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Carlos Esperança

31 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Quem assassinou João Paulo I?

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«Nesse mesmo dia teve lugar um acontecimento que deveria ter alertado o Papa a respeito da sua segurança pessoal. O Papa recebeu uma das maiores autoridades ortodoxas, o metropolita Nicodemo de Leninegrado. Os dois homens sentaram-se tranquilamente a beber café, mas assim que deu o primeiro golo o russo caiu ao chão e morreu quase instantanea- mente. O resultado oficial foi enfarte, embora fosse um homem relativamente jovem, de 49 anos, e segundo todos os indícios bastante saudável.»

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Grandes conspirações da História – DN, 30-o8-206

Grandes conspirações da História – DN, 31-08-2006

29 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Religiões e liberdade

Quando julgamos que a religião que nos oprime é a pior há sempre a possibilidade de encontrar outra mais opressora.

A intolerância do catolicismo, as mentiras metódica e sistematicamente difundidas e a aliança com o poder, por mais cruel e abjecto que pudesse ser, não são um paradigma da fé sedeada no antro do Vaticano, são uma constante do clero dos vários monoteísmos.

Mesmo que não acreditem, os clérigos empenham-se em convencer os incautos de que Deus agarrou um apóstolo e lhe ditou as suas vontades. Por muito absurdas que sejam, por mais perversa que se afigurem, é difícil rever as parvoíces e os desígnios que lhe atribuíram os homens e se tornaram o ganha-pão dos sacerdotes.

Nenhuma religião dispensa os rituais iniciáticos nos filhos dos crentes avençados.

A circuncisão ou o baptismo são a nódoa que mancha os primeiros passos de um neófito como o ferro em brasa de uma ganadaria marca o gado.

A apostasia é a emancipação de um livre-pensador do dogma e das piruetas litúrgicas, a afirmação da liberdade perante as litanias do clero e dos seus satélites que, não raro, se converte em risco de perseguição e morte.

É preciso conhecer a demência do protestantismo evangélico, a estupidez cruel do Islão ou as idiotices do judaísmo ortodoxo para nos darmos conta do imenso capital de tolice e maldade que encerram as religiões reveladas, plágios sucessivos cada vez mais cruéis.

Deus podia ter sido um mito divertido mas converteu-se, por vontade dos autores, num biltre incapaz de se submeter às regras da urbanidade e da democracia, numa perversão apocalíptica que espalha o terror e imbeciliza os crentes.

29 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Laicidade e tolerância

É interessante verificar que os muçulmanos franceses são mais tolerantes do que os seus vizinhos europeus e que em muito maior número consideram a identidade nacional mais importante do que a religião.

Segundo a sondagem, de acordo com o «Le Monde», em França 78% dos muçulmanos pensam que a sua comunidade deseja adoptar as tradições francesas enquanto apenas 41% em Inglaterra e 30% na Alemanha acreditam no desejo de integração.

Após a polémica da proibição do véu islâmico nas escolas públicas e as críticas à França (com a única Constituição europeia que expressamente impõe a laicidade) morrem os argumentos que tinham por objectivo aumentar a influência política das religiões.

Uma vez mais se digladiam duas concepções antagónicas, a defesa do comunitarismo e a supremacia da cidadania.

Não se pode combater a segregação mantendo-a e acabar com o «multiculturalismo» político mantendo o multiconfessionalismo do sistema educativo.

Como escrevia, há dias, Ricardo Alves, dirigente da Associação República e Laicidade:

«Enquanto o sistema escolar britânico não deixar de ser baseado em escolas segregadas religiosamente, problemas como o da Irlanda do Norte ou do 7 de Julho de 2005 não serão de resolução ou prevenção fácil».

Os factos acabam por desmentir a presunção.

28 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

O Vaticano e as células estaminais

Quando a civilização avança recua Deus como a lepra com os antibióticos e a cólera e a febre-amarela com a vacina.

Em períodos de crise Deus reaparece como, durante o estio, as pulgas nos cães. Não faltam agentes transmissores – padres, rabis, mullahs e pastores -, capazes de modificar uma pessoa sadia num beato exacerbado.

Foi certamente na defesa de Deus que os padres amaldiçoaram os medicamentos e se danaram com as vacinas, certos de que os avanços da medicina ridicularizariam os seus milagres e erradicariam Deus, como acontece a outros agentes patogénicos.

