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Carlos Esperança

6 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Nova Igreja da Santíssima Trindade

O negócio de Fátima através dos números

1. Custo: > 50 milhões de euros;

2. 9 mil lugares sentados;

3. Ar condicionado;

4. Lagos artificiais (aquele número do divino mestre a caminhar sobre as águas voltará a ser possível, ali);

5. 48 confessionários (será que o pessoal anda a pecar demasiado, ou prevê-se aumento do número de pecadores e dos pecados per capita, ajustando-se já a oferta à procura?).

6. 16 dos 48 confessionários são para estrangeiros;

7. Em redor serão plantadas oliveiras e colocadas estátuas: bispo José Alves Correia da Silva, e S. Santidades Pio XII e JP 2 (porque não Paulo VI? Algum ajuste de contas?).

Fonte: Diário de Leiria, cortesia de M. P. M.

5 de Junho, 2006 Carlos Esperança

666 – A besta do Apocalipse

Hoje, 6-6-6, é um dia de ansiedade para todos os que a religião embruteceu.

A superstição e o medo estão na origem da fé.

4 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A excisão genital e a fé

A mutilação genital feminina não é apenas uma crueldade inqualificável, é uma mistura de religião e tribalismo, um acto de demência religiosa que vê no prazer da mulher uma fonte de imoralidade.

No cristianismo a sexualidade feminina é uma abominação que Agostinho condenou quando a idade e o múnus o fizeram o casto. No islão é uma ofensa ao profeta, que os mullahs vigiam, e um perigo que as teocracias se encarregam de erradicar.

No mundo árabe, onde a Idade Média floresce nas teocracias que embrutecem e constrangem socialmente, todas as sevícias e actos de crueldade contra a mulher são formas de perpetuação do poder clerical e do carácter misógino do Corão.

Nos países cristãos a mesma demência, contida pelo carácter secular, é uma constante herdada da cultura judaico-cristã, uma obsessão do clero e um desatino dos mais retrógrados dirigentes.

Nos EUA o presidente Bush, em demência homofóbica, quer a revisão da Constituição para que os casamentos homossexuais sejam interditos.

Do Vaticano, a última teocracia europeia, o ditador vitalício ordena aos sicários que lhe servem de correia de transmissão, que defendam a ortodoxia bíblica, que se oponham à emancipação da mulher e lhe reprimam a sexualidade, numa cruzada pela castidade e por aquilo que designam de bons costumes.

A ICAR leva o caos e a chantagem a qualquer lugar onde os direitos humanos sejam interpretados de igual forma para ambos os sexos. Nem o passado obsceno que guardam os muros do Vaticano morigeram o Papa.

4 de Junho, 2006 Carlos Esperança

Laura VanRyn e a eficácia da oração

Durante cinco semanas – diz o Diário de Notícia de ontem (sítio indisponível) – os pais de Laura, profundamente religiosos, viveram «um misto de angústia e de esperança» enquanto durou o estado comatoso da filha, gravemente ferida num acidente de viação.

Estiveram noite e dia à cabeceira e, quando viram a jovem a sair de coma «deram graças a Deus».

Estranharam, à medida que ela recuperava a consciência, ouvir-lhe coisas incoerentes, como assinalaram no blog Laura VanRyn que propositadamente criaram.

As orações e os louvores a Deus tinham sido por uma colega da filha morta. No mesmo acidente Whitney Cerac, uma colega de 18 anos, com semelhanças físicas evidentes, era a paciente que recuperava do estado de coma.

O trágico equívoco fez explodir de alegria a família da sobrevivente, considerada morta, enquanto os infelizes pais reconheciam o capricho trágico da sorte que os iludiu durante cinco semanas.

3 de Junho, 2006 Carlos Esperança

As religiões e a liberdade

Os estados industrializados exportam mercadorias, os totalitários ideologia.

O Irão desenvolve a bomba atómica, quer erradicar Israel e curvar o mundo a Maomé.

A Arábia Saudita usa as divisa do petróleo para divulgar o Corão e sustentar os mullahs que deviam estar no manicómio e se encontram, sem tratamento, à frente das mesquitas.

O Vaticano exporta moral e escândalos, impondo a primeira e escondendo os segundos.

Os protestantes evangélicos exigem o ensino do criacionismo e a guerra em defesa da bíblia e na promoção do seu Deus.

Os cristãos ortodoxos agarram-se aos Estados como as lapas à rocha e não prescindem dos privilégios que ao longo dos tempos conquistaram.

Todas as religiões pretendem o monopólio porque – dizem -, há um só Deus verdadeiro. A teocracia é para as religiões o modelo de Estado ideal , condescendendo estas que o Estado seja laico desde que se submeta à vontade do Deus de cada uma.

É neste caldo de cultura que os homens e mulheres livres têm de impor a Deus os princípios democráticos e ao clero o respeito das leis que os povos livremente decidem.

Deus pode ser uma ideia tolerável, como as fadas e os duendes, se não interferir com a vontade dos povos e os ideais de liberdade que se devem ao secularismo e à laicidade.

