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Carlos Esperança

9 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Jesus de Nazaré – um livro de B16

O JC que os padres ressuscitaram ontem vai ser objecto de um livro de B16. Não é que o Papa acredite nele ou que falte literatura sobre o judeu que se dedicou aos milagres e à pregação, mas exige o múnus que faça algo pela sua promoção.

O monarca absoluto do Vaticano – um Estado criado pelo ditador fascista Benito Mussolini – é o único chefe de Estado europeu cujo poder não é limitado por uma Constituição. Responde apenas perante Deus e a título póstumo.

Não deixa de ser interessante o cuidado com que B16 fala do patrão, da diferença entre o mito que o povo venera e a realidade que a história pode pôr a nu. JP2 era crédulo e não se deixava impressionar pelas evidências científicas, mas o ditador actual é mais sábio e desconfia de Deus. Sabe que a investigação arqueológica pode atirar com as mentiras, laboriosamente elaboradas durante vinte séculos, para o caixote do lixo.

«Por isso, cada um é livre de contradizer-me» – diz B16, interessado apenas a salvar a apólice do cristianismo do incêndio da verdade histórica. Quanto mais dúvidas forem postas agora no livro em que promove a estrela da Companhia, mais débeis parecerão as certezas que a ciência vier a construir.

Se os papas não fossem suficientemente inteligentes e dissimulados, a fábula de Cristo há muito que tinha sido arrumada nos livros de história da mitologia.

8 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Portugal – Dia negro para a ICAR

Hoje foi um mau dia para a ICAR.

1 – Se Cristo ressuscitou ninguém o viu;

2 – Os milagres do Escorial, protegidos pela diocese de Madrid, estão sob suspeita do Ministério Público espanhol e português e viu-se o espectáculo montado, em directo, em reportagem da SIC;

3 – O achamento arqueológico do túmulo de JC, com a amantíssima Maria Madalena e o filho é um tiro na pouca credibilidade, estando o documentário previsto para o próximo domingo;

5 – No Canal 1, o documentário «Moisés» – segundo informação de um leitor do DA -, desmontou a fábula relacionada com a fuga dos hebreus do Egipto e esclareceu como as «pragas» aconteceram e como os judeus «atravessaram» o Mar Vermelho, chegando à conclusão de que não houve UM êxodo, mas de que terá havido vários.

8 de Abril, 2007 Carlos Esperança

México – escândalo e crime

No México, a congregação religiosa «Irmãs de Maria» dirige uma instituição de ensino, onde as regras pedagógicas estão mais próximas das de um campo de concentração nazi do que das de uma escola.

As restrições às visitas de familiares faziam parte do processo educativo, na «Vila das Meninas», um internato de 3.000 adolescentes que frequentavam o ensino secundário e o bacharelato confiadas à devota vocação pedagógica das freiras.

As sevícias exercidas levaram algumas jovens a perder o andar e a fala e a contraírem graves perturbações de natureza psicológica.

Os professores que denunciavam a natureza repressiva e o comportamento demente das freiras eram imediatamente despedidos.

Mais do que a incúria do Estado que se demite de acompanhar os estabelecimentos de ensino particular, a miséria, o analfabetismo e o temor reverencial à Igreja conduzem a indizíveis níveis de sofrimento e humilhação das crianças de países pobres.

Notícia 1; Notícia 2; Notícia 3; Notícia 4 DA/Ponte Europa

6 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Uma questão de prudência

TRADIÇÃO

O Patriarca Policarpo cumpriu ontem o ritual de lavar os pés, tal como Jesus o fez aos apóstolos – segundo a ICAR.

Os escolhidos deste ano foram 12 pessoas, entre estudantes e ex-alunos, da Universidade Católica de Lisboa, confiante nos hábitos higiénicos da clientela seleccionada.

É uma sorte (para o Patriarca) que os apóstolos não tivessem o hábito de tomar banho completo.

6 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Páscoa, milagres, relíquias e carbono 14

A ICAR mantém o Cristo morto, por masoquismo, para sofrer a Quaresma, e enche de júbilo os créus, que se alambazam em comidas, com a certeza de que o patrão ressuscita na Páscoa.