Mas tendo-se Deus sumido do convívio dos homens não ficou quieta a padralhada e eis que se apresenta como intérprete da sua vontade.

Tornadas obsoletas a inquisição e as fogueiras restou o Inferno como veículo do medo e ameaça para quem despreza a vontade do mais exótico empregado divino, de sapatinhos vermelhos e orelhas aconchegadas sob o camauro.

Virou-se agora o sumo parasita de Deus, ditador vitalício do Vaticano, para a luta contra o preservativo, o aborto e a sexualidade. É um velho clérigo que considera indissolúvel o celibato e se julga presidente da Sociedade Protectora dos Embriões (SPE).

À medida que a idade e o emprego o tornaram casto desenvolveu um acrisolado amor às células embrionárias onde julga poder achar-se o seu Deus, farto de o procurar em todo o lado sem encontrar o mais leve vestígio ou a mais ínfima pista.

É por isso que os cientistas, enquanto procuram avançar com soluções para prolongar a vida e melhorar a sua qualidade, têm a ladrar-lhe às canelas mastins dos diversos credos, incapazes de aceitarem o progresso, a modernidade e, sobretudo, a ciência.

27 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

MINISTRA DO OPUS DEI DEFENDE ESCOLA RELIGIOSA

A ministra britânica para as Comunidades, Ruth Kelly, defendeu, em Londres, o papel das escolas religiosas, perante acusações de fomentarem a segregação entre pessoas de diferentes credos religiosos.

A Europa secularizada e democrática esquece as lutas que travou e o sangue que verteu na defesa da liberdade para ceder a pressões e capitular perante o proselitismo religioso, através de líderes que se vendem por um punhado de votos.

Na Inglaterra, a ministra Ruth Kelly, membro do Opus Dei, nomeada por Blair, que gosta de afirmar publicamente a sua religiosidade, e, quiçá, convertido ao catolicismo, defende as escolas religiosas face à escola pública, uma forma de entregar crianças ao proselitismo dos credos que se digladiam em busca da hegemonia no mundo globalizado.

Às escolas protestantes e católicas juntam-se agora as islâmicas, sikhs e hinduístas.

A fanatização de crianças fica ao alcance de clérigos que orientam ideologicamente a formação e substituem os professores que educam para a cidadania.

Neste retrocesso histórico e civilizacional, no atropelo à escola pública e no desprezo pela laicidade germina a semente do ódio e da competição religiosa.

Quando os líderes dos Estados laicos abdicam do papel de árbitros e se conluiam com os chefes religiosos lavram os campos onde semeiam ódio, cultivam rivalidades étnicas e colhem sentimentos comunitaristas em detrimento da cidadania.

A cobardia de alguns dirigentes políticos põe em perigo a liberdade, mina os alicerces da democracia e abre caminho para regimes teocráticos que fomentam a intolerância, o terror e a guerra.

26 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

16ª Conferência Internacional da Sida

Regresso ao tema já tratado, e bem, pela Palmira.

No dia 18 do corrente mês terminou em Toronto a 16.ª Conferência Internacional da SIDA, uma pandemia que, só em 2005, matou 2,8 milhões de pessoas e provocou mais 4,1 milhões de novos contágios.

A Conferência da SIDA terminou com um apelo ao mundo para que seja garantido acesso universal à prevenção e tratamento do vírus.

Há actualmente 39 milhões de portadores do vírus da Sida, tendo a epidemia já causado a morte a 25 milhões de pessoas desde os primeiros casos diagnosticados em 1981.

Apesar da tragédia que se abate sobre a humanidade há um minúsculo Estado totalitário que insiste na castidade e na fidelidade como únicos meios de prevenção – o Vaticano.

A teologia do látex continua a ser a única perfilhada por aquelas criaturas, cujo celibato é indissolúvel, e que consideram o preservativo uma abominação.

Não sei se Deus preveniu Moisés contra o preservativo, se a bíblia, esse manual de ódio, intolerância e racismo, diz alguma coisa sobre a camisa-de-vénus, mas sabe-se do ódio que o Papa, bispos e padres nutrem pelo meio mais eficaz de prevenção do contágio.

