto do acaso mas, para quem tudo o que de bom acontece é obra de Deus e o mal fruto do Diabo, deve ser um problema que perturba o entendimento e os neurónios.
Para os pios, a ejaculação é genocídio e o aborto uma alma que migra para a sanita. Só assim se percebe a sanha com que os protectores das almas encaram o sexo e a irritação que lhes causa a reprodução medicamente assistida.
Há neste negócio das almas obscuros interesses e perturbações mentais.
Dos caminhos rurais abalaram as caixas de esmolas para as alminhas do Purgatório e, lentamente, vão acabando as missas de sufrágio, os lucrativos trintários, combustível etéreo usado para aumentar a velocidade do veículo que ligava o Purgatório ao Paraíso.
As almas estão à guarda de Deus que as manda em correio azul aos espermatozóides capazes de atingir os óvulos. Não sei se envia várias para a hipótese de falharem o alvo ou se disponibiliza apenas uma para não irritar os padres.
Após a morte, a alma viaja para os destinos do costume: Limbo, Purgatório, Inferno ou Paraíso. Só não percebo a obsessão dos padres com a alma dos que se desinteressam do seu destino e desprezam Deus. Deve ser a vocação totalitária que os consome.
Kent Hovind, o fundamentalista cristão dono do Dinosaur Adventure Land – um parque biblíco perto de Pensacola, Flórida, em que são apresentadas como verdades absolutas fantasias de que a Terra tem apenas seis mil anos, que o Grand Canyon foi formado num dia como consequência do grande dilúvio biblíco e que os homens coexistiram com os dinossauros – é um expoente da paranóia e demais idiossincrasias dos fundamentalistas cristãos.
Como um dos nossos leitores do Comunhão e Libertação que afirmava, com a arrogância insultuosa que é característica deste movimento, ser a teoria da evolução algo sem pés nem cabeça congeminado com o único propósito de «provocar» os cristãos, Hovind afirma que a «abominação» evolucionista é um conspiração satânica com o propósito de estabelecer uma «Nova Ordem Mundial» anti-cristã, com Belzebu nas rédeas. Conspiração que pretende introduzir outras abominações como o aborto, justiça social, ambientalismo e eliminação da pena de morte.
Parte desta suposta conspiração evolucionista foi «revelada» quando as autoridades da Flórida ordenaram o encerramento dos edíficios integrantes do parque, porque Hovind nunca obteve uma licença de construção para os mesmos, licenças que supostamente violavam os sentimentos religiosos profundos dos seguidores da seita de Hovind.
Hovind, que dirige o oxímero [Evangelismo da] Ciência da Criação é literalmente um fundamentalista cristão, isto é, advoga a inenarrância e literalidade da Bíblia, e concumitantemente, é um criacionista puro e duro, daqueles que afirmam que a Terra tem 6 000 anos. Também concumitante com o seu fundamentalismo cristão Hovind é visceralmente anti-semita e vende livros como «Fourth Reich of the Rich» para além de recomendar a leitura da invenção imbecil «The Protocols of the Elders of Zion», um livro que viu a luz do prelo em 1905 como apêndice ao livro «The Great and the Small» do escritor russo Sergei Nilus, pretendendo ser as minutas de um grande encontro de líderes judeus. Os Protocolos de Sião, uma justificação do anti-semitismo, descrevem os meios tortuosos pelos quais, supostamente, os judeus pretendiam causar um colapso político e económico global de forma a facilitar o seu domínio do mundo.
Hovind, que considera ser a segurança social um dos grandes problemas dos Estados Unidos (em conjunto com o ambientalismo e o sistema de impostos), advoga a lapidação das mulheres «promíscuas», é um grande defensor da pena de morte e propõe que a execução de criminosos seja pública – e por lapidação – afirma que a «democracia é um mal e contrária à lei de Deus».
A «satânica» democracia americana prendeu na quinta-feira o devoto cristão com base em 58 acusações federais, proeminente a recusa em pagar impostos, incluindo segurança social para os seus funcionários – que Hovind pretende serem missionários – e ameaças a investigadores do IRS.
Kent Hovind declarou-se inocente de todas as acusações. Aliás afirma nem sequer perceber porque é acusado já que não reconhece direito ao governo federal em o julgar por fraude e evasão fiscal.
De facto, o criacionista afirma que tudo o que o possui não é dele mas sim de Deus e como tal o governo não tem jurisdição sobre os seus bens. Nas suas alegações de inocência Hovind conta com o conselho e ajuda do seu associado Glen Stoll, bem conhecido devido aos seus esquemas fraudulentos pelo IRS americano…
Ministra acusa Igreja de proteger acusados de assassinato
Já não seria a primeira vez que haveria fundamento para acusações do género…
Gianmario Roveraro é o primeiro banqueiro encontrado morto, em situação misteriosa, depois do escândalo do Banco Ambrosiano.
O banqueiro italiano era membro do Opus Dei e esteve envolvido no maior escândalo financeiro europeu – a falência da Parmalat -, que deixou um défice de 14 biliões de euros e estava a ser investigado pela justiça de Parma por « formação de quadrilha com fins de falência fraudulenta».
No passado dia 5, após uma reunião do Opus Dei, em que participou, desapareceu misteriosamente a caminho de casa e foi encontrado morto esta sexta-feira.
A imprensa anunciou que, antes do desaparecimento, telefonou à esposa e depois à secretária para pedir que procedessem à transferência de um milhão de euros para «fechar um assunto na Áustria».
A Associação Cívica República e Laicidade (R&L) congratula-se com a recente aprovação, em comissão parlamentar, da «Lei do Protocolo de Estado», entendendo que tal norma vem clarificar — de vez, espera-se — um dos aspectos da tradução prática do princípio constitucional republicano que estabelece que o Estado e as Igrejas devem ser/estar devidamente (laicamente) separados.
A iniciativa legislativa que aí conduziu terá, aparentemente, surgido no seguimento ao «reparo» que a Associação R&L tornou público depois da cerimónia de tomada de posse do actual Presidente da República, cerimónia essa onde o Cardeal de Lisboa foi protocolarmente sentado junto dos ex-Presidentes da República.
Lamentavelmente, porém, a Associação R&L constata também que o «Protocolo de Estado», agora em vias de definição legal, ainda salvaguarda a possibilidade da atribuição de lugares de destaque a representantes de instituições religiosas nas cerimónias públicas do Estado, fazendo depender o seu «ordenamento protocolar» da respectiva «representatividade de implantação» (?)…
A esse propósito a Associação R&L faz notar que ao Estado, desejavelmente incompetente em matérias de convicção por força da sua laicidade, deverá obviamente estar vedada a avaliação dessa mesma representatividade.
A bem da República.
Luis Mateus (Presidente da Direcção da Associação República e Laicidade)
Ricardo Alves (Secretário da Direcção da Associação República e Laicidade)
Comunicado enviado à imprensa no dia 20 de Julho de 2006.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.