Enfrascam-se os devotos, indiferentes ao peso e ao colesterol, ansiosos por assistirem ao número, todos os anos repetido, da Ressurreição.

Para matar o ócio, o Vaticano vai servindo missas, procissões, homilias e orações numa fúria beata que afaste o rebanho do pecado. Para aumentar a panóplia de engodos, serve milagres de JP2 ao público e beatifica-o.

Dos muitos milagres que o taumaturgo obrou, escolheram o de uma freira que também era tremente a Deus e se curou, graças à intercessão do cadáver do polaco.

A ICAR esconde milagres provados: a impunidade do homicídio do chefe da Guarda Suiça, da mulher e de um soldado (o Vaticano atribuiu o assassínio do casal ao último, que se suicidou com a mesma pistola e uma bala de calibre diferente). Milagre!

JP2 opôs-se à extradição do arcebispo Marcinkus que os tribunais italianos queriam julgar pela falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. Milagre! Já eram dois.

Só a ciência prejudica a ICAR. Os restos mortais de Joana d´Arc, fartos de aliviar moléstias e de curar devotos, constam de uma costela humana enegrecida, uma tíbia de gato e fragmentos de pano de uma múmia com a idade compreendida entre os séc. VII e III anteriores à nossa era.

O carbono 14 faz pior às relíquias da ICAR do que o CO2 ao aquecimento global.

5 de Abril, 2007 Carlos Esperança

A agonia da fé aumenta a raiva do Vaticano

A mitologia cristã vive, há dois mil anos, da liturgia e dos embustes. Nos produtos mais refinados da mitologia constam a virgindade de Maria e a Ressurreição do patrão.

Pio IX, um déspota cheio de ódio e de fé, digeriu mal a perda do poder temporal e criou dois dogmas, para compensar. Colocou um hímen na vagina da Virgem e atribuiu-se o dom da infalibilidade. A síntese do seu pensamento está na frase: «O catolicismo é incompatível com a democracia» – ideia que a história confirma e os sucessores honram.

De todos os déspotas que usaram a tiara, Pio IX foi, nos últimos duzentos anos, o mais violento e amoral. O rapto de uma criança judia, seguido de baptismo e de catequização, criou um padre católico perante o desespero dos pais que o perderam. Pio IX foi o Papa mais anti-semita dos últimos dois séculos, Pio XII incluído.

Agora que B16 chegou ao trono que a tradição atribui ao apóstolo Pedro, complica-se a vida para o último ditador europeu. A democracia é o inimigo que não pode afrontar por palavras. A laicidade é o calcanhar de Aquiles da vocação totalitária do Vaticano, mas o Papa não desiste de a combater e de aliciar outros dignitários das religiões concorrentes.

A possibilidade remota de ter sido encontrado o túmulo do improvável Jesus põe B16 em estado de choque. Não que ele estivesse convencido de que o patrão emigrasse em corpo para as paragens celestiais, mas era o truque que Maomé e Buda não fizeram.

B16 conseguiu que várias sucursais do Vaticano tivessem proibido o documentário produzido por James Cameron – «O Túmulo Perdido de Jesus» -, mas o mundo tem espaços de liberdade e o filme faz o seu percurso. O que irrita o celibatário do Vaticano é a possibilidade de o patrão ter tido filhos, uma heresia que podia pôr as beatas a pensar como seria doce afagar-lhe o corpo e mordiscar-lhe as orelhas.

Assim, o perigoso ditador procura minar as democracias e fazer regredir a humanidade. O perigo que representa o velho déspota é objecto de uma excelente análise neste artigo do jornal francês «Le Monde». Grande lucidez e terrível premonição.

4 de Abril, 2007 Carlos Esperança

O Opus Dei fez uma OPA amigável ao Vaticano

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O Papa Bento XVI convidou hoje os jovens «a servir a Cristo e ao próximo», citando como exemplo as palavras e doutrinas do São Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador do grupo Opus Dei, durante a audiência pública.
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Comentário: De facto, o abominável santo serviu a ditadura espanhola de Franco com devoção. Os mortos e exilados contam-se por 1 milhão de vítimas.