O Papa e outros parasitas da fé que o amam, como as pulgas adoram cães, têm prestado à humanidade um péssimo serviço e são responsáveis, com as suas posições, por maior número de mortes do que as que infligiram, pelo fogo, durante a Inquisição.

O Vaticano ainda não aceitou que o preservativo é o meio mais eficaz para prevenir a SIDA e as doenças sexualmente transmissíveis, porque o negócio das almas é mais importante do que a felicidade dos homens e mulheres que habitam o Planeta.

24 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Milagre verdadeiro

«Um homem de 47 anos que não podia mover-se por ter a cabeça do fémur necrosada vai poder voltar a andar, dentro de três meses, após uma operação efectuada no Hospital San Carlos de Múrcia, em Espanha. Os médicos reconstruíram os ossos com células estaminais retiradas da pélvis do doente». Fonte: EM FOCO – VISÃO, hoje, pág. 24.

Depois disto que poderemos pensar dos guardiães da moral que se opõem a qualquer investigação com células estaminais?

A demente cruzada contra a ciência vem de quem teme os seus avanços e tem disponíveis milhares de burlas para apresentar como milagres.

21 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

O catolicismo nazi ou o nazismo católico

O nazi/fascismo foi a lepra que corroeu a Europa e a mancha cruel que alastrou a outros continentes antes da brutal carnificina a que daria origem.

A guerra de 1939/45 ou, mais exactamente, desde 1936 com o assassinato de quase um milhão de espanhóis, a maior parte dos quais da responsabilidade do devoto católico, Francisco Franco, provocou um mar de sangue e horror que ainda hoje arrepia.

Foram cerca de 60 milhões de vítimas, repugnando, pela violência racista e crueldade, o Holocausto que matou nos fornos crematórios seis milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais, deficientes e outras minorias.

No século XX era impensável uma espiral de violência e orgia de sangue que mudaria a face do mundo e deixaria traumas para a posteridade.

Da Alemanha de Hitler tem-se dito quase tudo e é conhecida a máquina de extermínio que foi meticulosamente posta em marcha.

Esquece-se, porém, o violento e cruel Holocausto levado a cabo pelo nazismo católico da Croácia, ainda hoje lembrada como «croástica», com 487 mil sérvios ortodoxos e 27 mil ciganos assassinados. Dos 30.000 judeus assassinados na Jugoslávia, 20 a 22 mil morreram nos campos de concentração ustachis e os restantes nas câmaras de gás.

Resta dizer que o arcebispo de Zagreb, Stepinac, foi sempre solidário com os princípios do novo Estado da Croácia e se esforçou para que Pio XII reconhecesse o carrasco Ante Pavelic como um dos pilares essenciais da Igreja católica na Europa eslava.

Para Stepinac, Pavelic era um católico sincero e, do alto dos púlpitos exortava-se a população a rezar pelo algoz e pelos padres, quase todos franciscanos, que cooperavam nos morticínios.

As orações teve-as o Vaticano em conta quando, após a guerra, participou activamente na colossal operação de salvamento de criminosos contra a humanidade, conduzindo-os à América do Sul, depois de ocultar em igrejas, mosteiros e outros pios refúgios, incluindo o complexo de Castelgandolfo, a mais abjecta e repelente corja de assassinos.

Stepinac, arcebispo-primaz da Igreja Católica da Croácia, enviou uma carta ao ditador Ante Pavelic na qual referiu as opiniões favoráveis de todos os bispos às «conversões forçadas». Foi esse patife que JP2 II beatificou denunciando a verdadeira face da ICAR.

Os horrores são tantos e tão hediondos que dói recordá-los. Só não podemos deixar de execrar a cumplicidade da Igreja católica no horror nazi, primeiro, e, depois, na ajuda à impunidade dos mais sinistros dos seus carniceiros.

Os cardeais Montini (futuro Papa Paulo VI), Tisserant e Caggiano, definiram as rotas de fuga e alguns prelados, Hudal, Siri e Barrieri, concretizaram os trâmites necessários para criar documentos e identidades falsas para os criminosos. Foram padres, cujo nome se conhece, que assinaram pelo seu punho os pedidos para a concessão de passaportes da Cruz Vermelha a criminosos como Josef Mengele, Adolfo Eichmann, Ante Pavelic e Klaus Barbie, entre outros.

Fonte: A Santa Aliança – Ed. Campo das Letras, de Eric Frattini