O ódio do clero à liberdade, em qualquer religião, rivaliza com a embirração de Maomé com a carne de porco.

1 de Junho, 2006 Carlos Esperança

O Deus da minha aldeia

Na aldeia onde fui criança soía as famílias agradecerem a Deus a fome que sobrava das refeições, os governantes que eram e a bondade divina pelos filhos que arribavam.

Na escola, o intervalo do almoço era cumprido com uma côdea de centeio com algumas semanas de cozedura e, no tempo próprio, amoras silvestres ou figos colhidos à socapa pelos garotos, na ausência do dono.

Apenas a fé era robusta e firme a determinação em cumprir a vontade de Deus, entidade que as catequistas louvavam e descreviam como a mais pérfida e sinistra das criaturas.

O padre era o único indivíduo motorizado nas paróquias que lhe cabiam. Usava batina preta com nódoas variadas. No cocuruto fulgia a alvura de um círculo no coiro cabeludo – a tonsura -, exibida com vaidade como marca do Vaticano.

O sino da igreja tocava para um ror de situações, desde os fogos a que urgia acudir até à fonte que era preciso despejar e lavar. Mas era quase sempre ao serviço das almas que as badaladas soavam, com som pungente a finados, estridentes nas procissões, aflitas em caso de acidente ou arrastadas à hora das trindades.

Deus estava em toda a parte, nos calos dos joelhos, nas persignações, nas ave-marias e no terço que todos os dias de Maio enchia a igreja para conversão da Rússia.

O mundo era então pior do que hoje, embora não pareça. Comunistas, judeus e maçons eram inimigos do Deus das catequistas e do Sr. padre e quem aturava o azedume divino eram as crianças, que se fartavam de rezar para lhe aplacar a ira.

A miséria, a fé e o analfabetismo eram a herança legada de geração em geração até que uma professora briosa resgatou as pessoas ao analfabetismo e o conhecimento começou, lentamente, a expulsar Deus.

Até o padre se cansou e trocou a batina e o breviário por uma paroquiana.

31 de Maio, 2006 Carlos Esperança

Ateísmo e equidade

Sinto-me alvo de injustiça quando os católicos me acusam de privilegiar a sua Igreja em detrimento das outras.

Sempre considerei todas as religiões falsas. Nunca poupei os judeus das trancinhas à Dama das Camélias que execram a liberdade, a carne de porco e a integridade da Palestina. Nunca fui solidário com quem marra piamente no Muro das Lamentações, apenas sinto alguma piedade pelas pedras seculares e a sua preservação.

Não me canso de denunciar o carácter misógino das religiões do livro, a sanha contra a liberdade, a sua homofobia assassina, enfim, a glorificação de um Deus demente, cruel, sádico e apocalíptico.

Não vejo no protestantismo evangélico, que exige o ensino obrigatório do criacionismo nas escolas públicas e uma vida de acordo com as determinações bíblicas, maior abertura intelectual do que nos mullahs que deliram a lapidar mulheres adúlteras para deleite de Maomé.

O Papa, como vértice da pirâmide de anacrónicos sacerdotes do obscurantismo, tem, é certo, gozado de especial e merecido destaque. A forma como interfere, através dos núncios e das conferências episcopais, nas decisões democráticas dos países livres, torna-o um alvo apetecível.

Longe de mim considerar uma mentira melhor do que outra, uma religião menos perigosa do que a concorrente.

Mas não nos iludamos, não é nas mentiras da fé que está o perigo, é no poder do clero.

30 de Maio, 2006 Carlos Esperança

Ainda a beata de Viseu

A cerimónia de beatificação da freira Rita Amada de Jesus esteve marcada para 24 de Abril e aconteceu – como foi público -, em 28 de Maio.

A Igreja católica, na sua mais jurássica expressão de que a diocese de Viseu tem sido paradigma, dá preferência a certas datas. O 24 de Abril ou o 28 de Maio são datas que a pia nostalgia autóctone não deixa cair no olvido.

A beatificação da freira deve ter constituído uma euforia para a superstição autóctone, um lenitivo para uma região a que falta desenvolvimento mas sobra piedade.

Da sepultura do cemitério de Ribafeita saltou um milagre do cadáver da freira, no ramo da gastrenterologia, milagre que o Vaticano logo reconheceu com a autoridade que lhe sobra na matéria e a honestidade que se lhe conhece.

Em 1989, no Brasil, uma mulher, atingida por doença mortal no intestino, curou-se por intercessão de Rita Amada de Jesus. O Papa nunca tem dúvidas e raramente se engana.

Creio que é uma glória para nós, portugueses, sermos capazes de milagres como os mais avançados que se fazem no estrangeiro, concebidos e executados por cadáveres pios, sem necessidade de tecnologia importada.

Basta uma freira com gosto pela flagelação e por rezas para conseguir o milagre pedido por uma devota supersticiosa e aflita. É espantoso um milagre saído de um cemitério dos arredores de Viseu a caminho do Brasil.

Só me surpreende que Deus não faça milagres fora da área de influência da ICAR para mostrar aos ímpios a sua força e distribuir os milagres pelas aldeias das várias religiões.